30 novembro 2009

Na Suécia também não tem... abraços e beijinhos para qualquer um


Muito curioso que semana passada fiquei pensando em escrever um post curto sobre uma cena rápida que presenciei no workshop que dei lá na Sony Ericsson para as dezessete pessoas suecas que lá estavam.

Um dos rapazes havia saído no meio do trabalho e voltou tempos depois porque havia ido ao dentista. Essa saída e como isso ocorreria no Brasil é tema para outro post, mas o moço simpático e sorridente chegou depois e comentou com seus amigos que estava meio que chocado.

O que vocês achariam de receber um abraço, perguntou ele, nada mais nada menos do que da senhora sua dentista?

- O quê? Perguntaram vários e riram ao mesmo tempo.

- Hãnnn??? perguntei eu para mim mesma sozinha, porque inicialmente não entendi bulhufas da piadinha.

Meu! qual o problema!? Daí me lembrei rapidinho que uma outra amiga sueca tinha me dito que achara muito estranho quando nosso médico (eu e ela vamos ao mesmo - fantástico!- maroprata, tipo de quiroprata) Björn havia lhe dado um baita abraço no fim e que isso a constragia um pouco.

- Quê??? Te constrange?! Meu! Eu adoro! Hahá... E é verdade.

Esse médico e seu jeito incrível de ser e trabalhar também é tema para outro post, mas esse outro episódio me veio rapidamente à mente e aí entendi a piada do rapaz do worskhop.

Falei com ele que para mim simplesmente não fazia sentido a graça, já que seria natural ou ao menos não encararíamos como problemático que nossa dentista de anos, como é o caso dele, nos desse de repente um abraço de despedida.

Então isso tudo é curioso e mais ainda quando agora pouco li o post da minha amiga Ju. A Ju que já vive há mais tempo que eu na Suécia relatou um caso onde ela foi a abraçada por uma sueca e como isso lhe causou estranheza, já que a gente já sabe que em sueco não há abracinho, amassadinha quando a gente conhece pouco. De jeito nenhum! Beijinho? Por favor, tenha modos! Você pode até ser bem compreendido, mas pode fazer o outro virar uma fera com tanta intimidade sem porquê.

Quando você não é íntimo de um sueco ou sueca apenas lhe dê a mão e aperte firmemente. Sem triturar os dedos e sem mostrar falta de interesse. Simplesmente com confiança. E olhe nos olhos. Para eles é bem importante olhar nos olhos, inclusive quando se brinda alguma coisa... Isso aliás que também é tema para outro dos milhares de posts que eu sempre tenho em mente para escrever.

Ah! Só por curiosidade: no meu workshop fui abraçada por cinco pessoas das dezessete. Recebi abraço apertado da mocinha que chorou, de outros mocinhos e da gerente. Abraço e beijo. Então, vai lá entender a regra! Não precisa ser íntimo, mas vai ver a gente pode quebrar o gelo logo de cara ou vai ver há mais exceção na regra de comportamento sueco do que se conhece. Ou vai ver ainda nem todo sueco e sueca é igual um ao outro assim como nem todo brasileiro e brasileira também não o é!

E viva a diversidade! E as demonstrações de carinho!

Beijinho, abracinho e fungada no gangote da brasileira que precisa se controlar pra agir que nem sueca...

26 novembro 2009

"Always on my mind": sobre meu workshop e o que a arte pode fazer em nós

(Alguns objetos pessoais para criar uma atmosfera agradável e a programação da tarde escrito do jeito antigo, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Era cinco e trinta e quatro da tarde e a cidade já caía numa escuridão imensa. Da estrada eu via muitos pontos acesos nas casas e nas empresas ao redor e o farol do meu carro iluminava a estrada negra.

Ao som dos Pet Shop Boys cantando "Always on my mind" na rádio local, o dia todo e alguns momentos especiais iam passando pela minha cabeça tão rápido quanto a paisagem ao meu lado.

Em casa me aguardavam Ângelo e Renato e eu dirigia em direção a eles e atrás de mim ficara o grupo de 17 pessoas, todos suecos e suecas, que estavam no meu primeiro workshop de pintura na Suécia.


(Puxa sofá de outra sala, espalha livros, empresta tapetes e muda a cara séria da sala de reuniões, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Enquanto meu carro avançava sobre a paisagem negra da Escandinávia pensei em minhas primeiras turmas de redação em 1998, no Brasil, e no frio na barriga que senti nas primeiras vezes.

Pensei também nas primeiras aulas de pintura que tive, há sete anos, com minha agora amiga Eloísa. Nos cursos do MAM, em que a gente criava de tudo com as tintas e os papéis. Lembrei dos museus por onde andei pelo mundo e das telas maravilhosas que pude ver ao vivo. E também do quanto eu um dia iamginei ser a pintura apenas para alguns bem dotados.

Me vieram à mente ainda s aulas na universidade e de como eu me escondia entre as prateleiras da biblioteca de letras lendo Fernando Pessoa sentada no chão. Pensei nos dias solitários que passei com minha escrivaninha e Anita Malfatti, preenchendo páginas e páginas de um longo doutorado.

E, por último, me veio a expressão no rosto daquelas 17 pessoas, até então desconhecidas, com as quais tive contato ontem. Seus olhares e sua ansiedade para ouvir o que eu tinha a dizer. A forma como as suecas sairam literalmente correndo para pegar as telas maiores e iniciar sua pintura. O jeito dos moços sorridentes e brincalhões constatando que haviam se sentido muito bem durante todo o tempo e que os colegas todos deveriam ter uma tarde daquela.

E assim como num filme eu lembrei de todos me elogiando e me agradecendo no final e pensei como é normalmente fácil para a gente reconhecer que os outos são bons, mas por que será que é tão difícil aceitar que a gente mesmo possa ser essa pessoa admirável, digna de elogios?

Foi o que tentei falar ontem um pouco. Todo mundo é capaz de criar. O mais difícil não é o desenhar e o pintar em si, mas estar aberto para olhar para as coisas de um jeito novo.

O workshop foi um sucesso. Assim foi o que a amorosa gerente do grupo me disse inúmeras vezes. Falando em inglês, apesar de todos eles terem o sueco como primeiro língua, eu falei rapidamente sobre algumas teorias de desenho e pintura e como liberar a parte do cérebro que cuida da criativade de um jeito mais rápido e fácil.

Exercícios de desenho com fundo musical, conversa e partilha, pintura com ajuda individual. O grupo pôde criar o que queria e fui ajudando individualmente cada um.


(Os integrantes da equipe de Gunilla na primeira atividade de desenho, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Meu inglês tropeçou em alguns momentos, mas deu para o gasto, embora eu tenha sentido que preciso ler mais, praticar mais para ter um vocabulário mais rico. Apesar de que isso não parece ter sido um problema. Animados, alguns disseram querer começar a pintar mais em casa. Outro simpático rapaz saiu decidido a fazer um curso de pintura no período da noite, depois do trabalho e voltar ao seu antigo hobby que era pintura. Outros propuseram que eu desse o workshop para mais grupos e que façamos exposições nos prédios da Sony Ericsson em Lund com todas as pinturas feitas durante os encontros. Uma das moças, linda e tímida, chorou e me abraçou, como normalmente os suecos não o fazem quando não conhecem alguém. Confessou que teve duas perdas há alguns meses e está passando um período difícil. A pintura tinha a ajudado a liberar seus sentimentos e projetar um mundo mais branco no futuro. Entre tumultos negros e sangue uma figura ia em direção a luz...



