29 novembro 2007

"Black is beautiful"


("Dora", Somnia Carvalho, 2004. Inspirado na faxineira costureira Dora que conheci em São Paulo. Releitura de Isabelle Tuchband - Coleção: Daniela Morassutti Zuim)

"Hoje cedo, na rua Do Ouvidor
Quantos brancos horríveis eu vi
Eu quero um homem de cor...
"

Luana, aquela adorável sobrinha, fez um comentário sobre si mesma e sua cor esses dias, quando o assunto era a "branquelice" do Ângelo e do Júnior:

"- Eu pioro quando tomo sol."

E eu voltei a me lembrar dessa sua frase "que faz pensar" ao ouvir novamente um cd da Elis e pôr mais atenção à letra da gostosa "Black is Beautiful".

A música, que já começa com grande ousadia ao chamar os brancos de "horríveis" (sobretudo se pensarmos trinta anos atrás), inverte o preconceito que a minha pequena sobrinha já sofre e no qual, ela mesma, já acredita.

(Os lindos e diferentes Luana e Ângelo)

Pensei ainda que as suecas provavelmente adorariam esta canção e concordariam com Elis Regina. Aqui, ser loirinho, de olho azul e cabelo fino não chama atenção. O diferente é bonito. Se aí tingimos nossos cabelos para nos aloirar, aqui "Black is beautiful".

Quando vim pela primeira vez para a Suécia, em outubro do ano passado, a impressão que eu tive, na cidade universitária de Lund, era que estava havendo um congresso de beleza na cidade... cheio de modelos femininos e masculinos desfilando de bikes, com pernas à mostra, com cabelos massageados com mousse e seus belos olhos azuis a brilhar na pele clara.

E pensei: "Como são lindos os suecos."

Claro que eu estava aplicando meu padrão ocidentalizado de beleza...provavelmente um padrão preconceituoso e colonizado de beleza. Entretanto, se você gostasse da idéia de ser atendido num café por algumas Anas Hickmans ou ver um repositor de supermercado estilo Brad Pitt e Matt Damon, você também concordaria comigo. Isso se os branquelos lhe apetecem.

Mas a verdade é que esses moçoilos perdem para os brasileiros morenões, mulatos e negros que por aqui passam. As suecas (e isso é depoimento de amigo nosso solteiro, branco, que tentou - e muito - conseguir uma namorada suequinha) gostam mesmo é de "um homem de cor". Se tiver cabelo rastafari, hum... melhor ainda.

O mesmo ocorre com os homens. Nossas morenas, mulatas e negras parecem ser as únicas desejadas por aqui. E não tem mesmo como negar que a beleza de Juliana, uma carioca que conheci, da Márcia, cearense, Ivone e Ivani, baianas, e outras mais, se destacam na multidão e atraem olhares.

Metade das mães jovens, bonitas, inteligentes e atraentes (como eu), que participam do grupo de mamas que frequento, são casadas com estrangeiros morenos, ou ao menos, cabelo escuro. Talvez Malmö seja exceção ao restante da Suécia, já que aqui há mesmo milhares de imigrantes. Não sei dizer muito mais que aquilo que vejo aqui onde vivo e não vou discutir neste post o provável preconceito de uma outra geração ou de uma parcela dela. Aqui tô tomando essas pessoas - que não são poucas - para quem o diferente é o que atrai.

(Luana provando pela primeira vez a diferente comida japonesa, comigo e com Dri. O sushi e sashimi que, segundo ela, apesar de ser peixe cru, eram "muito bons")

O fato é que eu deveria conseguir trazer a linda, morena e perpicaz Luana para cá quando ela fosse mais mocinha, para que ela percebesse que as Barbies que ela venera e que os bobinhos da escola dela não sabem que ela é uma pérola morena para os belos escandinavos (ou os homens da tribo do Norte, como minha linda amiga Inara os chama).

O que a muito jovem e inexperiente Luana ainda não sabe - mas a tia metida à filósofa sonha em poder ensinar - é que é preciso questionar sempre: padrões, comportamentos, pré-conceitos e imaginar uma outra verdade, outra realidade, bem diferente daquela que nos acostumamos a acreditar. Questionar e duvidar foi o que comecei a aprender bem com René Descartes, um dos primeiros filósofos que estudei na graduação, e que tentei me especializar ao me tornar íntima de Theodor Adorno, no meu mestrado.

Pena eu não saber disso antes, quando me chamavam de Olívia Palito, Pau de virar tripa, e outros elogios mais, na infância, durante o ginásio inteiro, quando o modelo rechonchudinha ainda estava em voga e minha "magrelice e cumprideza" fugiam aos padrões rigorosos das crianças e adultos da época.

Bom, antes tarde...

28 novembro 2007

"Black is beautiful", Elis Regina

Aqui, vocês têm a letra de "Black is Beautiful", tema do post acima.

Black is Beautiful

Música de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle

Interpretação: Elis Regina

"Hoje cedo, na rua Do Ouvidor
Quantos brancos horríveis eu vi
Eu quero um homem de cor
Um deus negro do Congo ou daqui

Que se integre no meu sangue europeu

Black is beautiful, black is beautiful
Black beauty so peaceful
I wanna a black I wanna a beautiful

Hoje a noite amante negro eu vou
Vou enfeitar o meu corpo no seu
Eu quero este homem de cor
Um deus negro do congo ou daqui

Que se integre no meu sangue europeu

Black is beautiful, black is beautiful
Black beauty so peaceful
I wanna a black I wanna a beautiful"

27 novembro 2007

Brobizz ou manuell?


(Renato piadista, em trem na Bélgica, 2006)

Há 10 meses, quando cheguei por essas bandas de cá, uma coisa que quase enlouquecia a gente eram as placas cheias de "palavrões" suecos. Isso porque os suecos adoram palavras grandes, looongas, cheias de consoantes que dão um nó na cabeça de qualquer falante de língua latina.

Algumas que tô tendo que traduzir esses dias num formulário:
sjukpenningnivå
föräldrapenning
omfattningen
skattepliktiga
e por aí vai...

É mais ou menos parecido com o alemão no sentido de que vai se juntando uma palavra na outra, sem espaço e aí você forma uma nova palavra. Além disso, tem umas letras que não existem na nossa língua, como por exemplo: å, ä, Å, Ä, ö, Ö. Um pouco pior é você conseguir distinguir a diferença entre um e outro, porque esses "as" podem ter som de "ô" ou "é" e o "ö" "som de um ô com boca aberta que é quase um "uuuu" com um bocão feio assim....

