31 maio 2008

O grito de cada um

"O Grito", Edvard Munch

Continuando a idéia do post anterior "Criar é Preciso ou Por que ainda escrevo este blog", aqui vai um texto que sempre tenho na memória. Um querido amigo que "faz suéteres" nas horas vagas sem saber se alguém vai querer comprá-los...


"A infância do Joãozinho"


"A infância do Joãozinho.
O problema é ter uma vida de "Rock Star".
Não, o problema é ter uma vida de "Rock Star" e não ser um.
...
Os professores diziam, os amiguinhos diziam. Todos ao redor diziam: "Você tem talento".
Ele gostava de escrever, gostava de passar as noites preso no quarto, debruçado sobre seu fichário quase feminino. Escrevendo sobre tudo que achava que entendia.
Ele ainda menino, nem tão inocente e longe da amargura da vida, achava que tinha sofrido demais e escrevia.
"o poeta é um fingidor" repetia mil vezes pra si mesmo enquanto dissertava sobre dores que ele ainda nem sentia.
Achava mesmo que aprendera a fingir cedo demais, criar pra si uma outra vida quase como num conto infantil, um mundo paralelo cheio de personagens quase sempre bem mais interessantes que aqueles que fazia parte da vida fora do quarto.
E no dia seguinte, no colégio, as meninas eufóricas pelo texto novo escrito pela madrugada. "Lindo!" "Posso copiar?" "Quero mandar para o Juninho"
E ele sonhava, desejava e acreditava naquilo tudo. Em tudo que o papel lhe dizia.
E Lia, lia tanto que já naquela época perdia noites de sono só para terminar o livro logo.
Seguia assim o menino lá do interior, promissor. Era sem dúvida, dizia a professora de portugês da sexta série, um jovem escritor...
Mas no meio do caminho uma curva, o vento que mudou de rumo, uma pedra que bateu na janela, um soluço tardio, um pé torcido.
Um grito entalado na garganta.
Ele virou bancário."

....


Eu acho que ele virou escritor e finge muito bem que é bancário profissional. Por outro lado, eu realmente acho que nao importa muito se a gente se torna o que sempre sonhou, desde que consiga arranjar um jeito de colocar o grito sufocado para fora.

29 maio 2008

Criar é preciso ou Por que ainda escrevo este blog?

(Abstrato n.1, ainda nâo assinei nem dei nome às duas telas dessa fase, Somnia Carvalho, maio de 2008)


Eu acho que deve logo fazer um ano que comecei a escrever este blog.

Comecei no fim da gravidez, depois de ter enviado a tese para o Brasil. Quem me incentivou a escrever foi o Renato, porque eu vivia tentando atualizar meu orkut e ele insistiu que eu também devia me atualizar...

De lá para cá, tanta coisa aconteceu. Comigo, com todo mundo. E, de uma forma sutil, acho que o blog serviu para atualizar os amigos e os familiares sobre nossa vida aqui. Mas acho que, desde o início, os textos que escrevi e muitos outros que vieram depois, serviram mais para que eu tivesse um espaco para liberar minha criatividade. E nem estou afirmando que os textos eram criativos, mas eu, ao escrevê-los, conseguia extravazar parte do que sentia. Transformava o sentimento e a vivência em imagens, em cores de fundo do blog ou nos textos. Buscava poesias e histórias que gostava e dividia.

Mas esses dias que tenho ficado sem computador, desde que o meu quebrou, incrivelmente consegui voltar a pintar. É claro que hoje em dia é possível fazer isso porque Ângelo cresceu e a vida está alguns centímetros mais organizada. Entretanto, o que eu percebi é que preciso de uma esfera onde eu possa criar algo.
Aí no Brasil, às vezes, me dava na sapituca, como diz minha sogra aniversiariante de ontem, Irene, e eu pluft! pintava uma parede da sala de uma cor maluca. Invertia a posicao dos móveis e, no fim do dia, sentia como se tudo fosse outro. Uma energia brilhante passava pela casa. Era uma delícia.

Aqui, sem pintor para pintar depois, e com Angelinho, literalmente na barra da minha saia, o blog foi a maneira mais fácil de extravazar o meu "eu mesma". Só que eu tava lembrando o seguinte: minha mâe tem uma horta-pomar-jardim, onde ela gasta algumas horas de seus fins de semana. Onde ela ouve o canto dos pássaros e ora sozinha. Minha irma, a Sandra, faz bijuterias. E também adora inverter ordem de móveis e pintar paredes. O Lê, meu irmao, corra de kart. O Renato cozinha deliciosamente e adora criar pratos novos. Meu pai, voltava do trabalho, e tocava sua sanfona, tocava e tocava...


