29 outubro 2009

Sobre os outros blogs da Borboleta



(Algumas das muitas caras da Borboleta que você talvez ainda não conhecesse e sobre as quais tinha até medo de perguntar)

Gente boa,

Seguinte: eu tinha aí uns vários outros blogs começados e nunca continuados. Hoje deletei dois deles já que eu nunca mais os atualizei.

Por outro lado, atualizei dois deles que gostaria de manter sempre com novidades e tal. Um é sobre arte, minhas pinturas. É o blog mais antigo que eu tenho, mas que por conta de perfeccionismo eu vivia planejando de deixá-lo com todas minhas muitas pinturas feitas até hoje. Como isso vai levar muito tempo, já que parte das imagens das telas que pintei no Brasil estão por lá, acabei decidindo atualizar o blog com o que tenho.

O mesmo vale para o outro blog, que criei para registrar as melhores fotos que eu e Renato tiramos e vamos tirar da nossa vida aqui e pelo mundo...

Foi nessa minha volta a esses blogs que decidi são importantes pra mim que vi que alguns de vocês haviam me deixado comentários lá. Eu nunca tinha visto esses comentários e nunca veio recado no meu email sobre tais comentários. De modos que eu peço mil e uma desculpas!

Vou entrar em contato com vocês que escreveram lá e agradecer. Aqui vai um obrigado e desculpas se passarem por aqui primeiro.

Vou colocar o link dos dois blogs aqui na lateral do borboleta reservado a blogs da área de arte, literatura, decoração etc ok?





E espero que vocês me visitem lá também assim uma mão lava a outra, vocês me animam e eu animo vocês!

Beijos e ótima noite! Aqui passou da hora de eu ir dormir...

28 outubro 2009

"Na Suécia também não tem..." mulher que tem frio nas pernas

(Traje bem típico das suecas em época de inverno, com acréscimo de botas mais frequentemente, foto: Stockholm free style)

Num dia qualquer da semana passada em que o termômetro marcava 6 graus durante o dia eu fiz minha rotina de sempre. Fui para a escola as 7:30 da matina de bike só que com o dia ainda bem escuro. Voltei para almoçar, novamente de bike, e voltei de novo para o centro para buscar Ângelo que também acordara na escolinha.

O frio estava congelante. Não porque 6 graus seja assim tão péssimo, mas havia um vento fininho chato com uma finíssima camada de chuva. Qual não foi minha surpresa quando vi uma sueca na sua bike, toda vaporosa (ela, não a bike) de meia calça fina. Eu já tinha topado com essa cena nos dois anos e meio que estamos aqui, mas não sei porque aquele dia eu fui me dando conta de quantas mulheres usam o mesmo modelito já em dias em que vocês fraconildinhas brasileiras iriam mor-rer de frio!

Sim. É verdade e eu já sabia que é comum a mulherada usar meia fina, dessas de fio muito muito fino, em outra estação que não seja o verão (que na Suécia atinge a média de 22 graus!). Essas são as mesmas que a gente vai a casamentos ou ao trabalho no Brasil com 25 graus no termômetro, mas naquele dia eu estava com uma baita dor no pescoço de frio e elas lá nas meias calças finas! Eu estava assim: ufa! ufa! ufa! ufa! pedalando a bike no ritmo de 1, 2, 3, 4 contra o vento e pensando na feliz hora em que chegaria na casa quentinha de volta.

Bom, tudo até que ia razoavelmente bem, obrigada, até que eu cruzei com mais uma sueca vaporosa. E eu franzi a testa assim, sabe?, como quem não entende bulhufas e olhei para mim mesma rapidamente conferindo que calça eu havia colocado e tal.

Eu dou sempre uma de muito forte quando vem gente do Brasil me visitar. De fato, meu corpo se acostumou muito ao frio daqui e eu fico com um casaco médio num frio de 10 graus, o mesmo que muita gente fica com 20 graus aí e diz que tá friiiio!

Conferi e vi que eu estava com um jeans, uma bota de couro normal, uma blusinha, casaco, cachecol, gorro e luvas. Não tava mal para quem estava pegando 6 graus, nem exagerada se pensar que eu usava o mesmo no Brasil quando eu achava que pegava inverno aí, mas aí eu cruzei com, adivinhem? Mais uma, mais outra e outra e outra sueca de casacão e meia suuuper fina!

E o desfile das sem frio não parava!


(Meninas suecas usando a típica legging que usamos no inverno, mas que já são mais quentinhas que as meias calças finas, "Three girls walking through a rainy winter day in Örebro, Sweden", foto de Ron Pyke)

Não é que elas estivessem de roupa de verão. Elas gostam de usar grandes cachecóis para proteger o pescoço e um casaco com bota quente, mas com uma camiseta meio abaixo do bumbum que faz as vezes de vestido. Na verdade são só umas blusas coladas curtas com o casaco mesmo e aí normalmente aparece bem as pernocas, tão me entendendo não é?

A verdade é que aparecer as pernas, o resto e tal não me incomoda. Aliás se tem uma coisa que eu adoro aqui é essa liberdade de se usar realmente o que se quer, sem se incomodar com a opinião alheia. O que eu fiquei foi inconformada. Eu que até dias atrás tava me achando o ó do borogodó quando a Lurdinha, a tia friorenta do Renato, estava aqui morrendo de frio com 18 graus, acabei por me sentir a mais fraconilda da Paróquia.