No dinamarquês tem ainda um "o" maluco, cortado ao meio. Com esse aí eu tive pesadelos, logo que cheguei. Sonhava que um tal O gigante, cortado ao meio, vinha pra cima de mim e queria me comer... hahaha... Era assustador... É verdade...

Esses dias, em passeio pela Dinamarca, acabei por me lembrar dessa época em que as placas nos assustavam e nos cansavam terrivelmente. O que acontece, me explicou minha amiga Daniela Ângelo, é que o cérebro fica tentando loucamente decodificcar, decifrar tudo que está lendo.


(Placas indicativas de estradas do sul da Suécia, foto de Caetano Pinto)

No Brasil, você não deve mais perceber as placas de trânsito ou outras informações no caminho de seu trabalho. Seu cérebro conhece tudo isso e não precisa mais "trabalhar". Quando você chega por aqui (prepare-se tia Dri!) qualquer informação escrita passa por um "trabalhão" no seu cérebro, que quase pifa porque "trabalha, trabalha" e não tem resultado nenhum, A gente decodifica muito pouco do que vê e lê.

Mas... como vocês sabem que eu, e meu super companheiro do jogo do contente, o Renato, não nos deixamos abater por pouco, isso logo virou piada. Da parte dele, claro, porque eu sou a "romântica" e ele o piadista da casa.

Ao cruzar a fronteira Dinamarca x Suécia, a gente precisa passar pelo pedágio (sem funcionário), pagar uma pequena fortuna e atravessar a grande ponte que separa Copenhaguem de Malmö. Então vê-se duas placas gigantes:

Brobizz
Manuell

Na primeira vez, Renato espertinho deduziu que ele não tinha Brobizz e que, portanto, deveria ter que passar pelo "manuell", que lembrava manual. Passamos, mas a palavra engraçada - Brobizz - que deve ser o nome do ticket que você compra antes para passar pela ponte (Bro), virou sempre motivo de riso pro Renato. Ele diz: "ih, não tenho Brobizz..." e cai na risada.



E então... esses dias, indo lá pro Museu de Loisiana, a gente deu de cara com o mesmo pedágio de novo e os mesmos escritos. Eu comecei a rir sozinha ao ler Brobizz... mas explodi ao ler "manuell"... Me lembrei das nossas piadas sobre portugueses em que o personagem "burraldo" (*) é sempre o Manuel e não me aguentava de rir, pensando que teríamos de tomar o "manuell" para atravessar a ponte.

E nós dois ficamos uns vinte minutos rindo feito crianças...

Mais à frente, por causa do congestionamento... uma placa digital dizia em dinamaquês algo do tipo... "Verub...blablabla.. forudeu".

E eu, que a essa altura já estava atrás com Ângelo que chorava, viro pro Renato e pergunto: o que tá havendo?
Ele, sem dúvida nenhuma, responde: "Hum... parece que fod..."



E então, mais uma sessão longa de risos.

....

(Renato piadista II, no Jardim des Tuileries, Paris, 2006


Moral da História:
Mesmo quando você não tem certeza se escolhe seguir pelo caminho do Brobizz ou do manuell e algo à sua frente ainda lhe disser "forudeu", calma... ainda há motivo para rir.
Ou ainda: não importa como você atravesse a ponte (Bro), se de bizz ou de "manuell", importante mesmo é atravessar de bom humor.
HEJ DÅ!

(*) burraldo: muito, muito burro. Palavra pertencente ao vocabulário Irenístico, da minha sogra Irene.

26 novembro 2007

"Bendito seja o mesmo Sol"


("Sol levantando-se do trigo", Vincent Vang Gogh)


Aqui a manhã de segunda-feira, que começou com chuvinha e 1 grau, já começa a clarear. Para celebrar o dia e o Sol que tenta aparecer por entre as nuvens, uma bela poesia e duas belas pinturas...
Ótima semana para nós!


Bendito seja o Mesmo Sol
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz meus irmãos todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu,
E, nesse puro momento
Todo limpo e sensível
Regressam lacrimosamente
E com um suspiro que mal sentem
Ao homem verdadeiro e primitivo
Que via o Sol nascer e ainda o não adorava.
Porque isso é natural — mais natural
Que adorar o ouro e Deus
E a arte e a moral ...

(in: Jornal de Poesia)



("Semeador que ajusta o Sol", Vincent Vang Gogh)

23 novembro 2007

Somnia Pollyanna Deslumbrette de Carvalho eleita Embaixatriz


(Os Alces, símbolo da Suécia)

Pessoal,

Na semana passada a Fernanda Burmeister (minha amiga Fer), de São Paulo, foi a nossa visitante 5.000.

Vocês sabem que agora a gente tem leitores em vários estados brasileiros né? E que, escapando-me, o blog deixou de ser um contato com a família e com amigos próximos para se aventurar com leitores pela Suécia, Finlândia, Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Inglaterra, Estados Unidos etc... Todos brasileiros ou falante de Português que vivem fora de sua terra natal.



Pois bem, ontem recebi uns telefonemas importantes.

Fredrik Reinfeldt, primeiro ministro, e novamente ela, a simpática Princesa Vitória que sempre nos apóia aqui, me pediram que eu aceitasse o cargo de Embaixatriz da Amizade entre Brasil e Suécia.

Segundo eles, não há na Suécia toda quem faça melhor propaganda do povo sueco e do país que eu e meu blog contente. Quer dizer, eles sabem que o país é citado no mundo todo como tendo alto grau de desenvolvimento e tal, que é exemplo de uma sociedade socialista que "deu certo", mas que faltava, ainda, tentar colorir um pouco mais a fama negra de povo frio que os suecos têm.

Disseram eles: "sua senso de humor e sua jeito de ver as nossos pontos positivas ajudar-nos bastante nas relações com Brasil e povos que falam Português."

E eu: "Mas eu não "hablo niente inte" de sueco". Ao que eles responderam:

- Nesta momento, mais importante é sua Português e sua blog feliz.

Acabaram me explicando que parece que até subiu um pouco as expectativas de turismo para ano que vem etc, já que gente que nunca pensou em visitar esses lados, agora já cogita isso. Exemplo é tia Dri que deve chegar daqui uns dias.

Mas eu não vou ganhar nada com isso. Quer dizer, este negócio de Embaixatriz da Amizade virtual é só um título, virtual.