(Paisagem, sem assinatura e sem nome definido também, Somnia Carvalho, maio de 2008)



A verdade é que a gente precisa disso. A gente precisa dessa esfera libertadora da vida. Esse espaco só nosso, onde o outro nâo palpite. O Rê detesta que fiquem na cozinha enquanto ele cozinha, eu gosto de pintar e escrever o que me dá na telha, sem me importar muito se quem vai ver e ler vai gostar. A verdade é que o prazer vem enquanto eu faco a coisa. Se as pessoas gostarem, ótimo, delícia! mas a gente tem que ter um hobby pela gente mesmo.


E crochetar, e fazer aquele suéter trabalhoso que é uma coisa, para seu sobrinho, ainda que ele nunca use e ache horroroso. Consertar rádio velho, escrever artigos ou crônicas em seu próprio blog, ainda que você nunca seja reconhecido como o grande escritor que é, meu caro
Amigo Ed. Pintar, o que seja tem que ser bom porque é bom fazer. É por isso que, em cada horinha vaga, quando eu sinto um comichâo, corro e escrevo aqui algumas linhas.


Eu adoro quando vocês gostam, mas se vocês gostam ou nâo, já é outro passo, ou talvez, nem mesmo importe, porque esse momento aqui é só meu. E eu crio, ainda que muito simplesmente, eu me renovo, me sinto sempre mais eu e mais leve. Ainda que seja muito correndo, é muito bom.


Vendo as duas telas que pintei essa semana, estou orgulhosa. É a primeira vez que realmente crio um abstrato. E a paisagem daqui tem me dado vontade de pintar de um jeito diferente, com a espátula, me inspirando nas cores que tenho visto aqui. É claro que todo mundo, na intimidade, ou sem querer, sonha com o brilhantismo, mas ainda que ele nunca venha, esses momentos valem uma enternidade.


Coitadinha de mim pensar em me comparar ao incomparável e sensível Van Gogh, mas eu sempre me lembro do prazer que ele descrevia sentir ao pintar suas coloridas telas. Em "Cartas a Théo", que reúne as cartas que ele mandou, a vida toda, para seu amado irmâo, o que a gente percebe é que Vang Gogh pintava porque amava pintar. Ele pintava incasavelmente todos os dias. E criava. E ia para o campo. E sujava as mâos de tinta. E procurava pelos tons perfeitos. E Théo sempre lhe dizendo que ninguém ainda se interessara pelas suas telas. Mas Vincent nâo se conformava em pintar o que os outros esperavam que ele pintasse. Ele pintava como achava que deveria pintar. E, embora tenha morrido na pobreza e vendido apenas um quadro em vida, ele faz a gente suspirar, vibrar, chorar, ao ficar de frente para seus quadros, como fiquei no Museu Vang Gogh, em Amsterdâ.


Entao, eu penso que isso tudo, seu sucesso etc, só faz sentido porque, lá no seu momento criativo, Vincent conseguiu fazer de um pedaco de pano, um exercício de liberdade. E, apesar de eu estar muito longe de ser artista de verdade, é exatamente o que eu sinto quando pinto. E o que tento fazer, algumas vezes, quando aqui escrevo.

25 maio 2008

Entre passeios e sonhos: visitando a terra da Lego e do Andersen

(Re e Ângelo, loucos para brincar, na entrada da Legoland, em Billund, Dinamarca, maio de 2008)

Semana passada, fizemos um passeio que poderia estar nos sonhos de infância do Renato, se ele soubesse da existência da Legoland, a terra da Lego que fica em Billund, na Dinamarca.

(A caminho de Billund, passando por várias ilhas e pontes dinamarquesas)



Daqui de Malmö so umas 3 horas de carro, mas fizemos uma parada básica em Odense, a terra onde nasceu e viveu Hans Christian Andersen, criador da maioria das fábulas infantis que conhecemos, como "A pequena sereia", "A princesa e a ervilha", "O Patinho feio", " O soldadinho de chumbo" etc. Estar em Odense, a terra do Andersen, foi especial por muitas razoes, mas sobretudo porque me lembrou as centenas de vezes que eu repetia as histórinhas para a Luana, minha sobrinha, quando ela era menor.

O único problema da cidade, ou das cidades suecas, é que nos fins de semana elas são tão vazias que tem-se a impressão de que nenhuma alma vive por ali. Odense, por exemplo, tem lá muitas atracões legais, como uma vila onde se reconta as fábulas mais famosas de Andersen, mas que estavam todas fechadas porque era domingo. É bom lembrar que sueco não trabalha aos domingos. Malmö é um dos poucos lugares onde há lojas e shopping funcionando até as cinco (cinco!) da tarde!



(Ângelo, que comecou a andar semana passda, total feliz, na Terra da Lego)



(Montar, ele nao montava, mas era uma beleza desmontandoara os castelos da mulecadinha dinamarquesa)


Bom, sobre a Legoland, posso dizer que, apesar da tenra idade, Angelito aproveitou muito o passeio. Ele fica feliz demais de ver tanta molecada junta. Mas, claro, é um grande parque de diversão feita mesmo para meninas danadas e muleques naquela idade de não parar um segundo. Muitas brincadeiras incluem água, muita água. E eles todos tiram a roupa para brincar. Depois se secam numa enorme secadora.

