28 dezembro 2007

Felicidade Pura

Há algumas semanas que assim, derepentemente, Angelinho começa a soltar lindas e profundas gargalhadas.

Não dá para prever o quê exatamente liga o tal botãozinho dele. Pode ser o som de uma palavra dita ao acaso, como "péssinho", "bebêssinho", "pararacundera" ou uma bola atirada ao alto pela tia Dri.

Dessa vez, consegui correr, pegar a câmera e registrar a felicidade dele ao olhar para a bola e a nossa a ver a pureza do riso dele.

Uma delícia.


27 dezembro 2007

"The Dark Side of the Moom"


(Igreja de St. Paul, Copenhaguem, 12:30h. Foto de Adriana Cechetti)

Eu sempre tive horror a frio e nunca me imaginei vivendo num país onde a temperatura chegasse a negativo.
Mas, como "todo cambia", como diz minha minha amiga Mercedez Sosa, eu também mudei de idéia. E muito.

Na verdade, a coisa mais difícil da vida fora dos trópicos não é o frio, mas o escuro. A falta de luz.

O frio você contorna facinho com os super-hiper-mega-plus casacos, botas e acessórios que eles têm aqui que, aliás, são lindos. Fica um pouco mais difícil com o vento e a chuva, e por isso a gente se acostuma logo, logo a sair de casa apenas depois de ter olhado a previsão para o dia e saber exatamente se vai pegar 5 km de vento ou 30. Se chove molhado ou se chove gelinho. Isso faz toda a diferença.

Mas, ainda assim, isso não segura ninguém dentro de casa. Quer dizer, o frio não impede que as pessoas continuem suas vidas quase de forma normal. O que pega mesmo, o que deixa a gente assim sem energia são as noites longas do inverno.

Desde o fim do outono, mais ou menos em novembro, que os dias estão muito, mas muuito escuros e justamente os piores são esses em que estamos, os mais próximos do Natal. Depois, começa o inverso novamente e as noites vão se tornando mais curtas até a Primavera.

Até lá a gente tá curtindo uns dias quase sem luz. Curtindo do jeito que dá.

Oito da manhã com sensação de três da madruga.
Duas e meia da tarde com sensação de início de noite.
E não quer dizer que temos sol neste intervalo. Não. Céu nublado, cinza e muita neblina.
Sol é um luxo que os escandinavos e alguns europeus só terão daqui há alguns meses, "incrusive" Somnia Deslumbrete e Família.

Por essas razões eu entendo, cada vez mais, porque o início da Primavera é marcado por uma loucura por virar lagartixa.
Todo mundo esticado no canal, nos jardins, tomando sol na pele.
Todo mundo feliz da vida, radiante.
Até a gente se sentiu assim em abril deste ano e nem tínhamos pego o inverno de fato.

Por enquanto a vontade de tomar chocolate quente, ver filme e ficar quietinho em casa é muito grande, embora seja louco notar que ontem, por exemplo, tava todo mundo na rua, festejando o dia - que também é feriado - do início das "rea", promoções. Todo mundo, "incrusive", novamente, Somnia Deslumbrete e família.

A suecada toda na rua, comprando, comendo, trocando os casacos e o guarda-roupa, dando risada com os 50% de desconto em quase tudo. Tomando chocolate quente com creme da barraquinha italiana da praça de Malmö.

O lado bom (claro! sempre tem um lado bom de tudo, vocês já estão carecas de saber disso!) é que aqui a gente vive mesmo as quatro estações do ano. A vida é totalmente diferente a cada nova estação.

Cheia de vida e colorida na Primavera.
Calorosa e alegre no Verão.
Romântica e intimista no Outono.
Silenciosa, preguiçosa e quentinha (que contradição!) no Inverno.

E aproveitando que a tia Dri ligou das compras agora, vou lá aproveitar os 4 graus super quentes do termômetro e tomar o meu chocolate quente preferido, curtir nosso invernão e esperar o reveillon na Espanha e as férias no meu querido Brasil varonil chegarem.



(Tia Dri e eu no chocolate italiano, feito por uma sueca, agora pouco)

24 dezembro 2007

Feliz Natallll!



Gente,

Um Feliz Natal pra todos e um Ano Novo muito, muito cheio de bençãos.

Adorei estar aqui todos os dias com vocês!
Espero que nossos encontros celebrem mais alegrias no próximo ano!

Dentro do Hamlet e mais perto de Shakespeare


(O grande navio que "engoliu" o carro para a travessia)

Esse fim de semana, a embaixatriz levou a visitante brasileira para conhecer a bela cidade de Helsinborg, há alguns quilômetros de Malmö. De lá, toma-se um imenso barco chamado Hamlet que leva até o lado dinamarquês, na cidade de Hensingor.


