17 fevereiro 2011

"Stanno Tutti Bene"

(Marinitas ontem, as cinco da manhã, toda serelepe)

Já estamos em casa! E estamos todos bem, principalmente Dona Marina!

Por hora muita correria e cansaço além é claro de muita alegria!

Beiju!




15 fevereiro 2011

Esqueçam tudo o que eu disse ontem: a dor e a alegria são sempre relativas!

(Gustav Klimg, "Beethovenfries: Die feindlichen Gewalten", O friso de Beethoven: as forças hostis)


Escrevo este post num quarto escuro e a única luz que tenho é a do computador à minha frente. Ali fora há barulhos e sons e bipes, mas aqui só o ir e vir da respiração e o contínuo do ventilador...

Não estou sozinha e a razão de eu estar aqui está logo atrás de mim. Dormindo.

Há 24 horas eu escrevia um post sobre minha angústia de querer me mudar logo e também sobre o quanto ainda havia por fazer até a semana acabar e eu não ver a hora que a nova vida começasse.

Até aquele momento eu ignorava totalmente o que viria acontecer e também que escreveria este outro post, tão diferente, logo após aquele. Embora algumas coisas já fossem realidade naquele momento elas tomaram uma outra direção e me levaram em uma direção e há lugares nem de longe esperados.

Ontem, ao fim do dia, eu não estava em casa empacotando coisas para a mudança, nem cozinhando para Ângelo, dando banho em Marina, esperando por Renato para discutir mais alguns detalhes faltantes da reforma, da bagunça toda que ainda precisaríamos resolver até a próxima segunda. Eu estava cruzando uma das grandes avenidas de São Paulo, Avenida Angélica, com minha carteira debaixo do braço, sozinha e parada num semáforo enquanto a certeza de que eu deveria falar disso para alguém veio certeira.

Os minutos nos quais permaneci ali esperando o sinal verde duraram quase uma vida toda. Alguns ônibus cheios de gente cruzaram para cima e para baixo. Gente apressada dentro dos carros, tudo acontecia como num vídeo avançado e eu só via em câmera lenta aquele homem grande, forte, moreno, com sua barba suja, todo maltrapilho puxando seu carrinho cheio de lixo.

Ele ia de costas, o carrinho à frente, subindo naquela louca avenida e fazia uma força descomunal a cada passo dado. Ele sofria. Eu também!, pensei. Imaginei rapidamente a dureza de sua vida, de suas perdas para estar ali levando a vida de jeito tão difícil e tive pena. Dele. De mim. Minha dor não era visível. Eu sofria tanto por dentro e ele não sabia. Ninguém sabia.

Cruzamos nossos olhares por um milésimo de segundo. O semáforo ficou verde. Atravessei e continuei até o hospital onde minha pequenina cria estava.

Sim, eu passaria minha primeira noite num hospital com um filho doente e a dor era horrível.
Racionalmente eu compreendia: o quadro não era tão terrível. Marina fora diagnosticada, depois de uma tarde inteira de exames, com infeção urinária. Necessitaria ficar sob cuidados médicos, tomar antibióticos, refazer exames e voltar segura para casa depois de alguns dias.

A verdade, porém, é que eu sofria tanto por vê-la sendo furada por agulhas a procura de veias, por apertões daqui e dali, por ver seu incômodo com a dor, sua vontade de sugar, sugar o peito da mãe em busca de consolo... Eu sofria por ver sua fragilidade e o quão frágil poderia é sempre a vida, ainda mais uma tão pequena. E então eu pensava no sofrimento do mundo todo. O mundo sofria e eu agora entendia isso.

Pensava em meu querido amigo Kenth, de quem ouvi com detalhes a história de como perdeu o movimento de suas pernas num acidente... Eu pensava: Deus! como ele, eles devem ter sofrido!
Pensava em minha mãe cuidando de mim em minhas várias internações e lamentava sozinha: nossa! como ela deve ter sofrido!

Havia sofrimentos diferentes e milhares acontecendo ao mesmo tempo. Havia pessoas superando perdas duras, de casa, de gente, de amores, de sonhos e eu nem mesmo as conhecia. Entretanto eu compartilhava de suas dores e, ao partilhar de suas dores, eu compreendia que a minha dor, por sorte, era bem pequena.

