27 março 2011

"Continue navegando...", uma homenagem aos amigos Xu e Gus e todos os outros que vivem no Japão



("Like a bridge over trouble water", Simon and Garfunkel em apresentação inesquecível no Central Park)


Eu sempre pensei na mágica que pode unir pessoas diferentes, em situações inusitadas e torná-las tão próximas, tão presentes umas na vida das outras como se fossem do mesmo sangue. Como se fossem da mesma família ou até mesmo mais...

Foi o que me uniu à Xu, uma velha conhecida de vocês, e Gus. O casal, havia trabalhado com Renato anos atrás, na cidade de São José dos Campos, quando eu ainda éramos só namorados. Não os conheci naquela ocasião e nosso encontro foi preparado para a quase "minha Ilha Lost particular", Malmö, na Suécia.


(Xu, de vermelho, e Gus estiveram com o amigo Weider vivendo com a gente uma situação que nem mesmo a família pôde estar... visitando Ângelo no seu nascimento, Lund, julho 2007)


Desde um primeiro encontro no nosso primeiro apartamento, eu ainda de barrigão do Ângelo, foi aqueles encontros cósmicos deliciosos. Amei Xu, me apaixonei por Gus e nos tornamos grudinhos, vivendo nossa vida de delícias e dores longe do país onde todos nascemos e crescemos por mais de três anos juntos.


A "despedida" dessa vida a qual sabíamos NUNCA mais voltaria aconteceu ano passado em julho, quando voltamos. Este ano, em janeiro, num "Natal" organizado para a nossa trupe toda que vivia na Suécia e estava a passeio aqui, a gente se despediu deles de novo com um gosto ainda mais forte porque 2011 seria o ano de Xu e Gus no Japão.


(... e em janeiro deste ano, quando juntamos os maiores amigos brasileiros feitos na Suécia num Natal no apê no Brasil, S. Paulo, 2010)

Uma oportunidade, uma escolha, uma virada de rumo os levou até Tokyo e lá eles estavam até 11 de março, o dia do assustador terremoto que tem assolado o país até agora.

Meus amigos quiseram ficar, mas precisaram sair por ordens da empresa. Estão em Malmö trabalhando, aguardando alguns dias mais até voltarem e decidirem o que fazer.

Curioso nisso tudo: dois meses no Japão os uniu novamente a outras almas. O amor pelo Japão e pelo seu povo já se faz nas frases todas de Xu e Gus. Já se sentem unidos àquelas pessoas, àquela história... A mágica aconteceu de novo! Ela acontece o tempo todo e sobretudo para quem está aberto a ela! Para quem entende que o mundo é grande demais para se limitar à rua do outro lado...

Xu e Gus, apesar da distância, nosso coração está com vocês O TEMPO TODO! Na Suécia, no Brasil, no Japão. Estamos todos pondo nossas energias para que a história de vocês e o novo amor tenha condições de crescer, se fortalecer como o nosso se fortaleceu e continuará se fotalecendo porque mágicas assim conseguem unir almas "like a bridge over troubled water"...

...

ps: um abraço forte para o Fernando, meu leitor que vivem em Saitama no Japão... ando pensando muito em você também!


Bridge over troubled water

When you're weary, feeling small,
When tears are in your eyes, I will dry them all;
I'm on your side. When times get rough
And friends just can't be found,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
When you're down and out,
When you're on the street,
When evening falls so hard
I will comfort you.
I'll take your part.
When darkness comes
And pain is all around,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.

Sail on silvergirl,
Sail on by.
Your time has come to shine.
All your dreams are on their way.
See how they shine.
If you need a friend
I'm sailing right behind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.

Simon and Garfunkel
...

Bridge over troubled water
(Tradução)

Quando você estiver fraco, sentindo-se pequeno,
Quando lágrimas estiverem em seus olhos, secar-lhes-ei
Estou ao seu lado. quando tudo ficar difícil
E os amigos não aparecerem,
Como uma ponte sobre as águas turbulentas
Estabelecer-me-ei.
Quando você estiver sozinha e deprimida,
Quando você estiver na rua,
Quando a noite cair tão duramente
Eu irei lhe comfortar
Estarei com você.
Qando chegar a escuridão
E a dor estiver por toda parte
Tal qual uma ponte sobre as águas turbulentas
Eu vou estabelecer-me

Continue navegando garota de prata
Continue navegando...
A sua hora de brilhar chegou.
Todos os seus sonhos estão encaminhados.
Veja como brilham.
Se você preisar de um amigo,
Estou navegando logo atrás
Como uma ponte sobre águas turbulentas
Estabelecer-me-ei.
Tranquilizarei a sua mente.

6 comentários:

Lúcia Soares disse...