(Angelinho brincando e literalmente babando no carro do pai dele)


(A jornalista Dri e a Embaixatriz dentro do naviozão)


(Vista diurna do Castelo)


(Vista "noturna", 5 da tarde no Castelo)

O passeio incluiu a visita ao deslumbrante castelo Kronborg, que serviu de inspiração para Shakespeare em seu Hamlet.

Tudo lindo e maravilhoso.
Até o frio de -2 e a brisa ajudou no clima misterioso do passeio.
O pequeno Ângelo aproveitou bem o passeio para tirar um bom cochilo e os três para tomar um chocolate quente saboroso.
Aqui, algumas fotos para fazer vocês passarem vontade de vir visitar a embaixatriz também.


(A repórter Dri em seu papel de tia babona)


(Tal pai, tal filho, ou Angelinho também sabe fazer caretas como o papai)


(A família brincando dentro do Castelo do Hamlet)

22 dezembro 2007

É preciso sempre renascer para o que importa


(Sandra, Rê, Eu e Lê, numa das poucas fotos que temos todos juntos, janeiro de 2002)

Eu tenho uma irmã, a Sandra, e um irmão, o Alessandro, dois outros amores da minha vida.

Neste Natal será um dos quase únicos da minha que não estarei com eles.
Sentirei falta do almoço e de como a gente sempre começa a se lembrar de como éramos crianças.
De como meu pai era trapalhão, do Agnaldo Timóteo tocando no carro enquanto íamos para a praia...
Do Lê empolgado fazendo caras e bocas e da Sandra perdendo o fôlego de rir.

Sentiremos falta dos abraços apertados na virada da noite, enquanto ceiamos com a família do Rê...

Coisas assim é que eu considero importantes de se ter no Natal.
Gente que a gente ama.
Natal pra mim é sempre uma certeza de que a vida vale esses minutos que passamos com quem nos faz falta.
E é momento de avaliar se aproveitei mesmo a vida do jeito que deveria ser.

Mas, embora eu adore a idéia de estar aí, mesmo tanta distância não impede que eu me sinta totalmente conectada a eles. Assim como me sinto conectada a tantos de vocês.
E aqui com minha pequena e valiosa família, juntamente com a querida Dri, a gente irá celebrar o encontro.

O Lê, inclusive, me mandou um belo texto do Vinícius de Moraes, que eu queria dividir com vocês e com ele quero dizer "obrigada"!

Pela companhia neste ano que passou,
Por me deixarem falar e quererem ouvir,
Por celebrarem comigo as mudanças todas, ocorridas nos últimos meses,
Por me incentivarem a escrever cada dia mais,
Por estarem aí e eu poder desejar Feliz Natal!

E que amor e saúde encha a casa de todos nós!


(Nosso Ângelo de 2007)


Para isso somos feitos
(Vinicius de Moraes)


Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —

Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —

Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —

De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente
.[/size]

21 dezembro 2007

Poucas palavras


(Minha mãe e Ângelo, o neto que ela ama à distância, Brasil, outubro deste ano)

Esses dias, falando com minha mãe sobre o lado difícil de estar longe, da saudade e de como eu gostaria de estar aqui, mas aí ao mesmo tempo, ela me disse:

- Eu agradeço a Deus todos os dias pela vida que você tá tendo aí, Sônia.

E eu pensei, mas não respondi, que ela me dava mais um motivo para eu agradecer todos os dias a mãe que eu tenho.

....

18 dezembro 2007

Um Romeu para a Julieta: Parte 2: Gláucia e Daniel

("O beijo, Gustav Klimt)


Trilogia das Relações Lindas, Saudáveis e Possíveis:
Um Romeu para a Julieta: Parte 2: É preciso olhar e ver


Era uma vez uma menina Gláucia e um menino Daniel.

Em comum eles tinha o "d" mudo que o povo de Jund-aí fala. Tinham também quase o mesmo endereço.
Um era vizinho do outro e por assim foi por quase vinte e cinco anos. Vizinhos de frente, na maior parte do tempo, mas, além disso, nada mais os unia.

E assim o tempo foi passando.
Da escolinha e das brincadeiras de Princesa e Príncipe - que a gente imagina que ela pode ter tido - até à universidade, a menina Gláucia se manteve distante do menino.
Embarcou para Campinas, depois São Paulo, estudou as letras e as poesias, mas o romance ela deixava para as aulas e não para a vida.
Depois de um ou outro relacionamento, a idéia de encontrar um Príncipe, parece, foi, aos poucos, deixando seu mundo prático e independente.