Há muito de um parque comum e muito lego espalhado para se brincar. Inclusive eu não resisti. Uma coisa muito legal e diferente é que o parque é extremamente interativo. Nada de sentar num brinquedo e esperar que ele te gire até ficar tonto. Quase todos os brinquedos incluem competicão entre as criancas. Competicão saudável. Naquela torre, estilo a Torre Eifell do Hopi Hari, por exemplo, você precisa puxar uma corda para o negócio subir... Em um navio que passeio por um lago, você dá tiros de água em quem tá na fila ou no navio que passa o lado... e assim vai...


(O pappis do Ângelo, orgulhoso e saudoso)


O Renato ficou saudosista. Disse que passava várias tardes brincando e montando Lego com um amigo em Santo André. Acho que por isso ele ficou louco pra levar Angelinho Linho Linho, antes que a gente vá embora das terras escandinavas. E brincou como um menino crescido e comprou caixinhas com lego para Ângelo. Para quando ele crescer... claro.

(Barquinho de papel gigante, em Odense, terra de Andersen, e das fábulas, maio de 2008)

Em Odense, onde passamos a noite, tudo, absolutamente tudo, lembra o Andersen e os livros dele. A cidade é bem bonita também, mas o legal mesmo é ver as coisas dele e lembrar das histórias e reviver sonhos de infância. Me lembrei da Ludmila, minha amiga que sempre foi apaixonada por esse dinamarquês e sabia todas as histórias de cor. É bom demais passar por lugares assim... O passeio é mais cansativo porque nas cidades pequenininhas a gente se perde mais fácil. Incrível! Não erramos caminho indo para Berlim, mas erramos indo para Billund...

De qualquer forma, a viagem é muito linda. A Dinamarca é um pequeno país, composto por ilhas, entâo passamos por várias delas, em pontes lindas e enormes...

Perder-se e achar-se faz parte da aventura.


***
ps: esse ainda é o micro emprestado. Consegui achar alguns acentos, mas o c cedilha... vichi maria! não acho mesmo... desculpem aí!


21 maio 2008

"Tão longe, tão perto"

Paisagem, Joan Miro, 1927



1. Explicando o sumico e a falta do c cedilha...


Pessoal,

Estou sem computador esses dias todos, por isso o sumico. Cometi um daqueles acidentes caseiros estupidos e queimei a placa do meu apple. Mas, antes que a culpa me consumisse, me lembrei bem de um livro otimo que tenho, "Perdas Necessarias", da Judith Viorst. A gente tem que aceitar e conviver com as pequenas perdas diarias, porque a vida e cheia delas e porque fica mais facil viver e enfrentar as grandes perdas que teremos durante nossa vida toda. Ta funcionando...


Assim que conseguir resolver meu problema da desconexao com o mundo, retorno aos posts, ao skype etc. Esse aqui e emprestado por alguns minutos e, como podem perceber, nem consigo achar acentos nele. Nao que eu nao tenha tentado, pois acho terrivel falta de acentuacao, mas e que e quase impossivel mesmo...

Espero poder falar da Legoland, do Andersem e outras coisas mais, em breve. Por aqui, temperatura muito das boas. Todos os dias nos estiramos no sol para tomar energia e Angelo ja conhece todos os parquinhos de Malmo.



2. Porque eu queria tomar umas caipirinhas com a Tia Dri hoje...




Dri e Re, tomando bebida tipica do natal do povo daqui, em Copenhaguem, dezembro de 2007

Por enquanto, beijos meus, do Angelinho e do Renato e, para nao passar em branco, de jeito nenhum, aqui vai uma poesia para todos voces, em especial, para a minha querida cunhada Brastemp, Dri, que ta fazendo aniversario hoje e nem pode ver o Sr. Angelinho no skype e em quem nem pudemos dar um abraco virtual.



Para voce Drix que e pura dedicacao e carinho,
que sofre a saudade em silencio,
um Fernando Pessoa, um Miro,
um brinde de margueritas do El Kabong,
umas boas horas de conversa na beira da cama,
uns punhados de vestidos e saias lindas da H&M sueca,
e todo amor do mundo..
Beijo, beijo, beijo, Tia Dri.


.......


Como é por dentro outra pessoa?

"Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa
As dos outros são olhares,
São gestos,são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo."

(Fernando Pessoa)


15 maio 2008

Sol, praia e sorvete? Onde mesmo?



Ir à praia na Suécia não é o mesmo que ir à praia, no sentido brasileiro.
Não tem banho de mar. Quer dizer, tem, se você é doidinho igual ao Re e ao Gus.
Mas se você é uma persona normal, você aproveita muito o sol delicioso, sem vento.
Aproveita a paisagem linda, linda, de tirar o fôlego.
Aproveita para comer peixes gostosos.