(Vitórinha, como eu chamo a Princesa pelo telefone, com as flores que ela disse que iria me mandar)

Fiquei pensativa em silêncio e os caras do outro lado insistindo. Me explicaram que a única coisa necessária era que eu continuasse a fazer exatamente o que venho fazendo, isto é, enfatizar o que acho gostoso e bom daqui e do povo. Continuar a ver um lado positivo até mesmo no que é considerado esquisitice como, por exemplo, a moda de agora que é vestir só preto, feito urubu pela rua, até o inverno acabar.

Segundo eles, a faixa será passada adiante quando encontrarem uma substituta, ou substituto, alguém que seja ainda mais deslumbrado e mais otimista do que eu.

Parece que vai ter uma festinha aqui com leite gelado, paõzinho com pimentão e pepino, um pessoal dançando assim sem ritmo e por aí vai... Mas como até a comemoração será virtual, vocês estão super convidados e serão muito bem vindos nesta terra geladinha, mas gostosa pra caramba.

....

Falando sério agora: viver aqui tem umas muitas dezenas de dificuldades e desafios muito difíceis. Eu escolho, entretanto, falar aqui aquilo que, para mim, é curioso, interessante, diferente ou que eu simplesmente queira lembrar e contar. Mas eu vou me alongar sobre isso em outro post, outro dia, porque eu preciso conseguir fazer textos mais curtos e essa brincadeira já levou linhas demais.

Hej då! (tchau)

22 novembro 2007

A língua materna é como a casa da gente ou "O que é que a baiana tem?"


("Minha baianinha preferida", foto de Eric Feathers)

Essa semana foi incomum.
Em 10 meses em Malmö eu havia feito amizade com apenas uns quatro brasileiros.

Isso porque eu sempre sou do tipo que se optou por uma experiência quer a coisa toda. Com tudo que tem direito.
Por essa razão, morar fora do Brasil significa, para mim, mergulhar na cultura do outro país. Conhecer gente e lugares que me permitam sentir, ao máximo, a experiência de estar ali. E isso tem me levado a entrar em grupos de mães suecas, levar o Ângelo em atividades culturais daqui, tentar aprender a difícil língua etc.

Pelo mesmo motivo eu não entendo muito quem vive tanto tempo num lugar e ao menos não tenta aprender a língua local ou procura estar o tempo todo apenas com gente de seu próprio lugar ou então vive numa procura desesperada por manter sua vida "de antes" neste outro contexto, num saudosismo que, eu acho, deixa de ser saudável. Talvez eu só pense isso por estar aqui de passagem e não definitivamente. Talvez...

Por outro lado, eu "adoro imenso" encontrar minha amiga portuguesa, Maria, para tomarmos um café e caminharmos pelas ruas da cidade... Ouvir seu belo "purtuguês de Purtugalll" é uma delícia, bem como é muito gostoso poder falar minha tão amada língua.

Foi essa sensação muito gostosa que tive esses dias em alguns encontros com brasileiros muito legais que vivem aqui.


(O super casal anfitrião, Ângela e Kenth e Ângelo de butuca no fotógrafo. Infelizmente não sobreviveu nenhuma boa foto do restante do pessoal que tava no almoço).

Domingo, por exemplo, num almoço muito carinhoso oferecido pela Ângela, uma carioca muito "xenti boa" para seu marido sueco, bem abrasileirado, e aniversariante do dia, o Kenth. Conosco, minha amiga Xu e mais duas brasileiras com seus respectivos maridos, um sueco e um finlandês.

No momento da refeição, dei uma olhada para a grande mesa de oito lugares e pus me a prestar atenção naquelas pessoas todas, que antes não se conheciam, a falar por uns trinta minutos a respeito dos ingredientes da feijoada. Ângela havia se esmerado em buscar linguiças, carnes, feijão, tudo que pudesse estar mais próximo dos sabores de nossa terra.


(O tema do dia: a feijoada da Ângela)

Foi curioso então perceber que o que nos unia ali não era uma amizade antiga. Tampouco eram afinidades eletivas muito fortes, como as que a gente às vezes procura e exige para iniciar um novo encontro. Não. Foi o Português (não o Luiz Felipe, marido de minha amiga Maria), que nos uniu em torno da mesa e o fato de que, como brasileiros, pudemos nos entender (no sentido amplo do termo) tão bem. Pudemos participar e comungar de um "mesmo passado" e uma mesma raíz.


(Cristina, seu simpático marido finlandês, de nome difícil, Kenth e a feijoada)

A mesma língua que fez com que eu me sentisse novamente "em casa" num café amigo oferecido pela Ivone, uma baiana arretada que vive aqui também. Eu já havia sentido a mesma coisa ao conhecer uns dias antes sua jovem e falante irmã, Ivani.

A espontaneidade das duas com certeza tem a ver com seu jeito baiano feliz de ser, com sua educação familiar, mas creio que também com a soltura que a língua lhes permite. O prazer de ouvir gostoso sotaque e o jeito de falar em discurso indireto (e eu disse à minha irma: "Irmã, isso sempre foi assim") das duas e de me expressar livremente não pode ser comparado às conversas que tenho com suecas ou outras imigrantes. O inglês não me permite tal liberdade, ainda que a pessoa seja muito agradável e que eu adore o conteúdo da conversa e eu me divirta com ela.

Falar minha língua materna aqui me causa, por algumas horas, a sensação de estar aí, no Brasil, de novo.

Não só ouvir Português, mas falar Português no dia-a-dia é uma das coisas que mais tenho falta. Com ele posso ser mais engraçada, mais criativa, mais solta, mais inteira e mais firme nas minhas colocações, porque tenho uma variedade gigante de palavras ao meu dispor. E meu desejo "idiota" e irrealizável seria que eu pudesse falar Português com os suecos, enquanto eles falariam sueco comigo, para que houvesse uma troca perfeita. .. Coisa de gente maluca, claro.

Viver fora, ao meu ver, exige a necessidade do mergulho na cultura local, mas esta troca que venho tendo com brasileiros daqui funciona como uma fonte de energia. Faz eu me lembrar da minha terra e dos valores que nós temos. Faz a gente se sentir acolhida de uma forma que só o brasileiro sabe fazer e como a Ângela e seu marido nos fez sentir em sua casa sueco-brasileira.

Sem falsa demagogia ou pensamentos senso comuns demais, a verdade é que esse jeito brasileiro é nosso jeito mesmo. É peculiar e poder ter um pouco disso mesmo estando longe daí, não tem preço.