E entre tantas idas e vindas do destino, entre tantas alegrias e tristezas, Gláucia se contentou em ser essa mulher que no amor, não mais acreditava. Viajou o mundo e voltou. Foi feliz e triste, e um dia supirou-me, enquanto lanchávamos na USP:

- Eu tô cansada, Sônia. Queria encontrar alguém especial. Queria um relacionamento duradouro e bom.

O que nem a menina Gláucia sabia, muito menos eu poderia imaginar, era que Daniel, um Príncipe "especial" e paciente, esperava-a também naquele dia para vê-la novamente fechar seu portão.

(O menino Daniel, há algum tempo atrás)

O que ela sequer poderia imaginar é que esse alguém sonhado por ela era o mesmo menino que há tantos anos vivia ali em frente à sua casa.


(Glau, ainda vendo apenas estrelinhas...)


O que eu sei, depois disso, é que, certo dia, a Glau não só olhou, mas viu o Daniel.

E de repente, talvez porque ela tenha se aberto novamente, o Daniel se mostrou mesmo como esse Príncipe "especial". O tipo de homem que, um dia, descreveria assim a paixão e o "conhecer" dos dois, quando uma amiga lhe pedisse umas palavras para publicar num blog. O tipo de namorado e, já futuro marido (sim! eles estão planejando tudo pra loguinho) me comoveria tanto com seu depoimento.

(Glau e Daniel, felizes da vida)

....

(Quando li a história escrita pelo Daniel, eu tava ouvindo a canção "Come here", de Kath Bloom, trilha de dois filmes maravilhosos: "Before Sunrise" e "Before Sunset". Se quiser sentir a deliciosa sensação, clique no link ao lado do blog.)

"Dizer que o mundo dá voltas é mais um provérbio sem muito a revelar, agora, "viver" que o mundo dá voltas é espetacular. Digo isso com todas as palavras, pois de uma vida sem muita graça, aquela mesma de ir para o trabalho de manhã, voltar correndo a tarde, ir para a escola a noite e chegar acabado quase de madrugada, depois de uma bebidinha com os amigos, nos finais de semana, passar para uma verdadeira estória, um conto de fadas, daqueles tipo "Disney"... tudo mudou. É assim que eu descrevo o início de uma verdadeira reviravolta em minha vida..

Quando criança notara uma garota séria de poucas palavras, mas de uma vida de certamente brilhante, que morava em frente de casa. Vi quase toda sua trajetória: seus amores, suas desilusões, seu choro com o fim de um romance até à perda de brilho, com a morte de seu irmão.

Por muitos anos nossas vidas eram apenas ligadas com o simples fato de morarmos na mesma rua, pois encontros não existiam, conversas tão pouco, o mais próximo que cheguei foi ficar aguardando- ela guardar seu carro enquanto eu chegava da escola. Uma espécie de segurança.

Sempre me encantei com o brilho que um dia vira em seu olhar, mas que há tempos estava sumido...cheguei a encontrá-la uma vez na casa de um primo dela que, por mera coincidencia, era meu melhor amigo. Mas não pense que isso ajudava...
Parecia que a vida estava aguardando o momento certo, e foi isso que ela, a vida, fez. Aguardou o momento certo,

Quando menos esperei, ela descobriu sobre meus encantos pelos "ois", "obrigados" e pelos "tchaus" feitos com a mão que o destino nos proporcionava ocasionalmente. Enfim, no tão sonhado momento, ela me descobriu, abrindo assim uma chance de poder abrir as janelas de nossos corações, e eu então poder atravessar de uma vez por todas aquela rua que fazia sete metros parecerem sete voltas em torno do planeta...isso sem contar que esta distância se tornaria ainda menor, quando então as janelas do coração dela voltaram a estar abertas para o amor..."

...

Para vocês, a história linda, real, perfeitamente possível, da minha amiga Glau e do querido e especialíssimo Daniel.
Mais uma prova de que ser muito feliz e encontrar alguém muito certo pra gente não precisa ficar apenas no mundo infantil das fantasias.

16 dezembro 2007

Embaixatriz Deslumbrette recebe Super Nanna


(Amanhecer de dentro do avião)

Chegou ontem em Malmö a jornalista brasileira Adriana Cechetti.
Depois de longa e tranquila viagem, foi recebida no aeroporto de Copenhaguem onde desembarcou.

Ela, que veio para cobrir o Natal da Embaixatriz virtual da Amizade entre Brasil e Suécia, Somnia Pollyanna Deslumbrette de Carvalho, foi recebida com zero grau no termômetro, mas um belo sol e muita festa.


(Recepção calorosa para Super Nanna)

Parece que quem vai ter que entrar nos eixos agora é o bebessinho mimado do casal, porque a Super Nanna tem experiência e currículo pra lá de bom para pôr o menino nos eixos. Já começou ficando bastante tempo com ele no colo...