Eu não consigo direito explicar como, mas foi quase aquela sensação de despertar súbito logo quando estamos quase pegando no sono e parece que vamos cair num precipício. Era assim a maneira pela qual eu me sentia. Como se tivesse acordado.

Tão curioso eu estar tão focada no meu sofrimento e ao mesmo tempo ele me direcionar para o sofrimento dos outros.

Talvez porque agora eu entendia como era ver o mundo correr e uma ter uma dor no peito e algo que não dependia de mim para se resolver. Talvez minha impotência me desse uma outra lista de prioridades não pensadas naquela manhã e ela agora era muito clara: nada mais dito de manhã me importava. Aquilo (reforma, mudança, decoração) eu resolveria. Com certeza!

A noite foi passando... Velei o sono de Marina e acordei dezenas de vezes com ela a noite toda. Dei literalmente meu sangue, meu suor, minhas lágrimas para que ela se recuperasse. Tomei dois litros de água tentando pôr água no meu corpo e transformá-la em leite. Comi e dormi pensando em fica forte para cuidar dela quando acordasse.

Enquanto o soro pingava calmo pelo canal de plástico até a veia clarinha da minha neném eu também pensava em Ângelo em casa sem nós duas. E no pai dele. E no quanto eu queria estar lá com eles... Ao mesmo tempo sabia que, como mãe, eu deveria ser forte, estar calma, deixar o leite juntar e descer tranquilo. Como mãe eu deveria cuidar e para cuidar eu não deveria ter pena de mim. Não deveria desviar o foco. Eu não era vítima. Eu era mais uma pessoa vivendo e enfrentando as dores (não tão duras, graças a Deus!) da vida.

E foi assim que com a visível melhora física, vieram uns sorrisinhos de volta e às cinco da manhã minha dor dilacerante do peito já havia dado lugar para um contentamento tão grande enfatizado pela cantoria de Marina. Uma esperança de ir embora para casa logo, de fé em que tudo ia logo dar certo de novo e de que tudo não tinha passado de um susto maior. De mãe de segunda viagem e primeira de hospital.

Então estou aqui... Marina dorme e reclama de vez em quando. Renato deixou este meu mac book para que eu tivesse uma distração e comemos um lanche juntos. Ângelo deve já estar dormindo e eu provavelmente terei uma noite mais calma.

A mudança está meio por um fio de acontecer no prazo. Alguns pedreiros furaram e outros estão lá terminando bonitinho o combinado. Só agora começo a retomar na mente as imagens do novo apartamento, de como vou desejar cada detalhe bonito, colorido, mas só uma coisa, do fundo do meu coração, agora me importa: é voltar para minha família com Marina cheia de saúde de novo e levar nossas vidas todos cheios de saúde.

A "Casa Grande", como foi batizada por Ângelo, será sim palco de grandes encontros e de deliciosas festas, mas sinto estou um pouco mais preparada do que estava ontem porque hoje entendi como a dor e a alegria são relativas e, como tal, extremamente mutantes.


14 fevereiro 2011

Sorte eu estar de esmalte novo! Senão...


("Groovy kind of love", Mindbenders)

Bom dia gente querida que ainda passa por aqui!

Estou sem tempo, mas não sem lenço e documento. Segunda-feira, como já falei antes, me mudarei pela nona vez em nove anos de casada. E, por incrível que pareça, não me sinto cansada de mudar, eu só me sinto cansada de estar na mesma e na mesma é que eu não vou ficar, então mãos a obra e ao empacotamento!

Apesar da alegria estou a ponto de roer as unhas de vontade de terminar esta semana logo e começar nova fase. Quer dizer quase a ponto, porque depois de um tenebroso "inverno" elas estão lindas e vermelhas de novo...

Desde a volta da Suécia que no fundo nos sentimos assim, sem lenço e sem documento, soltos como ainda sem ter-nos agarrado ao que seria nossas vidas aqui. Sem contar que tudo meio amontoado e sem espaço...

