18 junho 2013

Nós, os subestimados, não queremos mais ficar calados!


(Estação de Trem "Pinheiros", ontem, São Paulo, 17 de Junho de 2013) 

A juventude brasileira acordou do sono dogmático! Acordou porque o sono da razão andava produzindo monstros demais!

Ontem, durante algumas aulas, alunos e alunas combinavam de se encontrar no protesto contra o aumento das tarifas nos transportes coletivos no centro de São Paulo. Me perguntaram: "Fessôra cê não vai?". (Such a big shame!) "Não, infelizmente eu não vou poder ir", respondi enquanto pensava nas crianças e no trabalho.

Ao fim da tarde, de volta, no trem ouvi de muitas outras meninas de uns 17 anos o mesmo: estavam indo para os protestos e falavam coisas como: "fica lá assistindo a Globo!", "quem não apóia a gente são esses alienados!", "não percebem como são engolidos por este capitalismo!".

Elas estavam animadas e no ônibus só se falava nisso entre as pessoas. E eu pensava: é o mesmo trem que eu tomo toda semana?

(Foto de Renatim de Almeida)

Pelas escadarias da Estação Pinheiros as propagandas sobre a Copa do Mundo pareciam ridículas, falavam de algo com o qual aquelas pessoas não pareciam preocupadas, estava distante, muito distante do assunto tratado por ali. Era quase um abuso que os televisores daquela estação tivesse como tema algo sobre o qual todos estavam indignados.

O Hino Brasileiro que normalmente emociona milhões a cada início de Jogo de Copa do Mundo, ontem foi lembrado em cartolinas. O orgulho neste momento é muito forte e, finalmente, ao entoar o Hino ano que vem nós não estaremos cantando cada verso como se engolindo uma tristeza que não acaba. Entoar o Hino Nacional já está tendo muito mais sentido! Vocês viram? "Vocês ouviram o povo cantando?"

Ontem, olhando para as propagandas verde e amarelas da Copa pensei como trazer a Copa para o Brasil foi - ou será - um tiro pela culatra! E não porque o Brasil vai mostrar ao mundo como o Brasil é o subdesenvolvido, perigoto e violento, mas que, ao contrário, somos um povo que merece a admiração e o respeito que tanta gente pelo mundo sente por nós.

Os nossos governantes todos, os mensaleiros corruptos, a elite manipuladora terão que notar como subestimaram demais o seu povo nos últimos tempos!

A gente parecia dormindo, mas não estava! A gente falava disso todos os dias em aulas, em blogs, nos almoços, nos bares, nos encontros, no teatro, no cinema!!! A gente só não estava acreditando que podia! E agora entendeu que pode de novo! E pode muito!!!


 (Meu amigo Luís Damasceno, professor de Literatura, ator quem acredita que ainda há amor em SP)

É muito louco como ano passado, na mesma época, eu lutei em sala para conseguir que minhas alunas e alunos, em aulas sobre "O que é Política", usassem seu Facebook para dizer algo de relevante, para manifestarem sua indignação contra os acusados no caso Mensalão, enquanto a novela da Globo disparava em audiência... Poucos foram os que se movimentaram porque, segundo eles, falar de política no Facebook pegava mal com os amigos e amigas. E ontem estes mesmos alunos estavam animados em participar da passeata, estavam publicando orgulhosos os resultados das manifestações...

Eu tenho feito este tipo de discurso desde que me conheço por gente e eu me perguntei ontem: O que mudou desde então? Algo, de fato, mudou? Sim! Eu mesma quis me responder antes de cair no pessimismo de novo!

Foi este o tema da minha conversa com Renato ontem antes de dormir e hoje logo de manhã...

Pelo que marcham estes milhares?

Os 20 centavos parecer ter sido a gota d´água dos gritos e apelos entalados na garganta dos jovens, dos não tão jovens brasileiros, há algumas décadas. Gente pobre e gente nem tão pobre que sabe que alguma coisa vai muito mal na República do Carnaval e do Futebol e se cansou de vez de ver o lixo feder nas capas de revistas nas bancas e voltar para casa engolindo a indignação.

