22 novembro 2013

O que você escolhe?

(A marcha de Sartre)

“(...) não encontramos, já prontos, valores ou ordens que possam legitimar a nossa conduta. 
Assim, não teremos nem atrás de nós, nem na nossa frente, no reino luminoso dos valores, 
nenhuma justificativa e nenhuma desculpa. Estamos sós, sem desculpas. 
É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. 
Condenado, porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, 
uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz”. 

 SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. 3ª ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 9.

Tenho o hábito de começar uma aula com o pessoal da terceira série a respeito do famoso filósofo Jean Paul Sartre, quem tem a liberdade e a existência como tema central, com uma dinâmica que é mais ou menos assim:

Primeiro, pense só se você acha que somos ou não livres. Você acha que você é livre?

Sartre afirma que "estamos condenados a ser livres". O que esta afirmação maluca pode querer dizer?

Bom, então imagine (se esforce em imaginar) que algo muito inesperado ocorra agora e o mundo, o nosso planeta Terra, irá acabar em alguns minutos. É lhe dado duas coisas: 1) o direito de permanecer vivo indo habitar outro lugar; 2) o direito de escolher 3 coisas de fato signficativas e importantes para você.

Neste caso você não tem outra escolha a não ser escolher ir, mas escolhe se quer levar algo, alguém ou não.

Entre as 3 coisas você pode incluir pessoas e objetos e a família próxima, como marido e filhos, ou pai e mãe será considerado como 1 item. De resto, certifique-se de não ultrapassar o limite, senão a nave que nos levará ficará inabitável. Ah! itens básicos de sobrevivência, como comida, água, local para dormir estão inclusos nesta viagem sem volta.

Normalmente dá o que falar a aula, mas a intenção é começar com a ideia de pensarmos no valor e sentido que damos às coisas e pessoas a quem somos apegados. E, obviamente, no ato de escolher.

Sim, é uma tarefa difícil, mas é o que você pode fazer agora: usar seu poder de escolha.

Eu quase sempre dou um jeito de escolher levar música. Eu não me vejo na vida sem algumas pessoas e sem música... também já escolhi utensílios para a pintura, mas mesmo para pintar eu só sei fazer ouvindo algo... então penso que a música ainda é mais forte.

Pensei nesta brincadeira agora de manhã novamente ao ouvir esta composição ma-ra-vi-lho-sa, do polonês Zbigniew Preisner: Lave Mouvements Du Désir. Insisto que você clique no nome e vá para o link ouvi-la. É a número 12. Vale muito a pena!

Esta música faz parte de um álbum especial com trilhas sonoras dos filmes A dupla vida de Veronique, A trilogia das cores (A Liberdade é Azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha), Décalogo, Europa Europa e Fatal, todos eles são de um conterrâneo de Preisner, Krysztof Kieslowski, e ela mesma é trilha sonora do filme da diretora Léa Pool, "Movimentos do desejo", o qual eu não conheço, mas quem me fez pensar em tudo isso hoje de manhã de novo...

Os filmes do Kieslowski estão entre os melhores filmes que já vi na vida, entretanto, também estes filmes não são possíveis sem as trilhas sonoras que os acompanham. Preisner quase que dá significa às cenas de Kieslowski. Não consigo imaginar um existindo sem o outro, assim como não imagino meu universo existindo sem música, por exemplo.

Portanto, eu reforço que definitivamente eu levaria música entre as 3 coisas, pois música significa para mim transcendência, espiritualidade, conexão com o universo e as pessoas, leveza, pureza, paixões, liberdade. 

Agora eu queria brincar com você e, depois, conto sobre minhas outras coisas e o significado delas.

Você topa? Então manda! A primeira parte é só responder esta perguntinha aí:


Quais são as três coisas você escolhe levar?



3 comentários:

Daniela disse...

Minha mãe (ela me ama tanto!), minha irmã (é a minha melhor amiga), música (é o meu refrigério).

Lúcia Soares disse...

Não escolho nada nem ninguém.
Não sou livre o bastante.
Adorei o texto, concordo muito, a música é linda, mas definitivamente não escolho apenas 3 objetos, ou pessoas.
Beijo, Sônia.

Beth/Lilás disse...

Poxa, Borboleta, eu sei o que eu não levaria, mas só 3 coisas pra levar?!!!
Como você, eu adoro música, sou movida por ela e ela seria uma das coisas que levaria também, junto com ela, levaria um pé de alguma flor ou fruto, não sei viver sem o verde e outra coisa que levaria seria uma noz ou uma amêndoa, adoro estes frutinhos!
Mas, pessoas, claro, levaria a mãe, o marido, filho.
Ah que coisa mais difícil sô! hehe
beijinhos cariocas