Pular para o conteúdo principal

O corpo, o tempo e as comparações


Malmö, Suécia, hoje e dia desses, 20 graus.
Minha amiga Liana me liga e diz: "Amiga! Que dia lindo está fazendo aqui!"
Meus amigos e outras amigas estão rondando pelos parques, fazendo churrasco sem camisa no gramado de casa, indo à praia e abençoando a Primavera e o verão, o dia que nasce com sol e céu azul...

São Paulo, Brasil, hoje e dia desses, 20 graus.
Meus amigos e família estão encolhidos em casa.
Usam botas cano alto, agasalhos e jaquetas de couro.
Muitas vezes chove. O jardim está vazio. As crianças estão presas em casa doentes.
E ninguém está feliz com a chegada do inverno... apesar do sol e do céu azul...

O que muda?

Comentários

Lúcia Soares disse…
Muda que nós gostamos do sol! Que o sol nos brinda com seu calor e luz muitos dias no ano, e assim gostamos.
Muda que temos a cultura de achar que frio é sinal de gripe, constipação, febre, sinusite...e sei lá tantas coisas mais!
Beijo!
flor de lis disse…
eu ja acredito que tenha a ver com a questao da arquitetura tambem. As contrucoes no brasil nao suportam inverno sendo que no exterior pode se ficar em casa muito mais confortavel. Ao menos e isso que dizem as pessoas que viveram fora nao e?
abraco
flor de lis
Danissima disse…
muda a consciência de que este pode ser o ultimo dia de sol nas proximas semanas, eh melhor aproveita-lo!

Muda o espaço publico. Os parques e gramados ficam atraentes!
Fernando disse…
Somnia, acredito que seja pelo excesso de dias ensolarados e calor constante, um dia fresco e sem sol parece o fim do mundo, ano passado durante o mês de julho estive aí no Brasil na casa da minha mãe, e todos reclamavam do "frio", temperatura mínima de 10 graus, durante a noite, de dia media de 22, e via todo mundo de agasalho, nós camiseta e estávamos super confortáveis, porque? Até hoje não achei resposta e pensar que antes de vir pra ca também sentia frio com 20 e poucos graus, o que mudou? Talvez nós, pelo fato de ter vivenciado um inverno de verdade, e ter com o que comparar, tudo é bem relativo, mas longe de mim tentar fazer paralelo do inverno da Suécia com o da região que moro aqui no Japão, sei que aqui nao faz frio, mas é frio comparado ao Brasil, confuso, mas tudo depende do que se compara e como se compara, um abraço.
Somnia Carvalho disse…
Gente boa ai de cima,

quando escrevi o post eu queria mesmo ter entrado em todos estes meritos citados por voces! porem nao dava, ou eu postava assim ou nem mesmo me referia ao que vinha pensando! falta de tempo mesmo!

Mas concordo com praticamente um pouco do que disseram todos voces... Acho que sim, Lucinha, a gente ama sol, convive com ele quase o ano todo, a vida toda e nao sabe direito como viver sem... acha que um dia, dois sem ele e o fim do mundo. Temos essa sorte!

Porem, como disse Fernando, creio que seja tambem falta de habituar-se. O corpo muda! a mente tambem! eu sou prova viva disso, Fernando tambem disse ser! eu usava blusona e meia fina para sair a noite se tava 15 graus... Hoje eu, desculpa dizer isso, dou risada quando vejo a mulherada de bota cano ate o joelho e blusa de la ou jaqueta de couro no solzao de 25 graus, 22... e um exagero! porque ninguem ta sentindo frio assim! mas tambem tem o lance de nao termos chance de mudar de guarda roupa!

Acho que Danissima esta suuuper certa em afirmar que quando se vive num lugar realmente frio e escuro, como era a suecia para mim, um dia de sol e ceu azul e um presente dos ceus! voce agradece, voce se joga, voce curte! e nao fica com nhenhem porque talvez demore semanas, meses para ter isso de novo!

e ai concordo com flor de lis, prazer!, sobre tambem nao sermos privilegiados com arquitetura decente... ou pelo menos precisamos de casas leves para aguentar tanto calor e ai quando chega esse tempinho de 20 a noite, 18 a casa gela e pegamos gripe, o diabo a quatro!

na suecia ERA UMA DEEEELICIA o inverno em casa, quente, aconchegante, a gente ali curtindo tudo, lendo, estudando, tomando cha na cozinha. e um aconchego que nao existe aqui...

por outro lado no verao e uma quentura que so porque as casas sao realmente muuuito fechadinhas, paredes gigantes e grossas...