(A empolgação masculina não perdeu em nada para a feminina, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Outros faziam piadas com sua tentativa de pintar e não se sair tão bem. Eu ia aqui e ali. "Sônia, please, can you help me here..." E tudo foi tão bom.

No volante e na escuridão eu me senti extremamente aliviada, feliz, orgulhosa de mim mesma e até um pouco poderosa. No bom sentido. Poderosa no sentido de que a gente as vezes percorre um caminho e percorre e percorre e de repente vê resultados. Senti uma coisa gostosa como a que sentia quando estava na frente de 120 alunos nos pré-vestibulares do Brasil. É algo realmente bom saber que sei algo que o outro quer aprender. Saber que posso partilhar o que aprendi nos livros, na vida durante esses anos.

Aprender é fantástico, mas ensinar, para mim, é fantástico e meio. Ter a sensação de que posso acrescentar alguma coisa na vida do outro e talvez mudá-la um pouquinho é bom demais. E tenho até um problema obsessivo de quando estou aprendendo algo novo eu já penso em como posso ensinar aquilo.

A sala de reuniões da grande empresa sueca ontem parecia um ateliê de pintura no Brasil. Mudei tudo, tirei móveis, coloquei outros, levei livros, flores, música, pinturas e telas. E minha amiga Xu que, por acaso trabalha numa outra área, estava lá para me dar uma super ajuda. Na Suécia não tem a moça que faz o café, nem o moço que carrega os móveis, nem a que faz a limpeza depois. Fiz, fizemos tudo sozinhos. Desde a tranformação, que uma outra loirinha disse que nunca mais se esquecerá, quando estiver em uma reunião na mesma sala, até a limpeza total. No fim, ficaram alguns para me ajudar e inclusive levar todo meu material até o carro.
Isso é bem legal nos suecos. Ninguém acha que a parte dele, mesmo que ele seja um super gerente, não inclua pôr a mão na massa.


(Charlotte em seu momento criativo, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

E é assim. Como tudo na vida o workshop passou. E espero, creio que outros virão. Tenho planos e é isso que me leva sempre adiante. Muitos. E ontem, cantarolando no carro eu pensei neste post e em dizer uma coisa para vocês hoje: que o sentimento que eles todos tiveram ontem não foi proporcionado por mim, sem falsa modéstia. O que eles sentiram tem a ver com a transformação maravilhosa que a arte pode fazer conosco.

Criar é algo que simplesmente nos modifica por inteiro.

Ontem me lembrei de coisas remotas que já fiz como curso de pintura em guardanapo, quando era bem adolescente. Do curso de pintura art noveau em espelhos com uns 18. De quando cantei em corais na mesma época e como decorava os salões das comunidades onde organizávamos encontros. Lembrei-me com saudade do curso de dança flamenca em Campinas, quando eu tinha uns 25, dos de pintura e o atual de cerâmica.

Em todas essas experiências eu me senti como que flutuando para um outro mundo. A arte, qualquer que seja, pode tirar-nos desse mundo e transportar-nos para um mundo melhor. Um mundo de sensações e possibilidades. E a única coisa que precisamos fazer é experimentar. Tentar.


(E a bagunça estava formada, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Você pode tentar qualquer coisa. Não precisa ser pintura. Nem desenho. Pode ser qualquer outra atividade criativa. Você pode cantar num coral, pode fazer oficinas de escrita, pode fazer decoupagem e transformar seu móvel velho. Pode se inscrever num curso de bijouterias perto da sua casa. No Brasil há simplesmente um leque enorme de cursos, alguns grátis inclusive, para se fazer e aprender. Juro para vocês! Não consigo imaginar minha vida sem essas sensações. Não consigo imaginar minha vida sem literatura, sem música, sem filosofia, sem arte, sem pintura. Não mais. Antes disso tudo eu sempre vivi bem sim, mas esse portal mágico só se abriu depois de eu ter me aberto para isso tudo.

E se você resolver provar tenho certeza que não vai querer mais voltar atrás... como eu e talvez como alguns suecos e suecas simpáticas que tive o prazer de conhecer ontem.

...

ps: eu consegui decorar quase o nome de todos eles, mas como não pedi autorização para escrever o post, apenas para as fotos, eu não estou citando os nomes de cada um.

Uma foto, mil lembranças: Uruguai na memória

(Fernanda em sua viagem inesquecível ao Uruguai)

A Fer, socióloga, pesquisadora e feminista engajada, do Athena do meu destino, escreveu um gostoso post com inspiração na idéia do "Uma foto, mil lembranças" que criei esses dias.

Em suas lembranças de pesquisadora ela tomou o Paraguai e como se sente todas as vezes que se lembra da viagem que fez ao país vizinho do Brasil e do qual sabemos muito pouco...

Vale a pena ler mais lá com ela, clicando aqui!

Obrigada Fernanda por tomar a idéia e fazê-la mais bonita!

E se você criou o seu texto ou criar me mande o link para eu divulgar aqui, combinado?

24 novembro 2009

Você vai se vacinar? sobre a atual pergunta mais dita e mais ouvida na Suécia


Desde que o tempo mais frio chegou, em agosto, os casos de pessoas com "svininfluensa", a gripe suína, tem aumentado na Suécia bem como nos países vizinhos.

As autoridades médicas imaginam que os meses críticos, entretanto, ainda estão por vir. São os meses mais frios nos quais as pessoas ficam mais tempo dentro dos lugares sem ventilação e quando os vírus se espalham mais facilmente.

Foram 15 casos confirmados de mortes no país até agora e o governo sueco tem vacina para toda a população. A idéia era ter uma vacinação em massa diminuindo as chances de propagação do vírus, mas alguma coisa mais ou menos inesperada acontece.

Metade da população residente na Suécia, incluindo os estrangeiros, está dividida quanto a se vacinar ou não. Os suecos tem uma cultura de não tomar remédios. Em gripes normais, com diarréia, vômitos etc é normal que os médicos recomendem apenas repouso e água.

É bem possível que você se sinta totalmente frustrado tentando convencer seu médico de dar um remédiozinho para algum mal para o qual você já concluiu necessitar de medicação. Remédios só em casos muito especiais. O corpo precisa criar imunidade, é o que eles acreditam.

Os suecos quando doentes isolam-se em casa e isolam suas crianças. O importante é sempre não disseminar o vírus e assim a população foi criada. O que acontece agora é que essa população que aprendeu a ter "medo" de provar remédios e esperar que o corpo cumpra seu papel sozinho, bem como a natureza, está dividida.

Inclusive metade dos profissionais da área de saúde do país não querem ser vacinadas, apesar de serem obrigados a vacinar os pacientes. A falta de testes com a vacina é o que mais assusta quem não quer tomá-la, mas sobretudo a idéia de que a vacina pode criar um vírus ainda mais forte para o futuro. Assim, crê essa grande parte, é melhor a natureza dar conta de erradicar o vírus.

Mesmo entre meus amigos brasileiros e não brasileiros, ou entre os colegas do curso de sueco, ou entre os pais dos alunos da escolinha do Ângelo estão tomando decisões diferentes. A pergunta que todos se fazem e todos estão fazendo para mim é:

- Você vai se vacinar?

Minha resposta, ainda que titubeante é: sim, eu vou me vacinar. Renato já se vacinou e quando a vacina chegar para as crianças de dois anos, Ângelo também irá.

O fato é que nós pegamos gripes fortes aqui, a influenza comum (febre, vômito e diarréia), que no Brasil normalmente chamamos de viroses, todos os finais de ano. Nos últimos dias muitos amigos, filhos deles e até nós aqui temos tido gripes assim. Hoje estou em casa com Ângelo doentinho e rezando para não ficar doente também e conseguir ir dar meu workshop amanhã.