Tudo deu e está dando muito trabalho... Visitei, ainda grávida, mais de sessenta apartamentos para comprar, recebi dezenas de visitas para vender este... E aí veio Marina, Ângelo em escolinha nova e tanta coisa para fazer!

Bom, mas a vida foi caminhando, as coisas se resolvendo e muitas resolvidas e agora poder assentar a poeira será bom... Será muuito bom! Finalmente depois dos rápidos 6 meses de volta poderemos chegar em "casa", o novo lar, já apelidado pelo Ângelo de "Casa Grande", em referência a ex-Casa Nova (a terceira para qual nos mudamos na Suécia) e porque é maior do que o lugar onde estamos agora.

Então, tenham um ótimo início de semana! E fiquem com essa música liiiinda (com letra e tradução!) que amo desde a adolescência, quando assistia a série "Anos incríveis" na casa de meus pais e sonhava com crescer... Ela é bonita e bem romântica na voz de Phil Collins, mas na dos Mindbenders é pura volta ao passado! Cheia de magia...

É... Crescer dá trabalho... Senti isso na formatura de minha irmãzinha Preta no sábado... noites mal dormidas e dinheiro investido... mas crescer também é uma delícia... uma delícia trabalhosa, mas uma delícia...

Amo vocês! Amo todo mundo! Sou uma sonhadora irremediável!

...


Groovy Kind Of Love

"When I'm feeling blue
All I have to do
Is take a look at you
Then I'm not so blue
When you're close to me
I can feel you heart beat
I can hear you breathing
In my ear
Wouldn't you agree?
Baby, you and me got a groovy kind of love

Any time you want to
You can turn me on to
Anything you want to
Any time at all
When I kiss your lips
Ooh, I start to shiver
Can't control the quivering inside
Wouldn't you agree?
Baby, you and me got a groovy kind of love

Ooh

When I'm feeling blue
All I have to do
Is take a look at you
Then I'm not so blue
When I'm in your arms
Nothing seems to matter
My whole world can shatter
I don't care
Wouldn't you agree?
Baby, you and me got a groovy kind of love

We got a groovy kind of love
We got a groovy kind of love
Ooh, ooh
We got a groovy kind of love"

...

Tradução: Letras Terra

Um Amor Delicioso

Quando fico triste,
Tudo que tenho a fazer
É olhar pra você,
Então não fico mais tão triste
Quando você está perto de mim,
Posso sentir as batidas do teu coração
Posso ouvir sua respiração
No meu ouvido
Você poderia não concordar, amor
Que vivemos um amor delicioso?

Sempre que você me quer,
eu apareço
Tudo o que você quer,
E a qualquer hora
Quando beijo seus lábios,
Ooh tenho um frenesi
Não posso controlar a agitação dentro de mim
Você poderia não concordar, amor
Que vivemos um amor delicioso?

Ooh

Quando fico triste
Tudo que tenho a fazer
É olhar pra você,
Então não fico mais tão triste
Quando estou em seus braços
Nada importa
Meu mundo inteiro pode quebrar
Eu não me importo
Você poderia não concordar, amor
Que vivemos um amor delicioso?

Que vivemos um amor delicioso
Que vivemos um amor delicioso
Ooh, ooh
Que vivemos um amor delicioso"


11 fevereiro 2011

Minha casa é minha cara ou "Na casa de Irene, de noite e de dia..."



(Galinha vermelha de bolinhas brancas para pendurar o guardanapo, casa da Irene Sto. André, fevereiro de 2011)

Depois de esperar meses, umas vezes paciente e outras angustiadamente, para a entrega de seu novo apartamento, a Irene, mais conhecida como Vavá do Ângelo e da Marina, finalmente pegou as chaves da nova morada.

Desde então, ela e seu companheiro de sempre, Caetano, deram início a uma nova etapa de suas vidas e têm cuidado com esmero de cada detalhe do lugar.

Amigos desde a infância, depois namorados e agora avós os dois sempre haviam vivido em casas. A necessidade de mais segurança e tranquilidade levou-os a comprar este apartamento onde a Irene tem brincado de casinha, decorando cantinhos, escolhendo cores e objetos que lhe completem e fazem parte da longa história que tiveram até aqui.