Me deu até um óiiidio! "E aí meu! Vai se vestir!", eu pensava em falar alto para algumas delas!
"Tá pensando que eu não sei que você tá tremendo de frio?, sua loira horrorosa!" Eu falava em voz baixa para outra. E acabou que foi assim o dia todo. Parecia uma invasão das mulheres com meia fina. E então as quatrocentas e cinquenta e sete suecas que aquele dia estavam de meia calça fina cruzaram meu caminho em suas possantes bikes e continuaram viagem.

Ri comigo mesma quando voltando com Ângelo na garupa fui lembrando delas e eu que nem sonsa monga toda friorenta na bike. Minha raiva vinha de eu pensar que elas podem não estar com frio mesmo! No fundo é porque acho um saco não ter sido preparada para o frio. Queria ser mais e mais forte, mas é mais forte que eu. Me atrevo e me adapto, mas ter nascido e crescido num país quente não me dá metade da resistência para o inverno que esse pessoal aqui tem. E eu fico innnritadíssima quando umas pernocas compridas e torneadas me lembram que eu só voltarei a usar roupa assim na fria Suécia daqui há uns 5 meses.

Fato é que o frio é ruim para qualquer um que vive aqui, inclusive para os suecos que reclamam mooito, mas que ele é bem mais assombroso para quem achava que meia calça era modelito de verão disso eu não tenho dúvida.

Parece que as únicas mulheres que tem frio nas pernas aqui sou eu e minhas amigas. Para nós uma calça quentinha que proteja e esquente as nossas pernocas não tem preço!

25 outubro 2009

Horário de verão na Suécia e diferença só de três horas

(Ângelo no campo aqui em frente, correndo atrás das gaivotas que substituíram os patos do verão.., Malmö, outubro de 2009)

Bom dia pessoar todu por aí!

Aqui é domingo, pé de cachimbo...

dia feio, cinzento, nove graus no termômetro e quase todas as folhas amarelinhas caídas no chão...

o outono está indo e o inverno está batendo à porta.

Minha amiga Liana acabou de me ligar para avisar que temos uma hora a mais hoje aqui. Começou o horário de inverno e a diferença que estava de quatro horas com o Brasil passa a ser só de três... de novo aquele horariozinho bom para encontrar com quem está por aí.

Agora são 9:01 da manhã no horário novo aqui e aí são 6:01. Bom né? Alguns de vocês já estão até de pé...

Vamos agora passear, porque ficar em casa com esse tempo só se for para ler, comer e ver TV. Vamos lá atualizar nosso guarda roupa de inverno porque sem cachecórr decente, gorro, luvas à prova d´água etc não há brasileiro que aguente a nova estação...

Beijocas e ótimo domingo para vocês!

23 outubro 2009

Do lixo ao luxo, parte 1: o que você faria com...

(Aristodemo: meu móvel feinho pego no lixo de casa, mas que eu sabia me teria alguma utilidade )

O que você faria se encontrasse no lixo para reciclados de seu prédio um móvel como esse da foto acima?

(A) Nem notaria, já que o móvel é feio de doer.
(B) Colocaria o seu lixo em cima dele, porque óbvio ele foi jogado porque não presta mais mesmo.
(C) Pensaria em pegar e dar para alguém para que ele não fosse demolido no lixão.
(D) Pegaria para você mesma, porque você gosta de madeira em tom claro.
(E) Pegaria com certeza, porque ele lhe mostraria um super potencial para ser renovado.

Bom, você pode me contar o que faria, ou não faria, com o móvel acima na situação descrita logo aí nos comentários. Por enquanto vou dizendo que eu sou o tipo que não consegue pensar duas vezes quando vê lixo mais ou menos novo e legal na lata. Eu pego mesmo.

Eu peguei o feinho, ou se preferir o lindinho, daí de cima e trouxe-o para casa. Foi numa de minhas visitas frequentes ao lixo do prédio que começaram logo depois que me apaixonei pelas minhas tulipinhas de madeira abandonadas por lá. Acontece que o prédio novo tem um baita potencial de lixo e eu vou como se fosse a uma loja para ver se acho novidade. A maior parte das vezes preciso deixar lá o que vejo, já que precisaria de umas dez casas para acolher tudo, mas tem vezes que não aguento...

Essa paixão pelo lixo que mostrou-se luxo é antiga. Lembro de que em uma das vezes que peguei lixo na rua, minha amiga Eloísa, que também era minha professora de pintura e ainda pior por lixo do que eu, me ajudou a carregar uma mesinha por 5 quadras até minha cozinha nova. Pintei a mesa toda no mesmo dia de branquinho e a pus na cozinha com um vaso de flor. E foi aí que o marido achou que eu havia comprado uma mesa nova naquele dia.

Todavia se a loucura é antiga ela tem se potencializado ainda mais aqui nesse novo lugar para onde me mudei e isso será tema de um próximo post.

Agora venho para dividir o que fiz com algumas das peças que encontrei no meu lixo luxuoso. Aqui temos uma ala especial para o lixo grande que pode ser reciclado ou onde colocamos coisas que não sabemos como separar nos outros lixos do prédio. O pessoal coloca móveis, eletrônicos, livros, decoração etc para que o caminhão passe e pegue durante a semana. O problema é que tudo isso vai para um lixão central e não necessariamente o material passara por reciclagem.