Outro ponto é não se apavorar com o que já é frequente e separar o que é uma gripe forte comum da gripe suína. O mais importante é analisar como a pessoa foi exposta e se há risco de contaminação com o vírus. Em caso de dúvidas é preciso ligar para o médico da família ou para o Vårdcentral (espécie de posto de saúde) a qual pertencemos.

Minha cultura brasileira não me deixa muito em dúvida. Prefiro tomar a dose que pode ajudar o corpo a se sentir mais forte diante da gripe suína do que não tomar, embora seja também verdade que muitas pessoas aqui, inclusive que eu conheço, tiveram gente na família com gripe suína comprovada por testes, e se curaram como qualquer outra gripe.

O Brasil, assim como em muitos países aqui, não tem dinheiro para comprar a vacina para toda a população. Estou num lugar onde estão me oferecendo isso, onde o governo pôde pagar pelas vacinação em massa e onde quem foi vacinado no máximo teve dores musculares e sintomas normais da gripe.

Se você reside na Suécia e tem registro no país receberá em casa um carta com local, data e horário de sua vacinação. Você poderá escolher qualquer dia daquela semana para se vacinar caso não possa ir no dia indicado. Não é preciso telefonar para avisar.

No início algumas pessoas reclamaram de filas, mas as pessoas que conheço não esperaram quase nada para serem vacinadas.

Um outro dado é que até agora a maior parte das vítimas fatais da gripe suína aqui estava no grupo de risco. Apenas duas pessoas não eram do grupo de risco e, segundo os médicos, foram fatalidades que também acontecem.

É esse o argumento de minha amiga Nikol, por exemplo, para não vacinar a si, o filho e o marido. Eles estão em dúvida, mas, o argumento dela é um conhecido: todos os anos morrem dezenas de pessoas de gripe, a diferença é que agora estamos contando mais os casos, por conta da gripe do porco. As pessoas que morreram continuam pertencendo aos grupos de risco de todos os anos... Então eles acreditam que o melhor seja não tomar um coquetel de gripes para se prevenir de outra.

Bom, como eu disse, as opiniões são muitas e são bastante divergentes.

E você? Mora na Suécia? Vai se vacinar? Se vacinaria se o seu país tivesse um programa de vacinação em massa? Por que?

...

Em alguns sites você pode se informar como anda os casos da gripe no mundo. O dilema dos suecos tem sido o mesmo da Austrália e outros países, por exemplo.

Austália: vaccineinfo.net

No Brasil, achei bom este site aqui:


Nesse site do governo sueco é possível achar inúmers e boas informações a respeito da epidemia e da possível pandemia de gripe suína. Há também informações sobre os casos na Suécia e como a gripe tem se manifestado nas escolas e empresas. Você pode copiar o texto e traduzir no google tradutor, se quiser: Svininfluensa.com

18 novembro 2009

Em noite escura e de lua cheia...

(Conde Rrrenat Carrneirr, Le Vampirry Brasilery na Festa do Haloween na casa da pobre donzela Mônica, Lomma, outubro de 2009)

Há muitos e muitos séculos atrás, quando a noite caía, o escuro tomava conta das cidades e a população malmoense se aconchegava no quentinho do seu lar, reza a lenda que, Rrrenat Carrneirr, Le Vampiry Brasilery que havia emigrado para as Escandinávias, deixava seu esconderijo e aterrorizava as mocinhas, as senhorinhas e todos os que pela frente dele passasse...





Em noites frias, com ventania, céu escuro e lua cheia, Rrrenat Carrneirr juntava sua tropa sedenta e invadiam casas e mais casas, trazendo apenas a desorrdi para os lares da pacata e fria Escurécia...




Juntamente de sua esposa, a ex do finado Adams Gomes, Sonícia Adams, Conde Rrenato tem elaborado mais e mais invasões às pobres famílias inocentes...




Dançando, pulando e comendo as malfadadas lagostinhas vermelhas eles passavam a noite celebrando a chegada do mestre Le Vampirrr. E não havia nada que os fizesse desistir. A noite ia cheia de absurdos vampirísticos, como na última em que Conde Rrenato Carrneiro invadiu a casa da ex-mortal Mônica, uma capixaba moradora da pacata cidade de Lomma.

Ao som de trilhas dracolinas como "Panela velha é que faz comida boa", a trupe celebrou seu Haloween e prometeu voltar à vizinhança no próximo ano...

Em dias de ventania assim, os escandinavos não tem medo que suas casas caíam, não tem medo que o frio os congele, nem o escuro os atormente... Eles temem apenas que ele, Conde Rrrenat, Le Vampiry Brasileiry, resolva aparecer e comer todas as lagostas que eles pescaram o verão todo, trazer sua trupe faminta e ainda palitar os dentes na mesa, na frente de todos sem modos nem compustura ...

Em noites assim, melhor manter as janelas bem trancadas...

Vento de 68 km por hora. Vai encarar?

("Ventania", Anita Malfatti, 1915-17)

Pessoar,

Aqui é meio tarde já, quer dizer quase dez da noite, mas na terra onde a noite tem começado as três e meia da tarde, ou seja, onde já faz SEIS horas que está escuro, parece mesmo muuuito tarde.

Além da noite longuíssima estamos agora aqui na sala trabalhando quietinhos, eu e o Rê (Ângelo já dorme faz um tempo), enquanto um zunido muito alto e forte vem vindo lá de fora. Folhas amarelas e secas voando e as árvores todas tombadinhas com a força do vento de PAS-MEM! 68 km por hora!!! (Agora faz aquela cara de estupefato (a) faz? faz?!)

Só para que vocês tenham uma vaga idéia agora aí em Sampa tem um vento de 3 km por hora... Nos dias de vento forte o paulista pega no máximo 10 km por hora de ventinho... Por sorte (embora não acho que isso seja sorte, mas precaução de quem sempre viveu por aqui e teve que aprender) as construções aqui tem paredes larguíssimas. A desse meu apê tem uns 30 cm de largura e as janelas são de vidros duplos, muitos vidros duplos grossos.

Então eu ouço o vento, mas não tem janela balançando nem aquela meda de que a minha ou a casa do vizinho caia.

Bom, por essas e outras que quando se fala em inverno na Suécia tem que pensar um pouco em qual parte da Suécia se está. Aqui, nada de neve branquinha, como a Mariel pega lá pra cima em Luleå, ou até mesmo a Ju, que pega um tanto em Estocolmo. Em Malmö, ou no sul, o inverno é escuro ou, no máximo, cinza claro, cinza escuro. Neve provavelmente eu só ver mesmo ano que vem aqui. Ela já veio, mas fraquinha fraquinha que nem deu gosto...

...

Comentários no blogspot:

Vou começar a responder os comentários de vocês agora. Quer dizer eu vou tentar né, porque tem sido uma força além de mim esse blogspot ou sei lá qual problema.

Eu não sei se é só comigo, mas nos últimos três dias, como acontece de vez em quando, eu só consegui ler os blogs de vocês e o meu próprio. Eu consigo também ver comentários do meu e do de vocês, mas eu não consigo postar respostas nem no Borboleta em outros blogs blogspot. Post vai, comentário não. Alguém tem esse problema também?

Se o blog é outro tudo vai bem, mas todos os blogspots não entram ou se entram travam nos comentários... Estranho né? Já reclamei disso antes, mas tô explicando de novo porque vi tanto comentário legal aqui e não respondi e porque fiquei louca querendo comentar umas coisinhas ai no espaço de vocês e nada ia...