(Preto e branco são quase sempre garantia de sucesso na cozinha)

Mesmo vovós de mais de sessenta os dois já estão sendo conhecidos no prédio como "vovós modernos", já que a casa deles têm mais toques de ousadia do que de outros jovens casais vizinhos.

Na cozinha, o granito de cor preta São Gabriel, aplicado na pia e na parede, evita que a cozinha tenha um ar monótono. Os armários são brancos, mas com esta combinação o espaço ganha um ar mais sofisticado.



(Para tirara sobriedade e rigidez do granito preto e armários brancos, madeira vermelha nas cadeiras, casa da Irene, Sto. André, fevereiro de 2011)

Apesar do desejo de ter uma casa que não parecesse a casa da Vovó de antigamente, há aqui e ali uns toques de alguém que não esqueceu o passado, mas o coloca presente em pequenas escolhas.

Quando perguntei à Irene (cuja inteligência e sensibilidade eu mostrei num dos posts que mais gostei de escrever até hoje "Em busca do tempo perdido") ao que sua cozinha lhe remetia e o porquê da escolha dos objetos em vermelho, da cadeira de madeira ela me respondeu:

"Lembranças de minha infância no campo: costuras, bordados e enfeites. Um trabalho feito por mãos àsperas e grossas davam um toque de delicadeza e aconchego na simplicidade das casas."

Aí a Irene faz referência aos artesanatos feitos pelas mulheres da sua infância, em Santa Mariana, no Paraná, assim como as duas lindas cadeiras da Tok Stok lhe fazem lembrar o saudoso pai quem criava lindíssimas peças de madeira para vender."



(E o toque final com a chaleira para que nunca deixou de usar uma na cozinha, casa da Irene Sto. André, fevereiro de 2011)



Ela mesma se sente brincando, como criança, ao decorar este novo lar:

"Brincadeira de criança... Mesa pequena e cadeiras de cor vibrante alegram o ambiente de uma cozinha sonhada por uma menina, que hoje usa o espaço para preperar "comidinhas" para os netos."


A Irene tem decorado de uma forma que em sua casa consigamos mesmo perceber sua personalidade, como falei dias atrás neste post aqui...

Gostou? Então envie uma foto e uma história de um canto que você goste para borboletapequeninanasuecia@gmail.com que a gente publica aqui.


10 fevereiro 2011

"Qui m´importa, qui m´importa, o seu preconceito qui m´importa"

(Benjamin, mãe sueca e pai africano, Samuel, mãe sueca e pai inglês, Ângelo, nascido na Suécia com pais brasileiros e Henrik, mãe e pai suecos, Malmö, 2010)


Faltam 11 dias para minha mudança e as coisas aqui estão corridas, mas eu quis parar e fazer um link com o post da super Lilás de hoje, sobre como ela ouve nossos sotaques mesmo na escrita e como isso cria uma ligação com cada pessoa.

Esses dias eu vinha falando exatamente de como a Suécia me deixou curada ao menos de uma coisa: vergonha do meu sotaque caipira do interiorrr.

Juro!

Provavelmente resultado da convivência com gente de todo canto do mundo e com quem aprendi a falar em inglês ou sueco - carregado de sotaque dos dois lados - e que tinha um modo diferente de falar até mesmo de seus conterrâneos, dependendo da região de onde vinha.

Lembro sempre das aulas de sueco, onde as professoras adoravam enfatizar que aprendíamos era o sueco oficial, de Estocolmo, porque o do sul, de Malmö e da Skåne toda, era muito forçado e, na opinião de muitos, horrível!

Bom, Ângelo falava sueco fluente e falava com sotaque do pessoar do sul. Aprendeu sueco sozinho, perfeito, só de ouvir a criançadinha e as professoras na escola falarem o dia todo. Como não se orgulhar do sotaque aprendido por ele e do sotaque que vinha das pessoas mais amigas e queridas?

O meu sueco ficou menos skönska, mas eu nunca consegui repetir os sons como Ângelo fazia, já que carregava meu português e ele vinha zerado na cabeça.