Primeiro veio então o cerejerinha feinho, depois veio o lustre. Lá misturado a outras coisas o lustre que havia enfeitado a casa de alguém por aqui não parecia nem um pouco ilustre mais. Suas peças estavam perdidas num latão e fui pegando e juntando novamente. O material é vidro e o mesmo lustre novo, que é de uma loja chique de design daqui custa mais ou menos 1.500 reais. Depois de montado e lavado, comprei as lâmpadas.

(Lustre de vidro encontrado no meu lixo no mês passado que eu não pude deixar ser triturado)

Foi a partir dele e do espelho oval que também fora jogado no mesmo dia que pensei em recuperar o móvel feinho que havia pego há meses atrás e estava meio largado num canto aqui.

Criei com decoupagem a cara que vocês vêem aqui embaixo e que, espero, vocês achem melhorzinha do que a cara maior sem graça que estava ali em cima.

Gosto é questão pessoal, como bem afirma minha amiga virtual Lucitia, então, não precisa amar a minha transformação, mas convenhamos que dá para fazer do móvel sem personalidade algo bem cheio de...


(Orgulho da mãe: roupagem nova e ares novos na casa, pena que a foto seja tão ruim...)

Talvez você odeie rosa e não goste do estilo que crie. A idéia, entretanto, é pensar a renovação e a transformação do velho. Daria para ter feito algo total diferente, por exemplo, se eu tivesse feito com tons de azul claro e azul marinho... feito uns listrados com quadrados. Entende?

Fiz decoupagem no móvel, dando esse ar meio romântico, de senhora cuidadosa, como eu imagino que fora um dia a senhora que dele cuidou, e que combinavam com as peças de vidro achadas depois, o lustre e o espelho.

Fiz tudo numa manhã de sábado aqui em casa. Ângelo ainda me ajudou a esparramar a cola e toda vez que passa no corredor diz que foi seu "tabalhu".

Juro que amei tanto o resultado que fiquei olhando pro móvel um dia inteiro. Tirei fotos e mostrei para meus amigos. Fiquei tom orgulhosa de mim e da renovação.

Ele tá novinho. tem gavetas onde guardei minhas coisas femininas de higiene. Como minha casa tem o estilo modernoso coloquei essa decoração num corredor quadradinho, onde não destoa do resto dos móveis e ajudou a dar um toque clássico e aconchegante no corredor frio que ia pro meu quarto.

(De cara nova: com a decoupagem e outra vida)

Fiquei ainda mais feliz quando vi uma reportagem de um casal holandês que saiu numa reportagem de uma revista do IKEA daqui na mesma semana que eu havia feito as transformações. Eles são o que se chama casal do futuro. Consomem com responsabilidade e tentam renovar tudo o que podem. Ela adora garimpar em lojas de segunda mão e tem um ateliê em casa. Ele, jornalista, também trabalha em casa e é membro do partido verde da Holanda. Ambos têm paixão pelo que tem história e por atitudes que preservem natureza.

Sei que no Brasil tem muita gente que já faz o mesmo e gente de muito gabarito, como Joãozinho 30 que lembro de admirar ainda adolescente. Eu ainda preciso aprender a consumir muitas outras coisas com maior responsabilidade, mas essa paixão por objetos com história eu tenho ha tempos mesmo.

Foi uma pecinha só, embora eu já fosse "catadora de lixo" aí no Brasil também e frequentadora de brechós e loja de segunda mão para comprar objetos de decoração.. Agora, entretanto, com o lixo que alguns de meus vizinhos malucos põe ali no saguão debaixo eu estou virando profissional. E a verdade é que tenho adorado a idéia. É como se eu mesma tivesse criado o móvel. É uma sensação melhor do que a de só comprá-lo numa loja... Cê tá me compreendendo? E ainda fica com a cara da gente, tem uma identificação enorme com o nosso estilo sem contar mesmo essa idéia de que sei que seria mais um lixo acumulado no planeta.


(Detalhe do móvel pronto e a amiga Liana no espelho)

Por hoje vai esse. Se você preferiria manter o móvel como estava já vale a idéia de tê-lo pego para você ou para alguém que precisasse. E, como eu disse, ainda que você não goste dos tons e tal, se você for dos que adoram transformar e criar a receitinha é a seguinte:

1. Compre papel de presente sem ser laminado, brilhoso por fora. Melhor que seja mais áspero.
Escolha duas ou três estampas diferentes, todas elas casando os tons. Não precisa ser o mesmo desenho. Escolha, por exemplo, um de listras e outro de bolinha. Um de flor e outro de listras...

2. Junte o material: papel de presente, alguns decalques, cola de bastão, tesoura, estilete e verniz especial para decoupage.

3. Comece limpando a superfície do móvel a ser renovado e espalhe a cola do bastão por partes.

4. Cole imediatamente o papel nas partes onde deseja fixar aquela cor. Veja que eu usei estampa diferente nas gavetas para variar com o restante. Vá colando por partes para que a cola não seque.

5. Aperte a mão e alise a superfície para que não fiquem bolas ou dobraduras. Recorte algum canto que sobrou com estilete e cole todos os cantinhos para não ficar nada saltado.

6. Faça isso até forrar todo o móvel.

7. Cole por cima do papel de presente alguns decalques assimetricamente, se gostar deles.

8. Passe uma demão do verniz em cima do papel. Ele vai penetrar e ficar transparente. Deixe secar. Passe outra demão e está pronto.