Bom, boa noite e durmam com os Anjos e eu fico aqui com a Ventania, que está pior que a da minha "amiga" Anita Malfatti...

16 novembro 2009

Just perfect!

(Ângelo brincando no jardim do Louisiana Museum, Dinamarca, novembro de 2009)

Simplesmente perfeito!

Foi o que pensei quando vi esta foto que Renato tirou ontem do Ângelo lá no Louisiana Museum que fica na Dinamarca.
Nesse olhar vivo e cheio de energia boa eu vejo o quanto eu não tenho mais um bebê em casa. O quanto esse menino é importante na nossa vida a e para nossa feliciade hoje em dia. O quanto é essencial que ele esteja bem, que ele coma, brinque, durma sempre da maneira mais perfeita. Vejo o quanto eu e Renato, como pais, tentamos ser perfeitinhos até o último com ele porque o amamos mais que tudo, assim como cada pai e mãe vê em sua criança a coisa mais preciosa do mundo.

Lembro de tanta coisa já vivida em dois anos e pouquinho e é como se a memória do que havia sido a vida antes dessa chegada tivesse sido meio que apagada.
Somos todos assim. Cheios de carinho pelos nossos filhos e cheios de gratidão por eles estarem conosco...
Bobos de amor...


Passei!


Passei! Passei! Passei na prova para o vestibular de Arquitetura!
haha... quer dizer na prova de inglês da Suécia... brincadeirinha sobre o vestibular, é que eu senti como sendo um...

Fiz a prova oral hoje pela manhã toda e foi um pouquinho difícerrr, mas passei com uma nota equivalente ao nosso 7,0. Tá de bom tamanho!

Beijos e Bom dia!

Depois conto mais e dou dicas pra quem estiver interessado.

13 novembro 2009

Uma janelinha para o mundo: a importância de falar mais do que nossa língua materna


Minha prova e meu desempenho:

Acabo de chegar da primeira fase daquele teste de inglês danado do qual falei e tô até que feliz. Não fui suuuper bem, mas parece que foi de bom tamanho. Ouvir as entrevistas é sempre a parte mais difícil para mim, mas a compreensão de texto e a escrita estavam tranquilas.

A prova é longa e exigente. Fiquei no clima de vestibular e me lembrei das sugestões que dava aos alunos: respirar fundo primeiro, ler com calma, grifar idéias centrais, prestar atenção nas perguntas, responder e rever no final depois de uma água. Só me esqueci de levar água e do meu remédio para o nariz. Com esse tempo eu vivo com nariz entupido e isso dá uma dor de cabeça que só.

A dissertação, na verdade, estava baba! Pra quem adora escrever, dissertar é sempre um prazer!

Imaginem que um dos temas que eu poderia escolher era exatamente quais as vantagens e desvantagens da internet a partir de minha experiência pessoal. Hahá! Falei de vocês, falei do blog, falei do lado bom dessa relação e do poder que a genta acaba tendo ao ter um blog. Falei da troca e do que imagino que a internet ainda vá interferir positivamente no meu trabalho e no trabalho das pessoas. Falei muito e sobre muita coisa. Bom, quando vi tinha escrito mais do que o limite que era no mínimo 200 e no máximo 600 palavras. Meu problema como vocês já sabem é falar, quer dizer escrever demais, daí que quando vi tinha escrito 680 palavras... ojojoj... Tive que apagar um bom tanto e refazer o final.

Um desafio foi não grafar incorretamente as palavras, já que muitas se parecem com o sueco e eu agora ando pensando nas duas línguas, quando me forço a não pensar em português.

Obrigada pela torcida, segunda-feira tem as provas orais com discussão do livro que li e de outros textos que deram para a gente ler antes.

Para quem quer alguma dica eu acho que ajuda bastante dar uma olhada e fazer exercícios com provas antigas. Neste site aqui, da Universidade de Gotemburgo, você pode achar as provas completas, ouvir os textos como são dados no dia e ver até amostras de textos que foram aprovados.

Eu agora preciso é confirmar algo que me deixou na maior dúvida hoje. Esse exame é feito em nível nacional aqui. O que a orientadora lá do Komvux me disse era que substituiria o TOEFL pra mim, mas quando li "exame nacional" eu fiquei pensando se isso só me valerá aqui ou se eu receberei algum tipo de avaliação que serve para qualquer outro canto. Vou ver e respondo pra quem quiser saber.


Sobre o ensino de inglês na Suécia:

Um "detalhezinho" incrível é que o que os alunos saídos do segundo grau precisam provar um nível de inglês extremamente exigente, sobretudo se eu comparar com o inglês que a gente consegue no Brasil até o segundo grau.

Eu sempre digo que aqui todo mundo, em qualquer função (gerentes, professores, vendedores, caixas, cozinheiros, faxineiros, mecânicos etc) fala inglês e fala muito bem. Nem mesmo com o que eu conseguia ler após meu doutorado eu conseguiria ter feito a prova não fosse o fato de ter praticado aqui esses dois anos todos os dias. Precisei muito para equivaler o nível deles e ainda assim tem jovenzinho na rua ou caixa do MC Donalds que fala muito melhor que eu e não comete erro gramatical como cometo.

A diferença entre eles e nós é que os jovens suecos, além de precisarem falar outra língua porque o sueco só é falado aqui, têm oportunidade de viajar desde cedo, muito mais que nós. É comum um jovem terminar o ginásio e não entrar direto na universidade. Primeiro, ele faz sua viagem por algum canto do mundo para só daí voltar e estudar mais. Ou seja, o inglês dele já dá de verdade para quando acabaa o colégio. Isso faz toda diferença. Assim, os planos deles quando terminam a universidade também são mais amplos.


Aprender bem o inglês tem realmente importância?

Enquanto eu lia e ouvia um dos textos de um livro de gramática da biografia exigida (Progress Gold A) eu tive uns momentos de puro prazer... Ainda que eu tenha lido muito texto em inglês da graduação até o doutorado eu agora finalmente, graças a Dios, leio fluentemente. Não me dói, não pesa, não demora ler. Eu consigo apreciar a leitura, consigo ter prazer e então eu tive uma sensação muito forte do quanto o mundo da gente se amplia com o conhecimento fluente de outra língua.

O sueco também tem aberto um outro mundo... Me comunico com gente de quase todos os lugares do planeta na escola daqui em sueco, com gente que não sabe falar inglês, mas abriu uma portinha para si mesmo falando sueco. São iraquianas, iranianas, paquistanesas, polonesas, búlgaras, latino-americanas, japonesas, chinesas e tantas mais que estudam aqui comigo diariamente. A maior parte (uns 80% das minhas colegas são mulheres) não sabe nada do inglês, mas a gente pode se conhecer e ver quão rico pode ser o mundo do outro, afora a língua e o preconceito que nos barra já sem tentar nada.

Eu sei que isso de poder se comunicar com gente que vive uma cultura totalmente diferente da sua pode soar básico demais, mas no fundo não é não.

Mesmo meus amigos todos que se formaram na Unicamp, uma das melhores Universidades do país, e também na USP, onde fiz meu doutorado, têm bastante dificuldade para manter uma conversa em inglês. A triste realidade é que muitos deles (com eu antes de vir pra cá) não falam fluentemente nenhuma outra língua que não o português. Eles lêem bem, inglês, francês, alemão, mas a fluência na fala não existe. Lembro da gente, eu e muitas amigas, pulando miudinho para trocar idéia com o pessoal que vinha fazer intercâmbio e também para entender o marido inglês de nossa amiga Lujan.