Não existe sotaque certo. Outra coisa é preconceito. Se aprendo portugues em São Paulo vou aprender português paulista, mas com tantas peculiaridades das regiões brasileiras é meio ridículo dizer que este é o sotaque correto.

Nasci numa cidadezinha chamada Pedrinhas Paulistas, uma cidadezinha para onde nunca voltei. Fui criada em Sumaré, perrrto de Campinas e depois vivi em Campinas, onde conheci Renato.

A chegada em São Paulo e o sotaque de nariz empinado dos paulistanos cujo "r" é pronunciado assim ére, não érre, me intimidava, inclusive porque meus alunos dos cursinhos tiravam umas com minha cara. Eu curtia, mas na verrrdade tentava imitar um pouco o r paulistano. E não conseguia, claro!

Então me dei conta na volta como isso não me incomoda mais. Como me sinto super orgulhosa de vir do interior, de ter trepado em árvore todo dia no quintal de casa, de ter viajado o mundo e voltado... Coisas assim. Orgulho do que sou. E o sotaque é tão nós mesmos que ninguém no mundo deveria ter vergonha de manter o seu nem precisaria passar tanto tempo fora para entender este valor.

Tô feliz que agora seja assim e tô é cantando junto com o Renato Teixeira "Qui m´importa... qui m´importa..."

E o seu sotaque como é?



07 fevereiro 2011

O bom e o chato é que eles crescem!


(Marina, na semana passada com 4 meses e meio, foto da tia Dri, fevereiro de 2011)


(Ângelo com a "camisa do futebol", foto da tia Dri, fevereiro de 2011)


(Os dois em amarelo, foto da tia Dri, fevereiro de 2011)

04 fevereiro 2011

O valor do dinheiro numa sociedade piramidal ou Brasil: em se pagando tudo dá!

(Teste grátis de idiotice: 5 dólares)

Ontem passou aqui em casa o quarto encanador, desde que voltei, para ver um probleminha básico de registro quebrado. Todos os anteriores desistiram porque o serviço era simples demais e eles obviamente estavam sempre bastante ocupados.

O senhor de ontem, quem achei na lista telefônica, veio, falou muito e tratou tudo com muito profissionalismo. Era algo simples mesmo, afirmou, e ele faria tudo em, no máximo, uma hora de trabalho.

Antes, porém, dele abrir a porta e só voltar na segunda-feira para resolver o servicinho simples perguntei quanto aquilo me custaria, ao que o senhor falante respondeu com ar seguro, como quem me dava uma informação conhecida por todos, como sei lá "O mar é feito de água":

- A senhora me paga 560 reais e tá tudo certo.

Ah tá bom... tá bom?, pensei tentando reproduzir a fala do homem na minha cabeça. Será que ele disse quinhentos e sessenta reais? Quinhentos em português significa um cinco e dois zeros... peraí! Esse velho tá tentando me enganar? Ele tá lendo na minha testa algo como "otária"? Deve ser isso...

Bom, dispensei o tal encanador e fiquei de dar resposta pelo telefone, só para me livrar dele. Nem mesmo tentei pechinchar, já que ele estava a tagarelar para fazer outros serviços há uns quarenta minutos... Eu, com Marina no colo choramingando com sono, Ângelo deitado no sofá, todo cansado e o homem deve ter pensado que se tratava da estúpida dona de casa que não entendia de bulhufas de nada e ele podia então brincar de ganhar dinheiro nas minhas costas.

O serviço de um encanador não deve valer pelo que é? Claro que sim! Bem como o de professora, veterinária, pedreiro, costureira, motorista...

Eu acredito que a proposta deste encanador não é nada fora do comum. Provavelmente muita gente pague por isso, este tanto e mais...

Vejo, porém, desde que voltei a viver no Brasil, o quanto todo serviço, toda ajuda oferecida por algum brasileiro suuuper gente boa, porque brasileiro adora ajudar, vocês sabem não é? Tem sempre um valor econômico por trás. Descobri rápido que o porteiro amigo, oferecendo ajuda o tempo todo tinha um custo alto. Para cada indicação de um outro profissional ele queria uma gorjeta do tipo 30 reais...