O que começou como protesto contra o aumento de tarifas em transportes coletivos (apesar dos organizadores e representantes do "Movimento Passe livre" dizerem terem uma bandeira clara) se transformou no que todos nós estamos vendo hoje nos noticiários. Milhares de brasileiros, sobretudo jovens, juntos pelas ruas de várias capitais. Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, Salvador, Maceió, mais de 250 mil pessoas, empunhando cartazes, caminhando juntos, se posicionando contra o aumento das tarifas, mas também contra o descaso com o bem público e com os milhões brasileiros e brasileiras que aqui vivem.

Fato é que o Brasil tem uma chance incrível de mudar o curso que vinha seguindo!

A juventude z, ou milleniuns, à frente desta marcha tem a chance de marcar nossa história de uma forma sequer imaginada há pelo menos 21 anos. Só não dá para perder de vista que não se joga alguém no poder e o deixamos lá com sua trupe. Não se elege alguém e acredita-se que ele o defenderá por todo o sempre! Fazer política é como o ato de respirar! Não se faz durante uma semana, faz-se a vida toda!

(Foto: Farofa Fina)

É só lembrar que como "Caras Pintadas" ao derrubarmos o Collor (aliás alguém de quem muitos de meus alunos nunca ouviram falar) nós não mudamos o Brasil para sempre. Então, meus queridos e queridas, eu me orgulho de vocês, eu me envergonho de não ter estado aí na marcha com vocês ao vivo, mas esta é também a minha bandeira e minha luta: o Brasil dos meus filhos precisa ser um país longe da indecência que se tornou! Eu luto por isso desde que sou muito jovem, tenho consciência e gero consciência todos os dias e por isso eu me sinto representada e me sinto parte desta massa.

Marcham por milhões de pessoas e por todas as reinvindicações que e pelos seus e por milhões de reais, pela dignidade roubada mês a mês nos salários, pelo descaso marcado todos os dias em atendimento público hospitalar, no transporte, na violência escancarada que tira a vida de milhões de brasileiros minuto a minuto.

Eles marcham por nós! Então que nenhuma bandeira que não seja estas se aproveitem disso! Ou, pelo menos, que a gente saiba distinguir os oportunistas de plantão!


14 junho 2013

No meio do caminho havia uns milhares de jovens...


("Apesar de você", Chico Buarque)

Eu que vago pela Marginal Pinheiros num trem lotado às seis da tarde,
Eu que vago pelo trem lotado sentindo o cheiro fétido de esgoto no rio da minha cidade,
Eu que vago pela cidade fétida vendo os filhos da miséria,
Eu que vejo os filhos da miséria num descaso com a vida de outros tantos,
Eu que vejo outros tantos fingindo-se de cegos e empurrando a semana para viver num feriado,
Eu que num feriado encaro o trânsito intragável da cidade que cresce sem nenhum controle e administração,
Eu que sem nenhum controle tenho ódio de viver onde vivo ,
Eu que com ódio de onde vivo achei que não havia mais esperança,
Eu que sem esperança voltei os olhos ao noticiário e aos milhares de jovens nas ruas de minha cidade fétida, cheia de trânsito, violenta e miserável,
Eu que miserável vivia me perguntando se as pessoas a minha volta estavam mortas de tão acostumadas,
Eu que acostumada a não ver reação com os milhões de reais roubados por políticos corruptos há anos e anos e anos no meu país de quem eu já não mais me orgulhava e onde também havia de novo me acostumado a viver quase quieta,
Acordei hoje com um sorriso esperançoso e agradecido.


No meio do caminho dos policiais paulistanos e dos governantes mascarados havia uns milhares de jovens, um coro de vozes, umas bandeiras e um não engasgado saindo sem querer mais ser calado.

Não! Nem mais 20 centavos é o que parecem estar dizendo... porque, afinal de contas, apesar de vocês e de ter parecido até então nós não somos palhaços!

