28 novembro 2014

Uma obra de arte ou mil palavras? "As margens do Rio Pinheiros", por Eduardo Srur


 Eu não sei se você me ouviu dizer isso antes, mas depois de voltar ao Brasil eu voltei a lecionar. Digo isso porque a maioria de vocês que me segue, o faz por conta do blog que iniciei na Suécia e pelo título deste.

Nos primeiros anos de São Paulo, até 2006, trabalhei na região da Paulista, mas meu caminho nos últimos três anos tem sido outro: a Marginal Pinheiros.

Necessariamente, preciso cruzar quase a Marginal do Rio todinha três vezes por semana para chegar às duas unidades do colégio onde trabalho e faço isso de trem.

Eu posso confessar três coisas: eu adoro trabalhar nestes dois lugares, eu gosto de passear pela cidade, mas eu odeio atravessar a Marginal Pinheiros. E o porquê disso eu conto depois.

Já alguns meses atrás eu tenho feito fotos, anotações para escrever sobre minha impressão sobre esta cidade, sobre nós os moradores dela, sobre tantas coisas e nas últimas semanas fui surpreendida pelas obras que vocês veem neste post. Elas são incríveis!


Duas das onças pintadas ficam exatamente em frente à louca Estação Pinheiros, onde milhares de pessoas tropeçam umas nas outras, em mim e eu nelas todos os dias.



Antes delas, eu havia quase quebrado o pescoço quando vi um banhista tentando pular no rio, quero dizer, isso foi o que me pareceu vendo de dentro do trem onde eu estava. Percebi depois que se tratava de uma escultura e compreendi que todas elas faziam parte da mesma intervenção artística. Eu olho para ela e penso: como eu queria conseguir inventar algo assim!

(Srur! me deixa trabalhar pra você! Encho super bem onças infláveis e sei montar manequins! rs...)



Eduardo Srur é famoso por suas intervenções na cidade e há enormes chances de você saber muito mais dele do que eu, inclusive porque essas obras já foram tema de reportagens anteriores dos principais jornais e revistas de São Paulo. Alguns dos quais passei os olhos hoje para escrever colher as fotos para este post.




Vendo as obras de Srur deu uma vontade e-nor-me de voltar aqui com a sessão "Uma obra de arte ou mil palavras" para perguntar:


O que você vê nesta obra?

Sei que ela não é enigmática como algumas que postei anteriormente, mas ela é muito profunda. Embora trate de uma temática que imagino ser clara para a maioria de quem olha (será?) creio que podemos ter reações, sensações e reflexões diversas a partir dela.



Quero lhe perguntar o que você vê na obra mas também:

Você acredita que nos contextos atuais a arte faz alguma diferença? 

Diz aí, por favor, tudo que passa pela cabeça de vocês e depois também solto o que anda pela minha.

Ah! O mais interessante é falar sem pesquisar primeiro. Você até pode pesquisar, mas o bom é que faça primeiro sua apreciação para depois juntá-la com outras críticas e informações ok?

Aguardo vocês!

(se quiser saber quais foram as obras tratadas anteriormente nesta sessão é só clicar no marcador "Uma obra de arte ou mil palavras")

ps: as imagens são da divulgação da intervenção.

27 novembro 2014

"Em todo lugar que eu olho agora"...


"Halo", Somnia Carvalho, 2014 
acrílico sobre tela, 1,60x1,1,40 cm

Há algum tempo postei aqui uma versão da conhecida "Halo", canção normalmente protagonizada pela pop Beyoncé, na voz da norueguesa que eu já havia apresentado a vocês. A versão, muito mais meu estilo, por ser calma, pausada e sem as batidinhas da primeira, vai bem mais fundo no sentido da canção. Sem contar que na voz de Ane Brun, para mim, é incomparável.

Essa versão ficou na minha cabeça, insistiu, ouvi e ouvi de novo dias seguidos até que, quando fui dar instruções para o Curta Metragem das minhas alunas e alunos de Mídias deste ano, veio de novo o desejo de trabalhar a diferença das duas interpretações. Pensar em como a mesma letra pode ser sentida de forma completamente diferente. Muitos odiaram! Outros, como eu, ficaram fãs da segunda.

Ouvimos as duas, analisamos, discutimos de vários pontos de vistas e abordagens. Quando foram fazer o curta do ano, a obrigação era que sua história tivesse uma mala, a música na versão da Ane Brun (não resisti a inclui-la) e a frase: "Esqueçam tudo que falei sobre o amor, até aqui só provei do ódio".
Claro, porque tenho tendência ao drama!



("Halo", Ane Brun)

O desafio foi lançado e histórias engraçadas ou dramáticas foram criadas. Entre elas, se destaca "Amor finito" que, ao meu ver, conseguiu dar uma naturalidade muito gostosa às três exigências, mesclando-as numa história criada por eles... Sem contar o uso muito bom que esse grupo de três meninas e dois meninos fizeram da câmera, do olhar, da edição... Adorei o resultado! (Só não consegui postar agora, porque o blogger não comporta o tamanho, farei isso no próximo post!).

Hoje, novamente, quando fui pintar resgatei um desenho antigo meu... o desejo que tinha de fazer uma série só com músicos, já que anos atrás fiz "O pianista". Adivinha qual foi a música que ouvi dezenas de vezes para compor a tela que vocês vêem aí? Exatamente! "Halo", de novo!

E então olhei para a tela e ela era um misto de cores de um cartaz de uma peça musical que vi na Suécia e estava ali no ateliê há algum tempo... Era também a mistura de uma amiga querida, cantora lírica, e seu corte de cabelo (a Cristiane) chanel. Tinha a boca de uma outra apaixonada por ópera... (a Ludmila), o violoncelo da versão de Brun. Ao mesmo tempo eu pensava numa outra pessoa que conheci e já adoro (Alê) que me pediu uma tela. Uma moça feliz, sorridente, cheia de vida! Alguém que imagino amando música!

Finalmente estou aqui... porque não queria deixar passar essa vontade de registrar como nossos pensamentos e nossas escolhas são este misto confuso e bonito de tantas coisas que vivemos todos os dias... Como somos marcados por pequenas coisas que transformam nosso dia, nosso jeito de viver cada dia...

E também para dizer: ai! que saudade de escrever aqui e de falar com vocês! De dividir o que tenho feito. Obrigada por tantos de vocês ainda estarem aí! De vez em quando recebo mensagens e cartas tão maravilhosas de agradecimento que põe no chinelo estes textos, mas aqui estou.

Minhas férias estão para começar e estou planejando, entre tantas coisas, pintar e escrever! E com certeza vou aparecer mais por aqui até o fim de 2014.

Beijo grande!