Pular para o conteúdo principal

"Yo estaba bien por un tiempo...": acerca de nossa insistente angústia com o futuro

(Rebekah Del Rio, LLorando, versão para Crying, Roy Orbinson, para filme Mulhohand Drive, Cidade dos Sonhos)

Ontem, fiquei sabendo pelo blog de Glorinha, que Renata, 45 anos, uma blogueira a quem eu não conhecia, faleceu vítima de um infarto.

Seu último post foi a respeito do tempo, de sua angústia e incapacidade em controlá-lo.

Fiquei numa tristeza estranha, profunda, mesmo sem nunca ter dela sabido. Provavelmente por ser ela alguém comum como a gente. Triste por ter tido seus sonhos lançados ao vento e pela dor de sua família.

Num dia assim a gente se sente indefeso e percebe que a vida é sim muito frágil e fugaz. O futuro totalmente incerto.

O que nos resta então?
O agora.
O nosso e o daqueles a quem amamos.

Subitamente hoje acordei muito feliz, mais feliz do que normalmente sou, munida de uma felicidade necessária e pondo em dia minha lista de coisas das quais não desejo serem arrancadas pelo tempo.

...

Llorando

(versão espanhola de Crying)

Yo estaba bien por un tiempo
volviendo a sonreir
luego anoche te vi
tu mano me toco
y el saludo de tu voz
te hable muy bien y tu
sin saber
que he estado llorando por tu amor
llorando por tu amor
llorando por tu amor
luego de tu adios
senti todo mi dolor
sola y llorando llorando llorando
no es facil de entender
que al verte otra vez
yo este llorando
Yo que pense que te olvide
pero es verdad es la verdad
que te quiero aun mas
mucho mas que ayer
dime tu que puedo hacer
no me quieres ya
y siempre estare
llorando por tu amor
llorando por tu amor
tu amor
se llevo
todo mi corazon
y quedo llorando
llorando
llorando
llorando
llorando
llorando
por tu amor

música de Roy Orbinson,
interepretação de Rebekah del Rio

...

Crying

I was alright for a while
I could smile for a while
but I saw you last night
you held my hand so tight
as you stopped to say hello
you wished me well
you couldn't tell
that I've been crying over you
crying over you
and you said so long
left me standing all alone
alone and crying crying crying crying
it's hard to understand
but the touch of your hand
can start me crying
I thought that I was over you
but it's true so true
I love you even more than I did before
but darling what can I do
for you don't love me
and I'll always be crying over you
crying over you
yes now you're gone
and from this moment on
I'll be crying
crying
crying
crying
crying
crying
over you.

Roy Orbinson



Comentários

POis é Borboletinha...ao contrário de mim que acordei triste, pensando no que fazemos de nossas vidas...vc a tem, inteira pela frente, aproveite sim, curta cada segundo. Ao nos depararmos com estas notícias percebemos como somos frágeis em nossa humanidade...beijos,
Somnia Carvalho disse…
Glorinha querida me permita discordar de voce...

eu nao tenho mais tempo de vida do que voce, embora eu seja uns anos mais nova porque nada amiga, nada garante que eu viva mais. Entende nosso drama?

eu sei que vc sabe exatamente disso e sei tambem que o fato de envelhecermos nos deixa arrasadas, o olhar para o espelho e nao se ver mais com a juventude que ainda pensamos e sentimos ter. Foi isso que me fez ficar feliz hoje porque no dia de hoje eu tinha tudo pra ser feliz logo que acordei...

gripes? cansaço? este ou aquele problema? tudo e superavel enquanto aqui estamos! nao e?

entao queridona nao fique triste! aproveite da profundidade que lhe e caracteristica e viva hoje, so hoje da melhor forma interior que conseguir! nao deixe a tristeza natural de lidar com a morte tirar o que voce tem de bom hoje.

desculpe minha polyanisse! beijos
Lu Souza Brito disse…
Somnia,

Noticias assim sempre nos entristece, nao por temer a morte, mas por saber que ela é tão frágil que pode se acabar a qualquer momento. E aí, nao importa os planos, nao importa os sonhos, nao importa a viagem adiada, o beijo nao dado, o pedido de desculpas nao feito.
A sua alegria de hoje é por saber que, por mais que a gente nao queira pensar nisso, a vida acontece aqui e agora. Por isso é nossa obrigação conosco viver da melhor maneira possivel, semeando mais amor que tristeza. Fazendo o que gostamos, estando com as pessoas que gostamos, por que no final, o que ficará de nós quando nao estivermos mais neste plano? lembranças (boas ou ruins).
Um beijo e adorei sua dica lá sobre a reforma, tá???
Lu Souza Brito disse…
Obs: quando eu disse ela, no inicio da frase, quis dizer a VIDA é fragil, nao a morte, rsrsrs.
beijos
Somnia Carvalho disse…
E exatamente isso Lu, tudo nao feito da um peso, uma culpa... mas a gente quase sempre deixa passar o presente.