Falar inglês fluente é algo que nós jovens estudantes brasileiros temos muita dificuldade também porque o ensino da língua (inglesa ou não) é uma matéria "matada" pelos professores e pelos alunos.

A gente faz para passar e os professores dão porque precisam dar. Nenhum professor nas minhas escolas NUN-CA me trataram como alguém que um dia pudesse mesmo usar o inglês na vida para trabalhar ou pudesse viajar. A gente parece que é criado para ser bairrista.

Eu até entendo uma certa aversão ideológica ao inglês. Eu mesma tentei aprender francês e alemão primeiro e tinha uma amiga, Janete, que fazia Esperanto, uma língua que não é falada em lugar nenhum, mas foi criada para ser uma língua Universal.


O ensino de inglês no Brasil:

Lembro de passar o primeiro e o segundo graus inteiro sem sair do "I am, you are...". O inglês da nossa escola pública é de uma pobreza incrível e o de muitíssimas escolas particulares ou cursos privados fingem que estão ensinando a alunos que fingem que estão aprendendo. Poucas têm o mérito de ter seus alunos capazes de manter uma conversa decente com alguém que venha de outro país.

Paguei cursos em pelo menos três diferentes e conhecidas escolas de inglês no Brasil e não me lembro de ver um texto próximo dos que li esses dias aqui, reunidos no material dos alunos de primeiro grau da Suécia.

Entre as exigências que se faz para um aluno que termina o segundo grau aqui é que ele seja capaz de se expressar em norma culta no inglês, consiga entender uma conversa, dar palpites, escrever uma texto coeso e claro na língua e ser capaz de entender textos razoavelmente complexos. A idéia é que o aluno esteja preparado para trabalhar usando o inglês e acompanhar a leitura de toda uma bibliografia que virá na universidade. Ele pode até não ir tão bem na prova e passar, não precisa acertar tudo, mas ele vai ter mais problema depois, porque terá uma multidão falante do inglês perto de si e ele não.

Ainda assim eu desejaria ter sabido disso antes. Desejaria não ter tido tanto medo quando cheguei aqui de abrir minha boca e não saber responder o que a pessoa me dissesse. Acho que a primeira coisa que falta no ensino de inglês no Brasil é a gente mesmo entender que as escolas nos oferecem muito, mas muito pouco do que precisamos para encarar um mundo que não seja nossa terra.

O Brasil é grande sim, mas ainda que seja para trabalhar e viver aí para quem tem um bom inglês, eu digo bom de verdade, o mundo certamente é muito mais aberto e cheio de oportunidades.

...

update: o texto havia passado com muitos erros e fiz a correção. Inclui uma ou outra frase, sem muita mudança, mas sorry pela bagunça de antes...

Que tal escolher uma foto e viajar com ela?

(Foto de Acidcow)

Agora é com vocês!

Vocês viram meu primeiro post da série "Uma foto, mil lembranças"?, publicado logo aí abaixo?

Bom, tô passando a bola adiante e adoraria ver se vocês criam aí uns textos para a gente se deliciar e ao mesmo tempo conhecer mais uns ao outros.

Eu dei as instruções no fim do post, mas repito aqui:

Escolha uma foto que tenha a ver com você e sua história. Pode ser antiga ou não, mas deve ser uma foto que tenha muito significado pessoal. E aí escreva um post com memórias que lhe venha a partir da foto.

Publique em seu blog e me mande o link que publicarei num post aqui no Borboleta.

Se você não tem blog, não se aveche (é assim que escreve?) não... Escreva do mesmo jeito e me manda anexado pro email... Vou ficar lisongeada de receber...

borboletapequeninanasuecia@gmail.com

É só me mandar que eu vou publicar seu texto aqui também. Se houver muitos eu divido em dias separados.

Eu adoraria entrar na foto de cada um e em algumas memórias perdidas que vocês tenham...
Quem topa?

O prazo para me mandar é até 21 de novembro. Daí publico os links e publico os textos!

Boas lembranças! Não me deixem forçar a memória sozinha...

11 novembro 2009

Uma foto, mil lembranças: A aparecida ...


(Meu primo Anselmo, minha mãe Maria, minha irmã Sandra com seu vestido vermelho, meu pai José, minha tia Vicentina, a prima Vanusa, de chapéu, e eu com as mãos na cintura, Aparecida do Norte, 1978)


Minha avó paterna, que se chamava Maria de Jesus, engravidou 19 vezes (o que dá 13 anos grávida). Dessas ela perdeu acho que umas seis crianças que morreram ou no seu ventre ou pouco depois de nascerem.

Ainda assim, com os filhos que sobraram, ela e meu avó José deram material para que eu tivesse muitos primos. E primas. Dezenas delas.

Não sei por conta do quê exatamente, se a família grande não se entendia direito, mas de tantos primos e primas, com quem eu brincava de fazer comidinha debaixo da árvore na periferia de Sumaré, me restaram poucos com quem ainda tenho certo contato.

Uma dessas é minha prima Vanusa. Ela era uma prima por quem eu nutria meio que uma admiração, sabe? Ela era pouco maior que eu e sempre me pareceu tão sabidinha a danada que eu vivia a tentar seguir os passos dela.

Foi ela, e até hoje ela não sabe disso, uma das grandes responsáveis pelo meu gosto pela leitura e por eu desenvolvido facilidade com a língua. Na minha simples escola estadual pouco líamos. Professores cansados, desanimados e pouco envolvidos com os alunos. O fato é que, quando eu tinha uns 13 anos, descobri que Vanusa, essa minha prima sabichona e danadinha, que contava com uns 15, emprestou-me, a meu pedido, toda sua coleção de Sabrinas, Júlias e Biancas. Ela trocava jornais, sei lá o que, pelos livros e também tinha fascinação por aquela literatura fácil e até meio pervertida para meninas da nossa idade... Era uma coleção gi-gan-te de uns vinte e tantos livros e eu simplesmente devorei todos.

Ficava sozinha no quarto lendo e lendo e só lembro que eu não sabia que era literatura ruim ou literatura meio avançadinha pra minha idade, mas caí pelos livros... Antes deles eu só tinha lido direito um livro sobre a vida do Papa João Paulo II e um sobre a conversão de Maria Madalena que meu pai havia comprado numa ida a Aparecida do Norte... Também tinha alguns da coleção Vaga-Lume dados na escola, mas eu ansiava por ler e livro era o que a gente não tinha em casa.

Bom, foi então num dezembro de 1978, pouquinho antes de nascer meu irmão Lê nascer que fomos pagar mais algumas promessas na cidade religiosa de Aparecida. Minha família, àquela época era católica de carteirinha, e lá ia eu fazer as visitas às salas de pagações de promessas, onde passava algumas horas boquiaberta em frente às fotos daquelas pessoas que lá haviam depositado sua fé. Acidentes com motos, carros, ônibus... Gente sem perna, doenças graves, tudo me fascinava... Era tudo tão curioso e cheio de mistério naquela sala com milhares de fotos e velas...

Eu não entendia nada direito, mas eu tentava acompanhar meu pai, outro José, na Santa Missa e tentava ler com ele o folheto e cantar ao seu lado, porque eu sabia que isso o deixava orgulhoso.

Naquele domingo fazia muito, muito calor e era mais uma das muitas dezenas de vezes que eu ia à Aparecida do Norte com minha família.

Eu era compridinha, mas tinha apenas seis anos e era talvez a menina mais ingênua e ao mesmo tempo sedenta por aprender que eu conhecia...



