10 fevereiro 2011

"Qui m´importa, qui m´importa, o seu preconceito qui m´importa"

(Benjamin, mãe sueca e pai africano, Samuel, mãe sueca e pai inglês, Ângelo, nascido na Suécia com pais brasileiros e Henrik, mãe e pai suecos, Malmö, 2010)


Faltam 11 dias para minha mudança e as coisas aqui estão corridas, mas eu quis parar e fazer um link com o post da super Lilás de hoje, sobre como ela ouve nossos sotaques mesmo na escrita e como isso cria uma ligação com cada pessoa.

Esses dias eu vinha falando exatamente de como a Suécia me deixou curada ao menos de uma coisa: vergonha do meu sotaque caipira do interiorrr.

Juro!

Provavelmente resultado da convivência com gente de todo canto do mundo e com quem aprendi a falar em inglês ou sueco - carregado de sotaque dos dois lados - e que tinha um modo diferente de falar até mesmo de seus conterrâneos, dependendo da região de onde vinha.

Lembro sempre das aulas de sueco, onde as professoras adoravam enfatizar que aprendíamos era o sueco oficial, de Estocolmo, porque o do sul, de Malmö e da Skåne toda, era muito forçado e, na opinião de muitos, horrível!

Bom, Ângelo falava sueco fluente e falava com sotaque do pessoar do sul. Aprendeu sueco sozinho, perfeito, só de ouvir a criançadinha e as professoras na escola falarem o dia todo. Como não se orgulhar do sotaque aprendido por ele e do sotaque que vinha das pessoas mais amigas e queridas?

O meu sueco ficou menos skönska, mas eu nunca consegui repetir os sons como Ângelo fazia, já que carregava meu português e ele vinha zerado na cabeça.

Não existe sotaque certo. Outra coisa é preconceito. Se aprendo portugues em São Paulo vou aprender português paulista, mas com tantas peculiaridades das regiões brasileiras é meio ridículo dizer que este é o sotaque correto.

Nasci numa cidadezinha chamada Pedrinhas Paulistas, uma cidadezinha para onde nunca voltei. Fui criada em Sumaré, perrrto de Campinas e depois vivi em Campinas, onde conheci Renato.

A chegada em São Paulo e o sotaque de nariz empinado dos paulistanos cujo "r" é pronunciado assim ére, não érre, me intimidava, inclusive porque meus alunos dos cursinhos tiravam umas com minha cara. Eu curtia, mas na verrrdade tentava imitar um pouco o r paulistano. E não conseguia, claro!

Então me dei conta na volta como isso não me incomoda mais. Como me sinto super orgulhosa de vir do interior, de ter trepado em árvore todo dia no quintal de casa, de ter viajado o mundo e voltado... Coisas assim. Orgulho do que sou. E o sotaque é tão nós mesmos que ninguém no mundo deveria ter vergonha de manter o seu nem precisaria passar tanto tempo fora para entender este valor.

Tô feliz que agora seja assim e tô é cantando junto com o Renato Teixeira "Qui m´importa... qui m´importa..."

E o seu sotaque como é?



5 comentários:

Lu Souza Brito disse...

Vixe Somnia,

Meu sotaque é um horror de tão misturado, ahaha.
Sou mineira, cresci no litoral norte de São Paulo convivendo com nordestinos e agora com cariocas, ahahah.
Fico 1 dia com uma pessoa de outro estado e pronto, já consigo falar quase igual. Maaaassss, a gente não nega as raizes e mesmo falando "meeeeeeu", e outros sotaques paulistanos, saindo um Vixi ou ôxe de vez em quando, quem fala comigo a primeira vez vai logo adiantando: Você é mineirinha né????
Não tenho vergonha dos meus sotaques não, uai!

Priscila disse...

Oi Somnia! meu nome é priscila e sou do interior de São paulo, minha cidade se chama Lorena pertinho de Aparecida do Norte e aqui o sotaque é bem carregado de interior, sabe tipo, porrrrrrrta!!! kkk é assim mesmo.
Sabe eu gosto muito do seu blog, sempre venho aqui pra ler coisas sobre a Suécia, desde que fui surpreendida pela noticia de que iremos mudar pra lá, pois o meu marido sera transferido pra fábrica de lá... fiquei louca, pois só sabia onde ficava a Suécia por causa das aulas de geografia do colégio,kkkk. Então seu blog me ajuda muito a me encorajar e tbm a conhecer algumas coisas sobre esse pais que é totalmente novo pra mim. Acho que vc deve saber como me sinto pois vc ja passou por isso de mudança!!!!! largar tudo pra ir com o marido, pois é eu ja até sai do meu emprego e por enquanto ainda estou me sentindo perdida, pois nunca fiquei sem trabalhar, e ainda pior eu não falo inglês, que dirá o sueco vou ficar doida, estou fazendo aulas, um intensivão mesmo, pra ver se me ajuda um pouco!!!! Se puder continuar me ajudando será ótimo! abraços!!!

Beth/Lilás disse...

Que foto mais emblemática essa, amiga!
E teu lindo filhote é um poliglota tão pequenino ainda.
Quanto a você, quero só ouvir um dia essa tal porrrrrrrta. Juro que não vou rir. kkkkkkkkkkkkkk
Enquanto isso, meu sotaque carioquês está bem mais dosado, ando me policiando para não ficar metida a bessssta! kkkk
Adorei seu post em conjunção com o meu!
bjs cariocas

Lúcia Soares disse...

Sônia, o sotaque mineiro é muito bom! rsrsr
A gente pensa que não o tem muito acentuado, mas quando converso com primos capixabas e amigos do sul do Brasil, eles riem de mim! rsrsr
Mas adoro meu sotque mineirim, de engolir final de palavra, mas não com o exagero das anetodas.
Beijos!
(Manda seu e-mail de novo? O que lhe mando mensagens vc não tem recebido. bj)
luciahsf@oi.com.br

Mari disse...

Bom, é clarrrrrro que meu sotaque é aquele super paulistano, rs... É engraçado isso... eu te conheço há tanto tempo e nunca ouvi a sua voz e acho que nem vc a minha, rs, rs, rs. Alem do ere eu ainda falo com aquele S prolongado sssssssonia, rs.
Mas meus pais são de São José do Rio Preto e apesar de sempre ter morado em Sâo Paulo, eu ia muito pra lá e rapidinho pegava o sotaque. Sempre adorei "saber falar os dois"... e agora, falando inglês, acho que este sotaque do interior é uma grande vantagem...

Agora que paulistano é besta, há isso é mesmo: nós adoramos acreditar que quem tem sotaque são os outros, rs...

bjs