25 abril 2013

Em que pé estão os sonhos da Dora e da Marinalva?

(Essa é a Dora, com seu caderninho de anotações de medida, semana passada em casa, São Paulo, abril de 2013)

Gente muito querida,

Segue aqui a nota fiscal da compra da máquina industrial da Marinalva quem, para quem não sabe, faz parte da nossa história de realizar o sonho de duas mulheres incríveis.

Ela mesma comprou, conseguiu desconto ainda e, juro!, ela chora toda vez que me encontra. Ela me disse entre lágrimas novamente: "vocês não sabem o que fizeram com a minha vida!".

A Mari disse que chega em casa e já nem quer mais trabalhar em nada, vai direto para a máquina. Ela já até ganhou R$17 reais consertando uma roupa para alguém. Ela só corre o risco de ficar sem marido agora! Brincadeirinha!

O pessoal do trabalho está passando pequenos consertos para ela, mas o maior intuito da Marinalva é pegar roupa de fábricas, uniformes. Se você é dono de algum lugar como este aqui em São Paulo ou conhece alguém que queira fazer um teste com a Marinalva é só me contactar.

Bom, quanto ao sonho da Dora agora!

Semana passada inventei uma desculpa e a chamei aqui. Ela veio a noite e começou a acertar uma capa para um sofá cama meu, enquanto eu ia introduzindo o assunto. A Dora não entendeu de imediato.

(Essa é a Dora, fazendo o que diz mais gostar de fazer na vida, semana passada em casa, São Paulo, abril de 2013)

Ela é bem esperta e também pareceu desconfiada. O que é isso? parecia pensar... Como assim? uma campanha? Ela foi trabalhando e quieta... e eu falando... falei do dinheiro, das possibilidades e de como pensei nela para isso...

Ela foi se iluminando. Entendendo e começou a me falar de sua vida, seus sonhos, sua experiência e como foi deixando tudo de lado.

A Dora cuidou de sua mãe (eu havia dito erroneamente que era o pai no post anterior) até ano passado, quando ela morreu. Cuidou da família até pouco tempo, já que é solteira e não teve filhos.

Ela trabalhou em uma fábrica por mais de 20 anos costurando e, quando saiu, tentou montar uma oficina com as irmãs, todas costureiras as quais, como ela, herdaram da mãe, quem era excelente costureira, o mesmo dom e gosto.

Não deu certo e ela precisou começar a trabalhar com faxinas para se sustentar e sustentar a mãe e a casa.

Nisso, a Dora deixou apenas as horas vagas para costurar. Segundo ela, quando está costurando ela se perde nas horas, esquece tudo e, de acordo com seus irmãos, a costura é o único vício que sempre teve e não consegue largar nunca.

Largar pra quê Dora?

Ao contrário do que eu sabia ela sabe costurar de tudo! Vestidos, roupas infantis, fantasias, cortinas, até vestido de noiva para as irmãs foi ela quem fez. A Dora é muito boa! E cobra muito, muito pouco pelo que faz. Nem sei se paga a passagem que ela gasta. Falei com ela sobre isso...

Bom, ela ficou de ver um curso, pesquisar o que iria usar ... Voltou esta semana e ela era outra. Juro!

Um brilho no olhar, cheia de planos e disse: "Você me despertou o desejo de sonhar de novo com o que sempre eu amei fazer!. Eu me vejo de novo vivendo de costura, eu vejo meu futuro e ele tem a ver com isso! Eu estou planejando, pesquisando..."

Na semana passada ela havia me dito com seu português corretíssimo: "A gente quando é pobre tem sonhos, mas sendo pobre não consegue realizá-los e não realizando esquece deles."

Ai ai... dá vontade de chorar com tanta clareza e verdade...

A Dora disse que nem se eu não der o dinheiro a ela, já está decidida: irá se matricular num curso de computação básica. Ela entendeu, em conversas, que primeiro precisa saber trabalhar num computador, trocar emails, fotos com as suas clientes, pesquisar capas de sofás e modelos. Ela disse: eu agradeço muito o que você me fez visualizar.

Segundo a Dora, ela pensou muito e fazer o curso de desenho como havia me dito não dará a ela o que deseja. Ela quer fazer as coisas andarem mais rapidamente. Quer tirar foto do sofá, quer ter as medidas enviadas pelo email etc. Pensou que pode fazer alguns cursos on line gratuitamente se souber operar oo computador. Eu concordei com ela. O curso de desenho pareceu brincadeira perto do que ela pode conseguir com computação e um computador.

