29 janeiro 2008

Aprendendo a patinar: 1 ano de Suécia

(Brian Jourbet, um dos melhores de 2007)

Há um ano atrás eu acompanhava, pelo canal de esporte da TV daqui, o Campeonato Europeu de Patinação Artística no Gelo. A gente tinha acabado de chegar do Brasil para viver aqui por dois anos e ficamos um mês em Lund até acertar apartamento em Malmö.

Naqueles dias frios, chuvosos e com neve, eu saía, com uma pequena barriga de grávida, e caminhava muito por Lund, sedenta por conhecer tudo, e vivia me desequilibrando nas ruas, quando a neve caía. E quando vi que todo mundo andava junto às paredes e ia se segurando para não cair, fui tentando fazer o mesmo.

Estava começando tudo novo, num lugar todo diferente e vivia carregando o laptop e os livros, porque tinha uma tese para ser terminada. E, em meio àquilo, foi muito gostoso acompanhar aquelas finais de patinação, quando voltava para o apê quentinho.




Me lembro perfeitamente de algumas apresentações e de alguns patinadores. Alguns deles tiravam o fôlego da gente, fazendo saltos (não sei os nomes corretos), coisas fantásticas em cima de um patins. Já outros faziam a gente perder o ar, mas não pela técnica, pela emoção que causavam. 

Desses, eu guardo a sensação até hoje. 

E eu pensei que aqueles patinadores ensinavam muito, enquanto estavam ali. Sei que o esporte, de maneira geral o faz, mas eles, de maneira especial.  Comentava com o Renato quem havia me chamado atenção e ficava reflexiva mesmo, enquanto babava em cada música e dança




Engraçado que, de certa forma, me entristecia o fato da maioria que competia e que, com muito esforço, havia chegado até àquelas finais, iria para casa sem medalha nenhuma. Muitas vezes, voltaria sem mérito,  frustrados, porque haviam se saído muito mal, em algo no qual já se sentiam preparados.

Havia ali gente que vinha se dedicando anos e anos de sua vida treinando, se machucando, tentando as melhores acrobacias, escolhido e treinado pelo menos, por um ano, coreografias e interpretação. Havia sonhado e se animado por estar concorrendo com os melhores. E mesmo assim, às vezes, o tombo, era inevitável. Ou o nervoso transformava a apresentação num show de erros e insegurança. 

E nesses deslizes, tudo encerrado. Ao menos por aquele ano.

Esta semana liguei a TV rapidamente e percebi que estão transmitindo as finais de 2008, que eu nem sei se já terminaram ou não, ou se é replay do canal. Me lembrei, então, das eliminatórias de 2007 e me dei conta de que já se passou um ano. 




Vendo uma patinadora cair três vezes no gelo, me lembrei também como cada atleta, daquela final do ano passado, havia lidado com sua situação da perda: perder o título; não cumprir o esperado pelo treinador; não agradar e impressionar o júri e, pior, não cumprir oas próprias expectativas.

Para alguns a frustração se transformava em raiva profunda. E isso era nítido no rosto de cada um, quando viam as notas. Outros, ao que me parecia, conseguiam lidar bem com a situação e encaravam como sendo parte daquilo que escolheram fazer, competir. Não necessariamente vencer. E às vezes, apenas davam de ombros e continuavam sorrindo, abraçando o treinador e esperando se dar bem nas outras modalidades que viriam no outro período do dia.




Mas o que me chamou atenção em 2007 e, agora novamente, era que, normalmente os melhores, eram não só os mais preparados, mas os mais seguros. São os melhores porque conseguem combinar a mais emocionante música,  a melhor coreografia, o mais belo figurino com uma técnica incrível, claro.


(A dança do vitória de Brian Jourbet, em 2007)

Mas, mais que isso: a expressão deles e, a forma como deslizam no gelo, é de quem sabe exatamente porque está ali. Não é a competição o mais importante, mas patinar. Patinar prazerosamente, mesmo quando tem tanto em jogo. Há paixão pelo que fazem, e há, sobretudo, um saber saber dosar a importância do campeonato. 



(O casal de francêses que havia me emocionado em 2007, e que ganhou medalhas neste)

E exatamente porque conseguem não dar tanta importância assim àqueles jurados com olhar de desdém ou indiferença, eles se arriscam mais e ficam ainda mais confiantes, e nooossa! Arrasam! 

Acho que o maior desafio nosso de cada dia é aprender a "patinar" como os melhores. Não apenas manter-se de pé, mas tentar o equilíbrio perfeito.

E arriscar-se.
E se preocupar apenas na medida certa com o que a torcida e o júri pensa de nós.
Porque o importante mesmo é que a gente patine porque goste. 
E aproveite o momento.
E se delicie ou assuma que caiu porque não sabia ou apenas aceite que a sorte sorriu para outro.