Se alguém se arriscar aí a fazer o mesmo me mande a foto. Vou adorar publicá-la aqui no blog. E se quiser sugetão de cores também é só dizer. Eu adoro dar pitaco na decoração alheia.

Agora um beijo, um queijo e boa noite que eu preciso tomar banho e passar uns cremes que estão ali na minha coiffeuse... :)

(Detalhe do móvel com a decoupagem: selos com rosas e escritos de "feito a mao")

21 outubro 2009

Chatos e chatas de galochas



Gente boa,

Quer dizer que tem muita gente por aí que adora galochas coloridassas, ou nem tanto, e morre de vontade de ter uma?

Eu não fazia idéia... A verdade é que quando me dei conta de que galochas era algo assim do mundo fashion e que celebridades eram fotografadas com as tais eu já tinhas as minhas amarelinhas de florzinhas cor de rosa.

Acho que a paixão veio de ver que uma botona típica de peão, de borracha e tudo o mais poderia ter cores tão maravilhosas, tamanhos e modelos variados. Como não acho que justifique comprar uma nova para mim toda nova estação eu vivo variando as do Ângelo.


(Celebridade do filme X-Men, que eu não sei o nome, mas que tem um bom gosto danado: ama galochas longas e coloridas e sombrinha de bolinha...)

A criançada por aqui usa diariamente na época das chuvas. Só lembrando que não dá para usar galochas com frio mesmo. Elas não esquentam para o inverno daqui. Dei umas lindonas pra minha mãe (brancas com flores pretas) e ela usa na horta dela. Disse que são excelentes, deixam o pé sequinho e quentinho. Quentinho no Brasil né? Aqui fica quentinho se tiver acima de uns 12 graus, senão tem que ser bota com forro e tudo.


(Angelinho pequenininho e fashion com galochas de tigre, outono de 2008)

Bonus... vi que gostaram e vi que pediram provas de que maridom engenheiro teimoso Renato usou as minhas emprestadas... Tive que recuperar a foto que estava escura e dar uma "trabalhada nela", se vocês me entendem, e deixá-la mais discreta...

Outra coisa foi que a própria irmã do próprio o chamou de chato de galochas e pediu para que eu fosse mais a fundo na questão dessa velha expressão brasileira, nome aliás que eu tinha dado para um post antigo que eu tinha salvo aqui no micro sobre as minhas galochas.

O chato todo mundo sabe o que é. É o cara ou a cara que persiste, persiste até convencer o outro do que pensa... E mesmo que ele, ou ela, não tenha certeza de estar certo é insistente, resiste aos nãos e vai mandando ver na chatice. Entendeu? Resistente que nem as galochas que, no início, eram usadas mais moles e eram usadas para proteger os sapatos da chuva e da lama.

Eu conheço umas pessoas assim que vivem na minha casa, são do sexo masculino e tem mais de 3 anos de idade... Sim, meu maridon engenheiron é sim um chato. E depois da fota que tenho dele sabemos todos que ele é também um chato de galochas... Ele é o tipo que diz não, não, não, não atééé você cansar e dizer: "tá bommmm! eu faço..."


(Renaton, com as tais galochas amarelas minhas, cuja foto cortou, sorry... rs, lá no meio do pessoal logo no momento de tirar as gaiolas de lagostinhas da lagoa, Småland, setembro de 2009)

Daí que eu tava pensando que ele é chato, mas problema é que eu também sou a maior chata. E sou chata de galochas amarelas de florzinhas cor de rosa. Não insisto nos mesmos pontos que ele, mas insisto em outros e eles são assim cheios e detalhezinhos. Tenho minhas manias com arrumação da casa, por exemplo, que deixam meu chato de cabelo em pé comigo.

Outra coisa que sou o tipo São Tomé. Não adianta dizer que é assim e não argumentar comiga... Ontem mesmo minha amiga Liana me corrigia na classe e eu disse: "acho que não é isso não..." e ela tava certa, mas eu só dou o braço a torcer se tiver prova, entendeu?



(Conrado, o marido charmoso de nossa amiga Mônica, provando que sueco típico manda ve as galochas na hora de pescar e que macho que é macho combina galocha com cerveja na mão, Småland, setembro de 2008) ...)

Bom, eu também tava pensando que você aí também deve ser um chato. Ou uma chata. E o que sei apenas é que a maioria de vocês é um chato, ou uma chata, sem galochas. E um chato e chata que talvez queiram ter galochas. Veja que o ponto de vista da discussão galochiana de um blog de uma chata de galochas pode ser uma coisa pra lá de chata, não é mesmo?

Paremos com tudo isso e venhamos com as fotas, como diz minha amiga virtual Camilinha, a qual eu não sei ainda se é chata com ou sem galochas.


(A amiga Xu de galochas rosa com florzinhas vermelhas em pose de "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado", provando que galochas não servem só para enfeitar, mas também vão bem na caça e com um looking mais agressivo... Småland, setembro de 2009)

Só tenho a dizer ao povo que: se tem vontade de ter galochas não passe vontade. Mande o marido chato sem galochas pisar na água de tênis, mande a verguenza embora e compre as suas. No Brasil - ainda que eu nuunca tenha visto alguém com elas - há para vender sim e em muitos lugares segundo vi na net. Eu posso começar a exportar algumas da Suécia, mas vai custar um pouco caro... primeiro vou exigir que vocês contem uns segredinhos como, por exemplo, qual é a sua maior chatice da paróquia? No que você insiste que é uma coisa e que merecia o prêmio galocha do ano?

