Pular para o conteúdo principal

"Meu primeiro amor..."



Sabe aquelas lembranças que nunca desgrudam da nossa cabeça?
Aquelas memórias que você já nem sabe mais se existiram mesmo, se vocês as criou em sonho ou depois de tanto imaginar a situação?

Em uma dessas madrugadas, entre as muitas mamadas do Angelito, me deu uma saudade bem forte do pessoal de casa. Minha mãezinha, a Luana, o Ju, meu irmãos... Essa idéia remeteu-me na mesma hora a uma música que eu ouvia na infância com meu pai e minha mãe cantarolando: "Saudade palavra triste quando se perde um grande amor, na estrada longa da vida eu vou chorando essa minha dor...". Isso de uma idéia levar a outra que leva a outra e outra se chama, na filosofia, de princípio de causalidade, e eu estudei isso na graduação através das teorias do David Hume.

É incrível como a mente funciona e em alguns segundos eu estava me vendo nos domingos de manhã na cama, ouvindo as conversas entre meu pai e minha mãe, enquanto eles assistiam a um daqueles programas de domingo onde se apresentavam estes cantores, como os incríveis Cascatinha e Inhana... Me lembrei então de minha mãe ouvindo todos os dias o programa do Zé Bétio... e música do Agnaldo Timóteo a cantar: "Quem é?", e outro a responder: "É o Zé Bétio"...

São lembranças engraçadas e muito valiosas.
Hoje é dia dos pais no Brasil. Vamos ligar daqui a pouco para o Caetano, o querido pai do Re. Eu já não tenho mais o meu querido Seu Zé para telefonar, mas hoje me lembrei ainda mais dele, com muito carinho. Pensei que fora nossa mãe que funciona como se fosse quase uma extensão de nós mesmos e a quem a gente ama incondicionalmente, os pais são nosso "primeiro grande amor".

Me lembro de como eu me orgulhava em mostrar a meu pai que estava aprendendo a ler com 7 anos e como ele me incentivava. Me lembro de fingir que estava dormindo no sofá a noite só para ele me pegar no colo e levar pra cama, me lembro que ele me comprava mangas e peixes quando eu ia visitá-lo no domingo.

Me lembrei esses dias de que a infância é maravilhosa... olhei pro Angelinho e pensei que provavelmente assim como eu não tenho memórias de tantas coisas que minha mãe e meu pai fizeram por mim porque eu era pequena demais, ele também não terá essas que eu agora vivo com ele. Ao menos não conscientemente, porque eu acho que amor a gente sente, mesmo sem saber... e ele já deve sentir como o amamos. Ele já meio que sorri e procura pela voz do Renato que não se cansa de brincar, falar e amá-lo... o Renato que eu acho também será o primeiro amor dele, porque eu e ele... a gente já é meio grudado, coisa que o corte do cordão umbilical não conseguiu separar.



A vocês pais frescos e pais antigos, pais magrinhos e pais gordinhos, pais carinhosos e pais secos, pais quietos e pais falantes, Parabéns! Parabéns por serem aquela voz a cantarolar músicas pra gente quando as nossas mãezinhas estavam esgotadas de tanto dar-nos de mamar.

Abaixo, ícone do que eu considerei um presente: um vídeo no youtube da dupla Cascatinha cantando "Meu primeiro amor"... curtam e se arrebentem de chorar... ou de rir... Depende de como forem suas lembranças.

http://www.youtube.com/watch?v=IikOElPqs1c

Comentários

Anônimo disse…
Somnia, Re, Angelito;
Sô, que palavras lindas e muito bem lebradas em sua deliciosa mensagem, na lembrança de seu pai, com tanto carinho, por lembrar-se de seu "sogrinho", tanto afeto, pela dedicação com o "papai-fresco", o qual também tanto amamos. Você, Sô, que a tenho como "nora-filha", e por tudo, nos deu o Angelo, que é complemento de nossas vidas. Obrigado, amo muito a todos vocês.
Somnia Carvalho disse…
Vovô Caetano, obrigado pelo modo carinhoso com que sempre me acolheu desde que entrei para essa família. beijos
Ed. disse…
engraçado que sexta a noite em uma conversa de bar contávamos nossas lembranças...

e lembro-me tão bem que no meio da noite de todas as noites eu acordava pedindo agua e meu pai pacientemente levantava ia até a cozinha e me trazia um copo cheio...apesar do cansaço e do sono eu sabia que existia muito amor naquele gesto...