(Super Nanna aplicando a técnica do "é só carinho, é so amor" no pequeno herdeiro)


(Renato e Adriana Cechetti, saboreando um Glögg a - 1 grau, beira do Canal de Copenhaguem)

A visita começou pela bela cidade de Copenhaguem, ainda no lado dinamarquês e terminou com delicioso encontro na casa de queridos amigos brasileiros, onde tomaram a bebida especial do Natal, o Glögg.


(Vista noturna do Natal em Copenhaguem)


(Ângela, a anfitriã, e Xu aplicando outra técnica de colo no bebessinho)

A estadia da jornalista promete muito.
Até aqui a simpática moça, que também já trabalhou com revista de fotografia no Brasil, fez belas fotos da família e do lugar, incluindo todas as que vão com exclusividade para este blog.


(A mãe fazendo o que sempre faz... cheirando o bebessinho)

O Natal está começando com tudo aqui na terra geladinha...

E para começar esse domingo em que Angelinho completa 5 meses, com espírito de alegria, vai a bela voz de Fortuna com os monges beniditinos, cantando "Bendigamos al Altissimo". Presente enviado pela amiga Jamnis.

Ótimo e espirituoso domingo para todos são os votos da Embaixatriz.

15 dezembro 2007

Um Romeu para a Julieta: Andreas e Fernanda, Trilogia número 1


(Andreas e Fernanda na festa Anos 80 do Renato, setembro de 2005)


Trilogia das Relações Lindas, Saudáveis e Possíveis, Parte 1
Os fofos se atraem


Imagine uma menina que aos 15 anos vai morar na Alemanha sozinha, aprende o idioma, trabalha como babá, porque acha importante ter sua independência fora, aprende zilhares de coisas e nunca se gaba disso, mas aproveita como experiência de vida.

Essa é uma menina fofa. Ela é a Fernanda, nossa visitante 6.000 e minha amiga desde uns seis anos atrás, quando nossos, ainda namorados, trabalhavam juntos na capital paulista. Ela é perfeita para a nossa primeira trilogia, porque o jeito como leva seu relacionamento é leve, prazeroso, apesar de cheio de dedicação e amor.

A Fer é casada com essa outra pessoa fofa, o Andreas.
Eles são o tipo de casal que você não consegue imaginar um sem o outro.
Eles namoraram desde adolescentes. Eles se acompanham desde adolescentes, quando se conheceram na escola alemã, já que os dois têm descendência loirinha.

Com eles eu e Renato passamos muitos dos nossos melhores momentos em São Paulo.
É até difícil falar deles sem não falar de nós quatro, porque eu sou fã de carteirinha deles dois e temos histórias demais juntos.

Sabe aquele tipo de casal com quem você come comida japonesa, volta pra casa e toma um bom vinho, ri falando besteirol de casal até as quatro da matina?
Sabe aquele tipo de casal com quem você cantarola no karaokê na praia, tenta aprender wind surf, enquanto ela dirige a lancha e ele vai atrás feito um menino feliz?
Aquele casal que procura a melhor fantasia pra sua festa de aniversário, que vem na sua exposição de pintura, que não falta à sua despedida para outro país?


Visconde de Sabugosa no aniversário de Daniel San, setembro 2005)

Andreas e Fernanda são pessoas que gostam de viver. Gostam de estar com os amigos um do outro. Se comprazem em agradar um ao outro.
São abertos e profundos, apesar de muito jovens. Com eles você partilha seus sonhos, telefona, planeja viagens e como os filhos vão ser amigos.


(O troféu abacaxi de melhor fantasia foi para o pessoal do Sítio, Sônia e Andreas, setembro de 2005)

Apesar disso, não acho que seja um movimento natural.
Ser fofo, ser uma pessoa agradável demais, amiga, companheira não é nada fácil. É um exercício.
E eles praticam o tempo todo.

A Fer poderia ser apenas a mulher do amigo do meu marido. Mas não é.
Não é porque ela é o tipo de Julieta versátil, perspicaz, participativa, companheira.
Se ela não tá muito a fim de x que ele queira, então dá um jeito de estar lá quando ele fizer o x que queira.
Ele, idem!


(Em Amsterdã, primavera de 2006)

Os dois cuidam um do outro.
Tomam sol, chuva, choram e riem juntos.

E posso falar tudo isso de camarote porque, desde que nos conhecemos, a vida de nós quatro tem se cruzado, descruzado e assumido lugares um do outro.

Há dois anos, Fer e Andréas se despediam do Brasil para viver por alguns anos em Munique, tentando realizar um dos sonhos que tinham como casal.
Naquele noite, nós duas, feito duas molecas, pusemos nossos maiores desejos para os próximos dois anos, em uma caixinha, e desses desejos estavam coisas banais como perder a barriga que a gente, antes de ser mãe, achava que tinha. Tinha voôs mais altos como ter um emprego legal e viver fora. E tinha aspirações mais puras, como ter Ângelo e Max.


