06 abril 2013

A Dora, a Joana, um sonho em comum e você!

("Minha mãe costureira", tela de minha amiga Eloísa Remédio, 2005)

Gente minha querida que há tanto tempo passa por aqui,

Há alguns anos eu falei para vocês da Dora, na época, uma moça que me inspirou uma pintura, depois de visitar minha casa e fazer uma capa de sofá pra mim. Na época eu havia visto um cartão postal com uma tela lindíssima da Isabelle Tuchband, Mãe África, e quando vi a Dora resolvi fazer minha versão daquela primeira.

Ela era alta, imensamente alta, magra, negra, com um lenço colorido amarrado na cabeça como uma africana, uma beleza marcante e judiada. Dora era, como todas as faxineiras que conheço, moradora da periferia de São Paulo, ou da grande São Paulo e, como minha mãe foi quando eu era criança, costureira nas horas vagas.

Depois de tantos anos reencontrei a Dora, há algumas semanas, aqui em casa com o mesmo propósito. A mesma voz suave, o mesmo domínio da fita métrica e a tesoura. Como eu, mais velha, e, no seu caso, ainda menos dentes na boca. O sorriso, o mesmo. A voz, continua doce. E a Dora continua falando mais corretamente do que eu.

A Dora é uma mulher simples, trabalhadora, honesta e muito admirável!

Ela é ótima no que faz! Excelente!, mas ela cobra muito pouco pelo seu trabalho. Muuuito pouco! Eu normalmente pago o dobro do que ela pede. Tentei ajudá-la nos cálculos, mas ela disse que está okey pra ela, assim tem freguezia.

Até onde me lembro cuida de seu pai, ou seus pais, velhos e é solteira. A Dora parece ter aquela idade parada no tempo, mas  se minha sensibilidade não me engana deve ter uns quase 50 anos. Um dos seus grandes desejos é fazer um curso de desenho para costura e, assim, copiar bem os sofás e as peças que precisa encapar quando visita as casas de suas clientes.

Então a Dora é a minha personagem número 1 com quem eu quero te envolver hoje.

A personagem número 2, tão real quanto ela, tão faxineira quanto ela, valente e da mesma cor, é a Joana. Joana é seu nome fictício, por enquanto. Decidi não dar o nome real por conta de trabalharmos no mesmo local. Ela trabalha num dos colégios onde leciono. Ela sorri e me abraça toda vez que nos vemos, o mesmo que faz com todos os professores que notam sua presença pelos corredores. Joana faz o mesmo serviço há muitos e muitos anos, deve ser pouco mais nova que a Dora e seu maior sonho é costurar "pra fora".

Tanto ela quanto a Dora vêem na costura, nas agulhas finas e linhas que passam por elas um modo de viver a vida com mais criatividade. As duas adoram costurar! E a grande diferença entre elas é que a Dora faz isso há muito tempo e faz muito bem e a Joana está construindo essa ideia de um dia só ser costureira.

Depois de pedir a mim, e outros colegas, conselhos sobre cursos de costureira a Joana pagou, com sacrifício, um curso de corte e costura de algumas semanas no Senai. Amou!, mas não tem dinheiro para continuar. Seu maior projeto agora é comprar um máquina de costura, é fazer mais cursos e ser a Joana costureira. Largar a vassoura, como ela diz. Está cansada e quer fazer algo que seja assim, bonito, criativo e com o qual sobreviva.

A Joana é outra mulher simples, trabalhadora, honesta e muito admirável!

Ambas são inspiradoras! Ambas me fizeram estar com vocês nesta sexta a noite.

Esta semana eu (professora de redação, filosofia e afins e metida a artista) além de

três amigas, a Adriana da Mata (enfermeira), a Tatiane Rosalino (modelo, empresária, professora de inglês) , e a Melina Aguiar (fisioterapeuta) decidimos juntas pôr algum projeto que fizesse diferença para o mundo em que vivemos, algum projeto que transformasse algo ou alguém.

Pensamos em alguns projetos que movessem as pessoas em direção de seus sonhos. Eu falei dessas mulheres para elas, falei de outros projetos engavetados há anos que tenho, elas me falaram dos seus. Juntas decidimos um começo: ver como conseguimos mover as pessoas em torno de uma causa. A causa é transformar realidade o sonho da Dora e o sonho da Joana.