Aproveita para se divertir com os milhares de bebês peladinhos que vão à praia. 




Aproveita para curtir sua família. E nada de dançar boquinha da garrafa. A coisa é mais familiar, embora familiar no Brasil não inclua top less que muita gente não vê problema nenhum em fazer aqui.... Inclusive umas suecas felosas pra caramba que tavam lá no sábado passado... As bonitinhas, sorte minha e da Xu, não arrancaram nada não.




Ir à praia na Suécia inclui, SEMPRE, tomar muito glass, muito sorvete!
mesmo que a temperatura não seja realmente adequada... (eles estão tomando sorvete desde que começou a fazer 12 graus, há uns meses).
Até Angelito se esbaldou, mas ele é brasileiro, então, sorvete só porque tava mesmo quase uns trinta graus no sol.
Sim, bem! 30 graus! Torrandíssimo.




Ir à praia na Suécia significa fazer piquenique e farofada com amigos, como a gente fez com o simpático casal Xu-Muié e Gus. Mas aqui fiz questã de colocar uma foto bonitinha dos dois, porque deles devorando amendoin, batatinha e cerveja não tava de muito níverr...

Ir à praia na Suécia tem seus encantos porque torrar no sol, depois de quase virar lagartixa branca no inverno da Escandinávia, não tem preço.


13 maio 2008

Berlim, algumas imagens e impressões


(Adoro balões: assim que entramos no centro de Berlim, avistei este lindo balão do jornal "Die Welt")


De Malmö a Berlim: tudo vale a pena...

Nossa viagem de carro, de Malmö até Berlim, durou bem mais que as quase seis horas previstas, porque incluímos várias paradas para brincar, matar a fome ou simplesmente descansar com o Angelito.

Apesar de termos viajado no feriado prolongado do 1o. de maio, nada de trânsito. Nada de horas desperdiçadas em engarrafamento ou dinheiro em pedágio. A viagem por aqui é tão, tão tranqüila que parece cena de um filme do alemão Wim Wenders.

A diferença é que as rodovias e os automóveis são apenas uma das muitas formas de se viajar pela Europa. Alguns tomam o carro como nós ou ônibus. Muitos outros vão de avião, incluindo passagens muito baratas, se compradas com antecedência, enquanto a maioria vai mesmo é de trem. Os confortáveis e rápidos trens que circulam pela Europa toda dão até nó na garganta de raiva de pensar que no Brasil, desistimos do transporte ferroviário, e o deixamos às moscas.

Bom... sem sociologismos, vamos ao turismo!


Berlim: o lugar onde tem-se a impressão de que tudo já aconteceu.

(Eu mesma, na praça Paris, em frente ao imponente Portão de Brandemburgo, Berlim, maio de 2008)


Eu comecei falando da nossa viagem, na semana retrasada, me referindo à minha meio que primeira memória quando penso rapidamente em Berlim. Mas, felizmente, a causalidade não para na musica “Take my breath away” (eu escrevi um outro post para explicar esse fenômeno que me tomou naquele post, e o publicarei ainda estes dias).

Como Berlim foi a primeira cidade alemã que conheci, todas as referências que eu tinha sobre a Alemanha passaram pela minha cabeça. De um lado, deliciosas e profundas memórias como Adorno, o filósofo adoravelmente pessimista que estudei no mestrado e suas milhares de referencias à cultura alemã; ou a filarmônica de Berlim, que frequentemente eu ouvia na Rádio Cultura. De outro, a história do ocidente. As guerras e o terror do nazismo. Hitler. A história do poder da Alemanha e a história da decadência e destruição do país. Tudo isso está, de forma meio condensada, em Berlim.

Isso sem contar a interessante diferença que restou e foi mantido do que antes era a parte oriental da cidade e como foi modernizada e reconstruída a parte ocidental. Toda hora vinha a minha memória cenas do filme "O Pianista", várias delas...

Ficamos hospedados na mesma praça onde se mantém um pedaço do muro que separava a cidade para contar a história. Não gostei da sensação de estar em frente ao muro, não sei bem o porquê. Me dá tristeza... e o aquele pedaço de muro parece apenas desconectado do que foi. 

Andando pela cidade é impossível não sentir essa atmosfera de peso. Você sabe que ali aconteceu tanto que a cada esquina há um respiro forte. Entretanto, visitar Berlim, ao contrário do que eu esperava, não dá a impressão de filme do fins dos tempos.

A cidade, toda reconstruída do lado ocidental, moderna, cheia de vida, abriga milhares de turistas, tem avenidas largas, projetadas a partir da sensação de espaço, mas casando com o que restou da cidade antiga. Os antigos monumentos e a história da Alemanha estão todos ali.

