06 novembro 2010

"Nothing is gonna change my world"...?



(Ângelo em sua primeira "Noitada", no evento da escolinha, onde acampou com amigos e professoras todo feliz da vida, S. Paulo, outubro de 2010)

De manhã, enquanto embalava Marina e fazia-dormir, liguei despretenciosamente a tevê revi o final do filme "A vida em preto e branco". Embora eu já tivesse gostado do filme antes, hoje foi a maravilhosa canção dos Beatles no encerramento que me pegou.

"Nada vai mudar meu mundo", a frase repetida várias vezes na música, me deixou muito pensativa.

Muitos anos atrás me lembro de chorar, como qualquer outra mocinha boba, por algum namoro acabado e de pedir para que tudo voltasse a ser como antes. Lembro de rezar sozinha para o Universo pedindo que eu conseguisse uns empregos os quais imaginava seriam perfeitos para mim e para o rumo de minha vida.

Lembro me, como se fosse hoje, de estar num ponto de ônibus na cidade de Marília, na companhia de minha mãezinha, quando voltava de fazer minha matrícula em Filosofia na Unesp e de pensar: "Ah Deus! É aqui mesmo que quero viver" e depois ter meu destino totalmente mudado quando acabei sendo chamada na segunda lista para o mesmo curso na Unicamp.

Tendo ir viver em Campinas tive meu "destino" totalmente mudado. Ou mudei, não sei ao certo. Sei hoje que minha amiga Maria Fernanda tem muita razão quando diz: "Cuidado com o que você pede em suas preces, porque pode ser atendida".


(Marina toda ensonada no carrinho, enquanto eu fazia o jantar, S. Paulo, novembro de 2010)

Na universidade em Campinas cruzei com Renato, na época aluno de uma canadense que passava uma temporada em minha república. Com ele e nossos sonhos juntos pude ir a lugares nada imaginados, ter os filhos que não teria com nenhum outro.

Agradeço hoje por não ter sido atendida em tantas preces infantis, egoístas que já fiz porque fico imensamente feliz com o que tenho hoje.

Não é conformismo puro não. Eu odeio pensar em minha vida como um plano escrito. Não creio nisso e não desejo isso, mas admito que conformar-se com certas coisas é preciso. E é saudável. O que sinto é que se nós nos concentrássemos mais na idéia de que muitas coisas irão sim mudar nosso mundo, nós sofreríamos menos porque a maior parte dos eventos não estão sob nosso controle.





Balançando Marina pequenina ao som de "Across the universe", na voz doce de Fiona Apple, fiquei pensando o quanto a gente deseja ardentemente que as coisas mudem e ao mesmo tempo que permaneçam exatamente onde estão.

Não é possível ter tudo ao mesmo tempo agora e se eu quiser e conseguir ter certas coisas das quais sonho elas com certeza implicarão na causa de várias outras as quais não terei o domínio.

Não ter o controle sobre o meu destino é algo que me angustia muito e simultaneamente me deixa muito excitada, porque no fundo não quero saber como tudo se sairá porque eu provavelmente perderia o desejo de lutar pelo que quero.

A única coisa que desejo imensamente hoje é que as pessoas amadas fiquem bem, embora eu também tenha a consciência da minha impotência em controlar isso.

Aqui em São Paulo chove e o dia está escuro. Tenho uma saudade enorme dos amigos da Suécia e de minha vida de outrora. Sei, por outro lado, que esse é apenas mais um ciclo.

Dei-me conta disso ontem, quando ouvia a criançada do condomínio gritar para Ângelo: "Desce Ângelo! Desce Ângelo!", chamando-o para brincar. Ele conquistou seu espaço de novo, apesar de ter sofrido certa rejeição no início. Vendo como ele já é amado pelos coleguinhas fui com ele para que brincasse e se sentisse em casa. E foi tão bom ver sua felicidade. A mesma que tinha com os filhos dos meus amigos em Malmö e que, semanas atrás, eu lamentava ele não ter mais.

Eu um dia vou provavelmente concluir que algo muito bom só aconteceu porque eu saí do meu lugar de antes. E aí vou desejar de novo, quase sem perceber, "Nothing is gonna change my world" e então eu espero me lembrar desta conversa e saber que tudo ficará bem. Again.


7 comentários:

Xu disse...

Muié, acredito que toda mudanca é sempre pra melhor. Às vezes não conseguimos enxergar isso no início, mas cedo ou tarde a gente consegue. Ou seja, não devemos temer as mudancas... e sim, agradecer! Vc tá certíssima... em tudo dai gracas! E isso não é conformismo não... é só o fato da gente prestar atencao em tantas coisas boas acontecendo ao nosso redor.
bjs

Beth/Lilás disse...

Soníssima!
Você, como sempre, trazendo a filosofia para sua vivência!
Este filme é bom pacas e também já vi duas vezes e o interessante foi você ter pego a frase e colocado em seu momento.
Eu acho, sinceramente, que você ainda vai mudar muito, muitas mudanças tipo vai de novo pro exterior, não consigo imaginá-los ficando só por aqui.
E o Angelinho, que tá com a cara bem diferente já, parece mais rapazinho, este aí fará sempre amizades, não há como outros gurizinhos não gostarem dele. Olhem só pro olho deste menino? Como é vivo e alegre! Simpático que só!
Eu também dou muitas graças pelas conquistas recebidas.
um ótimo domingo pra vocês e muitos beijinhos cariocas.

Beth/Lilás disse...

Hei! Não repara os erros no comment anterior. Tava com preguiça de pensar e consertar. hehe
bjs

Danissima disse...

Somnia,
que coisa boa essas escolhas da vida, ne?
ainda bem que vc desistiu da Unesp e foi la pra nossa querida Unicamp... assim, alem de ganhar um marido fofo e filhos meiguissimos, me ganhou ;-)

outra coisa, fiquei espantada com a foto do Angelo. Que cara de menino grande!
a roupa da Marina, tb, esta um charme.

abraços e beijos

Marcela disse...

Somnia, acompanho seu blog faz um tempo e esse ultimo post em especial fez minha "ansiedades" e saudades se tornarem mais compreensiveis...vivo um período de incerteza num sei dizer se é de insatisfação tb..mas ao ler seu texto relembrei que a trajetória da minha vida nunca foi muito planejada mas anda "dando" certo..eu acho...adoro seu blog e sinceridade como escreve..
Beijos
Marcela....

Lúcia Soares disse...

Sônia Somnia, ainda há muita nostalgia em seus escritos. Normal. Ainda mais no momento de hormônios diferentes circulando por seu corpo, por conta da amamentação, do pós-parto, etc.
O melhor é aproveitar o momento, ver a vida a sua volta, usar a simplicidade infantil e se adaptar, como o Ângelo.
Você será sempre feliz, onde estiver. Porque sabe ver a vida apenas constatando, mas não lamentando.
Beijos!

Vivien Morgato : disse...

Vc tb foi aluna da unicamp? /0)