Ele faz seu papel porque tem gente que faz outros.

Se na Suécia a cultura do faça-tudo-você-mesmo levava nossos amigos a construírem suas próprias casas, assentar o chão, pintar, fazer a mudança etc porque qualquer trabalho desses era muito caro aqui, mesmo sendo caro, se não se é pobre de marré de si a gente paga. E paga porque tem uma cultura do pague para qualquer outro fazer tudo por você.

Pagamos a babá para cuidar dos filhos por quem damos a vida, a faxineira para limpar nossa casa querida, a empregada para manter o lar arrumado, o jardineiro para cuidar das nossas plantinhas favoritas, o manobrista para levar o carro dessa quadra até aquela, o motoboy para trazer a pizza, a manicure, a pedicure, o cabelereiro e a depiladora para nos manter arrumadinhas, o faxineiro do prédio para pegar o lixo nas escadas, o pintor, o zelador, o manobrista, o frentista de posto, o cobrador de ônibus, o carregador de mudanças...

É tanta gente! É uma equipe tão grande que trabalha a nosso favor para digamos assim "facilitar" nossa vida corrida, de moradores das grandes metrópoles para que curtamos mais a vida e o "tempo livre" que somos obrigados a trabalhar até mais tarde e fazer umas horas extras, um bico aqui, outro ali. Precisamos pagar tudo em suaves e eternas prestações para manter o padrão de vida de quem vive num país onde as coisas são ditas "muito mais fáceis de se fazer" do que em países como a Suécia, onde todas as atividades, citadas no parágrafo anterior, ou não existem ou são executadas quase sempre pela própria pessoa.

Então, ontem, quando o senhorzinho foi todo saltitante, todo pimpolho achando que tinha arrancado quase um salário mínimo de moá por 60 minutos de trabalho eu fiquei muito pê da vida. Mal sabia ele que por trás da pele de dona de casa carneirinha com cara de incompetente ou sexo frágil tinha uma fera não domesticada. Que o apartamento atual da fera foi ela mesma que, sozinha, pintou, reformou, arrumou, pendurou coisas, etc.

Agora entendo porque a Suécia não me pareceu um bicho de sete cabeças. Foi porque, lá no fundo, eu já vivia uma cultura particular de fazer eu mesma tudo o que desse. Acho que ter participado de dois níveis da pirâmide brasileira já dá à gente visão de mundo um pouquinho diferente. Nem somos os apenas executadores que rezam para ganhar na Mega Sena e nunca mais ter que fazer nada eles mesmos e não somos os mero contratantes quem estão apenas tentando se livrar o tempo todo do fardo que a própria vida cool lhes coloca.

Agora deixa eu comer umas vovózinhas porque eu esta conversa toda me deu uma fome...


03 fevereiro 2011

Sverige, Sverige... Jag saknar dig så mycket!


Miss Li e Lars Vinnerbäck, juntos em "Om du Lämnade mig nu"

Ontem, acabei bem sem querer, caindo no blog de uma islandesa quem gosta bastante de decoração. Sabe, daquele país chamado Islândia que fica ali pertinho? E da mesma forma fui parar em um outro, também bem bonito, de uma finlandesa. E aí percebi a sensação tida: era como se eu ainda tivesse na Suécia... mais que isso senti o ganho desses anos: a Islândia, a Finlândia tudo agora me parece tão familiar, tão próximo, tão real e tão possível afinal conheci montes de gente dessas terras enquanto estive em Malmö...

De vez em quando dá aquele bode, afinal foram quatro anos longe do Brasil exercendo trabalho de esposa e mãe com minha suada tese de doutorado mofando na gaveta. Isso depois de anos de provar um monte de tudo, filosofia, sociologia, artes, pintura, professora de cursinho, sei lá mais o que... E aí vem aquele pensamento assim: "Eu tô precisando provar o que para quem mesmo?" Então falo em voz alta: "Calma Sônia que a vida vai leve..."