Conta que concorre a uma galocha lindona da Suécia... Palavra de chata. De galoc.... ops! vocês já sabem...

...

Update: eu não sei fazer aqueles risquinhos e acrescentar novidades no texto, então só para dizer que a fota anterior não agradou o homenageado e, embora ele tenha dito que não adiantava mais eu mudar a fota eu mudei. Essa foi tirada na mesma ocasião, so ele ainda estava com as galochas. Ainda que vocês não consigam ver quem tava lá sabia... hohoho...

19 outubro 2009

Panteras de galochas: você é a galocha que você compra

(Mônica, com uma das galochas da Ângela, Liana, eu, Ângela e Xu, Småland, setembro de 2009)

Há uns quase dois anos, estava eu toda serelepe pelo centro da cidade quando vi, na vitrine de uma loja do centro de Malmö, as minhas apaixonantes, radiantes e exuberantes galochas. Por aqui é muito comum usar as tais galochas por essas épocas de frio, quando há também muitos dias de chuva. As super botas de borracha, sempre bem confortáveis, lembram aquelas dos peões de fazendas, porque servem mesmo para meter o pé na lama ou na jaca. Elas mantém os pézinhos secos e quentinhos e são um "must" se você se mete a pescar lagostinha no meio do mato, como tentamos fazer mês passado...

(Só os pezinhos 37, 38 e 39 na pista: todas as galochas que vocês quiserem comprar!, Småland, setembro de 2009)

Bom, sucedeu-se então que, naquele dia, não pude resistir e comprei meu par de galochas amarelas com florzinhas cor de rosa, juntamente com outro par rosa de florzinhas vermelhas. Foi tão difícil decidir qual das duas era mais linda que quebra comprei esse outro par e dei de presente de aniver para minha amiga Xu naquele ano de 2007.

Muitos meses e meses se passaram e minha galocha linda amarela continua me acompanhando no mato ou na cidade... Sim! eu sei que tenho mucha personalidade tché, porque não é qualquer maluca que sai de galocha amarela de florzinha cor de rosa, nem mesmo na Suécia, mas eu sou assim que se há de fazer?

Eu poderia até inventar uma filosofia de botequim sueco que seria assim: você é a galocha que você compra!

(As famosas Panteras em imagens nunca antes vistas: Pantera Liana, Pantera Somnia e Pantera Angelinha arrasando na noite no meio do mato em Småland, setembro de 2009

Fato é que mês passado minhas amiga de plástico se encontrou num fim de semana com outras amigas coloridas e finalmente eu tive material para fazer esse post que sempre sonhei sobre ela.

Foram as galochas da Li, da Xu, da Ângela e as minhas parceiras de todo um fim de semana... Até o maridom que se recusa a comprar uma para ele pegou as minhas fofas emprestadas e ficou um chuchu.. pena eu não poder pôr uma prova aqui, já que corro o risco de acabar com a carreira de homem sério dele...

(En gång till... De novo de um outro jeito agora: Panetera Xu, Pantera Somnia e Pantera Liana, Småland, setembro de 2009)

Bom, é isso. Um post só para que vocês confiram uma das coisas que mais adoro no meu guarda roupa sueco e como a minha discrição não é exceção por aqui. Vejam, inclusive, como aquelas famosas Panteras ficaram ficar ulh ulh ulh com elas...

14 outubro 2009

Recados e recordações

(Ângelo com o mesmo biquinho que ele tem no quadro , ao fundo, que pintei de nós três... Em casa, brincando na semana passada, Malmö, outubro de 2009)

Gente querida,

Recado número 1:
Tô na labuta da colorida Suécia e não tive tempo de postar. Tenho "corrido" atrás de papeladas, reuniões para ver o que consigo fazer de diferente ano que vem por aqui. Além disso, tenho sempre uma lista infindável de coisas que ficam pendentes no fim do dia e ai! fico louca que nunca consigo dar conta!


(Ângelo me ajudando a fazer "nhoc nhoc da Wilma" na semana passada... Agora eu entendo porque eu amava ficar com minha mãe em casa a tarde... Foi um dia inesquecível entre mãe e filho, Malmö, outubro de 2009)



Recado número 2:
Queria agradecer o record em comentários que o último post, "A Suécia e a Suécia colorida da Somnia", recebeu. E não só pela quantidade, mas porque o que disseram me deu uma coisa danada de boa... Acabei de responder todos os comentários feitos neste post, mas não ainda nos outros debaixo... Sorry, mas eu o farei sim! só não dá para ser agora. Prefiro fazer bem feito que fazer só por fazer...

Eu não entendo às vezes como é possível receber tanto carinho e sentir-se tão próxima de gente que nem conhecemos, nunca vimos... mas é assim que sinto, super próxima de vocês.