(Finalmente uma foto dos três juntos. Aqui, na cozinha aconchegante do Kenth e da Ângela)

Para celebrar esse nosso encontro brasileiro, no link ao lado, uma música que aprendi a amar e ouvir aí nas vozes de alguns amigos. A eles (Dri Silveira, Cleber e Elisa) um oi especial!

21 novembro 2007

Do quase anonimato à fama


(Sandra (a corredora número 3.000 e 4.000) e seus mais queridos, Jim e Sophia)

Vocês se lembram da minha amiga Sandra? Sim, aquela amiga de infância que me dava beliscões se eu chegasse antes dela na kombi do padeiro?
Então, ela anda fazendo isso até hoje: além de correr e ter sido a visitante 3.000 do blog e receber homenagens nossas, ela conseguiu correr ainda mais e chegar novamente no momento em que o contador virava para 4.000 visitantes. Eu imagino que ela deva ter dado alguns beliscões virtuais em alguém, mas a mulher é poderosa...

Bom, já que a fama internacional a trouxe de sua vida tranquila e comportada em Detroit para a fama internacional, resolvemos que a menina merece uma entrevista, para que ela possa mostrar sua "cara" e não me deixar mentir...

Agora é torcer os dedos e ficar de olho na largada, porque logo devemos chegar ao visitante 5.000 e, por favor, não tenham medo dela! Deixe uma mensagem se você for o visitante 5.000 que eu prometo não deixar que você sofra.


(Sophia, em comemoração do Halloween este ano. Ano que vem ela terá a companhia de um irmãozinho que já está com 6 meses de gestação e poderá usar o que aprendeu com a mãe contra o irmâo)

- Seu nome?
O atual é Sandra Tinos Reynolds, o anterior era Sandra Mara Tinos.

- Você trabalhava como?
Área administrativa. Fui gerente de auditoria por 9 anos no Brasil e nos EUA na PricewaterhouseCoopers (onde também conheci o meu marido) e dois anos e meio em uma empresa america de rádio e televisao como gerente de relatorios para a bolsa de ações de Nova York.

(Vejam que ela chegou longe com a garra (ou seriam garras?) dela)

- Atualmente?
Nos últimos 6 meses tenho feito o meu trabalho mais difícil, porém o mais gratificante de todos, o de mamâe em período integral, e tenho adorado cada momento.

- Nos fale de três paixões:
My hubby Jim, uma pessoa que tem um coração do tamanho do mundo, marido amoroso e companheiro; pai dedicado; trabalhador incansável; minha filhota Sophia, uma pessoinha linda, amável e que me coloca à prova (de paciência) diariamente, mas que me faz sorrir como ninguém e minha querida sobrinha Bruna, que carinhosamente chamo de Bruneca.

- Três livros favoritos:
"Tuesdays with Morrie by Mitch Albom" (A Última Grande Lição), "Anjos e Demônios, "10 Conversations You Need to Have with your Chidren by Schmuey Boteach".

- Três filmes que veria de novo:
Não tenho o hábito de assistir muitos filmes, prefiro usar esse tempo para uma boa conversa com amigos, mas alguns que gostei: "Something about Mary" e "City of Angels".

- Três coisas simples que adora fazer:
Jogar tênis de manhâ, me ajuda a comecar o dia com mais disposicao; tomar uma taça de um bom vinho junto com meu maridao em frente à lareira de sala, embora o que eu adore fazer mesmo seja ver o sorriso da Sophia acordando todas as manhãs, me dizendo: 'Hi!' e me entregando voluntariamente sua chupeta.

- Três lugares que recomendaria:
Lauzanne, Suiça - para um autêntico foundue de queijo num restaurantezinho local, com linda vista para os Alpes; Eze, França e Parati. Adoro aquelas ruazinha cheias de história com casas autênticas de um tempo que já se foi, e um passeio de barco pelas ilhotas...que saudades!

- Três personalidades que admira:
Walt Disney, um homem de visão; Albert Einstein, um homem à frente de seu tempo; Jim Reynolds, um homen real, nao de visão, mas de coracao e em tempo real.

- Três frases ou palavras que gosta de repetir:
"I Love you", para minha família, "There is no try, do it or do not, try is lack of commitment" and "If there is nobody dying or in a hospital bed, then things aren't that bad...Stop complaining."

(ps: A entrevistada pediu que eu traduzisse as frases porque o Português dela anda ruim... mas já que o Inglês é quase a língua oficial dela agora, achei mais expressivo deixar assim... e é claro que isso não tem a ver com a dificuldade que eu teria em traduzir tais frases de forma correta...)

Beijos e obrigada pelo carinho... Sandra.

19 novembro 2007

"Love of my life"


(Três diferentes, grandes e valiosas paixões que tenho na vida: Lu e Ju, os sobrinhos e Angelinho)

Esses tempos atrás minha amada sobrinha, Luana, perguntou à minha mãe:
"Vó, você tem sonhos na vida?". Ao que minha mãe respondeu:
"Tenho fia, e você?". E ela:
"Eu tenho três grandes sonhos: conhecer uma cachoeira de perto, ter um quarto só para mim e que minha tia Sônia volte daquela Suécia para que eu não tenha mais que falar nesse computador lento com ela".

Uma das coisas mais difíceis na vida é que ao escolher um caminho a gente se desvia de outro e que toda opção obriga-nos sempre a uma renúncia. O grande desafio talvez seja escolher sempre a estrada onde cremos poder somar mais realizações e sorrisos que frustrações e lágrimas e aproveitar tal escolha embora, claro, a saudade daquilo que poderia ter ocorrido de vez em quando nos acometa.

............

Aqui vai um texto que há muitos anos eu cultivo, releio e repasso, já que um email de uma querida ex-aluna ontem, a Cindoca, me fez lembrar dele e das minhas grandes paixões...

"Aquilo por que vivi"

(Bertrand Russel)

"Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso, instável, por sobre o profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero.

Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que – afinal – encontrei.

Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui.

Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a construir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por avaliar o mal, mas não posso, e também sofro.

Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade."

(Autobiografia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.)

ps: no link do lado direito do post você pode ouvir uma maravilhosa canção pra este dia: "Love of my life", com Fred Mercury

17 novembro 2007

O desafio e a arte de desnudar-se


(Lucian Freud em seu ateliê, foto de David Dawson, reprodução feita de www.louisiana.dk)

No domingo passado estivemos, eu, Renato e Ângelo, no Museu de Arte Moderna Louisiana, que fica próximo a Helsingorg, no lado dinamarquês.