Bjo. e parabens um pouco atrasado para o pia de primeira viagem!!!!
Anônimo disse…
Sônia,
Qta coisa bacana no seu blog desde a última vez que vim aqui. Sorry, tenho andado um pouco relapsa com meus amigos blogueiros. Mas quero vir mais, seu blog é tão gostoso!!
Aliás, acho que nem te dei um SUPER PARABÉNS pela chegada do Angelo. Que fofo, que lindo, que alegria. E como a vida muda com a vinda de filhos, não?? É uma felicidade maravilhosa.
Beijos enormes em todos,
Andréa
Somnia Carvalho disse…
Ed, quanto amor não existe num copo d´agua né?
Somnia Carvalho disse…
Andréa, gostoso mesmo é o seu blog... rs... estou com fome agora e queria tanto uma daquelas receitas de la! hummmm...
Renato disse…
Oi So, estou muito orgulhoso por ser pai, pelo Ângelo e pela mamãe com seu blog cheio de crônicas maravilhosas.

PS: Na foto deste post, não sou eu e nem é o Ângelo voando na praia...mas em breve estaremos brincando assim :-)
Somnia Carvalho disse…
Meu segundo amor,
eu, como comentou sua mãe estes dias, sou uma mulher suficientemente inteligente para ter escolhido um ótimo pai para meu filho... e você até pode brincar com ele assim na praia, desde que eu não esteja olhando... rs..

Postagens mais visitadas deste blog

Azulejos em carne viva? O que você vê na obra de Adriana Varejão?

( "Azulejaria verde em carne viva" , Adriana Varejão, 2000) Gente querida, Domingão a noite e tô no pique para começar a semana! Meu grande mural preto, pintado na parede do escritório e onde escrevo com giz as tarefas semanais, já está limpinho, com a maior parte "ticada" e apagada. Estou anotando aqui o que preciso e gostaria de fazer até o fim desta semana e, entre elas, está finalizar a nossa apreciação da obra de Adriana Varejão , iniciada há dias atrás. Como podem ver eu não consegui cumprir o prazo que me dei para divulgação do post final, mas abri mão de me culpar e vou aproveitar para pensar mais na obra com vocês. Aproveito para convidar quem mora em São Paulo a visitar a exposição da artista, em cartaz no   MAM , Museu de Arte Moderna, no Parque Ibirapuera, com entrada gratuita e aberta ao público até 16 de dezembro deste ano. ("Parede com incisões a La Fontana", Adriana Varejão, 2011) Para "apimentar" a dis...

Na Suécia também não tem... branco no Reveillon

Se você é brasileiro ou brasileira conhece, com certeza, a tradição da roupa branca na virada de todo ano novo no nosso país. Diz a lenda que o uso da roupa branca atrai boas energias. A claridade e a luz provindas do branco sempre remetem à paz, harmonia, pureza etc e, apesar de ser um costume tomado por brasileiros de todas as religiões, a raíz dele está na cultura e na religião dos negros africanos que também colonizaram o Brasil.  Eu, obviamente como boa brasileira, sempre soube que se não fosse de branco eu deveria ao menos escolher uma cor super alto astral ou de sorte, como o amarelo. Ou pôr umas calcinhas novas, também de cores "boas" para garantir um sucessinho. Eu normalmente passo reveillon em alguma praia então eu só tenho na memória gente vestida de branco, amarelo e, no máximo, um azulzinho. Ninguém quer atrair maus fluídos e entrar com o pé esquerdo no primeiro dia do Ano Novo. Ou quer? Bom, se você estiver cansado dessa tradição e opressão do branco sobre você...

Violeta Paz é que eu me chamo!

("Violeta Paz", detalhe da tela que fiz hoje, inspirada pela postagen lilás, Somnia Carvalho, abril 2010) Semana passada eu fui contagiada pelo vermelho de vocês e tentei, tentei ardentemente criar uma tela em vermelho... Eu queria mostrar como essa cadeia de influência, essa rede que se chama internet pode nos afetar negativa ou tão positivamente. Depois de ler a história do vermelho cabelo da avó da Glorinha eu queria pintá-la... queria pintar sua força e sua ingenuidade. Queria pintar sua feminilidade e queria pintar o amor de sua neta por ela. E como minha tentativa de expressar em cores o que sentia não funcionava fui tentando outras telas. Tentei em três telas diferentes algumas idéias... criar uma tela em vermelho (a partir de uma foto preto e branco) da minha sogra Irene no dia de seu casamento sendo pega pelo meu sogro Caetano, num ato espontâneo de amor... Depois tentei uma dançarina de tango e parei na metade... Depois minha linda amiga Liana ...