(Ângelo pedalando e correndo atrás dos pássarios dos campos em frente de casa, Malmö, outubro de 2009)



Recado número 3:
Esse post aqui é um álbum de família. E divido com vocês... Eu preciso pôr fotos do Ângelo para mim mesma aqui, como maneira de recordar momentos que eu não quero deixar passar. Tenho posts em mente que nunca tenho tempo de escrever, então as fotos tentam compensar a falta deles. O álbum é sobretudo para as vovózinhas Maria e Irene e tiazinhas Sandra, Dri e Vanessa e tiozinho Lê e nos sobrinhos Luana, Júnior e Gustavo que estão no Brasil. O Ângelo cresce e cresce. Eu babo no jeito fluente dele de falar português, em como fala sueco tão certinho e como o "Ângelo é esperto!", como ele mesmo disse de si próprio semana passada. Esperto e modesto, eu diria. Eu vou falhar em muita coisa como mãe, com certeza, mas baixo estima ele não vai ter com certeza! hihihi...


(Ângelo "pitando" um quadro lindo no ateliê da mamãe! "eu não consegue mamãe!", Malmö, outubro de 2009)


Recado número 4:
Ainda tá em tempo de mandar fotos e algumas palavras sobre o post "Leitor, mostre sua cara!" (borboletapequeninanasuecia@gmail.com). Eu recebi coisas tão lindas, a carinha de gente bonita e sorridente. Foi quase um ato de confissão, sabe? Achei muito especial vocês me mandarem tanta coisa... Claro que como eu sou enrolada e perfeccionista ao mesmo tempo, eu ainda não concluí o post... Preciso de um programa para montar fotos melhor que o montafoto, alguém pode me sugerir? Eu quero um post lindão, por isso não o fiz ainda.

Recado número 5:
Tô fazendo curso de cerâmica. Não tinha tido tempo de dizer ainda... e logo quero compartilhar minhas pecinhas com vocês.


(Inverno é tempo de receber amigos em casa e ir na casa deles... Ângelo e Gigi em casa cantando ABBA no karaokê, Malmö, outubro de 2009


Recado número 6:
O dia amanheceu com 2 graus aqui. Começa uma expectativa de dias mais e mais frios e da neve... No início, juro, é uma delícia! Essa atmosfera quieta... tudo lá fora azul e ensolarado, mas frio e frio... Adoro... só não adoro que dure 6 meses! hihi...

Recado número 7:
Ótima quarta-feira! Ótimo dia de trabalho, de estudo, de enrolação, de tudo! e um beijo bem grande na bochecha de cada um que por aqui passa...



("A vassoura varre varre..." E inverno é tempo de inventar tudo para se divertir à beça em casa... Ângelo fingindo ser o Júlio do Cocóricó. Malmö, outubro de 2009)

06 outubro 2009

A Suécia e a Suécia colorida da Somnia

(Eu na estrada, em frente às plantações de canola, Malmö, primavera de 2007)

Há muitos e muitos meses atrás me veio o tema deste post na cabeça, mas foi só vendo (com atraso) a idéia da criativa blogagem coletiva da Ciça, o qual eu sobe através da querida Lu, que resolvi arregaçar as mangas do meu pijama de florzinha e escrevê-lo.

(Selinho da blogagem coletiva sugerida pela blog da Ciça)

A idéia veio depois de eu ver que, em resposta a alguns textos, algumas pessoas haviam me escrito comentários nos quais elas sugeriram que obviamente eu só podia ser feliz na Suécia, dado o lugar maravilhoso que é.

Se não maravilhoso, muita gente enfatizara o quanto deve ser bom viver aqui. Morar na Suécia? Uau! Que sonho! Ainda que para alguém isso possa soar como pesadelo, para muita gente que aqui passa parece que eu vivo meio que um conto de fadas ou de madame.

Lembro de ler uma leitora carinhosa que vive aqui perto de Malmö dizer que ela teria certeza que tudo correria bem em seu parto, já que eu havia dito que meu pré natal na Suécia tinha sido realmente muito bom.

A verdade é que a realidade pode não ser bem assim.

Se é bom viver na Suécia? Bom, a resposta é: depende de quem é ou era você antes de lhe surgir a idéia de vir para cá.


(Eu, com a sogra Irene e a Tia Lourdes em frente ao Torso, num ventão danado, Malmö, outubro de 2009)

Há inúmeras e inúmeras coisas que me incomodam aqui e uma delas, por exemplo, é ter a super dificuldade de conseguir falar diretamente com qualquer pessoa da área de saúde. Tudo na Suécia, no que diz respeito à saúde, é feito via telefone antes. E então é preciso descobrir os números, ficar na linha de espera, falar em sueco ou inglês e explicar seu problema primeiro para depois conseguir agendar alguma consulta.

E então, para começar a história toda, você pode odiar viver aqui porque o sistema de saúde sueco não tem absolutamente nada a ver com o brasileiro a começar pelo fato de que ele é praticamente todo público. Não há a exclusividade com o médico como se tem no Brasil com os planos privados e exames são feitos quando os médicos entendem que eles realmente sejam necessários.

E aí eu deveria lembrar também que se você decidir vir morar aqui deve estar preparada ou preparado para as grandes dificuldades da área de beleza. Os serviços são extremamente caros o que faz com que deixar seus pés e mãos perfeitinhos toda semana seja um luxo que algumas suecas que conheci o fazem apenas em festas muito, mas muito especiais, como casamentos. Prepare-se para gastar de 250 a 300 reais por semana caso sonhe em ter unhas e pés feitos por outra pessoa.