(Feito crianças sonhadoras)

As barrigas pioraram.
Eles viveram 1 ano apenas em Munique e nós, sem saber direito como, viemos parar aqui.
Ângelo e Max, agora, são desejos consumadíssimos. Talvez mais por um toque divino, do que por nós mesmas.

E hoje o dois fofos, Andreas e Fernanda, antes atraídos um pelo outro, agora tem um fofinho para cuidarem.

E como bom Romeu e boa Julieta eles continuam juntinhos, muito juntinhos, numa nova e não menos aventurosa vida, agora a três.


(Fer, Andreas e Max, novembro 2007)

A Fer e o Andréas são a primeira prova de que nem os homens são todos iguais, nem as mulheres, nem as relações que a gente pode construir. Há uma mundo de possibilidades quando a gente aprende a ser fofo também.

14 dezembro 2007

Um Romeu para a Julieta: Trilogia das Relações Lindas, Saudáveis e Possíveis



Algumas semanas atrás, minha amiga virtual, a Daniela, (http://1daystand.blogspot.com/) dizia que ela vai na contramão da maré e acreditava sim ser possível encontrar um Romeu perambulando por aí e que, ao contrário de suas amigas, ela não acha que os homens sejam "todos iguais", mas acredita sim em relações saudáveis e boas.

Eu sou a primeira a dizer: "Péraí! Tudo igual não!"

Eu sou daquelas que acredita que a tampinha para a sua panela pode ser quase perfeita, mas depende de onde e como você anda procurando essa tampinha. Depende também que tipo de panelinha você é, porque não dá para querer alguém "diferente" se a gente acaba buscando nos Romeus apenas valores que a maioria das Julietas buscam. Valores que, numa relação, pouco servem. Que o Romeu seja lindo e gostoso, aos seus olhos, claro! Imprescindível! Mas é preciso bem mais que isso para se ter um companheiro do lado...

O Renato sempre me disse que achava que as pessoas não precisam ser "iguais" para se completarem. Elas precisam ter valores e objetivos em comum.

E eu que tenho umas dezenas de amigas tristes no amor, gostei tanto do tema do post da Dani que resolvi tomar três histórias. das muitas que conheço, como exemplo para ajudar a Dani a não nadar sozinha.

Uma trilogia do amor possível. Do amor saudável, quase perfeito.

A trilogia começará pela visitante 6.000 deste post, a Fernanda Burmeister.

Amanhã. Aqui.

13 dezembro 2007

Ser por inteiro


("Mulher com duas caras", Marc Chagall)

Há muitos anos, estudando para o vestibular, dei de cara com o curto, mas profundo, poema de Fernando Pessoa.
Li, reli, li de novo. Nunca esqueci.
É conhecido e lindo de se repetir.

Tenho pensado muito nele e estou igualmente apaixonada por esta tela de Chagall.
Talvez porque, mais do que nunca, tenho percebido que para ser inteiro é preciso, mesmo, não excluir nada, embora na vida a gente tenha mania de mostrar apenas a face que todo mundo gosta e aprova.


.....

Para ser grande, sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive


Ricardo Reis

......

12 dezembro 2007

Homenagem in off


(Aqui, Vicky mandando um "tchauzinho" pra gente, depois do nosso brunch do sábado)

Pessoal, vou falar baixo para tentar ser discreta...

A visitante 6.000 do blog foi nada menos que nossa querida e estimada Vicky. Sim. Vivi, Vitorinha, como queiram chamar nossa Princesa Victoria. Eu sempre a chamo de muitos nomes e ela gosta e acha graça...

Então... Ocorre que ela me mandou um email ontem dizendo que havia visto meu pedido para que a borboleta 6.000 deixasse recado. Mas, disse ela, embora seja leitora diária do blog e o leia todas as manhãs em seu mac book, enquanto toma seu cafe latte, ela não poderia deixar mensagem no blog. Segundo ela, isso lhe traria constrangimentos com outros blogueiros brasileiros, residentes na Suécia. Blogueiros, inclusive, que ela não lê.

Eu entendi perfeitamente, claro. Mas como daqui eu posso acessar uma alta tecnologia sueca, mesmo porque ela tem a mesma marca de computador que eu, consigo fazer com que ela não consiga ler este post. Ótimo não?

Não, não. Fiquem tranquilos! Eu não ando bloqueando post para vocês! Só consigo fazer isso de mac para mac e da Suécia para a Suécia.

Então, aqui vai nossa homenagem. A ela, nossa querida Vivi, um beijo carinhoso do Brasil e das borboletas que por aqui voam.

