29 novembro 2011

Quando a arte nos dá um delicioso soco na boca do estômago!

(Um dos mapas de Nelson Leirner, o mundo dominado, economica e culturalmente, pelo Mickey Mouse e sua turma)

Semana passada, nos intervalos entre um caminho e outro, acabei caindo na Galeria de Arte do Sesi da Paulista, aquele num formato o qual lembra uma meia pirâmide, onde também fica a Fiesp.

As salas estão todas ocupadas pela exposição "Hobby" de Nelson Leirner, cuja obra eu só tomei conhecimento ali, naquele momentinho só meu no museu.

Toda a exposição, com exceção de uma primeira na entrada, é composta de pequenas instalações, uso de uma infinidade criativa de objetos grandes, como uma pedaço de porta de madeira antiga até objetinhos como santinhos feitos de barro. A única pintura de toda a exposição tem uma frase com mais ou menos os seguintes dizeres: "quando ainda não era artista"

O que eu poderia falar sobre essa exposição eu pretendo realmente escrever num artigo mais longo, concentrado sobre o artista e sua obra, mas não consegui deixar de vir aqui e dizer: se você tiver oportunidade até 11 de dezembro, vá! Por favor!

Não sei se terá a mesma impressão geral que eu, mas enquanto caminhava pelas salas eu senti um soco, bem no meio da boca do meu estômago! Sim, o artista me chamava a olhar o mundo de uma outra forma.

A obra de Leirner é totalmente questionadora, mesmo quando ele afirma não estar com todos esses objetivos em mente. É uma obra belíssima, embora em certos momentos tenha composições feias, mas não no sentido tradicional do belo. O artista tem o dom de instigar todas as formas e esferas da vida de forma muito tranquila. Ele questiona o papel das grandes nações em detrimento da liberdade de expressão das menores. Ele questiona nossa fraqueza e nossa necessidade de apego as muitas crenças. Coloca sob a mesma ótica da reflexão budistas, cristãos, consumistas de plantão, fanáticos por futebol, carolas, críticos de arte e até mesmo o próprio conceito de arte.

As muitas instalações do artista se compõe de objetos recolhidos ao longo de sua vida. Como colecionador e alguém fascinado pelos pequenos apegos humanos ele vai recolhendo os objetos que de alguma forma parecem fazer sentido em sua mente e os agrupa de forma a desnudar seus sentidos.

Nelson Leirner parece, em última instância, falar do livre arbítrio e de como, ao contrário do que possa nos parecer em muitos momentos, a sociedade contemporânea também tem formas de impedi-lo. Somos tão guiados por escolhas alheias e tão fascinados por formas diferentes de poder que nesse copia, reinventa nosso espelho pode nos revelar nossa grande faceta: a de meros macacos repetidores.

("Qualquer semelhança não é mera coincidência". Nelson Leirner vai além da semelhança apontada por Darwin no passado da humanidade, as semelhanças permanecem!)

Os macacos estão em muitas das obras de Leirner e a mais intrigante delas na exposição era uma em que ao lado de um retrato de macaco e uma macaca há um espelho para que nosso reflexo narcicístico apareça e nos surpreenda com a semelhança.

Se você imagima com isso que a obra de Nelson Leirner seja pesada, chata, está enganado. Eu ri sozinha em muitas das salas. O artista tem também domínio da arte do riso. Com títulos engraçados, faz de conta e uma dose grande de imaginação ele nos coloca diante de nós mesmos com uma dose grande de realidade ao mesmo tempo em que nos faz rir de nossa própria condição.

Bom, meu texto curto está se alongando e preciso ir... mas você pode continuar aí se consegui aguçar sua curiosidade.

Se você é, como eu fã de levar alguns socos no estômago ou de cutucões do tipo "hej! acorda de novo, porque você está agindo feito macaco again!" então não perca!

O site do artista: http://www.nelsonleirner.com.br/

Galeria do Sesi, Centro Cultural Ruth Cardoso, Avenida Paulista, 1.313, próximo ao metrô Trianon-Masp.



10 novembro 2011

Saiu o 1o. episódio de "A menina da saia de tule"!


Quer participar de um projeto que une interação na rede, criatividade e literatura?

Então acesse A menina da saia de tule. Lá você poderá acompanhar a história da menina da saia de tule, livro do amigo Ed Cruz, que começa, hoje, a ser escrito e publicado simultaneamente online.

E boa viagem!

09 novembro 2011

Pra quê novela e série se a gente tem o Ed!?

(meu amigo, muito maluco e adorável, Ed Cruz, autor do próximo sucesso das 8!)

Olá tutti brava gente que passa por aqui!!!

Tenho uma coisa legal para dividir com vocês!

Um dos duzentos e setenta projetos que eu tenho (tinha) na gaveta é escrever um livro virtual o qual fosse se construindo diariamente. Isso porque tenho gravadas algumas horas de entrevistas com um amigo querido da Suécia, Kenth Lundgren, sobre quem sonho em escrever uma história.

Sabe aquelas pessoas cuja meia vida já dá um bom livro? Então!

Bom... mas o projeto do livro do Kenth ainda está aguardando, porque o meu bem precioso, o tempo, está carente. Entretanto, ontem, depois de ler pequenos e maravilhosos fragmentos de uma história a qual meu amigo Ed (Cruz, aquele moçoilo do texto "Felicidade" do concurso e do prefácio!) está tentando também fazer sair do papel, tive uma idéia! :) O Ed tem muito mais talento, está usando seu tempo para investir na escrita e, como eu e talvez você, sofre de procrastination!