e isso! creio que comparar ajuda a perceber que sim somos privilegiados, mas nem sempre sabemos aproveitar o que temos na mao!

beijocas
Lu Souza Brito disse…
Oi Somnia,

É uma comparação um pouco tosca, mas eu mesma senti esta diferença aqui no Brasil mesmo.
Morei a vida toda em Ilhabela (temperaturas media de 30ºC). Inverno, quando muito frio chegava a 14ºC.
Me mudei para Santana de Parnaiba (Aldeia da Serra, que fica a 1.100 metros de altitude do nivel do mar). Hoje pela manhã fazia 11º C. No inverno mesmo já chegamos a -2ºC com sensação de - 5º C (isso a menos de 30km de Sampa).
No inicio penei, até tomar banho era um ato de dor. Porque meu corpo era acostumada com o calor. Ai comecei a entender porque meu marifo faltava desmaiar de calor quando ia me visitar na ilha e eu achava-o exagerado.
É questão de adaptar. Hoje, quando chego na ilha e com 20ºC vou aproveitar a praia e saio de short e camiseta, as pessoas me olham torto ou me chamam de louca.
Um beijo

Postagens mais visitadas deste blog

"Em algum lugar sobre o arco íris..."

(I srael Kamakawiwo'ole) Eu e Renato estávamos, há pouco, olhando um programa sueco qualquer que trazia como tema de fundo uma das canções mais lindas que já ouvi até hoje. Tenho-a aqui comigo num cd que minha amiga Janete me deu e que eu sempre páro para ouvir.  Entretanto, só hoje, depois de ouvir pela TV sueca, tive a curiosidade de buscar alguma informação sobre o cantor e a letra completa etc. Para minha surpresa, o dono de uma das vozes mais lindas que tenho entre todos os meus cds, não tinha necessariamente a "cara" que eu imaginava.  Gigante, em muitos sentidos, o havaiano, e não americano como eu pensava, Bradda Israel Kamakawiwo'ole , põe todos os estereótipos por terra. Depois de ler sobre sua história de vida por alguns minutos, ouvindo " Somewhere over the rainbow ", é impossível (para mim foi) não se apaixonar também pela figura de IZ.  A vida tem de muitas coisas e a música é algo magnífico, porque, quando meu encantamento por essa música come

"Ja, må hon leva!" Sim! Ela pode viver!

(Versão popular do parabéns a você sueco em festinha infantil tipicamente sueca) Molerada! Vocês quase não comentam, mas quando o fazem é para deixar recados chiquérrimos e inteligentes como esses aí do último post! Demais! Adorei as reflexões, saber como cada uma vive diferente suas diferentes fases! Responderei com o devido cuidado mais tarde... Tô podre e preciso ir para a cama porque Marinacota tomou vacina ontem e não dormiu nada a noite. Por ora queria deixar essa canção pela qual sou louca, uma versão do "Vie gratuliere", o parabéns a você sueco. Essa versão é bem mais popular (eu adorava cantá-la em nossas comemorações lá!) e a recebi pelo facebook de minha querida e adorável amiga Jéssica quem vive lá em Malmoeee city, minha antiga morada. Como boa canção popular sueca, esta também tem bebida no meio, porque se tem duas coisas as quais os suecos amam mais que bebida são: 1. fazer versão de música e 2. fazer versão de música colocando uma letra sobre bebida nela. Nest

O que você vê nesta obra? "Língua com padrão suntuoso", de Adriana Varejão

("Língua com padrão suntuoso", Adriana Varejão, óleo sobre tela e alumínio, 200 x 170 x 57cm) Antes de começar este post só quero lhe pedir que não faça as buscas nos links apresentados, sobre a artista e sua obra, antes de concluir esta leitura e observar atentamente a obra. Combinado? ... Consegui, hoje, uma manhã cultural só para mim e fui visitar a 30a. Bienal de Arte de São Paulo , que estará aberta ao público até 09 de dezembro e tem entrada gratuita. Já preparei um post para falar sobre minhas impressões sobre a Bienal que, aos meus olhos, é "Poesia do cotidiano" e o publicarei na próxima semana. De quebra, passei pelo MAM (Museu de Arte Moderna), o qual fica ao lado do prédio da Bienal e da OCA (projetados por Oscar Niemeyer), passeio que apenas pela arquitetura já vale demais a pena - e tive mais uma daquelas experiências dificilmente explicáveis. Há algum tempo eu esperava para ver uma obra de Adriana Varejão ao vivo e nem imaginava que