(Rê, meu adorável companheiro de patinação, brincando de ser Brian Jourbet, Janeiro de 2007)

Acho que nesse um ano de Suécia, tenho tentado aprender a me equilibrar como os patinadores. Vencer o Monstro do O cortado ao meio foi o primeiro desafio de muitos que vieram depois. Patinar com um bebê tem sido a mais desafiante e emocionante. E tudo que me desafia me faz crescer e me dá prazer. 

E isso eu acho só é possível se a gente não tiver medo de pegar os patins nunca usados e lançar-se ali na pista. E esperar por tombos inevitáveis, mas aceitá-los como parte do combinado, porque é preciso treinar todos os dias para conseguir o perfeito equilíbrio. É preciso aprender que um dia a gente cai e que em outros se ganha uma medalha e que a imagem que acabamos por guardar e os outros também não são a dos tombos, mas as dos belos e acertados saltos.


(Nota: As imagens dos patinadores acima podem encontradas no site da
"Europe On Ice, Worldwide Figure Skating With Europe On Ice", bem como nomes e informações dos patinadores que ilustram este post)

28 janeiro 2008

A alma das Tulipas


Finalmente, os dias estão começando a ficar mais claros por aqui.
E hoje deu para passear alguns minutos enquanto  o sol aparecia, sob a chuva fina.

Que coisa boa que a sábia Natureza sabe dosar o escuro do inverno com as cores de algumas flores.

Pela cidade a gente vê tulipas para comprar em todas as esquinas.
Lindas!
Coloridas!
Vivas!

Acho que minha mãe me passou o gene dela de ser louca por flores,
ao ver tantas tulipas pelas barraquinhas aqui, 
me sinto que nem criança num parque infantil.

Toda saltitante e feliz.

24 janeiro 2008

O que os olhos vêem o coração muito sente

(Tela da artista plástica Eloísa Remédio)



O blog da minha amiga Daniela trazia esses dias uma breve reflexão sobre a função da cultura.
E eu rapidamente pensei que, para mim, cultura é coisa que se vive todo dia.
É algo que tem que estar em nós para fazer com que nos sintamos sintonizados com o Universo.

Tem dias que basta uma música, simples ou complexa, não importa...
Basta que eu tome alguns dos meus livros e veja alguns trechos que grifei há algum tempo...
Basta que eu olhe algumas pinturas,
ou fotografias de gente amada...

Num segundo meus olhos se enchem de beleza.
E a vontade de pintar um milhão de telas,
de compor dois milhões de músicas,
de dançar alguns trilhões de tangos,
e de viver prazerosa e intensamente
aquele momento de vida 
toma conta de mim.

Talvez seja para isso que sirva a cultura. Para fazer que a gente se lembre de viver.



Encher os olhos de pintura

Pintura,
 poesia colorida,
música silenciosa,
prece sorridente,
livro de uma página só.
 
Possibilidade de
interiorizar,
extravazar,
rir
ou chorar,
pensar e divagar.

É janela
de troca,
de diálogo,
de conhecimento.

É um mundo dentro de um quadro.



(Tela da artista plástica Isabelle Tuchband)

nota: Aqui telas que adoro olhar. Uma, de minha amiga Elô, com quem tive lições de muitas coisas, além de pintura. E outra, da artista Isabelle, das quais, infelizmente não tenho o título das obras para citar.

23 janeiro 2008

Pequeno Manual Invernoso


Três coisinhas simples que a Deslumbrette adora no Inverno na Suécia:

(Tulipas, Tulipas e Tulipas)

1. Comprar tulipas pelo preço de crisântemos:
2. Ter tulipas coloridas e lindas a semana toda em casa:
3. Comer guloseimas, sem culpa, e esconder a silhueta dentro do casaco:




Três coisas que a Deslumbrette acha muito chatas no Inverno na Suécia:


(Colégio St. Paul, na esquina da nossa nova moradia em Malmö, às três da tarde, na semana passada)

1. Acordar, tomar café e almoçar sem ver o Sol.
2. Não saber se são duas da tarde ou sete da noite.
3. Pegar gripe forte o tempo todo.
 

20 janeiro 2008

"Traduzir-se"


("Mulher em camisa", Andre Derain)


Traduzir-se

(Ferreira Gullar)


"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?"

18 janeiro 2008

"Amigos a gente encontra"



("Mulerada" na cozinha da Ivone - de vermelho, à direita - em seu especialíssimo jantar de Natal Brasileiro)


Quando eu dava aula aí no Brasil, a chegada dos vestibulares nos cursinhos era sempre muito parecida. Me lembro bem dos meus alunos e alunas queridos, cuja tensão e ansiedade era tanta que muitos adoeciam.
E ser professora nessas horas difíceis é ainda mais recompesador. A gente dá o ombro, o colo, oferece palavras de ânimo, fica horas a mais para tirar dúvidas, perde o sono junto com os alunos e sofre com eles também.