O museu e o lugar onde fica, por si só, já são, como diz minha amiga Maria com seu sotaque português, "unn issschpétáculu".
Com paredes de vidro para vários lugares do jardim e com vista para o mar que divide a Dinamarca da Suécia, as instalações do museu já valeriam a pena o passeio.

De dentro de seu baby byorn, colado ao corpo de seu pai, Ângelo também pareceu encantado com o passeio e com as pinturas.

Tivemos a sorte de encontrar duas grandes exposições temporárias. Uma delas de maravilhosas criações do fotógrafo Richard Avedon, famoso nos anos 60 por fazer belas fotos para o mundo da moda, sobretudo para Coco Chanel, e por criar fotos extremamente expressivas de artistas da época, como a reproduzida abaixo do teatrólogo Samuel Beckett.


("Carmem", foto de Richard Avedon)


(Samuel Beckett, foto de Richard Avedon)

A outra exposição temporária era de "cair o queixo": várias obras de colecionadores particulares de Lucian Freud.

O artista, neto do pai da psicanálise, Sigmund Freud, tem uma obra marcada pela exposição do eu, num momento em que a psicanálise começava a ser incorporada ao mundo da arte e que se dá através de uma obra figurativa. Muitos retratos de busto e diversos nus.

Embora eu já tivesse visto bastante de sua obra no Tate Modern, em Londres, só nesta exposição no Louisiana é que pude ver também os fortes e incômodos retratos.


("Cabeça dormindo", Lucian Freud, 1979-80), Private Collection, Photo: Courtesy Acquavella Contemporary Art, Inc.

A pintura de Lucian Freud é tão expressiva quanto ele próprio. Está longe de ser algo suave, de funcionar como enfeite de parede na casa de alguém. Sua pintura incomoda, embora seja, de vários pontos de vista, extremamente bela.

Seja nos pequenos retratos de rosto ou nas telas gigantes dos nus a sensação é que Freud desnuda o seu motivo. Desnuda porque seu jeito de pintar, suas pinceladas, quase sempre em tons ocres, amarelos e marrons, revelam sempre um personagem desnudado. A pele está à mostra. Mas mais que isso, a pessoa, ela mesma, está nu diante de quem contempla a tela. Nu no sentido de que suas maiores angústias, sua solidão, sua fraqueza é revelada. Até os dois ernomes retratos da velha mãe do artista em suas roupas normais causa a mesma sensação.


("Garota em vestido verde", Lucian Freud)

Lucian Freud, no meu ponto de vista, soube compreender tão bem o que seu avô buscou com a psicanálise. Esta, assim como suas telas, trazem o sujeito, o que de mais profundo há no sujeito, à tona. Ela vai arrancando as várias camadas que o eu ou os outros criaram a respeito dele. A pintura do Freud neto, bem como a psicanálise do Freud avô, mostra que, no fundo, bem lá no fundo, todos nós somos extremamente frágeis. Todos nós temos um mundo particular que tentamos preservar. Todos criamos máscaras (no caso de Lucian, as roupas) para nos proteger. Não à toa temos tanto medo de nos desnudar. De ir mais fundo em nós mesmos. Não à toa, creio eu, tanta gente tem medo de tirar a roupa, de fazer terapia, de conhecer-se a si mesmo, admitindo os defeitos físicos e emocionais e colocar, então, seu eu mais frágil e desconhecido à mostra.

Tirar a roupa dos seus personagens, usar a tinta de uma forma excessiva e criar um ambiente quase sempre "torto", com uma perspectiva discorcida, permite a este pintor criar uma pintura que, ao mesmo tempo em que choca e questiona, encanta.

Ao meu ver, a estranheza e o desconforto inicial do visitante diante das telas de Lucian Freud, bem como do sujeito que se põe a analisar-se e ser analisado, podem levar a resultados muito profundos, inesperados e até mesmo agradáveis.

Lucian Freud mostrou-se a si mesmo em suas pinturas, porque usou sua própria arte para se desnudar, muito mais que desnudou o outro.

16 novembro 2007

Fyra månade från Angelito



Hoje, dia 16, faz quatro meses que o Ângelo nasceu.

Todo mundo sabe que há dezenas de razões para não se ter um bebê. Entre tantas eu diria que continuar sendo a mesma pessoa e ter a possibilidade de continuar fazendo todas as coisas muito legais que você sempre fez seria a principal delas.

Mas eu percebi nessas semanas que há dezenas de outras razões para amar a nova vida que um bebê pode lhe trazer.
Você pode ser obrigado a mudar, mas verá que muitas outras novas possibilidades se abrem. E se descobrirá feliz, extremamente feliz e agradecido por poder experimentar esse seu novo lado, essa nova pessoa e esse novo jeito de viver.



Ouvir o barulhinho do bebê acordando no outro quarto e correr para ver seu sorriso largo e gostoso,
Beijar, beijar e beijar seus pezinhos fofos e delicados enquanto troca-lhe a roupa,
Acariciar sua pele suave e perder-se por algum tempo contemplando sua perfeição.
Sentir seu rostinho e seu cheirinho enquanto ele tem a cabeça colada ao seu pescoço ou
Brincar, rolar num tapete colorido e ficar encantado com a rapidez com que ele aprende tudo
são algumas das deliciosas, simples e abençoadas (como diz minha mãe) coisas que uma criaturinha assim pode proporcionar.

O grande problema é que você só conseguirá acreditar em mim se experimentar.
Eu como só acreditei vendo, tô aqui para incentivar.

Nesse manhã de 16 de novembro já abracei demoradamente a pequenina pessoa que tenho aqui e sei que o pai também o fará assim que chegar de viagem, porque com o Ângelo percebemos ainda mais o quão bela é a Vida (com V maiúsculo).

* A tradução para o título informal que inventei e que tá em sueco seria "Quatro meses de Angelito".

15 novembro 2007

"Gracias a la vida"


(Kerstin em sua sala, com havaianinhas penduradas ao lado de seu broche de barnmörska)


"Hay hombres que luchan un día: son buenos.
Hay hombres que luchan un año:
son mejores...
Hay hombres que luchan una vida: estos son los
imprescindibles."

(O autor é Bertold Brecht e o poema é bastante conhecido também em espanhol, na voz de Mercedez Sosa)


Há nove meses atrás, quando cheguei em Lund aflita para começar meu pré-natal nesta terra que era uma total icógnita para mim, conheci Kerstin Nilsson.