Sônia, sei que se vivesse a experiência de mudar-me de estado, ou país, ou apenas uma cidade mais próxima, aqui mesmo, teria dificuldade de me adaptar.
Admiro quem se lança a desafios como este de mudar de país, ir para onde as circunstâncias os levarem. Nem quando era jovem consegui essa proeza. Não soubr viver a 34 horas de distância dos meus pais e irmãos, quando me casei.
Uma "loucura" que até hoje não entendo e da qual, se não me arrependi, pelo menos me frustei bastante!
Que seus amigos possam voltar ao Japão ou continuar na Suécia, sempre felizes com as escolhas.
beijo!

Lúcia Soares disse...

(desculpa! 4 horas de distância me separaram por "longos" 6 meses da família.)

Fernando disse...

Oi Sônia, desculpe a ausência, mas como você deve ter visto aí no Brasil, as coisas estão meio anormais por aqui, não esta o caus como a mídia aí tem insistido em querer mostrar, mas não na normalidade de sempre, minha família estava desesperada, mesmo eu tendo ligado todos os dias, nao acreditavam no que eu falava, achavam que eu estava escondendo a gravidade da situação tamanho o sensacionalismo, estamos longe da usina e de onde foi o epicentro do terremoto, mas sentimos um tremor tão intenso como nenhum outro ate aquele dia, e agora estamos apreensivos com o desenrolar da situação dessa usina, mas nao desesperados, qualquer eventualidade maior iremos mais pro sul do país. Mas estamos bem, abalados, e tentando levar a vida o mais normal possível.
E mudando de assusto tenho pronto o texto, nao te enviei ainda pois demorei ate conseguir escrever, ferrugem acumulado ao longo dos anos e depois você mudou de casa e sei bem o que é mudança, o trabalho que da e ainda com duas crianças pequenas, não achei certo te mandar até você ter reorganizado a nova casa, ia tomar tempo seu, que deve estar escasso, assim que tudo estiver voltando ao normal eu envio o texto, mas acredito que não esta bom, e obrigado por lembrar e mais uma vez desculpa por nao ter aparecido por aqui e dedo o menor sinal de vida, abraços.

Beth/Lilás disse...

Borboletinha!
Você não poderia achar outro bichinho para ser, pois só borboleta tem uma alma parecida com a tua, aqui e ali.
Eu também sou meio assim, desgarrada, conseguiria viver muito bem longe do Brasil e dos parentes, mas sempre estaria presente nas férias e agora com esta facilidade de internet então, seria tudo fácil, tenho certeza disso.
Pena que pra mim já passou da idade de ficar experimentando novos países, se bem que no ano passado rejeitamos um projeto de 1 ano no Texas, tudo por conta de filho e mãe doentinha.
Acho que você tem que curtir tudo isso agora que são jovens e estão com todo o gás produtivo, sem contar o bom pé de meia que isso faz no início do casamento e de formar família.
Vivo dando incentivo ao meu filho para fazer o mesmo, não ficarei nem um pouco triste, pois o que me importa mesmo é sabe-lo feliz, realizando coisas grandiosas na vida, mesmo que seja grandes amizades como essas que vocês fizeram por Mallmo.
Ahhh, e esta linda música de S&Garfunkel foi uma das que escolhi para o meu casamento. adooooro!
bjs cariocas

Xu disse...

Baby baby, antes de mais nada, 1000desculpas pelo atraso na leitura e comentário. Minhas últimas semanas foram tumultuadas, super ocupadas... eu vi no FB qdo vc colocou o link deste post, mas não deu pra ler pelo celular. Daí... o tempo passa o tempo voa... enfim, acordei hj cedo pensando q precisava colocar a leitura do brabuléts em dia.
Divido com o Fernando os mesmos sentimentos. As pessoas q estão fora do Japão não acreditam na gente, acham q ou a gente tá escondendo algo ou tá mal informado. Fiquei 2 semanas fora daqui e confesso q foi bom demais voltar "pra casa". Fui bem recebida pelos japas do escritório e percebo q a vida realmente volta ao normal, na medida do possível. E é claro, todos de olho nas notícias sobre a usina nuclear.

Este lance dos "lacos" q a gente cria num novo país é uma coisa louca. Como vc disse, fazia menos de 2 meses q a gente tinha chegado e de repente parece q a gente pertence a este lugar. Difícil explicar...

Amei o post e a música!

Saudade de vc....

bjs

Anônimo disse...

Como sempre os seus textos sao agráveis e profundos.

Olha estamos vivendo tudo isso aqui também, decisoes, escolhas, saudades antecipadas e vontade de reencontros.
Aqui buscando forças pra organizar tudo que temos pela frente.
Forte abraço,
Marinêz das Baleares