E era nessa mesma época que eu me punha a "fazer a cabeça" daqueles que pensavam em jogar todo o investimento de energia e dinheiro, de um ano todo, em apenas uma universidade, só porque ela ficava na mesma cidade onde moravam.

"Saiam!" "Mudem de cidade, de ares, de vida!", eu sempre repetia.

E me lembro também que um medo comum deles era o de perder os amigos e estar longe da família. E aí eu entrava com o meu discursão sobre a necessidade da gente "saiar da barra da saia" dos protetores e seguir carreira solo. Isso porque sempre acreditei que enfrentar os desafios, às vezes deliciosos, às vezes terrivelmente difíceis, do dia-a-dia traz amadurecimento e traz reconhecimento por aqueles que sempre cuidaram de nós. É claro que eu omitia bem a parte que a gente fica assim, miudinho de saudade...

Tenho me lembrado muito desses meus conselhos, porque, de certa forma, estou ainda mais longe e experimentando ainda mais esses dois lados da moeda. Mas, se por um lado, sair dói na saudade, por outro, é muito bom ver que a gente pode fazer novos amigos. 

E, pensando nisso, eu já havia selecionado algumas fotos e pensado alguns textos sobre cada encontro que tive aqui e queria ter publicado um por um até o fim do ano, mas tudo foi me atropelando.

Aqui, juntei algumas fotos de encontros e gente que venho conhecendo para, de um lado, agradecer essas pessoas que têm sido minhas companheiras aqui. Que me telefonam, que me visitam, que me oferecem sua casa e sua alegria. De outro, para provar - talvez para quem pense igual aos meus alunos, talvez para mim mesma - que, embora a gente não possa substituir ninguém (que ótimo!), como diz Raimundo, o Fagner, "amigos a gente encontra"...


(A deliciosa mesa da Ângela e do Kenth, em típico jantar sueco na casa deles)


(O querido casal Gãs, minha amiga Xu e seu maridão Gustavo, provando minha sopa de ervilhas em casa)

....

"Quem me levará sou eu"

(Fagner, música de Dominguinhos e Manduka)


"Amigos a gente encontra
O mundo não é só aqui
Repare naquela estrada
Que distância nos levará

(A sueca mais doce que conheci: Inga lil, enfermeira do Ângelo que se transformou em amiga)

As coisas que eu tenho aqui
Na certa terei por lá
Segredos de um caminhão
Fronteiras por desvendar
Não diga que eu me perdi
Não mande me procurar
Cidades que eu nunca vi
São casas de braços
A me agasalhar

(A querida cearense Márcia, cujas filhas suequinhas eu adoro e quem adora o meu filho, setembro/2007)

Passar como passam os dias
Se o calendário acabar
Eu faço contar o tempo outra vez,
Sim, tudo outra vez a passar

(Grzegorz e Agnieszka, o casal de poloneses mais legal da Suécia, com o super tradicional e trabalhoso prato que nos fizeram)

Não diga que eu fiquei sozinho
Não mande alguém me acompanhar
Repare a multidão precisa
De alguém mais alto a lhe guiar

(Maria, minha amiga portuguesa falante, de quem falo tanto neste blog)

Quem me levará sou eu
Quem regressará sou eu
Não diga que eu não levo a guia
De quem souber me amar"

16 janeiro 2008

"Com que roupa eu vou?" ou A moda inverno x O humor infantil


(Mulecadinha sueca, toda encapotada, em passeio da escolinha, pelas ruas de Malmö)

As crianças e os bebês suecos, bem como os rapazes latino americanos, nascidos na Suécia, detestam a moda inverno.
Isso porque não importa se para brincar no jardim de casa, no parque, ou para atravessar a rua e ir ao supermercado com os pais, é sempre preciso enfiar sua criança num macacão apara vento, chuva e frio e só então pôr o nariz par fora de casa.

Veja abaixo, nosso modelo Ângelo, mostrando com que cara eles ficam, após colocarem as necessárias quatrocentas e cinquenta peças de roupas do dia-a-dia do inverno.


(Ângelo no modelito socorro-me-tirem-daqui)


E veja abaixo, minutos depois, com que cara eles ficam após se livrarem das referidas roupas.



(Ângelo no modelito tô-me-divertindo-pra-caramba)

Nosso modelo, que hoje completa 6 meses de vida, nem precisou fazer teatro para a foto. Ele segue odiando usar o modelo número 1 e festeja sempre que é colocado no modelo número 2. Talvez daqui alguns muitos meses ele fique menos arredio ou, talvez, ele siga como a maior parte dos suequinhos, isto é, soltando muitos ais, uis, ais, uis todo inverno.