(Passeio de carruagem antiga para ver o Palácio da República ao fundo e a enorme Torre de TV, símbolos da cidade, Berlim, maio de 2008)

Talvez eu tenha coisa demais a falar dessa viagem, porque eu simplesmente amei. Foi um passeio maravilhoso. Inesquecível. Profundo. Cheia de Encantamento. Talvez qualquer lugar possa ter isso, sobretudo na Primavera. Mas já combinamos de voltar, porque Berlim é muito, muito grande e tem coisa demais a se ver. Dessa primeira vez, tentamos aproveitar mais a temperatura deliciosa na casa dos 20 graus. Aproveitar a paisagem verde, a beleza do céu azul.

Da próxima quero estar dentro dos grandes museus e, quem sabe, poder ouvir um concerto, quem sabe tanta coisa que uma cidade assim permite a gente ter...

(O que estava em cartaz em Berlim: "La Traviata" , maio de 2008)

Por ora, fico feliz em ter essas primeiras impressões. E espero escrever mais algumas delas aqui e dividí-las com vocês.

....


Para não perder de vista um pouco do que conhecemos dessa cidade incrível, curiosa, misteriosa e descolada, coloquei um álbum ao lado do blog para vocês viajarem também. 

Só é preciso avisar e admitir que talvez o Sr. Angelim apareça em quase todas as cenas de Berlim, ele e o papis dele, porque eu sou fascinada por coisa bonita. 



12 maio 2008

"Olhai os lírios do campo"... e

(Eu olhei e me enfiei na plantação dos campos aqui da Skåne, pela segunda vez, maio de 2008)


Tem algumas coisas que essa plantação amarelinha daqui sempre me faz lembrar ou sentir: uma delas é a famosa passagem do Evangelho de São Mateus "Olhai os lírios do campo"...
Passando por elas é impossível eu não pensar como crescem lindas, amarelas e maravilhosas, sem que seja feito nada mais além de ter sido semeada a semente.

Acho lindo demais. 

A vontade que tenho é sempre de me jogar completamente e me misturar na pintura amarela. Já tinha feito isso ano passado e não me contive de novo no sábado, mas, dessa vez, tive companhia...  



(Minha amiga Xu-Muié, brasileira, falante e inteira do jeito que eu gosto)


"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."


Fernando Pessoa.

11 maio 2008

"Mamãe, mamãe, mamãe, volto a ti e me sinto criança"




“Mamãe, mamãe, mamãe 
Tu és a razão dos meus dias 
Tu és cheia de amor e esperança 
Mamãe, mamãe, mamãe 
Eu cresci e o caminho perdi 
Volto a ti e me sinto criança 
Mamãe, mamãe, mamãe 
Eu te lembro de chinelo na mão 
De avental todo sujo de ovo 
Se eu pudesse 
Eu queria outra vez mamãe 
Começar tudo, tudo de novo”


Eu sempre gostei demais dessa canção em homenagem às mães, cujo autor é desconhecido. Apesar de nostálgica e, de certo modo, até triste, eu sempre dava um jeito do coral da igreja cantá-la no dia das Mães, quando eu coordenava a liturgia, lá da comunidade onde trabalhei por alguns anos.

E sempre funcionou que era uma beleza. Todas as mães choravam. Todas elas. Entretanto, só com o tempo percebi duas coisas: que era meio sádico o que eu fazia com as coitadinhas e que elas não choravam só porque estavam sendo homenageadas como mães, mas principalemente porque, na canção, se sentiam filhas de novo. E era às suas próprias mães que a singela canção lhes remetia.

Hoje, depois de tantos anos, não mais em comunidade alguma, continuo pensando nessa música ao lembrar de minha mãe. E hoje de manhã acordei com um nó na garganta, um misto de felicidade e tristeza por saber que hoje, aí no Brasil, é Dia das Mães.

Felicidade por saber que a tenho comigo, apesar da distância.
Tristeza por saber que não poderei dar o abraço que quero. Nem nela, nem na Irene, mãe do meu querido Re. Tristeza, ainda, por saber que ele também não o fará. 

E talvez pela primeira vez, em alguns anos, não daremos um presente a elas. Poderíamos ter enviado, poderíamos ter feito qualquer coisa, mas, ao menos com respeito a mim, tem um momento em que você pensa, procura e vê que não há nada que consiga representar o que você vem sentindo. E o que venho sentindo é que não há presente que possa retribuir tudo o que, até hoje, minha mãe fez por mim. 

Eu desejaria mesmo era mandar as plantações amarelinhas lindas daqui, já que ela gosta tanto de flores. E queria que ela pudesse, só por um dia, ficar embaixo das árvores daqui e ouvir os pássaros cantarem. E que ela tivesse de volta todo o amor, mas todo o amor mesmo, que deu e tem dado a mim, aos meus irmãos e aos meus sobrinhos.

Que ela e a Irene pudessem nos abraçar por uns momentos. E também ao Ângelo.

