Pular para o conteúdo principal

Prefácio Esperançosíssimo


(Lhasa de Sela, Rising)


"Havia uma tristeza que eu não sabia ao certo de onde vinha.
Um medo latejando bem no centro do peito
Que ardia.
Havia um nó de marinheiro na garganta
Gasta, de tanto gritar.
As mãos trêmulas e pernas que não obedeciam.
Estáticas.
Presas ao solo que se desfazia.
Havia granizo, vento, vidros, lascas, pulsos, corações, fragmentos
Explodiam.
Numa fração de segundo me dei conta, tentando me apoiar no vazio.
Era o mundo. O meu.
Que ruía."

Trecho de "Ele não sabia dançar", Ed Cruz.


"Ed Cruz tem uma chaga aberta. Seu coração pulsa e pulsa num peito aberto. A vida quase não lhe cabe. Tudo é intenso demais, porque viver não é simples. Nas páginas de "Ele não sabia dançar" temos o encontro com seu Eu mais verdadeiro. Talvez um pouco fantástico, mas Ed Cruz só sabe ser com intensidade. Chega a São Paulo fugindo da quase mutilação que uma vida no interior paulista poderia lhe proporcionar, mas é para lá que o Ed sempre volta. A vida corre, o tempo passa, algumas cicatrizes se curam, outra arderão a vida toda. E o mais difícil é quando não se sabe apenas entrar no ritmo da música... "

Prefácio imaginário, esperançosíssimo, de Sônia Maria de Carvalho ao livro ainda não publicado de Ed Cruz, Ele não sabia dançar.

...

Há uns 3 meses um querido amigo me enviou um livro, de umas 200 páginas, escrito por ele em umas duas semanas. Devorei cada página de sua louca, sofrida e corajosa quase-biografia, corri com a leitura para chegar até o final e liguei para ele aos prantos dizendo: "você precisa publicar!". E é isso... Hoje ele me mandou a música do vídeo acima e fui pegar o livro guardado em meu armário. Creio que fui a única pessoa a lê-lo todo. Ed tem feito segredo e, embora todos os amigos estejam loucos para ver o livro publicado e comprá-lo, meu amigo não acredita no poder de suas palavras.

E aí, ao som dessa fantástica Lhasa de Sela, num vídeo enviado a mim pelo Ed agora pouco, eu viajei num prefácio cheio de esperança, porque mais difícil que uma Editora querer publicar o Ed é ele acreditar em si mesmo. Como quase todo profundo escritor, ele também é um pouco louco.

...


Rising up

I got caught in a storm
And carried away
I got turned, turned around

I got caught in a storm
That's what happened to me
So I didn't call
And you didn't see me for a while

I was rising up
Hitting the ground
And breaking and breaking

I was caught in a storm
Things were flying around
And doors were slamming
And windows were breaking
And I couldn't hear what you were saying
I couldn't hear what you were saying
I couldn't hear what you were saying

I was rising up
Hitting the ground
And breaking and breaking

Rising up
Rising up

Lhasa de Sela

Comentários

Unknown disse…
Hoje você me fez chorar.
E sem dúvida esse será o prefácio!
Unknown disse…
sou eu, ed. na conta do amigo que mora comigo, o andré. rs
Somnia Carvalho disse…
rs..... você Edíssimo... você...
Dri disse…
Uau! Q prefácio! Me emocionei...não vejo a hora de ler o livro!
Beth/Lilás disse…
Diz pro seu amigo Ed que ele tem talento e estamos aqui na torcida por ele. O Brasil precisa de bons autores, gente que escreva com sentimento e respeito à nossa querida língua portuguesa.
Eu acho que ele tem muito talento.
beijinhos cariocas
Lúcia Soares disse…
Sucesso pro seu amigo.
Se ele escreveu, tem como publicar, faça-o rapidinho!
É preciso acreditar em nós mesmos e ainda mais com o seu aval, ele irá longe!
Depois mostra o livro, dá o endereço de compra e vamos lá, divulgar em nossos blogs!
beijos!
Somnia Carvalho disse…
entao! vamos comecar por aqui: alguem ai trabalha em editora e pode dar umas dicas pra gente empurrar nosso amigo Ed para a publicacao???

Postagens mais visitadas deste blog

"Em algum lugar sobre o arco íris..."

(I srael Kamakawiwo'ole) Eu e Renato estávamos, há pouco, olhando um programa sueco qualquer que trazia como tema de fundo uma das canções mais lindas que já ouvi até hoje. Tenho-a aqui comigo num cd que minha amiga Janete me deu e que eu sempre páro para ouvir.  Entretanto, só hoje, depois de ouvir pela TV sueca, tive a curiosidade de buscar alguma informação sobre o cantor e a letra completa etc. Para minha surpresa, o dono de uma das vozes mais lindas que tenho entre todos os meus cds, não tinha necessariamente a "cara" que eu imaginava.  Gigante, em muitos sentidos, o havaiano, e não americano como eu pensava, Bradda Israel Kamakawiwo'ole , põe todos os estereótipos por terra. Depois de ler sobre sua história de vida por alguns minutos, ouvindo " Somewhere over the rainbow ", é impossível (para mim foi) não se apaixonar também pela figura de IZ.  A vida tem de muitas coisas e a música é algo magnífico, porque, quando meu encantamento por essa música come...

"Ja, må hon leva!" Sim! Ela pode viver!

(Versão popular do parabéns a você sueco em festinha infantil tipicamente sueca) Molerada! Vocês quase não comentam, mas quando o fazem é para deixar recados chiquérrimos e inteligentes como esses aí do último post! Demais! Adorei as reflexões, saber como cada uma vive diferente suas diferentes fases! Responderei com o devido cuidado mais tarde... Tô podre e preciso ir para a cama porque Marinacota tomou vacina ontem e não dormiu nada a noite. Por ora queria deixar essa canção pela qual sou louca, uma versão do "Vie gratuliere", o parabéns a você sueco. Essa versão é bem mais popular (eu adorava cantá-la em nossas comemorações lá!) e a recebi pelo facebook de minha querida e adorável amiga Jéssica quem vive lá em Malmoeee city, minha antiga morada. Como boa canção popular sueca, esta também tem bebida no meio, porque se tem duas coisas as quais os suecos amam mais que bebida são: 1. fazer versão de música e 2. fazer versão de música colocando uma letra sobre bebida nela. Nest...

Azulejos em carne viva? O que você vê na obra de Adriana Varejão?

( "Azulejaria verde em carne viva" , Adriana Varejão, 2000) Gente querida, Domingão a noite e tô no pique para começar a semana! Meu grande mural preto, pintado na parede do escritório e onde escrevo com giz as tarefas semanais, já está limpinho, com a maior parte "ticada" e apagada. Estou anotando aqui o que preciso e gostaria de fazer até o fim desta semana e, entre elas, está finalizar a nossa apreciação da obra de Adriana Varejão , iniciada há dias atrás. Como podem ver eu não consegui cumprir o prazo que me dei para divulgação do post final, mas abri mão de me culpar e vou aproveitar para pensar mais na obra com vocês. Aproveito para convidar quem mora em São Paulo a visitar a exposição da artista, em cartaz no   MAM , Museu de Arte Moderna, no Parque Ibirapuera, com entrada gratuita e aberta ao público até 16 de dezembro deste ano. ("Parede com incisões a La Fontana", Adriana Varejão, 2011) Para "apimentar" a dis...