15 janeiro 2008

Terapia na cozinha


(Pôster da 2a. temporada da série americana "Desperate Howsewives", na qual as protagonistas lindas, visivelmente bem sucedidas e felizes estão mergulhadas em pequenos e íntimos pecados diários)


Churrascos e almoços de família sempre foram um material de sérias reflexões para mim.
E eu sempre achei realmente muito engraçado e curioso como o bate papo entre os homens rolava algo entre os últimos gols e o placar do campeonato não sei qual ou por qual empresa andava o fulano de tal agora.

E se você se achegasse às mulheres a conversa renderia, até o fim do encontro, material para encontros terapêuticos e muita, muita intimidade. A conversa entre as mulheres, me parece, sempre ia para além do "o que você está fazendo?" para o "como você está no que está fazendo?".

E esse post não tem a intenção de ser feminista, nem nada disso. Talvez a nossa natureza mesmo nos tenha dado uma facilidade para a abertura, embora, obviamente, nem toda mulher fale o que sente facilmente e nem todo homem tenha dificuldade pra falar disso. Será? Ou seria "generalismos" demais?

A verdade é que eu talvez tenha mesmo, normalmente, essa idéia, meio generalizada a respeito dos encontros masculinos e dos femininos na minha cabeça e meio que "deixo pra lá" o que não encaixa neste meu protótipo.

Mas eu andei pensando com minha amiga Pinta, que escreveu o seguinte acerca do meu post pouco sério sobre amamentação: Guia de como ter idéias muito férteis em apenas dois passos:

"amamentar não só ajuda a ter idéias, ajuda a ter fé na vida, a ter esperança, a ser generosa, a sonhar com o futuro, a se encantar com coisas simples, a amar verdadeiramente (...)"

Engraçado é que eu já tinha rascunhado na cabeça, há algum tempo, um post a respeito da amamentação. Um post sério e reflexivo sobre esse milagre, mas eu deixei a idéia de lado. Não sei porquê exatamente, mas acho que achei a experiência tão profunda e pessoal que ela talvez não fosse ser compreendida em algumas linhas ou num texto curto de internet.

Deixei de lado, talvez, porque, ao contrário do que eu sempre prego, as mulheres não têm conversas tão profundas assim. Na verdade, nunca conversei sobre o encanto de poder amamentar com minhas amigas que foram mães recentemente. Conversamos sim sobre se o peito tava rachando, se doía, se a pega tava correta, se o bebê era esfomeado ou preguiçoso.

Mulher nem sempre fala de coisas sérias.
E quando fala, não quer dizer que sejam sempre profundas.

E fui me lembrando da gravidez e de como eu tinha um livro! para escrever a respeito. Tantas milhares eram as sensações e sentimentos a respeito que eu desejava poder dividir com o mundo. E aí, em conversa internética com outra amiga que tá gravida, dias atrás, eu percebi que nunca falei com outras amigas sobre a sensação de carregar o bebê, de senti-lo, se cantavam ou conversavam com o bebê etc. A gente falou, é claro, se tinha enjôo, se tava pesando a barriga, se ele chutava muito ou pouco...
Uma coisa que percebi, vivendo e observando, é que uma grávida talvez anseie pela pergunta "como você está se sentindo hoje" ao invés do "quanto você engordou até agora?"

Mulher nem sempre quer falar de coisas sérias.
E quando pode, nem sempre quer que sejam profundas.

E eu fiquei aqui comigo pensando e pensando se certas coisas são tão grandiosas, são experiências tão fortes que não adianta tentar dividir. Algo parecido com o que eu senti a primeira vez que voltei da Europa com fotos de uma catedral gigante de Lisboa. Diante dela eu tinha ficado pasma e maravilhada, me sentido uma formiguinha e entendido a intenção daquela construção (a pequenêz do homem diante de Deus). Ao mostrar as fotos eu sabia que ninguém estaria entendendo aquilo. E que se a pessoa nunca tivesse estado diante de uma construção monumental como aquela, ou outras que eu havia visto, ela não me entenderia e ela passaria pela foto com aquela cara: "bela foto!".

E fico pensando se o outro está mesmo interessado em saber da experiência da foto e não só se o nome do lugar onde a imagem foi fotografada.
E fico pensando, após a resposta da minha querida amiga Pinta, que as pessoas querem sim ouvir coisas sérias, profundas acerca de experiências interessantes.
E elas também têm muito o que falar, mas talvez tenha lugar e hora para isso e talvez os nossos amigos homens saibam melhor a respeito.

