06 março 2008

Ir e voltar: entre dois amores


Chegamos de volta do Brasil ontem.
E para variar o cardápio das nossas voltas, os funcionários do aeroporto de Frankfurt estavam em greve e nossos vôos atrasaram. 
No entanto, vou começar esse retorno sem chorumelas.
Porque uma viagem longa assim sempre é muito cansativa e o retorno exige novamente uma readapção.

É verdade que estranhamos o tempo.
Saimos dos 30 para chegar por aqui com neve.

É verdade também que estranhamos a falta de gente e as babás perfeitas do Angelinho.
E ele também.

É verdade que ficamos com a um nó na garganta de pensar a ausência.
Ausência daqueles que amamos e das coisas que gostamos de ter e fazer.

Uns dois dias antes de voltar já estávamos com uma certa angústia da separação.

Mas, tô aqui escrevendo de frente para a janela do novo apartamento onde estamos.
E se tudo está por fazer, comprar e arrumar, tenho uma vista linda daqui de onde estou.

Apesar do frio, o céu está claro e azul. E assim tem ficado até umas seis e meia da tarde.
Tudo mudando para a chegada da Primavera.

Se tenho tudo para acertar neste retorno, tenho também muito para viver. Para aprender. Para curtir e depois morrer de saudade.

Importante mesmo é que aproveitamos o que tinha de bom daí nesses vinte e poucos dias.
E agora cabe-nos viver bem o que temos aqui.
Toda a diferença!
Toda a rica, dura e deliciosa diferença!

Quero me lembrar do Ângelo gargalhando de fraldas no Brasil e, ao mesmo tempo, saber que ontem ele começou a dar gritos de alegria ao ver a neve pela janela do aeroporto.
Quero saber que tudo me é possível, seja a 30 ou zero graus.
Toda a alegria,
todo desejo,
toda esperança.

Viver só me é dado uma vez.

Espero encontrar alguns de vocês aqui, embora eu tenha sumido esse tempo.
Um grandíssimo beijo, um abraço de "òtima semana para todos nós!".

E!!! Fernando Pessoa para começar a nova fase.

.....


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.


Fernando Pessoa.

5 comentários:

Anônimo disse...

Eu estava com saudades dos seus escritos...Que bom que vcs aproveitaram a viajem.
Welcome back!
bjs.

Sandra Reynolds

Somnia Carvalho disse...

Sandra, aproveitamos sim! e cheguei sabendo da noticia deliciosa do Lucas!!! parabéns, parabéns, parabéns! tentarei ligar para vocês!!!

Andréa disse...

Sô,
Pena que não nos vimos desta vez. Pena que não vi o pequeno grande fofo. Mas também dei uma sumida, com minha mudança. O fim da reforma foi um pouco tumultuado. Ainda me sinto em adaptação na nova casa, na nova vida. Mas logo logo eu volto pro meu blog e pros nossos papos virtuais.
Bjs e tudo de maravilhoso na sua volta, tá?
Bjks
Andréa

Tia Dri disse...

Vocês já estão fazendo muita falta por aqui de novo...

Bjs,

Tia Dri

Somnia Carvalho disse...

Andréa e Dri,

tem que ter encontro no bar da cabrita lá... esqueci o nome! beijosss!