O espanhol que nos uniu inicialmente, já que a primeira barnmörska que me atendeu achou que Kerstin seria mais indicada para cuidar de uma brasileira, acabou por ser pouco "hablado" nas consultas. Foi em inglês mesmo que recebi as orientações, cuidados e conselhos. Foi em inglês que tirei minhas dúvidas, falei dos meus medos a respeito do parto, abri meu coração.

Creio que sua formação, enfermeira obstetra, aliado ao fato de ser mulher e mãe, somado ainda à sua vivência de trabalho na Nicarágua e, portanto, sua sensibilidade para uma pessoa mais "latina" como eu, fez com que Kerstin fosse a médica que eu nunca tive aí no Brasil.


(Kerstin com a pequenina vida que ela, de certa forma, ajudou a trazer ao mundo)

Eu precisaria gastar muitas linhas para explicar a sensação de conforto e tranquilidade que foi me tomando a cada consulta.

E ao contrário do que nossa imaginação a respeito de uma "parteira sueca" poderia criar, a Kerstin mostrou-se longe de qualquer estereótipo: amável, franca, sorridente, muito, mas muito carinhosa. (Eu já falei bastante a respeito de sua competência num post em julho a respeito do parto natural na Suécia)

Há uns dois meses tivemos o que seria nosso último encontro. Quando percebi que não a veria mais, caí no choro e comecei a agradecer todas as coisas que ela havia feito por mim. Kerstin tirou os óculos e enxugou as lágrimas. Disse que o carinho era recíproco.

A pedido meu tivemos então mais um encontro para que eu pudesse levar alguns presentinhos brasileiros e ter ainda mais uma conversa. Entre os mimos que lhe entreguei estava este chaveirinho das Havainas que ela fez questão de pendurar no bolso.

Como eu não pretendo encontrar a Kerstin tão cedo, já que ela cuida apenas de mulheres grávidas, eu dedico este post simples, mas que foi escrito do fundo do coração, a uma das mulheres mais marcantes que conheci até hoje.

Agradeço à Vida por me proporcionar encontros como este e por me mostrar que em qualquer canto do mundo é possível sentir-se "em casa".

11 novembro 2007

Pijamas, Pijamas, Pijamas... Pijamas Quentinhos...



Eu sou adepta dos pijamas.
Eu sou completamente louca por pijamas e se pudesse teria um guarda-roupa deles.
(Aí vai uma boa dica de presente... pra mim!, rs...)

Adoro tomar banho no início da noite e pôr um bem bonito, gostoso e, numa noite como a de hoje que deve chegar a -4, quentinho...

Mas uma coisa que enlouquece qualquer mãe, tia, vó, amigos (e até os pappis) são os pijamas para bebês que encontro aqui.
Eu não entendia muito do assunto até ter um bebê, então eu não costumava comprar os tais pijaminhas nas lojas de bebês do Brasil e não vejo a hora de conferir.

Os que encontrei aqui são ultra confortáveis. São inteirões, fáceis de pôr no bebê e meio ao estilo daqueles que aqueles "véio de filme antigo" usavam, sacou?

Cada um que encontro fico querendo comprar pro Angelito e levar um pra cada bebê de amiga aí do Brasil. Tem aos montes e pra tudo quanto é gosto.

E essa coisa gostosa de que tô falando me fez lembrar um livrinho infantil lindo que eu tinha aí no Brasil. O título "Dez coisas simples que eu adoro" (acho que era assim mesmo) trazia coisas simplesinhas e deliciosas que a autora gostava, com direito a desenhos adoráveis e rima engraçada.

Se eu fosse escrever as "dez coisas simples que eu adoro", entre elas eu com certeza colocaria: "vestir um pijama limpinho e fofinho" e "dar banho no Angelinho e depois vestir um pijama limpinho e fofinho nele"

O Angelinho, "rapaz latino americano nascido lááá na Suécia" (como canta o pai dele), concordou em nos ceder fotos de sua intimidade escandinava para que possamos ter uma pequena amostra do que estou dizendo...
Sorte minha também, já que alguns leitores começam a reclamar quando o blog tá ficando semangelinho demais.

Bons sonhos para vocês...


Aqui, na versão listras descoladas: com 1 mês de vida.


De fantasminhas, com 1 mês e meio. Comprado aqui mesmo em Lund pela avó dele, a Vavá Irene.


Versão gatinho. Acordando no colo da tia Dri no Brasil (que proibiu o aparecimento dela de pijama...), com 3 meses.


Estilo garoto levado, na casa da vó Maria.




Aqui, em modelito moderninho, na semana passada, comprado pelo pappis: listras vermelhas e listras pretas estilo "prisioneiro".

07 novembro 2007

Por que os suecos são, literalmente, um povo fino?


(Belo prato preparado, fotografado e devorado "by my self", por mim mesma)

POR QUE OS SUECOS SÃO "FINOS"?

Os suecos são todos finos, literalmente falando, isto é, magrinhos.
Quando digo todos quero dizer a graaande maioria. Os mais gordinhos são realmente exceção.

Mas o resultado da "finesa" deles não tem a ver com a nossa. Nós brasileiros, sobretudo as brasileiras, estamos mais preocupados com a barriga que não podemos ganhar ou que precisamos perder até o verão quando usaremos aquele biquini branquinho maravilhoso. Quero dizer nossa loucura em comer de vez em quando bem é normalmente mais motivada pela obscessão (dos outros conosco) com o padrão magro de beleza do que pela saúde. O resultado é mais culpa e insatisfação do que a tal magreza.

O segredo do sucesso aqui na Suécia é uma educação correta pra alimentação que começa em casa, logo nos primeiros meses e que depois é reforçada do jardim da infância em diante.

As crianças suequinhas aprendem, desde pequenininhas, que devem comer todos os alimentos do círculo da alimentação. Nada de comer mais batata que legumes, ou mais pães que carnes. Tudo deve ser balanceado. Num dia a criancinha e o adulto sabe: precisa comer todos os alimentos importantes ao seu desenvolvimento (carnes, carboidratos, legumes e verduras, frutas, derivados do leite etc). Se não comeu no café ou no almoço precisa comer na janta.