Falei (escrevi) com ele um tempo e trocamos idéias! O Ed topou de cara adotar minha idéiazinha: amanhã começa a funcionar um novo blog, cujo nome leva o título do livro que Edíssimo tem em mente: "A menina da saia de tule". Eu entro com ajuda simbólica técnica e ele com a criação e o trabalhão rs...

O Ed vai deixar lá o comecinho da história, provavelmente o que tem escrito até agora, e continuará a escrevê-la todas as vezes que desejar e se sentir inspirado. Ele me disse (coisa de escritor!) que tem praticamente a história toda em mente. O outro livro dele o rapaz escreveu em 2 semanas!

Bom, eu convido então, de coração, vocês todas e todos a acompanhar tudo, palpitar, se emocionar, o que com certeza motivará ainda mais o autor a fazer a história acontecer.

E é isso! Um projeto conjunto para a gente se inspirar em rede!

Amanhã a gente tem boa leitura, diversão gratuita garantida e o melhor de tudo: de uma história inédita para aguçar a curiosidade de gente como eu!

Não perde não, porque eu já adianto: ô menino que escreve gostoso demais esse Ed Cruz!!!


08 novembro 2011

Nossos universos paralelos

("Os amantes", René Magritte)

Vi esses dias apenas a chamada para um programa do Discovery Channel, Universos Paralelos, daí o título "super original" do meu post!

Na verdade venho pensando em outro tipo de universo paralelo. Em como nossas vidas, a minha, talvez a de vocês, nossos amigos e gente bem conhecida nossa segue tão solidamente por diferentes caminhos, quase sem se cruzar de fato.

Pensei isso quando li algumas amigas, colegas questionando atitude de alguns estudantes uspianos nas últimas semanas, nas quais alguns alunos protestam contra a presença de policias no campus. Como eles poderão achar trabalho ou coisa parecida com atitudes assim?, perguntavam-se muitos em seus facebooks da vida. Coisas de vagabundos!, repetiam outros. Ao mesmo tempo, amigas e colegas mais liberados defendiam ardentemente a liberdade total dos estudantes em seu campus porque, claro, A polícia é sempre assim! 

Uns poucos com posições menos xiitas em vários sentidos, ao mesmo tempo em que amigos intelectuais (eu até tentei entrar numa delas!) discutiam bem intelectualmente os porquês da mídia tratar assim ou assado o assunto. Enquanto uma amiga super-mega-ultra zen publicava dezenas de vídeos com orações, mantras etc tentando "captar" e ajudar alguém a perceber o realmente importante da vida...

Eu gosto de conversar, e muito, além disso tenho amigos e amigas muito queridos. A queixa deles sobre diferenciados problemas em suas vidas me mostram algo mais ou menos como a tela de Magrite: queremos ser amantes, amigos perfeitos, mas estamos fechados ao outro. E não ver o outro e não se questionar é também não ver a si mesmo.

Talvez a gente fique sempre muito mais chata e pessimista quando no fundo está centrada no próprio umbigo e eu tenho estado, nas últimas semanas, ou meses, um tanto centrada no meu umbigo, ou devo dizer, na minha tireóide.

Descobri, por conta de exames e dores na coluna, imensos nódulos na tireóide. Daí também que tenho hipertiroidismo (aquele com o qual o corpo produz excesso de hormônios) e que tá tá tá... uma chatice de explicações e probleminhas... mas que resultam na necessidade da retirada da tireóide.

Eu sei. É algo simples, tranquilo tá tá tá... Tô fazendo todos os setecentos e cinquenta e três exames durante todos os três únicos dias em que tenho a Claudete para ajudar na faxina e tudo vai ficar bem! Espero fazer logo a tal cirurgia... mas como eu ia dizendo, nossos universos paralelos...

Quando olho ao lado (e também para dentro) é como se a gente vivesse tão enfiado nas antigas crenças e ações e nunca mudasse! E a gente parece fingir ouvir o outro e fingir que tem algo novo para dizer, mas a gente diz o que sempre disse! Entende? E diz com uma convicção!

Como poderemos mudar o mundo se nós estamos todos fechados nos nossos grupinhos e umbiguinhos...   Um sapato novo, um namorado novo, um emprego novo, um presidente novo, mas a gente não se comunica! E vivam as nossas necessidades pessoais! E salvem os nossos pontos de vista!

Eu sei que há brechas (pequenas!) no sistema! Eu sei que há trocas acontecendo o tempo todo (assim como eu tive há pouco visitando de novo blogs que adoro e não consigo tempo para rever), mas me parece tão pouco!

Parecemos olhar sempre de um pedestal: "Ah! os conservadores!" "Ah! as feministas!" "Ah! os maconheiros!" "Ah! os corruptos!" "Esses materialistas!" e "Esses viajantes da maionese!" Isso sem contar com nossa obrigação santa de todos os dias de manter o pão! E corre-se para lá, depois corre-se para cá! Quando é preciso mais, dá-lhe do mesmo!

Caminhamos muito educadamente em nossos próprios universos e eles caminham muito bem, obrigada, paralelamente a tantas outras crenças, idéias e atitudes. Mudar? Claro que não! Se estamos todos nós tão certos! Os outros é que mudem!

O problema é que não estamos de fato atentos. Não ouvimos. Não dialogamos. Então seguimos a vida. E seguimos aqueles cujas respostas sejam parecidas com aquelas que desejamos ouvir. E assim caminha, em universos bem paralelos, a maior parte da humanidade.