(As panterinhas... eu, minha irmã e minha prima com os mesmos óculos de plástico amarelo comprados no camelô, Aparecida, 1978)
Eu estava sempre com um vestidinho bonitinho que minha mãe fizera, mas ele normalmente era igualzinho ao de minha irmã, o que não me deixava muito feliz... Pior era quando eu tinha que escolher uma cor diferente e depois acabava gostando mais do dela quando minha mãe, também Maria, fazia a prova final.

Nesse vermelho, por exemplo, reparem que a manga cheia de babadinhos da minha irmã é muito mais legal que a minha!

Minha mãe arrumava a gente bem caprichadinhas. Costurava os vestidos e cortava nossos cabelos.

Meu pai cantava assim bem alto o "Mãe do céu moreeeeena, Senhora da América Latiiina"... e até hoje quando me lembro dele cantando eu não consigo conter as lágrimas.

Não sei até que ponto eu fui muito católica por muitos anos depois porque talvez ne sentisse ainda como aquela filha bonitinha que ia de branco pagar promessas. Isso se rompeu quando fui estudar filosofia e depois converteu-se em alguma espécie de espiritualidade muito forte em mim... Canto as músicas que aprendi ainda naquela época quando estou em minha bike na Suécia de manhã, mas não tem mais a ver com aquilo. É um misto de tudo que fui adquirindo de bom na vida, do velho e do novo...

Acho que como o Maria que carrego depois do meu primeiro nome Sônia, carrego um pouco de tudo que vivi naquela época. Como se fosse um pouquinho de cada Maria da minha infância, a avó materna, a paterna, minha mãe e a de Nazaré, e ao mesmo tempo tivesse assumido uma outra personalidade em cima daquela base. Reneguei muito e assumi outras coisas que não sabia direito que estava assumindo.

Fato é que naquele dezembro estávamos lá... Por mais que force a memória não consigo saber mais nada daquele dia... só me lembro que estávamos doidas com os óculos... e tinha o chapéu da Vanusa que eu tinha amado, mas não podia comprar igual.

E o calor era tanto, tanto, que todo mundo se enfiava naqueles sorvetões de Aparecida... Lembro das ruas da Igreja Antiga cheias de quadros de Jesus, Maria e não sei mais quem... Gente vendendo lembrancinhas de todos os tipos e o povo buscando alguma lembrança para quem não tinha ido.

"Estive em Aparecida e lembrei-me de você"...

Lembro direitinho dessa frase e como eu tentava lê-la corretamente. Lembro como me parecia estranho esse "lembrei hifen me de". Eu lia tudo picadinho...

Na foto além da prima, o primo Anselmo, que a gente achava que era o moço mais sabido da época. Lembro que ele foi o primeiro da família a se casar e todos diziam que a moça era meio assim rica, sabe? Eu não entendia direito também, mas lembro que no casamento dele que a gente achava que era de gente meio rica, a festa tinha sido na garagem da casa da minha avó Maria de Jesus.

Todas minhas primas eram altas, cheias de brincos e maquiagem e eu queria ser como elas. Elas eram engraçadas e falantes e eu sonhava em aprender com elas. Meu primo Anselmo não era bonito, mas eu imaginava que ele sabia de coisas que eu não sabia e isso me deixava meio cheia de ficar perto dele...
Eu gostava de fazer poses para as fotos e pôr a cabeça assim do lado, entende? E percebo que faço assim até hoje. Minha irmã Sandra tá ali meio quietinha, no canto, porque eu achava que eu já era grande e estava mais pra parecer com a Vanusa do que com ela. Daí que eu meio que esnobava minha irmãzinha quando estava com as minhas ídolas.

Não sei que promessas os adultos pagaram naquela época. Não sei o que eles buscavam exatamente quando iam até Aparecida e nunca falamos disso.

Pouco encontro com meus parentes brasileiros e pouco falo com eles. Os encontros sempre corridos quando estou por lá me servem para dar a certeza de que nossos laços ainda permanecem. Me lembro deles como sendo parte de mim. Parte da minha história da qual lembro trechos, mas que está sempre vindo à minha memória. Foi por isso que, há duas semanas, quando Vanusa foi com sua filha e seu filho pequena mais sua mãe Vicentina visitar minha mãe lá na minha antiga casa, que eu quis vê-las no Skype...

Foi uma conversa rápida, mas gostosa. Vanusa então ficou de me reenviar essa foto que ela disse ter tentado enviar antes... Quando abri um turbilhão de memórias me veio à cabeça... e eu não conseguia mais parar de pensar em pedaços da minha infância...

Numa foto pode se ter pelo menos mil lembranças... aqui foram apenas algumas poucas delas...

...

Agora é com vocês!

Escolha uma foto, antiga ou não, mas uma foto que tenha muito significado pessoal.
E aí escreva um post com memórias que lhe venha a partir da foto.
Publique em seu blog e me mande o link que publicarei num post aqui no Borboleta.

Se você não tem blog, mas gostaria de escrever o post, por favor mande para "borboletapequeninanasuecia@gmail.com" que eu vou publicar seu texto aqui também.
Se houver muitos eu divido em dias separados.

Eu adoraria entrar na foto de cada um e em algumas memórias perdidas que vocês tenham...
Quem topa?

O prazo para me mandar é até 21 de novembro. Daí publico os links e publico os textos!

Boas lembranças! Não me deixem forçar a memória sozinha...

Alô bom diaaa! Vamo lá pessoal! Vamo acordá!

(A preguiça contagia, então... Foto do artista Peter Funch)

Bom dia pra quem está aí do outro lado!

Aqui 6 graus, cinza no mar, cinza no céu, chuvinha bem fininha...

E então se tem preguiça aqui por falta de energia, tá todo mundo me dizendo que vocês andam sem energia porque tem sol demais.

Sem jeito então! Melhor é tomar um café forte, ou comer uns chocolates dos bons para quem tá por aqui... uma piscina gelada, fazer uns exercícios com água para quem tá aí...

Não deixa a preguiça pegar não! Aqui já produzi mucho hoje e vou sair agora para minha aula de cerâmica que está nas últimas semanas.

"Vamo lá que eu tô sem tempo! Vamo lá que eu tô sem tempo!"

Beijo e bom dia! Manhêê! tô com muita saudade, mas anda corrido aqui. Ligo assim que der!

10 novembro 2009

O que couve portuguesa tem a ver com Borboleta?

(As tais couves portuguesas ou cabbages, no inglês, ou ainda Brassica oleracea, em latim)


Primeiro, sobre o meio que sumiço...

Eu sumi um tanto. Alguém notou? Okey, que bom! Obrigada...

Então... Verdade é que publiquei uns dois posts curtos e informativos, mas me esquivei de falar mais e me dedicar um tantinho mais aos textos que eu queria mesmo ter publicado nas últimas duas semanas.... ou seriam três?

e o porquês...

Estou meio desconexa... fico assim sempre que tenho muita coisa para fazer e pareço barata tonta com inseticida na cabeça. E como estou desconexa não consigo fazer textos coesos, meus pensamentos ficam soltos e fico a rabiscar na agenda as atividades que tenho que cumprir.

Não é nada de novo e nada demais para ninguém ter atividades ou muita atividades para fazer e muito menos o é para mim, mas é fato que sou o tipo que se enrola... e fácil...

Entre tanta coisa desconexa alguns dos porquês de eu estar bastante ocupada, focada, ansiosa e escrevendo um post non sense:


Enumerando os porquês e me alongando neles...