Os homens provavelmente têm muita coisa séria e profunda para falar, talvez só não encontrem lugar nem hora,
Ou, se encontram, preferem guardar a experiência para si, porque entendem, melhor do que as mulheres, que coisas assim,
sérias e profundas, não adianta muito tentar dividir se não foi perguntado.

O que eu sei é que idéias generalizadas, pouco profundas e, portanto, pouco sérias a respeito de qualquer coisa que seja normalmente não dão em nada, nem mesmo rendem conversa no carro, após o churrasco.

A Pinta me fez lembrar de umas conversas que tínhamos sobre tanta coisa linda, realmente séria, que fazíamos de forma profunda. Sabe onde?

Na cozinha pequenina e bonita, arrumadinha e cheirosa dela.
Essa cozinha que agora é meio esquisita, mas que ainda serve para algumas boas conversas, a internet.

14 janeiro 2008

Somnia Deslumbrette na Terra do ABBA



Gente!

Depois de anos "chacoalhando" meu esqueleto todo ao som de "Dancing Queen" e outras tantas canções do grupo sueco ABBA eu finalmente entendi: o ABBA só poderia ter nascido aqui.

Acordei ouvindo o grupo e tive um insite assim, um lampejo em meio à essa escuridão dos nossos dias de inverno daqui: sabe a música? É... os instrumentos e toda a composição das músicas do ABBA? tem o sentimento daqui...

É louco! é verdade!
Se você ouve o ABBA num dia como hoje, por exemplo, é perfeito!
Eu sei... você poderia me dizer: "qualquer dia pode ser perfeito para ouvir o ABBA!" Se você é um fã como eu...

Eu sei. O que quero dizer é que essa paisagem, esse clima, tudo isso, ajuda a entender de uma forma mais "acabada", não sei a palavra, o porquê da música deles ser ao mesmo tempo alegre e triste, ao mesmo tempo brega e apurada...

Não sei explicar, perdoem! Essa sonoridade, o som, aquele jeitão deles, as letras sempre meio "brega-dow" deles, combina mais que perfeitamente com o lugar de onde vieram.

Eu seeiiii... você poderia me dizer: "Óbvil, minha filha! todo mundo é meio resultado do lugar de onde veio!"

Eu sei....

O que eu posso dizer é que é demais!

Eu que sempre ouvi e dancei meu cedezinho "ABBA 25 anos" no Brasil, enquanto faxinava a república onde vivia, enquanto pintava, enquanto tudo, nunca o ouvi como hoje.

Três dos integrantes do grupo são suecos, Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Agnetha Fältskog, e uma das vocalistas, Anni-Frid Lyngsta, conhecida como Frida, norueguesa. Eles nasceram aqui pertinho de onde vivo agora. Em cidades próximas a Malmö, passaram, viveram e vivem por essas bandas. Os dois homens ainda cantam e trabalham aqui mesmo.

Lendo a biografia deles, dia desses, reconheçi os nomes e as cidades, tudo tem se tornado estranhamente familiar para mim. E os nomes! Eles nem me parecem complicados!

Não é estranho?
Talvez sejam só obviedades mesmo, mas eu me deslumbro com isso!
Eu acho isso tudo muito legal...

Faz parte da minha natureza gostar dessas músicas que a gente pode sair dançando, meio feliz da vida, meio de bem com a vida, essas músicas que a gente canta sempre meio nostalgicamente... Adoro! e o ABBA, meus colegas aqui de moradia, são perfeitos nisso!

Aqui vai uma das minhas preferidas... "Knowing me, knowing you". A letra fala da dura, mas sensata separação de duas pessoas, quando as coisas não dão mais certo e elas percebem que, embora se amem, o jeito como são não dá para estarem juntas. Mais racionalidade que emoção. Pura filosofia sueca. Neste caso, acertadamente sueca.

Ótima, alegre e pensativa semana pra todos nós!

12 janeiro 2008

Ser um e ser outro: a Primavera e o Inverno.


(Moinho de vento em Parque de Malmö. Foto tirada no meio do dia por Adriana Cechetti, Inverno, dezembro de 2007)


Em cada estação somos um

Acordo às oito da manhã
e abro a persiana da janela à procura de luz.
Nada mais vejo que o cinza do céu, o cinza do asfalto e o cinza dos carros.

O dia permanece noite.
As pessoas estão silenciosas em suas casas.
Só o piano do vizinho não quer calar.
A fala é baixa e a quietude parece ser a melhor companhia.

Algumas almas em negro cruzam a esquina,
passam e voltam,
correm logo para dentro.

Todos estão em busca da mesma luz que eu,
Todos estão quietos e profundamente reflexivos,
é o inverno em cada um,
é a espera silenciosa e contemplativa pela Primavera.
é o entregar-se completamente à sensação de cada estação.



(Vista de campos à beira da estrada, próximo de casa, Malmö, Primavera, abril de 2007. Foto: Somnia Carvalho)

11 janeiro 2008

Guia de como ter idéias muito férteis em apenas dois passos.