Ah... e para vocês que querem manter mais contato com a Princesa, podem acessar o endereço da Família Real:

http://princess-madeleine.com/royal/king60/

Lá vocês também podem ter o endereço dela de Estocolmo, podem até mandar lembrancinha de Natal.

11 dezembro 2007

Embaixatriz recebe jornalista brasileira


(A jornalista e a Embaixatriz, já grávida de 3 meses, durante despedida do Brasil)

Nesta semana deve chegar em Malmö a jornalista Adriana Cechetti, enviada especialmente do Brasil para cobertura do Natal da atual Embaixatriz da Amizade entre Suécia e Brasil.

Somnia Pollyana Deslumbrette de Carvalho, eleita recente e virtualmente para o cargo, escolheu a repórter por ter, segundo ela, "afinidades e vínculos eletivos".
Parece que as duas já se conhecem de alguma data.
Adriana, que cobriu a primeira exposição de Pintura da Embaixatriz (Pintura em Sol Maior), também tem acompanhado sua vida pessoal desde um certo tempo.
O arquivo de fotos é imenso e as duas aparecem juntas em vários eventos sociais realizados em São Paulo.



A simpática e renomada jornalista, que já trabalhou em três das maiores tevês brasileiras, entrevistou inúmeras celebridades no país, ao que tudo indica, também tem um particular com a Embaixatriz. Adriana é filha dos mesmos pais do marido de Somnia Deslumbrette. Expliquemos: Somnia casou com o mesmo rapaz com quem Adriana cresceu e que agora lhe deu um sobrinho. Dito ainda de outra forma: parece que as duas são cunhadas e o pequeno Ângelo seja sobrinho de Adriana.

Talvez essa coincidência tenha ajudado na cirrada eleição entre jornalistas, ocorrida há algumas semanas na capital paulista, para ver quem seria o sortudo escolhido. Talvez explique ainda o interesse implícito e pequenino que a profissional tem nessa visita ao gelo escandinavo.

O que importa é que Adriana Cechetti chega em breve e poderá também revelar seus dotes de super babá com o super menino,

Que ela faça uma ótima viagem e uma perfeita cobertura do Natal Sueco! E tomara ainda que tenha neve nas fotos!

Promessa é dívida


("Marcella", Ernst Kirchner)

Pelo jeito bateremos os 6.000 visitantes hoje, mas estou sem condições de escrever o post em homenagem à nossa visitante 5.000, a Fer, pois peguei uma tal gripe de Malmö, mistura de gripe forte com virose e estou parecendo a Marcella do Kirchner...

Mas promessa é dívida e este post aparecerá por estes dias... Enquanto isso, se você for o nosso sorteado de hoje, deixe um recado!

Abraços sem espirros.

09 dezembro 2007

Certas memórias nem as manchas do tempo conseguem apagar

(Eu, com uns não sei quantos anos, há um certo tempo atrás)

Desde uns anos atrás, quando encontrei esta foto, num binóculo perdido nas coisas de minha mãe, eu a carrego comigo.
Deve ser uma das duas únicas que meus pais tiraram de mim quando pequena, já que, na época, fotografia ainda era uma coisa muito cara para as posses deles. E, embora eu conhecesse o tal binóculo desde criança, foi só na "madureza" que eu passei a valorizar a imagem que ele carregava.

O fato é que eu amo esta foto.

Amo fotografias, álbuns de família, de um modo geral, mas esta eu acho especial.
Foi a partir dela, que minhas memórias, esquecidas na infância, vieram à tona um dia.

Olhando-a, lembrei-me do lugar onde morávamos, a Chácara do Sr. David, que ficava na região de Campinas.
Lembrei do mato e das aranhas que minha mãe tanto temia naquele lugar.
Lembrei de algumas noites em que ela e meu pai, ficavam à minha volta, me cuidando, enquanto meu nariz sangrava não sei porque cargas d´água.

E vendo os brinquedos que me eram caros, colocados à minha volta, lembrei-me também de como era delicioso esperar pelos presentes de Natal que a Singer, empresa onde meu pai trabalhou vinte e tantos anos, como metalúrgico, dava pra gente no fim do ano.
Lembrei-me ainda das visitas que fazíamos à empresa e do orgulho de meu pai a me mostrar seu local de trabalho. O fogo, os caldeirões, a força que eu pensava que era preciso meu pai ter para operar tudo aquilo, tudo... me dava muito orgulho dele.

Foi nesta fotografia borrada da infância que eu me vi pequenina e cuidada.

E eu, que agora sou mãe, percebi que lindo um dia ter sido filha.
O vestidinho xadrez com o cintinho, a o lacinho, a bolsinha e a sandália... tudo combinando. Tudo escolhido a dedo por minha mãe, talvez por meu pai também.