O que eu sinto é que essa canção dá uma nostalgia, porque a gente se volta ao passado e há tanta coisa vivida. Eu poderia fazer minha própria canção, mas ela não seria muito diferente disso, apenas com outros detalhes.


..........


(A Dona Maria José os filhos dos quais ela cuida até hoje: Sandra, Lê e Sônia, Brasil, fevreiro de 2008)


Minha mãe era daquelas que passava horas e horas costurando vestidos e saias para mim e minha irmã em sua máquina Singer, sem se importar com suas dores nas costas. 
Eu me lembro dela nos chamando para o almoço, enquanto corríamos no quintal e dela me visitando, com um barrigão de nove meses, enquanto eu me recuperava no hospital de uma das minhas muitas doenças da infância.

Minha mãe era daquelas que mentia para o marido para que a gente pudesse sair com o paquera e não se importava se, mais tarde, tivesse que arcar com algum erro nosso.
Eu me lembro dela acordando antes de mim, por muitos anos, e me preparando o café da manhã para eu ir trabalhar. Dela me esperando voltar tarde da faculdade e dela feliz e orgulhosa no dia do meu casamento.


(Eu e minha Dona Maria preferida, no dia que fui de novo embora pra construir minha família, janeiro de 2002)



(Aqui, a Irene, transbordando de felicidade, orgulho e amor junto de nós, no dia em que o filhão dela foi embora de novo fazer a familinha dele, janeiro de 2002)

Mãe é essa criatura única.
Ela se doa, sofre, tem raiva e tem culpa.
Ela chora e se esvai em sofrimento, quando um filho não está bem.
Ela te consola e te apóia em quase todos os momentos de sua vida, até mesmo quando você toma o rumo que ela não esperava e tinha sonhado pra você.
Ela está sempre ali, mesmo que seja para dizer coisas que você não quer ouvir. E te socorre, quando você olha ao lado e não tem mais ninguém para afagá-lo. 

Mãe tem esse amor inexplicável. Estranhamente entrega, que nos faz sentir culpados por não poder retribuir a altura. E, apesar de não ter claro na memória, você busca aquele afago dado por ela, desde o momento em que você nasceu.
Você chama "mamamamamãe", quando tem uma dor forte ou se sente doente e solitário.

Você quer abraçá-la de um jeito que ela compreenda que você agradece, que você se lembra sim das noites de sono perdidas, que você é grato sim por ela ter te acompanhado naquele primeiro dia de aula. E por ela ter lhe orientado sobre os maus amigos. E porque ela fez questão de estar na sua formatura de oitava série. E porque ela disse: "vá, minha filha", quando você disse que iria sair de casa e estudar em outra cidade ou quando precisou de seu apoio para conseguir partir e morar muito, muito longe, construindo sua própria família. E porque a distância fez com que ela sofresse calada e chorasse em seu quarto, sentindo sua ausência. 


(A mãe de minha mãe, minha querida, doce, sofrida e dedicada Vó Maria, no dia do meu casamento, janeiro de 2002)


(A fofa, engraçadinha, carinhosa e sorridente Dona Conceição, com seu netinho, no dia do noso casamento, janeiro de 2002)


E como não há nada mesmo que consiga demonstrar todo esse mundo que te liga a essa mulher, você, então, imagina dizer: "obrigado, mãezinha, por tudo, extremamente tudo que tenha me feito até hoje", porque eu estou aqui, são e salvo. Saudável e feliz. Porque eu venho tentando me realizar como pessoa e é a você que eu agradeço. 

Venho de mãos vazias, porque não há nem presente, nem florzinha, nem nada que possa mostrar tudo isso que tenho em mente e na alma. E porque eu e você ainda parecemos ser um.

Porque a gente sempre pensa em nossas mães todos os dias e agradece a Deus pela sua vida.
A gente quer estar com ela, mas quer estar longe dela. Quer seu amor e carinho, mas quer, ao mesmo tempo, independência. Quer o mundo, mas quer saber que ela estará sempre lá. 

Quer dar o mundo e demonstrar a gratidão, e se vê como uma criança, sem poder fazer mais do que sempre fez: precisar dela. A gente se esvai em tristeza se, por um segundo, pensa em perdê-la e a única coisa que consola, a única, é saber que ela, em todo momento ou num dia como hoje, no Dia das Mães, tem os mesmos sentimentos para com a mãe dela. E que ela, mesmo por um instante que seja, entende que você a ame, tal qual ela também ama, se sente grata e culpada pelo amor que também recebeu um dia. 

E, então, a gente sonha poder passar esse amor adiante. E sonha amar tanto, se dedicar tanto ou mais do que nossa mãe a nós se dedicou. E fazer nossos filhos felizes.


(Nós, crescidos, saudáveis e felizes, passando adiante o que de graça ganhamos, Suécia, abril, de 2008)


Mãe, Irene, Sandra, Vanessa, Vó, Tias todas, amigas minhas e vocês todas que são mães, sem falsas demonstrações, desejo a vocês todas um Feliz Dia das Mães. E que vocês sintam de mim e dos filhos o abraço mais apertado e carinhoso, cheio de quentura e ternura que receberam um dia. 