("Mãe e filho", Picasso)

Receita Prática para pessoas do sexo feminino:

Preparo e Ingrediente:

1o. passo:

- Engravide e tenha um bebê.


2o. passo:

- Amamente. 

Lembre-se de seguir corretamente as indicações dadas nos principais livros sobre amamentação e se esforce, logo nos primeiros minutos de vida do bebê, para garantir que ele goste muito de ser amamentado ao peito e o faça pelos próximos seis meses, ao menos. Quanto maior o tempo de amamentação, maior o tempo em que você poderá se dedicar a ter muitas e muitas idéias.

Está pronto!


Resultado:

Você conseguirá ficar, em média, 4 horas por dia amamentando seu bebê. 

Poderá, então, aproveitar este lindo momento para ter algumas idéias brilhantes. Poderá escrever um blog ou um livro na cabeça. Poderá planejar desde a arrumação da casa à formas de melhorar o trânsito das ruas de cidades caóticas. Você, incrivelmente, terá na cabeça os próximos anos de sua vida e como organizará as férias de 2010.

Você, certamente, terá muitas e muitas idéias. Algumas brilhantes, outras nem tanto.
O brilhantismo das idéias dependerá de fatores além desta receita, como a demanda que lhe será exigida nas outras quatro horas restantes.

Seguida a receita é só servir e torcer para que todas as idéias que teve saiam da poltrona, onde esteve sentada para amamentar.  

nota: 
Esta receita garante que você tenha idéias, não que você as execute. Para isso, ainda não temos receita. Boa sorte!

08 janeiro 2008

"Cada Coisa"


(Crisântemos, Paul Cézanne)


Cada Coisa

(Fernando Pessoa, Ricardo Reis)


Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.

À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.

À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,

E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do Sol) —

Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem.

Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.

E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos.

Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.

Detalhes são importantes

(Sr. Angelinho Linho Linho, porta voz da Embaixatriz Somnia Pollyanna Deslumbrete de Carvalho)

O Sr. Angelinho Linho Linho, porta-voz da Embaixatriz Deslumbrete quer chamar vossa atenção para dois detalhes deste blog que podem vos ser interessante.

Se vos apetece ver a temperatura local da cidade de Malmö, para ter material para compreensão, pesquisa e comparação com o tempo em vostro país, clique no link ao lado desta página, onde consta:

- Web can ao vivo de Malmö.

Caso ocorra dos senhores encontrarem uma imagem branca apenas, significa que o aparelho filmador está, ele também, coberto de neve. Datavenia, na maioria das vezes é possível ter uma boa visão da cidade da senhora Embaixatriz.

O segundo detalhe para que peço que vos atentem é que a senhora Embaixatriz Deslumbrete criou um blog acerca de suas pinturas. Afirma ela que, dependendo da oferta e procura, irá anexando outras obras, mas que, por ora, está iniciando da forma como conseguiu organizar seu tempo até aqui. 

Para apreciar as obras, os senhores devem apertar descer do lado direito desta página, acessar o botão:

- Pinceladas, Pinturas de Somnia Carvalho.

Sem mais para o que tinha neste momento,
Despeço-me mui atenciosamente,

Sr. Angelinho Linho Linho.

07 janeiro 2008

"Um sonho que se sonha só.."

(O Lê, meu "irmãozinho" menor, me mostrando como era correr de kart, ano passado)

Quando eu tinha sete anos, chegou em casa o bebê Alessandro, maior orgulho de meu pai.
Se o ciúme da irmã do meio, Sandra, foi logo se manifestando, o meu, irmã mais velha, foi logo canalizado para o papel das irmãs mais velhas: do menino, eu tentei cuidar.
Amei, tentei indicar alguns caminhos e, "maternalmente", proteger.

Sonhei algumas coisas, como que ele fosse um grande designer ou um arquiteto, porque seus desenhos eram perfeitos. 
Sonhei coisas bobas de se sonhar, quando a gente ama e fica imaginando que o melhor é o melhor do pouco que conseguimos imaginar.
Mas na inocência e bobeira dos meus sonhos o que eu queria mesmo era que ele fosse extremamente feliz. E que ele e a Sandra estivessem sempre protegidos. E salvos. Porque as irmãs mais velhas estão sempre pensando em deixar seus irmãos menores a salvo dos perigos do mundo, embora não façam muito para isso acontecer.

E o menino pequeno, para quem eu fazia bolinho de chuva e assistia à sessão da tarde, cresceu.
De sua pequena família eu ganhei o amor de Luana, a sobrinha que eu, em sonhos, não sabia pedir. Ganhei o carinho de Vanessa, que de menina se transformou em mulher e hoje acompanha os sonhos do Lê. 