O cabelo, cortado láá no toco pela minha própria mãe e eu, com cara de poucos amores, mirando o fotógrafo.


(Meu pai, visivelmente orgulhoso de me conduzir e eu segura de tê-lo ao meu lado)

São lembranças assim que essa fotografia manchada me traz. Lembranças que, na verdade, não tenho direito, mas que, de alguma forma, estão em mim.
A partir dela eu me consigo ter uma idéia do cuidado, do amor, da dedicação que por muitos anos meus pais me dedicaram. Quantas incontáveis coisas não fizeram por mim que eu nunca saberei? Quantos sonhos construíram em torno da minha presença, os quais eu provavelmente não cumpri?

A partir desta foto, e das memórias recuperadas a partir dela, percebo que o amor que hoje eu e Renato doamos ao Ângelo, ficará nele, de uma forma ou de outra. Na dúvida, eu estou tirando muitas fotos...

No dia de hoje, domingo chuvoso, 3 graus no termômetro, Ângelo e Renato ainda dorminhocos, eu percebo que ser mãe, por estranho ou comum que pareça, me tornou muito melhor filha, Hoje consigo entender algo que me era impossível até pouco tempo atrás: o quanto se despende de energia para cuidar de um filho, e o quanto é possível amá-lo e querê-lo bem. Entendo, ainda, como é bom demais poder perceber o valor dos pais e amá-los enquanto é tempo.


(Minha mãe e minha irmã, chorando de rir, com as fraldas do boneco, em chá de bebê do Júnior)

07 dezembro 2007

Amar é e não é uma coisa simples


("O passeio", Marc Chagall)

A demanda do bebê aqui de casa fez com que a gente quase deixasse o dia passar em branco, mas por sorte ainda é tempo de lembrar...

Hoje, o Caetano e a Irene, o Pê e a Mê, ou ainda, os pais do Renato e avós do Ângelo, celebram 33 anos de casamento.

E por essa história que tem muita coisa bonita pra se contar e lembrar, e da qual a gente imagina que vocês se orgulhem muito, só temos a dizer, muito alegremente: PARABÉNS!

Esperamos que vocês continuem se tomando pela mão...
se amando na simplicidade,
porque os frutos a gente já conhece bem.


(Pê e Mê, Suécia, agosto 2006)


Ensinamento
Adélia Prado

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

06 dezembro 2007

"A mãe do primeiro filho"


("A Mulher e as Rosas", Marc Chagall)


A mãe do primeiro filho
Murilo Mendes

"Carmem fica matutando
no seu corpo já passado.


— Até à volta, meu seio
De mil novecentos e doze.
Adeus, minha perna linda
De mil novecentos e quinze.
Quando eu estava no colégio
Meu corpo era bem diferente.
Quando acabei o namoro
Meu corpo era bem diferente.
Quando um dia me casei
Meu corpo era bem diferente.
Nunca mais eu hei de ver
Meus quadris do ano passado...


A tarde já madurou
E Carmem fica pensando."

05 dezembro 2007

Como parar um vício?



Contece que viciei de beijar esse bebessinho (como diz o pai, engenheiro e virginiano)
Contece que viciei em pegar os pessinhos dele e levantar pro alto pra cheirar...
Contece que fico feito tantan a falar e brincar com ele...

E não sei como fazer mais.. porque é gostossu demais zenti...

Que cê sugere dotô?

04 dezembro 2007

"Receita de Ano Novo": Trocar Skakespeare por Drummond.



("Mariana", John Everett Millais, 1851)

A bela e contagiante tela acima, de John Millais (não confundir esse inglês com o francês Millet), pertencente ao acervo do Tate Gallery, em Londres, é ainda mais impressionante quando vista ao vivo.

Enorme, com cores muito, muito vivas, brilhantes, aveludadas, a tela "Mariana", que tem como tema a personagem da peça "Medida por medida", de William Shakespeare, prende o expectador dentro dela. Prende a atenção sobre Mariana, seus trajes, seu quarto e sua beleza.

No entanto, apesar de jovem e linda, Mariana é infeliz. Rejeitada por seu grande amor, o governador de Viena e seu amante, Ângelo, ela se isola em sua tristeza. Nada mais fora de sua própria tragédia, de seu abandono e sua infelicidade a mantém. De dentro de seu quarto e de seu desespero ela se põe a esperar pelo retorno do amado.

Millais soube captar o desespero da bela e seu confinamento a partir de uma pintura que simbolizou muito bem a peça do dramaturgo. Millais é perfeito como representante do Simbolismo.

Skakespeare, por sua vez, retratou muito bem a sociedade opressora e repressora do século 17. Não à toa, suas peças têm o drama e a tragédia como tema.