Contudo, isso passa longe de obrigação. Ontem mesmo, no grupo de mães suecas no qual eu frequento, as quais têm bebês na mesma idade do Ângelo, a gente recebeu orientação da enfermeira Inga lil sobre como fazer quando formos introduzir os alimentos para os bebês. Não adianta dizer: "tem que comer brocóli porque é bom!", disse ela. "Cozinhem, comam o brócoli ou o que seja e ele verá que deve ser gostoso ou ao menos é bom comer". Em outras palavras: não dá pra educar bem uma criança na alimentação se minha mensagem é "coma o que eu digo, mas não o que eu como". Parece óbvil, mas a gente, aí, quase não faz.

Eu não tô dizendo que no Brasil todo mundo coma mal, mas que a maioria de nós come mal: não só porque falta dinheiro, falta educação que muda o hábito. O enfoque no hábito sueco, como eu disse, é outro: comer bem significa ter uma vida saudável. Viver mais e melhor. Chegar aos 60, 70 anos e estar pedalando pela cidade, conseguir levar sua vida sem precisar viver de remédios. E isso um sueco ou uma sueca aprende desde muito cedo na vida. Não à toa também é difícil encontrar crianças obesas e que a expectativa de vida aqui seja de 72 anos, dez a mais do que no Brasil.

Somada a essa conduta super "bonitinha e certinha" na alimentação tem, claro, os exercícios físicos. E embora seja um lugar onde é frio metade do ano, tem poucas academias. O que "pega" mesmo é andar de bicicleta. Pedalar, andar diariamente ao ir para o trabalho, ao fazer as compras, ao passear etc. Inclusive foi muito estranho como eu senti saudade de andar a pé, empurrar o carrinho do Angelito aí pelas ruas de São Paulo nas três semanas que estive no Brasil. A gente se acostuma rápido ao que é bom.




"SE NÃO TEM ARROZ, FEIJÃO E CARRRNE NÃO DÁ PARA VIVER"... SERÁ?

Bom, mas voltando ao tema de hoje (que foi inspirado pela boa cobrança da minha amiga blogueira, Andréa, cujo blog - http://af1001coisas.blogspot.com/ - sempre tem dicas deliciosas de comida, eu tenho uma receita bem sueca.

Quando estive aí uma pergunta que todo mundo me fazia era: "E aí, já se acostumou?", que vinha quase sempre seguida de outra: "O que é que vocês comem?, tem arroz e feijão?".

Tem, mas não é comida sueca. Tem no supermercado se você quiser comprar, mas não em restaurantes. Os escandinavos substituem o arroz pela batata. Tem batata de tudo quanto é jeito e são deliciosas. Feijão só se for branco, dos grandes, numa salada.

Tem arroz e feijão se quiséssemos, mas nós praticamente não comemos. Já não comíamos aí no Brasil. É claro que adoooro um bom prato de arroz quentinho, feijão novo, bife saboroso e salada ou batata frita. Mas a gente sempre gostou mesmo de variedade e talvez isso tenha ajudado a gostar do que tem aqui também, embora eu tenha demorado algum tempo para começar a fazer pratos como uma mãe sueca.

Demorei quase um ano para entrar no esquema "coma bem, mas seja rápida no preparo, querida!", mas agora tô gostando bem da idéia e do sabor.


RECEITA DO DIA:

Minha receita de hoje é tipicamente sueca por várias razões:
- é muito saudável, contém quase tudo da rodinha da alimentação
- é muito rápida (preparo em 5 minutos, mais rápido que escrever este post que já tá demorando uns 15)
- é bonita e colorida, ou seja, é atraente aos olhos, logo, ao estômago.

Os ingredientes foram todos comprados praticamente prontos pelo Re no supermercado:
- salada de batata com temperos e pedacinhos de camarão cru
- salada de espinafre (já comprada lavada) com rabanete .
- carpaccio de salmão cru temperado.

O que eu fiz então?

Coloquei estes ingredientes todos no prato, temperei com um pouquinho de shoyo (escolha minha) e em 5 minutos tinha minha refeição pronta. A diferença é que eu companhei com um suco de frutas e não com um copão de leite puro como eles gostam por aqui. Eu também não tô assim tãoooo sueca e já seria demais!

Sobremesa? Sim... pode! Comi um delicioso muffin de chocolate, coisa em que eles são especialistas. Se eu estraguei a refeição com o muffin? Não, porque tá dentro da rodinha e na quantidade certa!
Resultado: não me transformei na mulher mais "fina" do mundo, mesmo porque eu sou bem mais grossa (literalmente falando) que a maioria das suecas, mas com um bebê de 4 meses, gostosamente ativo como é Angelito, eu até que consegui ter uma refeição muito " das boas": deliciosa...saudável e, no meu caso que importa muito, fácil e rápido de fazer!!!


(Combinação sueca perfeita: boa alimentação e pedaladas)

Quer se assuecar você também?

05 novembro 2007

"A universalidade da música" ou "Uma sueca, uma brasileira e uma canção para uni-las"


(uhlll!! Uma música, e eu unida a muita gente no meu casamento, janeiro de 2002. Foto de Rafaela Azevedo)

Esses dias, num raro momento, vi um trecho de um curioso programa sueco na TV.
Um apresentador e um visitante (que me pareceu ser alguém famoso aqui ao que entendi) falam a respeito de música e canções prediletas do entrevistado.

Naquele dia uma sueca muito simpática escolhera a canção " Bridge Over Troubled Waters", do Paul Simon e que ficou conhecida na voz dele com Garfunkel nos anos 70 e também com a interpretação monumental do Elvis.
Eu entendi um pouco dos comentários que eles fizeram, mas ouvi muito bem a canção que foi tocada integralmente no programa.

Em uns segundos me senti há muuuitos anos atrás, quando eu, ainda criança, ouvia essa música no Brasil. Não sei exatamente onde eu ouvia, mas me lembrei de Simon e Garfunkel. Me lembrei da sensação maravilhosa de ouvir a combinação perfeita daquelas duas vozes.

Foi então que percebi que, embora eu gostasse tanto da música, só naquele momento me dei conta da letra... Uau! dei um suspiro! Que lindo! Que maravilha de letra! Perfeita combinação entre letra e música Por essa razão, mesmo não conhecendo a letra lá em minha pré-adolescência, eu sabia... tratava-se de algo muito profundo.

Uma descrição poética e perfeita do amor. Do amor doação que raramente encontra-se por aí e que poucos são capazes de dar ou se você preferir (e por que não?) do amor divino para com suas criaturas.