(O Lê e suas duas amadas, em aniversário da Luana, setembro de 2006)

Hoje, grandinho, ele sai todos os dias para trabalhar e viajar e eu "peço a Deus" para que ele fique bem. Sempre. Todos dias.
Hoje, menino homem, ele cuida da família, constrói sua casa e constrói sonhos para sua Luana, Vanessa e uns mais que eles querem ter.
Hoje, adulto pensante, ele ainda mantém a mesma alegria, as mesmas caras e bocas, a mesma voz caricatural a brincar com coisas sérias.

Continua falante e falando o que pensa.
Continua falando com as mãos e falando muito alto.
Continua tirando sarro de todos e todo mundo.
Continua insistindo em suas idéias e opiniões, sem aceitar muito o que tentam lhe indicar.
Continua sendo o bom e velho "bagaça" de quem seus amigos gostam tanto. 
Dedicado e amoroso com quem ama, o Lê segue em frente. 
E segue, brincando de kart e outras coisas que ele mesmo deseja para si.
Sem minha proteção e sem meus sonhos. 


(O Lê e o Renato, brincando de serem meninos, em kartódromo do interior paulista, 2007)

Continua por ele mesmo. 
Continua me dando orgulho.
Continua me fazendo rir e me fazendo querê-lo bem.

Hoje meu irmãozinho Alessandro faz anos. 
Vinte e nove anos. E vinte e nove milhões de razões para eu mandar por este blog vinte e nove milhões de beijos, abraços apertados e muitos "eu te amo" para ele.
Feliz Aniversário, meu irmão querido!

06 janeiro 2008

"Não adianta bater"...


(O quintal de casa ontem depois da neve da noitinha)


"Quem bate?
É o frio...

Não adianta bater,
Eu não deixo você entrar
As Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar.
Vou comprar flanelas, 
Lãs e cobertores, eu vou comprar
Nas Casas Pernambucanas
E nem vou sentir o inverno chegar..."


Você se lembra do comercial que as Casas Pernambucanas tinham para o inverno?
Eu me lembro bem da versão mais "moderninha" dos anos 80 (moderninha para quem tá véinha que nem eu), com uma música gostosa ao fundo e uma porção de edredons no comercial.

Hum... dava uma sensação gostosa de quentinho, de casa aconchegante e todo mundo juntinho.
Por aqui tenho me lembrado muito dessa sensação, vendo a neve cair lá fora e a gente todo quietinho em casa...


(Se deixar o carro na rua, cê vai ter um trabalhinho amanhã na hora de ir pra "firrrma")

Mas é engraçado pensar que eu passava mais frio aí no Brasil do que na Suécia. Eu odiava tomar banho e pisar no frio e acordar cedo pra ir pra escola. 

Só nessa rotina de sair de casa com menos alguma coisa (ontem com -2, sensação de -7) com vento de 30 e tantos quilômetros por hora, mais neve e chuvinha, que me faz entender uma frase que o meu marido "chatonildinho" vivia me repetindo aí, quando eu vestia meia e dormia com edredon a 25 graus: "Não faz frio no Brasil!"... 

Fazer friiiio, percebo agora, não faz mesmo, mas que eu passava mais frio dentro de casa aí do que aqui, isso eu não posso negar... Nem mesmo os edredons e flanelas das Casas Pernanbucanas me salvavam!

Trem bão mesmo é aquecedor! Das Casas Pernanbucanas eu fico com a música!




05 janeiro 2008

Estive em Palma de Mallorca e lembrei-me de você!

(Praia sim, banho de mar não. Palma de Mallorca, jan/2008. Foto: Renato Cechetti)



"O que é uma ilha?
Ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados. "

Eu sempre adorei as aulas de geografia do primário e me lembro muito bem da aula em que a professora ensinou o decoreba sobre o que era uma ilha.
A objetiva, porém vaga explicação só me deixou mais curiosa sobre como seria estar numa ilha. Talvez por isso sempre que estive em uma eu me lembro do trecho acima e fico assim toda orgulhosa de, finalmente, entender aquela aula de geografia.

E esses últimos dias tive oportunidade de conferir a explicação novamente.

Se o Natal já tinha sido super gostoso e animado com a visita carinhosa da tia Dri (a Super Nanna que o Angelinho fez de gato e sapato), o início de 2008 foi revigorante. Deixamos a gelada, escura e cinzenta Suécia em busca de Sol. "Soooool! por favor!" era tudo que pedíamos e precisávamos.

E já que o Brasil e a família estavam longe demais, o Renatur deu um jeito e fomos parar em Palma de Mallorca, uma incrível ilha ("cercada de água por todos os lados") na Espanha. 