Mas, se Millais é maravilhoso de se ver e Skakespeare lindo de se ler, para nós, mulheres e homens do século XXI, Drummond é a escolha perfeita para viver.

Nada de dramas,
Nada de peninha de si mesmo,
Nada de "e se",
No Ano Novo, melhor trocar o velho e surrado Skakespeare pelo sábio e prático Drummond:


Receita de Ano Novo

(Carlos Drummond de Andrade)

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

02 dezembro 2007

Bozo, o filósofo pós-moderno


"Sempre rir, sempre rir,
pra viver é melhor sempre rir,
eu sou Palhaço e faço assim,
até dormindo o negócio é sorrir
é sorrir..."


Nada melhor do que um dia de domingo em que a gente sorria.
Hoje aqui o dia começou muito escuro. Oito da manhã pareciam quatro e a chuva não anima o passeio, mas dia de domingo sempre é especial pra mim.

Gosto desde a infância, quando eu acordava de manhã e continuava na cama, ouvindo as conversas da minha mãe com meu pai na cozinha durante o café... Ficava à espreita porque eles sempre estavam falando de nós, os filhos. E minha mãe estava a contar as novidades da semana, o que eu - danada, espertinha - havia feito ou aprendido... e eu me sentia extremamente especial.

Depois vieram as muitas missas do domingo, em que ou eu preparava a liturgia, ou cantava com o coral, ou ensaiava algo com adolescentes ou jovens para tornar a Santa Missa mais animada e mais "entendível" ao povo que lá madrugava.

E, depois ainda, veio a companhia adorável do Renato e os nosso cafés da manhã regados a muita conversa boa, conversa que hoje tem o Ângelo como tema e eu agora é quem fico a contar as novidades.

Foi esse mesmo personagem que, esses dias, me fez pensar em escrever aqui um post a respeito de como é bom, de vez em quando, pegar lá do baú escondido, algumas canções que marcaram nossa vida.
Eu tenho uma seleção de bregas ou ultra-românticas, religiosas ou clássicas, tudo misturado, que às vezes coloco assim, todas de uma vez...

E passo de Cake a Padre Zezinho. De Nirvana a Roy Orbinson, de Madredeus a Bethoven.

Assim começou meu dia com Ângelo na semana passada... e assim dançamos e cantarolamos umas "par delas", entre as quais eu havia escolhido "How can I go on", cuja lembrança pra mim é adorável: Freddie Mercury e Montserrat Caballe nas Olímpiadas de Barcelona, nos anos 80, juntando suas vozes poderosas.

Ao baixar a música, dei de cara, então, com uma obra prima: um vídeo produzido por dois amigos, de Pirassununga, há cinco anos atrás. E escorreram lágrimas de tanto rir...

E como foi bom! como foi bom encontrar duas almas perdidas por aí que se parecem tanto comigo. Que mesmo adultos, brincam como crianças, fazem rir e riem sozinhos... O mesmo que eu fiz na infância e até mesmo na universidade, quando eu, Lud e Janaína fingíamos ser cantoras italianas e chacretes. O mesmo que Renato adora fazer...


(Eu a fazer caras e bocas, Indaiatuba, 2004)


(E o marido a fazer graça, Paris, 2006)

De modo que, não posso deixar aqui o Freddie e a Montserrat sem o Daniel, Danzão, e seu amigo. E sugiro a você, se quer entender o que tô dizendo, que veja primeiro o vídeo original dos cantores em Barcelona. Depois, só depois, veja os atores de Pirassununga.

A letra e melodia dramática - e, de certa forma, melancólica - e a interpretação inesquecível dos dois cantores, foi totalmente transformada. Isso porque tudo é tomado de outro ângulo. De outro ponto de vista. Não do drama, mas da comédia.

Repare nos detalhes. Na escolha a dedo que fizeram do cenário. No varal e nos prendedores. Nas caras e bocas. No bigode e na gravata borboleta vermelha. Nas canecas a se cruzarem no ar, nas mãos se tocando...

É pura arte. Esbanja criatividade, mas eu acho que, acima de tudo, esbanja VIDA porque faz a gente dar tempo para a brincadeira, o riso e a alegria.

E embora a vida deles, provavelmente, tenha muitos dias nebulosos ou tristes, o que importa é que selecionaram momentos como este para manter na memória. Deles e na nossa. Como nós fazemos ao selecionar belas fotos para um álbum de retrato. Aquilo que a memória se alegra em lembrar.

Ótimo domingo para todos nós!

(Ah! a letra e a tradução de "How can I go on" vai abaixo, num outro post.
Veja os vídeos nos links do lado direito do blog. E se quiser ver mais dos amigos de Pirassununga, acesse: http://br.youtube.com/user/Danzao