Obrigado por isso tudo pessoal!




12 junho 2013

"Enquanto isso, na silenciosa Bahia...": A história de uma mãe, sua filha e da sonoridade da surdez

(Kátia e Cláudia, mãe e filha em lançamento do livro "A sonoridade da Surdez", de Kátia Franco, fonte foto: Mídia Social Notícias)

"Cidade de Palmeiras, localizada na Chapada Diamantina, a 439 km dc Salvador...
Quando pequena, Cláudia, que é surda, ficou indignada com a escola pois não conseguia aprender a ler e escrever. Desesperada, Cláudia pulou os muros da instituição e foi para casa chorando. Comovida com a situação, sua mãe Kátia tomou uma decisão que mudaria sua vida: resolveu estudar letras e passou a ser a professora da própria filha. Primeiro, aprendeu a Língua Brasileira de Sinais (libras) para facilitar a interação. Depois, ensinou a libra e o português para a filha. A garota conseguiu dominar as duas línguas. Hoje com 21 anos, Cláudia consegue fazer todas as atividades de uma pessoa sem deficiência, como ler, pegar ônibus ou colocar roupas na máquina de lavar."... (Texto do 



Escrevo este post neste dia chuvoso e frio de Junho enquanto estou ouvindo o piano e a suave voz que entoa "The Ludlows" da trilha sonora de "Legends ot the fall". Fico pensando como eu poderia traduzir esta sensação para a Cláudia e da mesma forma como o mundo dela está cercado de sensações e sons que eu desconheço e não entendendo bem como são vividos. Eu nem mesma conheço, mas já admiro...

 A história, cujo trecho coloco aí acima, fala de uma pessoa quem estou ainda conhecendo, mas sobre quem não resisti em vir aqui falar um pouco.

A Kátia Maria de Oliveira Franco, essa baiana porreta, de sorriso constante e alegria contagiante e que vocês podem ver neste vídeo aqui, tem uma história de vida admirável. Ela e sua filha, Cláudia, tem ensinado pelo Brasil como uma deficiência física só limita a pessoa se a gente deixar que isso aconteça!

A Cláudia é uma jovem que nasceu com surdez e teve sua mãe como sua principal educadora. A Cláudia não se conformou de não receber um tratamento decente e poder aprender como qualquer criança normal quando frequentava a escola e a Kátia não se conformou em ter sua filha tratada com indiferença apenas porque ela era diferente. 

Eu atualmente leciono em locais onde há o acolhimento de alunos com deficiências, entretanto, é fato como nos sentimos  despreparados para lidar com eles e saber como lidar e preparar cada um de acordo com sua necessidade... Por essa e tantas outra razões vi no trabalho da Kátia algo no qual eu poderia apoio, conhecimento e preparo para fornecer aos meus alunos e alunas um tratamento que se distancie completamente do recebido pela Cláudia quando ela era pequena...

Abaixo uma pequena entrevista que fiz com a Kátia para inaugurar umas conversas sobre ela e sobre este assunto que pretendo ter aqui.  

Para quem se interessar a Kátia anda tocando vários projetos atuais, todos eles focados na escrita. O livro "A sonoridade da surdez" inaugurou outra fase da vida dela... 

Tenham o prazer de conhecer a Kátia, mãe da Cláudia, e quem tem sempre muita história para contar...



(Kátia com Jaque, a menina compositora que fez questão de escrever uma música em homenagem a esta história)



1. Você educou sua filha em casa por quantos anos?

No tempo em que a Cláudia ficou sem escola foi o tempo que comecei a trabalhar com ela, a alfabetizá-la desde que ficou sem direito a ir a frequentar uma escola que assumir o "leme do barco".

2. Você fala da escola especial para surdos e sabemos que Cláudia não se deu bem na escola normal. Como você vê a inserção do aluno com deficiência no ambiente da escola comum (não sei se o nome é este) ? Qual tem sido a falha para de fato inserir e ensinar este aluno na escola?