(Um dos cantos da vila Viking,Höllviken, outubro de 2009)

O mesmo vale para depilação, corte, tingimento dos cabelos. Para tingir o meu, curtinho, a última pessoa me pediu 300 e aí quem pintou foi uma amiga.

Bom, então precisa começar a pensar que quem vive na Suécia precisa dar conta de cuidar de sua beleza por si mesma e, talvez de vez em quando, poder pagar para ter umas horas de madame.

Outros serviços que deixam a vida aqui um pouquinho só trabalhosa é o fato de não termos porteiros. Nem ajudantes e faxineiras de prédio. Quem limpa os corredores dos prédios, os jardins, garagens etc, salvo algumas exceções, são os próprios moradores. Há rodízio pré estabelecido para o ano inteiro em muitos prédios e não importa se seu dia caia num dominguinho, num feriadinho quente ou muito frio, é sua tarefa e de sua família cuidar do que é de todos. Tem gente que fura, mas a maioria cumpre.


(Uma das vistas de casa: um barquinho vai pelo mar Báltico e a ponte que une a Suécia e a Dinamarca, Malmö, outubro de 2009)

E como não tem o porteiro Zé não tem também aquela chance de dar uma ligadinha básica na portaria e pedir pro cara consertar isso ou aquilo. Não tem como pagar uns trocados por uma pintura do apê ou para carregar a mudança. Não há porteiro Zé nem ninguém que se submeta a carregar, limpar, cortar grama, pegar seu lixo e fazer o serviço literalmente sujo por uma graninha. A maior parte tem seu próprio trabalho, onde ganha provavelmente algo parecido com você e cuida de tudo isso que você também precisa cuidar. É o caso de Rasim, rapaz que trabalha no meu prédio e é um faz de tudo, mas tem o mesmo carro importado que nós e mora bem como a maioria aqui. Muita gente que vai fazer-lhe a unha pode ter viajado mais que você e falar um inglês de cair o queixo. Além disso, todo mundo sabe que sendo a oferta pequena é preciso valorizar o preço e o trabalho, principalmente se é algo que a maioria não sonha em fazer, como depilar "las partes íntimas" (usando um termo genérico, já que não consigo ser clara como a Braxt) e cabeludas de outra pessoa.


(Eu e Ângelo brincando em playground na vizinha Copenhaguem, outubro de 2009)

Os suecos, devo afirmar, são um povo simples. De vida regrada e comedida. Voltam para casa cedo, cuidam dos filhos e da casa e viajam praticamente só nas férias do meio do ano. Por outro lado, eles tem "luxos" que nós brasileiros lutamos uma vida toda para ter: têm escola pública de alta qualidade a vida toda. De graça. Têm saúde e aposentoria garantidas pela vida toda. São mais ou menos independentes desde os dezesseis até o fim de sua vida.

Sendo simples a vida por aqui é difícil ver suecos esbanjando dinheiro em muitos carros na garagem ou muita roupa de marca. Obviamente há um ou outro que goste disso, mas é exceção, não é bem visto pela maioria e não é o sonho de consumo da maioria. Aliás, por falar em carro, quem tem quase sempre lava o seu próprio, como meu vizinho quase dinamarquês. Ele comprou um conversível para o verão, mas estava a montar algumas peças e lavando o carro sozinho no fim de semana. Lava-jatos, como temos no Brasil, também são um "luxo" que poucas pessoas se dão. Há pouquíssimos lugares, sendo que a maior parte deles são aqueles que você coloca a moedinha e fica a lavar tudo sozinho. No frio, inclusive. Fiz isso com 8 meses de gravidez e algumas vezes mais e daí passei a bola pro marido, já que ele prefere fazer tudo à moda sueca também.


(Vilinha onde passamos o fim de semana pescando e comendo lagostinhas, Småland, outubro de 2009)

Não há como não lembrar que sendo a Suécia um país onde seis meses do ano é frio a gente pensa o tempo todo em pedir uma pizza quentinha pelo serviço de delivery e esperar em casa enquanto um motoboy traz o jantar. Nem pizza, nem comida japonesa, chinesa ou o que seja através de um motoboy. Em Malmö toda há um serviço de entrega de pizza e não quer dizer que os suecos se matem para tê-lo. É possível pedir uma comida para take away, mas aí é você mesmo quem vai buscar no restaurante, independente dos 20 ou zeros graus que possam estar fazendo no termômetro.

Eu tenho uma lista infindável de itens que podem dar uma melhor idéia de que viver na Suécia pode ser um pequeno pesadelo, dependendo do ponto de vista de quem a analisa.

Já ouvi brasileiros, portugueses e outros dizendo a quatro ventos que os suecos são frios, sem graça, chatos e preconceituosos. E também que a Suécia é horrível de se viver porque o frio é insuportável. Ou que aqui não tem toda aquela ginga que a gente tem no Brasil e toda aquela comida boa... Veja que, independente do que seja a Suécia, se ela será ou não boa para se viver depende mais é do julgamento de cada um.

Sem arroz e feijão todo dia na mesa, sem sua família por perto, sem cerveja na praia, sem bares abertos pela noite toda e shopping que fecha as 5 da tarde no fim de semana. Isso é o que eu vivo e tenho aqui e a Suécia, para a Somnia, ainda assim, ainda é extremamente colorida.