De vez em quando me lembro de um curso feito na adolescência no qual tínhamos que fazer nosso obituário. E aí faço o mesmo exercício. Não é mórbido não. Pode até ser engraçado. Como quero ser lembrada? Como aquela quem cumpriu seguiu certinho o protocolo e trabalhou todos os dias de sua vida sem pestanejar? Aquela quem era super mega plus especialista em titica de galinha e ficou muito famosa por conta disso?

Não. Minha resposta para a frase memorial seria algo mais ou menos assim: "Sonia, quem soube viver intensamente sua vida, quem muito amou e muito foi amada."

De verdade...

Fato é que muita gente me escreve falando do desejo de se mudar, de viajar, de explorar e pede conselhos e dicas. Eu posso dizer: "Meu, vai! Mas vai agora! Já vai tarde!" Sabe, a vida é curta demais pra gente passar no nosso quintal... A vida é muito muito rápida para fazer curso do qual não gostamos, trabalhar em coisas que achamos sem sentido, conversar com gente sem vazia e sem graça, amar quem não nos ama e não nos faz bem, ir a lugares com os quais estamos de porre de conhecer.

Tem tanta gente lá fora, tanta música diferente para ser ouvida, tanto lugar e tanta alma a ser explorada. Seja a Suécia, seja a cidade vizinha da sua! Sai da sua terra meu! porque o mundo se torna muito, imensamente mais bonito e a vida cheia de sentido.

Bom, chega de lenga lenga... Hoje, pra quem gosta de sonhar e arriscar novos gostos aqui vai uma canção sueca que eu adoro. Como muitas canções suecas ela tem aquela toada meio devagar, meio pra baixo, uma delícia... Está na voz da primeira cantora sueca a quem aprendi gostar, Miss Li, quem conheci por ter entrado sem rumo numa loja de cds. Ela e Lars Vinnerbäck.



Om du lämnade mig nu

(Se você me deixasse agora)


Send "Om du lämnade mig nu" Ringtone to your Cell
Jag skulle vakna mitt i natten
och gå upp och ta en lång promenad
Jag skulle låta blicken möta
andra ögon i en främmande stad
Jag skulle inte ha så bråttom med och träffa nån ny
Jag har gett mycket av mig själv
precis som du
Jag skulle andas i det tomrum som blir över
om jag lämnade dig nu

Jag skulle sitta på ett tåg mot Paris
och låta Stockholm va
Jag skulle få den tiden över från mig själv
som du har sagt att jag vill ha
Jag skulle unna mig å drömma
hundra mil genom Europa
om en främling lika tillitsfull som du"
Jag skulle pröva mina läppar mot nån annan
om du lämnar mig nu


Jag skulle kunna leva utan den där blicken
som får mig ur balans
Jag skulle sakna den där stunden
som vi har när vi till slut har blivit sams
Jag kanske skulle söka upp kontakter som jag tappat
som jag varit med förut nånstans
Jag antar det finns nån du skulle ringa om jag inte fanns

Jag kanske skulle leta upp nån yngre
som en fjäder i hatten
Det skulle bli för tomt om ingen fanns här som värmer mig i natt
Men jag skulle aldrig ha tålamod nog att bli förstådd
ingen känner mig så väl som du
jag skulle fastna i min ensamhet igen
om du lämnade mig nu


02 fevereiro 2011

REA! REA! REA! A pedidos: as telas com os preços!

REA, em sueco, significa promoção. Acabei de falar com minha amiga Nikol, quem tem quatro telas minhas em sua casa, e ela me lembrou dessa palavra que amávamos ver nas vitrines de Malmö.

Depois do post das telas em promoção, recebi vários emails de gente interessada em uma tela e outra, mas que queria saber dos preços. Até a amiga Lilasona me fez a cobrança num comentário, num foi fofa?

Ocorre que proporcionalmente ao quanto eu a-do-ro pintar, criar e falar disso eu de-tes-to pensar e falar de preço. Ceis sabem comé né? Nisso eu sou mesmo uma grande artista. Artista com esmero! Tenho muita dificuldade para decidir os preços, mas mais que isso para divulgá-los. Se for para amigos e amigas a coisa só piora, porque entra toda uma subjetividade e fico maior sem graça de "arrancar" dinheiro de quem gosto. Vejam só as loucuras!