Porque vocês um dia escolheram e arcaram com todas as consequências felizes e tristes de serem Mães. 

08 maio 2008

25 graus em Malmö: temperatura ideal para fazer amizade com os suecos

(Ângelo, feliz da vida com o piquenique no parque e a "chuquinha" do Kian, seu amigo de muitos meses atrás)

Eu queria pôr logo as fotos da fantástica Berlim que eu amei tanto. No entanto, a temperatura na gelada Suécia está tooom agradável que a gente não consegue ficar em casa. Pra quê ficar em casa, se o povo todo tá na rua? Como ficar em casa, se o sol e a claridade que não vimos por meses seguidos, agora vai das 5 da manhã até quase dez da noite?

Entonces, apesar de eu já ter metade de dois textos, sobre Berlim, escritos, não consigo terminá-los. Só quero estar "outside"! E desculpa a misturança de língua no meio desse texto, mas é que tenho falado um pouco de tudo aqui. Ontem, quando me apresentaram para uma cozinheira chilena, na escolinha onde o Ângelo vai em agosto, eu não conseguia falar português, nem espanhol, nem nada... fiquei como se fosse muda. 

Voltando à temperatura e o porquê da demora dos textos berlinenses.

.......

Hoje eu senti 30 graus na pele, muito quente mesmo!
Tem piquenique todo dia! O dia todo fora de casa. Aqui, se faz tempo bom, todo mundo se deita nos jardins e gramados e play-ground... E rola biquini no parque e muita alegria!

Contei trinta e tantos carrinhos de bebês só no play-ground do lado de casa... 
E não é à toa que eu estou meio tontona com a primavera aqui, porque apesar da gente ter um super calor aí, essa coisa da gente ficar na rua, deitado, com todas as bolsas ali, dinheiro, celular, máquina, bebês etc. Ou poder tirar uma soneca, sem medo e tal, isso... é impossível aí no Brasil. E não porque eu more em São Paulo. É porque a gente já não pode mais fazer isso mesmo.



(A Suécia não é terra de velhos: muitas dezenas de carrinhos de bebês, mães, pais e família toda fazendo piquenique no meio do dia, no meio da semana)


Fora isso, está um tempo ótimo para conhecer o outro lado dos suecos: se no iverno a gente não vê vizinho e poucos topam conversar com você na rua, agora é tudo outro: já conversei com milhares (exagero forçado meu) de pais e mães de bebês. Eles trocaram os casacos pretos por roupas ultra coloridas. Tiraram os gorros que escondiam os cabelos e todo mundo passou no cabelereiro para um corte novo.

Todo mundo sorri e quer bater papo. Muitos suecos conversam durante muito tempo e assumem que agora sentem como se fossem outros. Talvez até eu esteja mais aberta e fiz alguns novos amigos. Eu já tinha alguns bons amigos aqui, como minha amiga Xu-Muié, a Márcia, a Maria... mas, agora, pasmem! Eu tenho amigos suecos! 



(Tobias, que tirou sua "licença paternidade" e cuida de Tintomara todos os dias, como eu do Angelinho, coisa muito comum aqui na Suécia)


(Nikol, a alemã com espírito muito brasileiro que conheci aqui num play-ground e de quem logo fiquei amiga. Junto dela, seu lindo Iven)

Não que eu concorde com esse jeito e ache lindo, mas me parece que as pessoas aqui vivem de acordo com o tempo. Talvez seja mesmo algo muito natural. Elas se fecham no inverno e no outono, ficam frias e pensativas. Elas se colorem, se abrem e são calorosas na Primavera e no verão. É claro que essa regra não se aplica a todo mundo. Isso é o que sinto das pessoas nas ruas. Felizmente, há algumas boas exceções.

Hoje, passeando com algumas dessas exceções, um pai sueco, uma mãe sueca e uma alemã, vendo o verde que não existe aí no Brasil, o verde fresco das árvores e gramado, pensei que vou morrer de saudade disso aqui, quando a vida "real" voltar. Uma amiga da faculdade, a Janaína, sempre dizia: "tenho saudade do que ainda não aconteceu". Eu também, mas já tenho saudade disso que tá acontecendo agora. 

"Cest la vie!"

(Paulina, mãe do Kian, que conheci no grupo de mães, alguns meses atrás, e que também está de "licença maternidade" da advocacia)



(Piquenique, num dos parques de Malmö, na semana passada, a 15 graus. Hoje eu tava de vestido, mas esqueci de entrar na foto!)