(Uma casa no campo e na praia ao mesmo tempo... Alles Stenar, outubro de 2009)

O mesmo que eu vejo com olhos super polianísticos alguém pode ver como algo horrível. Eu respeito o jeito sério dos suecos, primeiro porque os suecos não são brasileiros. Eu respeito e admiro a cultura sueca porque eles conseguiram criar um lugar onde se vive sem medo do que vai acontecer se eu estacionar o carro na rua e não num lugar privado. Não há temor pelo futuro dos filhos na escola ou na universidade. Todos eles poderão estudar, trabalhar, viajar e conhecer o mundo. Todos terão educação e cultura.

Não há medo que eles sejam atropelados a qualquer preço no trânsito maluco e nem que eles não voltem porque levaram um tiro perdido na rua. Eles provavelmente nunca serão sequestrados. Não é preciso pensar que alguém que me acompanha do mesmo lado da rua a noite queira me assaltar ou fazer mal a mim ou quem amo. A segurança na Suécia é algo sem preço para quem vem de um país como o Brasil, assim como a igualdade social. Aqui não se vê favelas e não é ver a favela que me incomoda, mas viver com a idéia de que outras pessoas vivem assim. O sistema daqui permite que as pessoas tenham mais ou menos o mesmo padrão de vida, o que faz com que a gente não sinta o peso da culpa de parar em cada semáforo e ver a miséria do outro. Viver sem medo e sem culpa não tem preço, ao menos para mim. E é por essas e outras que eu vivo cantarolando em cima de minha bike Madalena.


(Lourdes, eu e Ângelo e Vavá Irene, curtindo a paisagem em Alles Stenar, outubro de 2009)

Eu me irrito ao telefone por tentar marcar o médico, mas eu sei que o preço de um serviço público e igualitário para mim e para qualquer outro que seja é esse. Poderia ser melhor, diferente, talvez, mas funciona e mantém índices baixíssimos de mortalidade infantil, sem contar que a expectativa de vida é pelo menos dez anos mais que em nosso país.

Não tem faxineira, nem cozinheira, nem jardineiro. É a gente mesmo quem limpa, lava, passa, pole, planta, replanta, lava janelas ou o que seja. Madame é o que não dá mesmo, nem em sonho, para ser na Suécia e em muitos países da Europa. Por outro lado, não há milhares frustrados porque nunca tiveram opção de estudar e porque não têm um trabalho com o qual ganhem o mínimo para levar uma vida decente.

Não tem babá, mas os pais têm escolha de ter licença remunerada até um ano e meio depois do nascimento do bebê. A mãe, sozinha, pode tirar um ano se quiser, mas pode dividir com o marido após os seis meses do bebê.

É frio, mas o espaço público é muito bem cuidado e posso brincar com meu Ângelo em todo canto da cidade. Passo mais tempo fora de casa na gélida Suécia em uma semana, inclusive nos seis meses do inverno, do que consegui ficar em dois meses de férias de verão no Brasil. Passsear não significa ir ao shopping. Conversar não significa falar em frente à TV. Respeitar o outro significa cuidar da esfera pública como se fosse minha.


(Eu e Ângelo brincadno na neve nos campos de futebol que ficam em frente onde moramos agora, fevereiro de 2009)

A minha Suécia colorida não é tagarela como meu Brasil caloroso e cheio de afago, mas me sinto em casa nela. Me sinto respeitada toda santa vez que atravesso uma faixa de pedestre.
A minha Suécia colorida é cinza de novembro a maio, mas me dá quatro estações incrivelmente maravilhosas e diferentes para se viver.
A minha Suécia é dura comigo, me exige que eu deixe de ser a Sônia que fala português, mas me acolhe quando falo inglês em qualquer canto ou me dá um sorriso quando ouve dizer de onde venho.

A Suécia não é o Paraíso que você espera. Ela nem mesmo é Paraíso para quem nasceu aqui e não é para mim, mas ela pode ser - assim como qualquer outro lugar do planeta onde a gente se prontifique a não só comparar e querer transformar como o canto de onde veio - um lugar muito, muito bom de se viver. Depende mesmo é o quanto você consegue se abrir para o novo e não só desejar o velho. Depende do quanto gosta de se arriscar, de aprender, de levar bordoada da vida sabendo que em todo canto haverá uns dias de choro e outros de muito riso.

A escolha de ficar listando e reclamando da lista de coisas diferentes e impossíveis de se ter é só nossa. Posso lamentar tudo o que disse acima todos os dias ou posso curtir a paisagem que vocês vêem aqui.

Eu não quero dizer com isso tudo que "tá vendo, tem coisa positiva e negativa no Brasil e tem coisa positiva e negativa na Suécia". Isso para mim é óbvio. Eu quero dizer que a conclusão do que tiramos de um lugar e do que ele possui tem a ver com o que somos e esperamos. Com o que desejamos para nós mesmos e o mundo. Eu amo o Brasil de paixão e é meu lugar, mas eu devo enfatizar que, para alguém que estudou por anos e anos filosofia, crítica social, manipulação de massas, ética e moral, a Suécia está muito dentro daquilo que eu admiro, daquilo que eu espero o Brasil e muitos lugares do mundo tomem como exemplo.

A Suécia não é necessariamente colorida. Ela o é para mim, apesar dos pesares.

A escolha depende da realidade, mas depende também das lentes que escolhemos usar a cada dia...


(Minha amiga Juliana levando o cachorro de outra amiga para passear no quintal de seu prédio, outono de 2008)