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Uma obra de arte ou mil palavras? "As margens do Rio Pinheiros", por Eduardo Srur


 Eu não sei se você me ouviu dizer isso antes, mas depois de voltar ao Brasil eu voltei a lecionar. Digo isso porque a maioria de vocês que me segue, o faz por conta do blog que iniciei na Suécia e pelo título deste.

Nos primeiros anos de São Paulo, até 2006, trabalhei na região da Paulista, mas meu caminho nos últimos três anos tem sido outro: a Marginal Pinheiros.

Necessariamente, preciso cruzar quase a Marginal do Rio todinha três vezes por semana para chegar às duas unidades do colégio onde trabalho e faço isso de trem.

Eu posso confessar três coisas: eu adoro trabalhar nestes dois lugares, eu gosto de passear pela cidade, mas eu odeio atravessar a Marginal Pinheiros. E o porquê disso eu conto depois.

Já alguns meses atrás eu tenho feito fotos, anotações para escrever sobre minha impressão sobre esta cidade, sobre nós os moradores dela, sobre tantas coisas e nas últimas semanas fui surpreendida pelas obras que vocês veem neste post. Elas são incríveis!


Duas das onças pintadas ficam exatamente em frente à louca Estação Pinheiros, onde milhares de pessoas tropeçam umas nas outras, em mim e eu nelas todos os dias.



Antes delas, eu havia quase quebrado o pescoço quando vi um banhista tentando pular no rio, quero dizer, isso foi o que me pareceu vendo de dentro do trem onde eu estava. Percebi depois que se tratava de uma escultura e compreendi que todas elas faziam parte da mesma intervenção artística. Eu olho para ela e penso: como eu queria conseguir inventar algo assim!

(Srur! me deixa trabalhar pra você! Encho super bem onças infláveis e sei montar manequins! rs...)



Eduardo Srur é famoso por suas intervenções na cidade e há enormes chances de você saber muito mais dele do que eu, inclusive porque essas obras já foram tema de reportagens anteriores dos principais jornais e revistas de São Paulo. Alguns dos quais passei os olhos hoje para escrever colher as fotos para este post.




Vendo as obras de Srur deu uma vontade e-nor-me de voltar aqui com a sessão "Uma obra de arte ou mil palavras" para perguntar:


O que você vê nesta obra?

Sei que ela não é enigmática como algumas que postei anteriormente, mas ela é muito profunda. Embora trate de uma temática que imagino ser clara para a maioria de quem olha (será?) creio que podemos ter reações, sensações e reflexões diversas a partir dela.



Quero lhe perguntar o que você vê na obra mas também:

Você acredita que nos contextos atuais a arte faz alguma diferença? 

Diz aí, por favor, tudo que passa pela cabeça de vocês e depois também solto o que anda pela minha.

Ah! O mais interessante é falar sem pesquisar primeiro. Você até pode pesquisar, mas o bom é que faça primeiro sua apreciação para depois juntá-la com outras críticas e informações ok?

Aguardo vocês!

(se quiser saber quais foram as obras tratadas anteriormente nesta sessão é só clicar no marcador "Uma obra de arte ou mil palavras")

ps: as imagens são da divulgação da intervenção.

Comentários

Anônimo disse…
O que eu vejo ? vejo uma ironia, uma antítese. Entre "indivíduos" tranquilos, observadores ou com vontade de tirar sua própria vida, e uma cidade cheia de vida, que não tem o mínimo tempo para parar e ver suas belezas (estragadas) por eles mesmos.
Beth/Lilás disse…
Querida amiga, eu sei que você voltou a lecionar e faz isso com categoria e muito amor, porque só mesmo com amor é que se pratica esta profissão linda hoje em dia e enfrenta este tráfego obtuso de nossas grandes cidades.
Neste quesito você é dez!
Quanto a estas intervenções urbanas eu sou completamente apaixonada, acho que são perfeitas para humanizar a paisagem, para fazer com que as pessoas olhem e pensem seu próprio viver. Imagine um cara passando por ali todo dia e vendo este careca de sunga, pulando numa rampa de piscina.
Ele deve pensar sobre a necessidade dele se exercitar e que vai fazer isso assim que puder. Isto também é inspiração para as pessoas. As onças estão super bem colocadas, pois mostram o quanto devemos respeitar os animais e a natureza, entender que eles juntos com a gente na caminhada dessa vida.
Quanto a voltar com suas ideias, acho excelente, pois vive dentro da arte, tem muita coisa bonita pra mostrar pra gente e estou na torcida para acompanhá-la sempre.
um grande abraço carioca.


Alê Brasil disse…
Amo estas intervenções, assim como vários grafites, fico triste com pixações mas já gosto de grafites. Vi algumas intervenções qdo fui a Portugal em 2008, lembro que em Lisboa vi um Batman lá no alto de um prédio, e em Porto vi uma manequim nua numa sacada, achei o máximo! Exatamente o que disseram antes de mim, elas nos fazem pensar, podem nos inspirar... Arte é o que há!
Lúcia Soares disse…
Acho que a principal mensagem do artista é alertar quanto a poluição do rio. Na visão dele, deveria ser possível andar ali, ou animais usufruiriam de sua água limpa e perfeita para o uso.
Imagino que esse rio seja como o Tietê, que o recebe, e tantos outros que rolam por esse Brasil, com suas águas prejudicadas pela poluição. Um alerta para o próprio homem, causador dessa poluição.
Que bom esse "gás" que a faz ter vontade de voltar a escrever. rs
Beijo, Sónia.
Lúcia Soares disse…
* "deveria ser possível nadar ali..."
Somnia Carvalho disse…
Anonimo, me diga só se voce levou em consideração que são estátuas... Se sim, então entendo que vc vê como se nós vivendo em cidades como São Paulo quiséssemos fugir a tudo isso, tirar nossas vidas por estarmos saturados daquilo que nós mesmos provocamos?

É isso?
Somnia Carvalho disse…
Meninas, esses recados nao tinham chegado para mim pelo gmail, entao so estou vendo agora! demais! vcs sao demais! respondo em breve!!!
Anônimo disse…
Sim! A culpa e a saturaçao de ver tantos estragos estao apertando nossas gargantas de forma a pensarmos em formas de escapar de tudo isso.. Um sonho, uma mudanca de cidade, um dia voltado para si mesmo.. Formas de passar o tempo e fugir daquilo que nos deixa agoniados

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