Bom, fato é também que ao pintar eu sempre tenho em mente aquilo que seria tipo "o mínimo" de valor que eu mesma aceitaria por cada tela. E esse mínimo envolve questões como:

- tamanho
- originalidade
- tempo gasto na criação
- custo do material usado
- o grau de apego meu com a tela etc

Então há fatores objetivos e também subjetivos como esses, sem contar o fato de que eu não quero vender minha pintura para alguém que vá desvalorizá-la pelo preço menor. Isso quer dizer que se alguém ama uma tela minha eu negocio com o maior prazer, vou fazer questão de que tal pessoa a tenha em sua parede, mas se ela tá fazendo c. doce então eu não quero nada pela tela. Prefiro dar para outra pessoa que goste e não tenha dinheiro se isso for possível ou mantê-la comigo até aparecer alguém que se apaixone por ela. Não quero que uma pintura minha seja jogada num canto qualquer, como se fosse só um objeto decorativo. Arte não deve perder o valor com o tempo, pelo contrário!

Se perdeu ou foi adquirada por quem não entendia ou não valia mesmo como arte!

Bom além disso ainda tem o fato de que preço parece assustar uns e valer como desvalorização para outros. Meu médico-massagista-quiroprata da Suécia, o super Byorn (cujo nome significa Urso) foi à minha vernissagem e me disse: "Sônia... seus quadros são lindos, muito bons!, mas... Sônia, Sônia, você precisava cobrar muuuito mais por eles. Pelo menos 10 x mais por eles! porque senão você os desvaloriza!"...

Hahaha, mal sabe ele como essa questão é para moá. Quando eu for muuuito famosa (como a Nikol espera para vender bem caro os dela) quem sabe uma galeria qualquer põe os preços e isso não precisa mais ser ponto de elocubração. Por enquanto estou muito feliz de poder criar, poder ver que as telas inspiram outras pessoas além de mim e que estas pessoas estão dispostas a gastar sua preciosa dinheirinha nelas.

Então é "purcondistudo" que a fofolete aqui precisou ser pressionada e aí estão os tais... preços! rs...


Figurativos


Madonna,
Somnia Carvalho, 2003
Látex sobre tela, 60 x 80
De R$500 por
R$250


Isabelle, heter Jag!
(Releitura de tela de Isabelle Tuchband)
Somnia Carvalho, 2010
Tinta de tecido sobre tela, 70 x 90
De R$1.300 por
$650


Violeta Paz,
Somnia Carvalho, 2010
Acrílica sobre tela,
90 x 90
(música: “Gracias a la vida”, Violeta Parra)
De R$1.700 por
$850

Fases,
Somnia Carvalho, 2004
Óleo sobre tela, 1,00 x 1,20
De R$900 por
$450

A Sereia,
Somnia Carvalho, 2003
Óleo sobre tela – 1,68 x 1,90
De R$500 por
$250

Welcome!,
Somnia Carvalho, 2008
Acrílica sobre tela, 40 x 60
De R$500 por
$250


Abstratos


Hallelluya,
Somnia Carvalho, 2010
Acrílica sobre tela, 70x90
(music: "Hallelluya", Jeff Buckley)
De R$600 por
$300

There must be something more ,
Somnia Carvalho, 2010
Mixed midia work, 70 x 90
(música: “42”, Coldplay)
De R$600 por
R$300


Paisagens


Skåne,
Somnia Carvalho, 2008
Acrílica sobre tela, 80 x 1,00
De R$900 por
$450


Ven Island,
Somnia Carvalho, 2008
Acrylic on canvas,
35 x 70
De R$500 por
$250


Projeto "All we need is love", pintura e colagem

"All we need is love": o abraço
Somnia Carvalho, 2010
Mixed midia work, 70 x 90
(música: "All we need is love", Beatles)
De R$600 por
$300


"All we need is love": o colo
Somnia Carvalho, 2010
Mixed midia work, 70 x 90
(música: "All we need is love", Beatles)
De R$600 por
$300


Natureza morta

A la Matisse, 2009
Somnia Carvalho,
Acrílica sobre tela, 80 x 100
De R$700 por
$350