Ao terminar a reprodução do concerto do Central Park no programa, a câmera voltou-se para a sueca simpática. Ela estava com os olhos emaranhados em lágrimas enquanto eu, do outro lado da tela, tinha a saliva presa na garganta.

Neste manhã fria (8 graus), linda e ensolarada, uma canção para a gente celebrar o encontro com essas pessoas que cruzam nosso caminho e se dedicam a ser pontes quando as águas estão agitadas demais a nossa volta.

E brincando de Blitz e de programa de rádio da adolescência eu dedico esta canção a todos vocês que passarem pelo blog, em especial a uma das pessoas mais lindas que conheço, o Renato.


(Eu e Renato, transportados por uma música qualquer ao nosso silêncio, janeiro de 2002. Foto de Rafaela Azevedo)

Por favor pare uns minutos. Clique no link do lado direito da tela. Ouça essa maravilhosa canção e se una a mim e a sueca simpática neste dia...

Bridge Over Troubled Waters
(Ponte Sobre Àguas Agitadas)

Paul Simon & Art Garfunkel/Elvis Presley

When you're weary, feeling small,
When tears are in your eyes, I'll dry them all.
I'm on your side, oh, when times get rough,
And friends just can't be found,
Like a bridge over troubled water,
I will lay me down,
Like a bridge over troubled water,
I will lay me down.

When you're down and out,
when you're on the street,
When evening falls so hard,
I will comfort you.
I'll take your part,oh,
when darkness comes,
And pain is all around,
Like a bridge over troubled water,
I will lay me down,
Like a bridge over troubled water,
I will lay me down.

Sail on silvergirl,
sail on by,
Your time has come to shine,
all your dreams are on their way.
See how they shine,oh,
if you need a friend,
I'm sailing right behind,
Like a bridge over troubled water,
I will ease your mind.
Like a bridge over troubled water,
I will ease your mind.

.....

Ponte Sobre Àguas Agitadas
Simon&Garfunkel/Elvis Presley

Quando você estiver cansada, sentindo-se insignificante,
Quando lágrimas estiverem em seus olhos, eu vou secá-las todas.
Estarei do seu lado, quando os tempos ficarem difíceis
E amigos simplesmente não puderem ser encontrados,
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu me estenderei.
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu me estenderei...

Quando você estiver desanimada,
Quando você estiver na rua,
Quando a noite cair tão rigorosa,
Eu te confortarei,
Eu ficarei do seu lado.
Quando a escuridão chegar,
E a dor estiver em todo lugar,
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu me estenderei.
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu me estenderei...

Navegue adiante, garota prateada,
Navegue além.
Sua hora chegou para brilhar,
Todos os seus sonhos estão encaminhados,
Veja como eles brilham...
Se você precisar de um amigo,
Estarei navegando logo atrás.
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu acalmarei sua mente.
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu acalmarei sua mente...

02 novembro 2007

Caraaaamba!!! Antes que o visitante 4.000 bata à porta...



... deixa eu homenagear o visitante 3.000, como havia prometido.

Eu tava pensando neste post para daqui uns dias, antes que a gente chegasse às quatro mil visitas, mas o contador acelerou demais esses dias e lá vou eu então...

A visitante 3.000 foi a Sandra. A Sandra Mara ou Mala como sempre a chamei.
Sandra é minha amiga de infância.
Crescemos juntas lá na vila, em Sumaré.
Quando crianças disputávamos quem chegaria primeiro à kombi que trazia os pães da tarde, com direito à beliscões quando a outra ganhava.
Quando tínhamos uns sei lá quantos anos eu, ela, minha irma Sandra, a irmã dela, Marília e a Ana, outra vizinha, brincávamos de ser "Menudo", ou imitávamos o Michael Jackson dançando brega e gostosamente na garagem de nossas casas. Era uma festa... E vejam que nem tudo está perdido quando temos gosto ruim pra música na adolescência. rs...

Muito tempo passou. Crescemos. Estudamos. Trabalhamos. Casamos. Fomos mães. Moramos fora.
Sandra tem uma linda menina (com o Jim, um americano dez que ela achou perdido em São Paulo). Há oito anos eles vivem próximo a Detroit e têm a linda Sophia (na foto acima com Sandra), enquanto um outro bebê está quase chegando por lá.

À Sandra. À sua amizade. Ao prazer que foi um dia eu saber que ela também lia este blog diariamente e às amizades duradoras e saudáveis, obrigada!!!

ps para Sandra: não deu para esperar as fotos do Halloween!!!
ps para visitante 4.000: deixe registrado quem foi você!

Ser mãe e ser pai é...


(Ângelo em um dos seus duzentos e cinquenta e tantos banhos tomados no Brasil em bela foto tirada pela tia Dri)


Ser mãe e ser pai é...
acordar mais cedo só pra poder segurar o bebê antes de ir para o trabalho e
ficar embasbacados em volta do berço vendo-o acordar cheio de graça e de sorrisos.

Ser mãe e ser pai é...
esperar ansiosos pelo fim de semana
para aprontar travessuras todos bem juntinhos.

Ser mãe e ser pai é...
trocar as notícias do jornal por curiosos relatórios sobre os ais e uis que o danadinho vem fazendo e
discutir meia hora antes de sair sobre qual gorro será o mais adequado para aquela ocasião.

Ser mãe e ser pai é...
é recuperar um ternura, uma ingenuidade e uma alegria esquecidas na infância
ao mesmo tempo em que se sente uma adulto responsável por outra vida.

Ser mãe e ser pai é...
olhar-se como cúmplices de uma bela e incrível criação
e sentir-se ainda mais participante do grande mistério da vida no universo.


("Hum... com quem sera que ele se parece?" ou Cara de um, biquinho de outro)

ps: ainda estou tentando organizar um álbum bonitinho do Angelinho aí no Brasil

"Aquele abraço..."


(Angelinho no modelo rapaz latino americano no Brasil)

Hoje o Angelinho vai mandar um oi especial para umas pessoas quase anônimas aí no Brasil.
Elas são fãs de carteirinha. Lêem constantemente o blog. Babam nas fotos do menino e rezam por ele como se fossem parentes.
São pessoas queridas que a gente não tem foto pra pôr aqui, como a Vera e a Fabiana que trabalhavam com o papis no Brasil.
São pessoas simples e extremamente carinhosas como a Anaildes.
São vizinhas das avós como a Vera em Santo André ou a Euridice e a dona Eulina em Sumaré.
Para vocês e outros de vocês um post especial e "aquele abraço"...