O problema da escola regular é porque em minha cidade não havia intérprete, além dela ser a única surda na cidade, e ninguém além de mim sabia falar em libras com ela, então não havia nenhuma comunicação no ambiente escolar o que a fazia sentir abandonada e rejeitada.

3. Fale de sua experiência como professora de libras...

Fui convidada para dar aulas de libras para alunos da UNEB - Universidade do Estado da Bahia - quando ainda era estudante lá,  de libras nas duas turmas de Pedagogia e assim começou a minha história, desde então não parei mais de lecionar e fazer palestras sobre o assunto, descobri meu dom e as pessoas ficavam e ficam encantadas com a maneira que ensino, pois mostro a elas que já sabem mais de 100 sinais em língua de sinais, só não sabem que sabem, então quebrar este mito de que é uma língua difícil de aprender me da suporte para "construir" o processo do aprendizado de maneira prazerosa. Como sempre digo a eles, sou como uma agulha e eles grandes retalhos e juntos fazemos belíssimas colchas de retalhos... É assim que as pessoas deveriam ver as diferenças.

4. Você escreveu um livro, "A sonoridade da surdez" sobre a experiência sua com Cláudia e tem se dedicado a escrever livros desde então.  O livro é indicado para quem quer conhecer mais da realidade do surdo mudo e lidar com ele? Algo mais?

O livro tem o foco maior nas questões do indivíduo surdo e da língua de sinais, mas trago também toda a dificuldade, medo e insegurança de uma mulher que teve que enfrentar tudo sozinha, pois foi também abandonada pelo marido. É um livro de superação, pois precisei superar muitas coisas, dentre elas superar a mim mesma, talvez a tarefa mais difícil. Não usamos o termo surdo-mudo, eles são apenas surdos, a mudez é outro problema, além do mais eles já tem uma língua que é a língua de sinais.

Obrigada querida Kátia!!!



07 junho 2013

Como saber a pitada exata do que falta?


("Salento", René Aubry)

Gente querida!

Escrevo este post ao som desta fantástica canção do René Aubry a qual me dá uma baita sensação de leveza, alegria intensa e sensação de que a vida é tão boa de ser vivida!

Com ela queria fazer um convite especialíssimo para vocês e, para este domingo, para aqueles que moram em Brasília.

Neste domingo, dia 09 de Junho, meu amigo Ênio Rocha estará na terrinha dele, Brasília, fazendo uma Introdução ao Fórum Landmark, aquele curso mega master fantástico do qual tenho falado aqui há quase 2 anos.

O Fórum é um curso para quem tem o desejo de avançar e obter saltos e alto desempenho em áreas da vida que crê não estarem funcionando bem ou como gostaria e a Introdução, por sua vez, é uma amostra prática de como funciona o Fórum.

Nela você não só entende como funciona e do que trata o curso como sai de lá com uma possibilidade de ação criada por você mesmo na área que quer trabalhar na vida.

O depoimento de quem faz só a Introdução, inclusive é que elas não entendem como, mas o desempenho na vida delas acontece da noite para o dia, apenas com as sacadas obtidas na reunião.

Isso porque a educação com a qual o Fórum trabalha toma aquilo que está além do que você já sabe e além daquilo que você já tem conhecimento de que não sabe.

As sacadas são reais e a diferença que faz na vida das pessoas é profunda e duradora! É o que declara 93% das pessoas que participam do Fórum Landmark pelo mundo.

Só é preciso confirmar presença!

Telefone (061) 3368-3216
falar com Ênio ou celular: (11) 9 8476-4499
email: enioar@gmail.

Sônia: (11) 9770-0086
email: somnia.carvalho@gmail.com e

Você, sua família e amigos são muito bem vindos.

Por que eu insisto?

Porque eu sei que você vai sair ao final do terceiro dia de Fórum dando pulos de alegria, uma sensação imensa e real de liberdade e você, mesmo me achando um chatonildinha agora, vai estar querendo me dar um abração forte, apertaaado e dizer: "Sônia, muito obrigada!". E é só a possibilidade de te ver sentindo isso é que me move!