(O piquenique com bebês e mães do mundo todo: Nikol, alemã, Nina, sérvia-alemã e Jéssica, brasileira-sueca. Pena eu ser uma fotógrafa muito ruim)

04 maio 2008

Berlin by car: todo pensamento que a paisagem permite

(De dentro da balsa-navio que nos levou da Dinamarca à Alemanha, várias gaivotas nos acompanhavam. Algumas chegavam muito perto, como essa que pairava tranquila no ar, maio 2008)


“Nada te perturbe,
Nada te amedronte,
Tudo passa,
A paciência tudo alcança.”

(Canção baseada em pensamento de Teresa D’Ávila)


Há um ano atrás, tendo chegado do Brasil em terras suecas eu tinha um mundo a explorar e, por outro lado, alguns desafios grandes a vencer.

Um dos primeiros seria se instalar, vencer as primeiras dificuldades com a língua, conseguir ir ao supermercado e trazer o pote de margarina e não de fermento para casa e, dos mais difíceis, superar a saudade da família querida e do país onde nasci.

Havia também a necessidade de finalizar a escrita de minha tese de doutorado. Grávida, com enjôos, com dores comuns do período, um mundo inteiro novo lá fora para ver, tive de sentar, dia após dia, na solidão de um apartamento na Suécia, e escrever linhas, páginas. Centenas delas. Boas e inovadoras. Essa era a exigência. 

Dia após dia, venci o desafio. E houve momentos em que pensei desistir. Dar fim ao trabalho e dedicação diária, às exigências difíceis e simplesmente desistir. Mas, então, um prazer sem conta me tomava quando escrevia, descrevia e analisava os quadros de Anita Malfatti. Quando precisava recorrer a pinturas que eu havia visto em maravilhosos museus e a oportunidade de criar um texto era uma experiência fantástica.

(Os geradores de energia que geram energia em mim. Alemanha, maio 2008)


A tese que um dia pareceu interminável foi finalizada. E então a barriga foi pesando.
O bebê que falava comigo através de chutes foi crescendo cada vez mais e, então, era o parto que eu esperava e queria vencer.

E a espera parecia tão eterna quanto a espera que havia passado há pouco.
E dia após dia, venci o peso da barriga e o incômodo, me deixando levar pela cantoria que me tomava conta ao sentir aquela vida, que eu já amava tanto, dentro de mim.

O parto, que me fez entender a expressão “um parto!”, veio. E, se aquelas horas pareciam impossíveis de serem superadas, elas também passaram. Com seu fim, o momento mais intenso de toda minha vida: receber nos braços uma criança perfeita. Eu e Renato havíamos gerado um vida e ela estava ali nos olhando. Essa nova vidinha que levamos aqui atrás conosco. Essa vidinha que pulsa de energia e agora dorme, enquanto seguimos rumo à Berlim.

Superado aquele desafio, outros vieram. As grandes e tempestuosas dificuldades dos primeiros meses de vida de um bebê também davam a idéia de que o período difícil duraria anos. Noite após noite, cuidado. Foram meses seguidos de cansaço. E assim parece ser a vida de um casal logo após a chegada de um bebê. Mas... eles também passaram.

(Um parada para reabastecer o corpo... e alma. Ao fundo, paisagem alemã com dezenas de "moinhos de vento modernos" branquinhos, confundindo-se com as nuvens, maio 2008)

E agora, escrevendo este post de dentro do carro, é exatamente disso que me dou conta: olhando a paisagem ao meu lado, intensamente amarela, verde e azul celeste me faz notar que os dias cinzentos e frios do inverno desse ano se foram. Vencemos os dias com neve. Vencemos o cansaço de sair todos os dias sem a energia do Sol. E aqui está ele agora. Invandindo o caminho. Transformando a paisagem seca em uma tela extremamente colorida. Extremamente vangoghiana.

(A paisagem amarelinha que eu não me canso de fotografar. De Malmö a Berlin, tudo amarelin..., Alemanha, maio 2008)

E se a tecnologia me permite não perder esse sentimento, tomando meu lap top e dividindo isso com vocês, a vida me permite perceber que Teresa D’Ávila estava totalmente certa: tudo, absolutamente tudo passa. Só disso temos certeza.

Então, o melhor é que o mínimo possível nos perturbe, porque com paciência poderemos passar o inverno e chegar novamente à Primavera. 

Vivencio agora o óbvio, mas duro conhecimento de que o tempo leva consigo o momento presente. Torna-o distante de nós e esse instante, que já começa a ser passado, precisa ser vivido com a maior intesidade e clareza possível. 

Sei cada dia mais que TUDO PASSA, que os antigos desafios se foram, mas novos virão. Novas tristezas e também novas alegrias. O tempo leva tudo embora, seja a alegria que num determinado momento soa como infinita ou a dor que por tempos parece eterna.

O tempo não me pertence, ele corre, como a paisagem do lado de minha janela. 

O que tenho a fazer, então, diante dessa realidade?
Fazer meu "carpe diem", saborear cada momento dessa nossa viagem até Berlim, porque ela tá só começando! E... Viver como o trigo nos campos.