1. Prova Nacional de Sueco:

Estou numa fase final de um dos níveis do sueco. Estudei sueco esse sete meses desse ano, quatro horas por dia, e vou fazer a prova nacional para finalizar o que eles chamam de nível D. Com isso passa-se a uma outra fase, se a gente quiser, mas eu tenho agora o que eles consideram o básico de sueco para um estrangeiro trabalhar, por exemplo.

Isso me deixa bem feliz. Não é nada para quem já está aqui há tempos e tal, mas eu basicamente excluí o inglês do dia a dia, quando falo com suecos e isso é realmente uma coisa bem boa... Tem também sempre alguém que me diz: "nossa! como seu sueco é bom!" e mesmo que eu saiba que não é lá essas coisas vocês sabem que ouvir que a gente caminhou é bom, mesmo porque se eu pensar como foi quando cheguei aqui, há dois anos e meio, era como seu eu nunca fosse capaz de aprender essa língua na vida... Aprendi e aprendi bonitinho.

Minha prova nacional do SFI é 1o. de dezembro. Tenho me dedicado bastante às aulas e estudado em casa também.

2. Provas Internacionais de Inglês

Eu planejava fazer algum curso curto na universidade aqui que estivesse ligado ao meu doutorado, mas para isso ainda preciso estudar mais um tempo de sueco e aí eu meio que desisti. Estudei 23 anos em minha vida de 38. Nunca repeti um ano na escola, então pensei que se precisar ainda de muito mais sueco eu não tô a fim... Mas ainda assim há a opção de fazer os cursos em inglês que são oferecidos nas universidades, então, há um mês, comecei a me preparar para as provas internacionais de inglês, porque como não venho de um país pertencente à Comunidade Européia e nossa língua não é o inglês preciso provar proficiência, mesmo tendo mestrado e doutorado aí. Isso de não aceitar minha proficiência provada no Brasil é realmente um pé, mas tô fazendo e, como minha natureza é aprender e estudar, eu tenho tido bastante prazer fazendo isso...

Tenho que passar por duas provas que aí equivalerão ao TOEFL, mas eu não gosto de falar que tô me preparando... detesto que alguém pense que tenha que me consolar caso eu não passe... então eu sou o tipo que praticamente se cala quando tem coisa pendente na cabeça... por isso eu já havia dito antes que sou o tipo que escreve muito mais quando está relax.

Sexta-feira agora é a primeira parte de uma das provas e será a manhã toda, torçam para eu ficar tranquila... Na segunda é a segunda parte.

Eu realmente não faço idéia se consigo passar. Todo mundo diz que é muito difícil essas provas internacionais e eu basicamente aprendi meu inglês aqui... Tive teoria em escolinhas particulares aí, mas foi aqui que eu me forcei a falar e aprendi mais. Hoje penso e falo tão rápido em inglês como em português e consigo me expressar tranquilamente... Difícil pensar que em minhas primeiras semanas em Malmö eu pulava de restaurante em restaurante, pensando como pediria minha comida...

Por isso eu também estou bem feliz e realizada, embora, claro, também nelllvosa com a prova...

Sem contar uma certa tensão tem o trabalho todo. É muito trabalhoso fazer as tais provas. Precisei ler um livro em inglês e resumi-lo. Entreguei duas semanas antes da prova. Tenho mais um livro inteiro de gramática e dois outros textos para preparar para a prova. Talvez seja mais trabalhoso que difícil... vamos ver... espero!

E aí se eu passar nessa fase que provo minha proficiência em Inglês A eu vou para a segunda parte que se chama Inglês B.


(As couves portuguesas no formato não muito usado no Brasil, Cabbages verdes e roxas)

3. Ajuda dos universitários, por favor...

Bom, e por falar em prova... estou aqui com o material e em um texto há uma relação que eu juro não conseguir entender... e não é problema com o inglês, acho que é uma informação cultural que eu não entendo!

Em um conto uma menina diz que escreveu um texto na escola onde ela mata todas as borboletas e que a professora explica que borboleta não é um bicho que se mate e tal... E aí o avô da menina responde assim:

"Porque... veja você... Sua professora, ela comprou todas as couves portuguesas do mercado e isso é o porquê dela ter lhe dito isso..."

Ajuda para os universitários e as universitárias de plantão: o que a couve portuguesa tem a ver com as borboletas cáspita? Dá muita borboleta ou a larva da borboleta em couve?

4. Traduzindo diplomas:

Outra coisa que fiz foi procurar em montão de cantos para traduzir meus diplomas. Só traduzindo e equivalendo minha qualificação no Brasil eu posso fazer cursos na universidade ou trabalhar aqui. Quando eu tiver a resposta da agência que faz isso eu dou informações para quem quiser saber mais, ok?

Eu detesto burocracia e então acho isso tudo muito trabalhoso e chato, mas vamos indo. Me dei conta que nunca usei meu diploma de primeiro grau no Brasil... e sei lá meu onde foi parar o dito cujo... Preciso ver com minha mãe... o resto dos mil e duzentos e cinquenta e três que eu tenho estão aqui...

Se não ficar uma fortuna eu traduzo assim que terminarem o orçamento para mim... Provavelmente eu o farei e farei do português para inglês porque posso usar em qualquer outro canto do mundo um dia, caso queira... E também posso usar aqui para trabalhar, por exemplo, nos museus onde me ofereci por aqui ou em outros cantos...

5. Abrindo caminho para trabalho, labore

Uma coisa que eu quero muito é trabalhar aqui em algo que tenha a ver com o que sei fazer e gosto de fazer... Para isso eu fui a alguns museus e tomei o contato das pessoas com quem devo falar...

Falei também com umas orientadoras de trabalho e estudo e elas me sugeriram tanta coisa que fiquei como se tivesse tomado overdose de inseticida... A coisa muito boa foi que eu cheguei à conclusão que devo abrir uma empresa em meu nome aqui... Poderei vender meus quadros, dar aulas em casa e prestar serviço para alguém na minha área... e aí vem o próximo tópico...

Já fui no órgão responsável, me informei, tomei as papeladas (quatrocentos e noventa e cinco ao todo...rs) e só falta preencher (só falta preencher parece piada...) e levar lá!

Juro que dou essas informações e links outra hora, agora eu realmente non tenho conditions...

6. Convite para workshop e Dona Aranha subindo pela parede...

Não me perguntem muito como tudo aconteceu, mas foi assim rápido... Ajudei minha amiga Xu numa idéia dela para algo do trabalho dela na Sony Ericsson e a foto do meu ateliê foi parar no site deles... Com isso alguém disse para alguém tá tá tá de mim que chegou na Xu (Flávia, molé) que falou super bem de mim e daí que vou dar um workshop na Sony Ericsson, para 18 pessoas da área de Estratégias... Uau! sim, isso sim tem sido muito muito legal para mim...

E eu, claro, não falei antes porque, como eu disse, não gosto de alguém passando a mão no cabelo assim: "tadinha, não foi dessa vez..." E agora que sei que vai acontecer eu falo...

Dia 25 de novembro, cruzem os dedos por mim... Vou dar um workshop teórico e prático sobre pintura. Já me reuni com ela, escolhi as melhores salas tá tá tá. Não sei dizer quem está mais empolgada com a idéia, eu ou ela... Gunilla, como se chama a gerente, é uma sueca fantástica, sorridente, de dar beijinhos na chegada e na saída, super atenciosa e fina... Ah! e é engenheira eletrônica igual ao meu Renato... Bom... eu estou preparando o que darei baseado no que apresentei para ela, vou comprar todo o material e ai ai ai lá vamos nós!