(Linda vista do que mais tem em Palma nesta época do ano, além de casais celebrando os cinquenta anos da formatura: barcos. Muitos e muuuitos barcos. Foto: Somnia Carvalho)

Essa foi a menor distância de Malmö, com a maior temperatura e dia mais claro aqui por estas bandas. Duas horas e meia de vôo e puft! Tudo diferente!

O passeio já teria valido a pena pela vista do alto. Descendo, a gente avista uns rochedos altos, maravilhosos, o verde das palmeiras e mata, o azul do céu e do mar. Lindo de viver!

(Vista do mar a partir do páteo da Catedral.Foto SC)

É claro que porque "todo cambia" a gente angelizado não teve como subir montanha, nem fazer altos e aventurosos passeios, como era costume quando éramos "solteiros", mas tiramos proveito de tudo que pudemos, na companhia mais que agradável de "lo bebecito muy guapo" que conquistou a espanholada toda. 


(Angelinho Linho Linho em momento de descontração no quarto do hotel, longe dos holofotes espanhóis)


Deu para curtir cafés, comida, música e celebrações típicas na rua. 
Deu para fazer a ceia de reveillon a dois, com direito a champagne, salsicha e pão, na sacada do hotel, a 7 graus. Deu para ver os fogos de longe, enquanto "el bebecito" dormia.
Deu para caminhar muito, se esticar no sol, feito lagartixa sueca, e tomar, beber, se embreagar de sol e entender que acordar com sol de manhã, como a gente acorda aí, é um presente maravilhoso do dia.


(De quase todos os pontos da cidade têm-se a vista da enorme e linda Catedral de Palma)

Deu até para ir ao Museu com o bebê, "ensiná-lo" a distinguir uma obra de arte de uma não obra de arte e fazê-lo ninar olhando as cerâmicas do Picasso.


(Apreciando a bela arte, no "muy bueno" Museu Es Baluard, Museu de Arte Moderna e Contemporânea)


Deu para brincar de piadista com o idioma e morrer de rir com os espanhóis falando como se tivessem "una grand batat quent en la bueca". 
Deu para esquecer como se habla português, misturar inglês com sueco e espanhol. E ficar com mil "dúbidas" gramaticais ao escrever este post.
Deu para se sentir parte de um filme do Almodóvar. 


(Pappis e Ângelo saboreando um bom vinho e um delicioso flamenco tocado por um simpático espanhol, durante todos os dez minutos que "lo bebecito" aguentou ficar quieto)

Trocar os -5, o dia com 5 horas e céu nublado por esta paisagem foi signiticativo e animador, ainda mais no início de um novo ano. Por outro lado, embora fosse de se esperar, o falar alto dos espanhóis e a soltura deles, vindo brincar com "el bebecito muy guapo e atrevido", tudo, me remeteu ainda mais ao Brasil. 

E, então, deu para chorar, buááá, enquanto falava com minha mãe, meus irmãos e a Luana ao telefone.  Até da contagem regressiva do Faustão (eca!) deu saudade, mas senti mesmo falta de abraçaaar apertado e chorar quem tava do meu lado, e contar as tais ondinhas e falar "Feliz Ano Novo", "Feliz Ano Novo" pra todo mundo. E eu que nunca passo o reveillon com minha família desejei ardentemente que eles estivessem comigo e vissem a maravilhosa paisagem que a gente tava vendo da sacada do hotel. 


(Aqui quase a mesma vista que tínhamos do hotel, só que bem mais do alto, a partir do Castelo da cidade)



(Momento de festa: cavalaria celebrando a conquista de Palma pelos catalães, ou seriam catalãos?)

Lembrei de todo mundo. Tive saudade de todo mundo. Queria estar com todo mundo, e ao mesmo tempo me dei conta de que só poderia estar vivendo tudo aquilo, se assim fosse. E tive muito orgulho do meu companheiro "perfecto" e da nossa plantinha.



(A plantinha que cresce, cresce e cresce milagrosamente a cada dia)



(O tal companheiro "perfecto" e a tal plantinha na versão bóia fria boliviano)

(La mamacita tentando, tentando ardentemente comer sua saladita com el bebecito nervosito no cuelo)

E, então, ainda no aeroporto, durante a volta, falei para o Ângelo todo saltitante, pendurado em mim:

- Nino!!! Vamos voltar para la casita agora!

E vupt! me dei conta de que a nossa casa agora é este lugar chamado Suécia. E senti uma sensação estranha, engraçada, gostosa, tudo meio embolado junto. E foi bom pensar na volta. Foi bom pensar que terei boas e gostosas memórias para lembrar, apesar da saudade, apesar da dureza da saudade e da vontade de estar com todos vocês. Mas, como meu sobrenome é Deslumbrette, eu diria que o importante é que eu estive em Palma de Mallorca e lembrei-me de vocês!!!