Glorissima, so acrescentando uma coisa que eu sempre penso: imagine que alguem se achando velho aos 70 anos, por exemplo, va ficando triste com sua velhice, com as possibilidades perdidas e os limites que a idade impoe... imagine que ele ou ela viva como meus avos viveram ate os 92 anos e como os atuais que teem 88, 90... entao serao mais pelo menos 20 anos de vida sem vida.

ao mesmo tempo um jovem que pensa ter tudo pela frente pode disperdicar da mesma forma seu presente. E horrivel pensar isso mas a verdade e que nos nao temos futuro. Ele nao existe. So existe o futuro enquanto presente, enquanto realizacao.

lembro me bem de umas primeiras aulas do curso de filosofia que me assustavam... a ideia de que nao ha garantia de nada, nem mesmo de que o sol nasca amanha... a gente acredita nisso olhando e prevendo o que tem sido no passado, mas o futuro so existe como hipotese.

a morte assombra a gente e ela e a nossa unica certeza mas quando ela vira? nao sabemos...
OI Soníssima, é verdade, tudo o que disse, a mais absoluta verdade e por saber disso tudo, às vezes a tristeza me pega pelo pé, pois minha vida não anda lá essas coisas ultimamente, entende? Gostaria tanto de aproveitá-la, viajar, ver outros mundos, poder comprar os livros que desejo, usufruir...mas a vida não tá fácil pra mim...e nessa altura da vida fico me perguntando pq. A vida tem sido dura pra mim Borboleta e com a sensibilidade dos poetas, vc sabe que tudo fica mais difícil de suportar. Adorei seu co entário, beijinhos, bom domingo...
Somnia Carvalho disse…
Oi querida Glorinha,

se eu imaginasse que tão pouco tempo você se despediria eu teria vindo aqui e te dado um abraço apertado...

Postagens mais visitadas deste blog

"Ja, må hon leva!" Sim! Ela pode viver!

(Versão popular do parabéns a você sueco em festinha infantil tipicamente sueca) Molerada! Vocês quase não comentam, mas quando o fazem é para deixar recados chiquérrimos e inteligentes como esses aí do último post! Demais! Adorei as reflexões, saber como cada uma vive diferente suas diferentes fases! Responderei com o devido cuidado mais tarde... Tô podre e preciso ir para a cama porque Marinacota tomou vacina ontem e não dormiu nada a noite. Por ora queria deixar essa canção pela qual sou louca, uma versão do "Vie gratuliere", o parabéns a você sueco. Essa versão é bem mais popular (eu adorava cantá-la em nossas comemorações lá!) e a recebi pelo facebook de minha querida e adorável amiga Jéssica quem vive lá em Malmoeee city, minha antiga morada. Como boa canção popular sueca, esta também tem bebida no meio, porque se tem duas coisas as quais os suecos amam mais que bebida são: 1. fazer versão de música e 2. fazer versão de música colocando uma letra sobre bebida nel

Mãe qué é mãe mesmo...

(Picasso, Mãe e criança, 1921) Mãe qué é mãe mesmo... Já deu uma de cientista e foi até o quarto do bebê só para checar se ele respirava. Já despencou de sono em cima dele, feito uma galinha morta, enquanto amamentava. Já caminhou pela casa na ponta dos pés, como uma bailarina, só para não acordar o pimpolho. Mãe qué é mãe mesmo... Já perdeu a conta das mamadas e esqueceu qual o peito deveria dar. Já deu oi pro lindo rapaz que dormia ao seu lado e dormiu antes de continuar a conversa. Já adquiriu habilidades múltiplas como comer com uma mão só e fazer xixi com o bebê no colo. Mãe qué é mãe mesmo... Ama e odeia, ama e odeia. Às vezes chora e muitas vezes sorri. É ao mesmo tempo carrasca e heroína. Mãe... é uma garota crescida com uma boneca de verdade nos braços. Precisa de atenção e carinho tanto quanto seu brinquedo.

O que você vê nesta obra? "Língua com padrão suntuoso", de Adriana Varejão

("Língua com padrão suntuoso", Adriana Varejão, óleo sobre tela e alumínio, 200 x 170 x 57cm) Antes de começar este post só quero lhe pedir que não faça as buscas nos links apresentados, sobre a artista e sua obra, antes de concluir esta leitura e observar atentamente a obra. Combinado? ... Consegui, hoje, uma manhã cultural só para mim e fui visitar a 30a. Bienal de Arte de São Paulo , que estará aberta ao público até 09 de dezembro e tem entrada gratuita. Já preparei um post para falar sobre minhas impressões sobre a Bienal que, aos meus olhos, é "Poesia do cotidiano" e o publicarei na próxima semana. De quebra, passei pelo MAM (Museu de Arte Moderna), o qual fica ao lado do prédio da Bienal e da OCA (projetados por Oscar Niemeyer), passeio que apenas pela arquitetura já vale demais a pena - e tive mais uma daquelas experiências dificilmente explicáveis. Há algum tempo eu esperava para ver uma obra de Adriana Varejão ao vivo e nem imaginava que