Dando certa a idéia eu vou na mesma direção ano que vem... por enquanto nesse assunto estou mais para Dona Aranha subindo pela parede, aquela que tenta e tenta e tenta e não desiste nunca... mas também sou brasileira não é?

Ah! darei o workshop em inglês... meu sueco dá para fazer gracinhas e falar um tanto, mas não dá para ensinar numa língua que a gente não fala sem muitas travas não é?

7. Escrita e o blog da Borboleta:

Essa idéia está andando e não vou me alongar... mas só para dizer que com o blog, com vocês aí para trocar idéia, para me ouvirem e opinarem, com vocês de interlocutores eu tenho cada vez mais pensado em escrever e escrever profissionalmente... Vou andando com a idéia e conto mais pra frente... tô trabalhando nisso...

Eu só não ando trabalhando nos posts e isso me incomoda horrores, ceis não têm idéia.. não é que eu acho que tenho que ter texto novo para fazer de conta que eu tô publicando e segurar vocês aqui é que eu tenho texto novo na cabeça! muitos! rascunhei 6 só semana passada, juro! seis! e não prossegui porque pensei que eu precisava mesmo focar nas coisas que têm prazo...

A cada coisa que acontece eu quero partilhar... escrevo o texto todo na cabeça vindo de bike e fico na maior expectativa de ver o que vocês diriam, mas daí não escrevo...

8. O inverno, o escuro e a preguiçinha boa...

Eu sinceramente acho que além de tudo que tenho pra fazer tem o inverno... Meu, pensa o seguinte... as nove da noite, quando comecei a escrever este post, já fazia 5 horas e meia! que tinha escurecido... Entendem? E não teve sol hoje, nem ontem, nem antes de ontem... dias cinzos, chuva fina, pouca claridade e dia de sei lá... sete horas! Saio da aula, venho pra casa de bike, almoço, volto pra pegar Ângelo e quando chegamos as três já está começando a escurecer... Demodosque chegando a noite a gente não sente aqueeela energia de antes... Dá sono super cedo e, embora eu me segure, lendo ou vendo algo no micro parece que as idéias dão lugar para uma preguiiiiça tremenda... só penso no outro dia tendo que acordar no escurão... e aí passo a bola pra frente...
Sem contar que a energia que me resta a essa hora, depois de cozinhar, pôr louça, atender às necessidades amorosas do nosso Ângelo, pôr ele pra dormir e ainda terminar de dobrar a roupa, eu tenho posto mesmo nessas provas todas que falei acima... oiiiii coitadinha dela não!? Pronto! parei com a lamentation tabajara!

9. Ida para o Brasil:

Bom, pensando que eu estou com todas essas pendências e tenho passagem para meados de dezembro para o Brasil aí o coração acelera... Quero dar conta do que preciso fazer antes, quero encerrar o sueco, as provas, o trabalho, fazer as malas e curtir o colo de minha mãe, apertar meus sobrinhos, família toda, amigos... me matar de comer comida brasileira, ir à feira, bares de Sampa.. .tá tá tá... tanta coisa que eu não posso! não posso começar a pensar porque aí eu me paraliso... que nem barata morta.

Bom.. agora que eu confessei todos os meus pecadões e meus pecadinhos eu espero que vocês, que conseguiram sobreviver a este texto truncando e confuso, sem segunda leitura e correção, de alguém que tá caindo pelas tabelas, tenham uma ótima noite!

Espero que resolvam tudo que tem pra resolver aí! Que não desanimem não... a gente planta sementinhas todos os dias e elas demoram normalmente para brotar, mas quando brotam é uma alegria, um contentamento que paga cada regadinha, cada pensamento que dirigimos a ela... E também vale lembrar que a gente lança a semente e aí vem a chuva, vem o sol, vem a brisa e nos ajuda com tudo... na verdade, nunca plantamos sozinhos e essa é uma parte bem boa de se perceber...

Espero que as sementinhas de vocês brotem e vocês não esqueçam de vir me contar...

Boa Noite!... acabo de me tocar que talvez eu tenha escrito este texto meio que incentivada pela amiga virtua Lola que abriu seu coração sobre suas dúvidas de fica ou vai para Fortaleza... a gente se influencia sem se perceber não é?

...

update em 11-11: Gente boa, a imagem que eu havia colocado antes e que se parece com essas couves verdes e roxinhas não é de repolho não. São as próprias couves portuguesas (cabbages em inglês) das quais o texto fala. A diferença é que na foto elas foram colhidas apenas no miolo, enquanto ainda estavam enroladinhas. A gente normalmente as come abertas, ou talvez tenhamos uma outra qualidade de couve mais comum no Brasil. Creio que as comemos quando estão mais velhas, na Europa é mais comum o outro jeito... A imagem acima pode até confundir, mas é a mais bonita que achei e então vou mantê-la, certinho?


08 novembro 2009

Tem coisas que nem o dinheiro nem o cartão Mastercard...



Hoje a tarde, saquei minha câmera a fim de tirar algumas fotos dos meus objetos prediletos , adquiridos naquele meu valioso lixo, para usar no segundo post da série "Do lixo ao luxo".

Estava aqui só eu e Ângelo e ele começou a fazer gracinhas e me abraçar para tirarmos uma foto juntos.

- Então dá um abraço gostoso pra mamãe (eu sempre falo de mim mesma na terceira pessoa com ele, não sei bem porquê...) tirar uma foto junto com o Ângelo..., pedi eu.

E lá veio ele! Cheio de sorrisos sinceros, me dando tantos abraços e beijos, cheio de amor para dar:

- Mamãe tira mais uma..., pediu ele dezenas de vezes.

Claro que com os vai e vem, quando chequei vi que eu tinha saído toda picadinha em absolutamente todas as fotos, mas quando notei que ele obviamente saiu méravilhoso e que talvez alguém não acreditasse nas minhas sábias e corujas palavras resolvi que um post com as imagens ia bem, já que os outros todos que estou louca para publicar são mais demorados e trabalhosos do que este aqui...

Bom, minha sabedoria de botequim de mãe, onde se toma leite com bolachinha, é a seguinte:

Há coisas que o dinheiro não consegue comprar, mas nem mesmo para elas existe um cartão tipo Mastercard ...

Há alegrias e presentes que ganhamos nessa vida que vêm de graça e a gente não sabe nem mesmo se há um jeito de agradecer.

A boa notícia é que para que nunca nos esqueçamos disso é que existem nossas abençoadas câmeras fotográficas...


07 novembro 2009

Ótimo fim de semana!

(A arte da Lilás e o meu estilo Ângelo desejando feliz fim de semana, feriado, festas etc... )

Minha querida amiga Lilás, que aproveita qualquer tempo livre para criar coisas legais e para agradar quem ela gosta, trabalhou com a imagem do Ângelo e me mandou de presente alguns porta retratos com a carinha dele...

Peguei uma delas para dizer bom fim de semana para cada um de vocês!

A semana foi cheia de coisas e nossos dias curtos parece que não rendem nada mais!

Vamos sair para comprar um carrinho especial que a gente acopla na bicileta e leva a criança para qualquer canto, mesmo com chuva e frio... Vai me ajudar, já que a temperatura aqui caiu, nevou rapídissimo semana passada, sem muita graça porque parou logo, e teve dia do vento arrastar a gente como se fosse uma folha de outono caída...

Então o jeito é se arranjar com toda a tecnologia possível para continuar a vida do lado de fora de ônibus e carros, como a gente gosta por aqui, e com o conforto que é possível...

Beijos e até breve!