No momento, ela de vez em quando empresta de uma irmã que mora em outro lugar...

Bom, tá doida Dora! Eu vou te dar o dinheiro! Eu tenho o dinheiro que o pessoal mandou pra você! rs...

Então, o curso de computação, gente, sai 60 reais por mês por 3 meses e é perto da casa dela. Isso sai R$180 reais. Temos dinheiro para comprar para a Dora um laptop básico. Isso se eu conseguir confirmar o depósito de uma pessoa com quem eu havia contado quando dei o resultado final. Ela havia prometido depositar R$600, mas como depósito voltou eu ainda não recebi.

A Tatiane, quem está cuidando disso e também está na nossa campanha, me disse que deve sair nos próximos dias.

Também recebi depósito de outras pessoas maravilhosas que viram a campanha depois ou simplesmente não tinham tido tempo de depositar. Preciso incluir numa conta final. Eu também darei o nome dessas pessoas no próximo post sobre este assunto. Vocês todos são demais!


(Nota Fiscal da Compra da máquina que vocês deram para a Marinalva)

Então, o que temos até então é a Dora e a Marinalva  com brilho no olhar. Elas vêem suas vidas e seu futuro de forma diferente. Elas estão sonhando de novo e eu só tenho um pesar: o de que vocês não podem partilhar disso ao vivo comigo!

Elas estão trabalhando no sonho que tiveram! E tudo isso vocês viram! A gente fez num piscar de olhos! 

O que mais está acessível para que a gente faça e transforme a realidade e o mundo que vivemos? A nossa realidade?

Bom, outro dia eu conto como tudo isso tem a ver com aquele curso do qual já falei aqui e de como foi fazendo o workshop avançado do Fórum Landmark ("Dinheiro: da preocupação a liberdade") que pensei nesta campanha para as duas.

O que ficou para mim de tudo isto é: os meus sonhos, os projetos que tenho e o desejo de transformar a vida de algumas pessoas e a minha não dependem do dinheiro, dependem sim de como eu crio estas coisas, de como eu me movo, de como me coloco nas situações.

Eu nunca havia feito nada parecido! Pedir dinheiro sempre foi algo muito estranho para mim. Eu pensava sempre: "se eu tivesse dinheiro eu daria a máquina para a Marinalva e realizava o sonho dela...", "se eu tivesse dinheiro eu ajudava a Dora", "eu criaria uma escola para jovens carentes", "eu teria um atelie com cursos de filosofia e arte", "eu ajudaria minha mãe"... etc etc etc.

Entendem?

Não foi o meu dinheiro que realizou o que estão vendo. Foi a vontade de vocês somada a minha. Foi isso gente! O dinheiro estava aí, acessível e vocês poderiam ter gasto numa roupa nova, num jantar ou pagando uma conta qualquer.

O que está acessível para você fazer hoje que mude sua realidade e transforme seus sonhos em realidade? E não vale jogar a responsabilidade no dinheiro que você não tem.

Ah! E para quem vive em Floripa ou próximo de lá teremos uma Introdução ao Fórum neste sábado, ainda dá tempo de confirmar presença. Informações aqui neste link.

Na próxima segunda-feira, dia 19, você também tem a oportunidade de conhecer tudo isso numa Introdução as 19:30 durante este workshop que citei aí acima. Tudo isso é gratuito e aberto a qualquer pessoa.

Já tem gente do Brasil todo e de fora do país inscrito e se programando para vir... Já tem leitores e leitoras deste blog inscritos. E você? Por que você tem tanto medo de acreditar que a única coisa que importa é como transformar seus sonhos e de outros em realidade?

Aguardo você!!!

Grande beijo!!!


3 comentários:

Misturação - Ana Karla disse...

Somnia, são essas atitudes que me fazem acreditar positivamente nas pessoas (falei isso essa semana).
Parabéns e que prospere sempre.
Xeros

Lúcia Soares disse...

Ô post bom, sô! Que alegria a carinha da Dora. Desejo muito sucesso, a ela e à Marinalva. E para você, Sônia, um mundo de coisas boas! Você é "gente que faz"!
Beijo!

Beth/Lilás disse...

Delícia de resultado este, fazendo pessoas felizes com simples gestos da gente!
Amei ver a carinha da Dora e o modo que você levou pra ela a notícia.
um abraço carioca, dos grandes.