Isso porque eu penso o tempo todo: "queria ter dinheiro pra fazer isso", "dinheiro pra construir uma escola para a comunidade", "dinheiro para fazer ciclovias pela cidade" etc etc etc, mas percebi que há muita gente que, como eu, deseja coisas parecidas. Eu posso mover a ideia e o dinheiro, não necessariamente, precisa ser só o meu.

Eu resisti bastante a começar este post esta semana. Eu pensei e repensei e o medo de que vocês não me interpretassem da forma correta era grande, afinal em terra de Renans Calheiros e Josés Tadeus a honestidade chega a parecer uma jóia rara de se encontrar. A descrença na honestidade é uma herança horrível da corrupção que toma conta do nosso país.

Apesar disto, estou aqui.

Quero pedir a vocês que me ajudem a comprar a máquina para a Joana (ou o curso de costura, depende do quanto arrecadarmos) e pagar o curso de desenho para a Dora.

Existem centenas de cursos no ramo e os valores são muito diferentes. O que a Joana fez custou 350 reais por 1 mês. A média é de 600 reais mensais ou 80 reais por aula ou ainda 200 e poucos reais por 1 semanas de curso.

Uma máquina de costura simples sai em torno de 500 reais e uma com overloque começa a partir de 1.200 reais. Foi o que consegui numa pesquisa que fiz, mas que precisará ser feita com bastante critério, além de ver o melhor local para as duas, no caso dos cursos, e melhores preços e qualidade, no caso da máquina.

Então é isso!

Esse é nosso primeiro projeto. Os próximos têm a ver com oferecermos nosso trabalho de voluntárias nas áreas que atuamos em um curso que nós mesmas pretendemos criar para jovens e adultos carentes.

Quanto vale pra você o sonho da Dora e da Joana?
Como você se sente quanto a isso? 
Essa ideia te inspira? 
Você é capaz de abrir mão de algum dinheiro (o quanto puder e quiser) em prol do sonho dessas duas mulheres?
Você consegue ver nesta ideia a pontinha de algo muito maior e mais poderoso que você mesmo pode construir para o futuro do mundo em que vivemos?

Se sim, você pode responder a este post ou enviar uma mensagem para:

somnia.carvalho@gmail.com e
melina_aguiar@yahoo.com.

Nós lhe enviaremos os dados para transferência bancária ou depósito em conta.

A campanha começa AGORA e termina SEGUNDA as 18:00. Até lá a gente precisa pelo menos ter as intenções de quem quer contribuir e com quanto, mesmo que você não tenha feito o depósito.

O prazo tem a ver com a gente ser efetivo. Se eu não der um prazo nós estaremos falando disso daqui 6 meses, sem resultado.

Eu farei a somatória e o valor total será divulgado aqui no Borboleta com uma foto delas com seus respectivos cheques, para que vocês tenham certeza de que elas receberam o que vocês doarão.

COMEÇA AGORA! A quantia mínima é de R$10,00, mas o valor possível fica por sua conta.

É isso! Brinque de ser extraordinário com a gente!!

E muitíssimo obrigada por estar aí ouvindo!

Somnia, Adriana, Mel e Tatiane.


5 comentários:

Lúcia Soares disse...

Pode contar comigo! Vou lhe enviar o e-mail.
Lindas histórias. Lindas mulheres.
Beijo!

Danissima disse...

Adorei a ideia!
Mulheres que inspiram!

Somnia Carvalho disse...

Lucinha! obrigada amiga! eu sabia que vc seria uma das pessoas envolvidas nisso! voce e demais!

Danissima, inspiradoras nao?

Anônimo disse...

adorei e apoio, sera que ainda da tempo? vou tentar pelo email. espero que mande noticias sobre o resultado.

Beth/Lilás disse...

Minha amada Soninha,
Como sabes, estou agora em casa, tomei conhecimento ao ler tudo isso e aplaudo sua iniciativa e das amigas. É isso aí, temos que botar a mão na massa e fazer algo de verdade por quem precisa e merece.
Quero participar e estou à espera da conta e do Cpf completo para eu fazer meu depósito. Envie pelo in box do Facebook, ok.
Maravilha de história e de colaboração! Tomara que as duas sejam muito felizes e realizem seus sonhos!
Beijinhos cariocas