03 dezembro 2013

Cap. I: “Anda logo, seu saco de ossos!”


Capítulo I

“Anda logo, seu saco de ossos!”

A altura do espaço que ficava entre a viga de madeira abaixo de seus pés e o chão vermelho de terra lá embaixo não passava com certeza de uns 5 metros. Não era isto que o preocupava. Aliás, isto havia deixado de ser um problema quando entendeu que pulando haveria um grande risco de apenas espatifar-se no chão, quebrar alguns ossos e provavelmente ser obrigado a trabalhar ferido. Sim, seria um risco  imenso caso insistisse no Plano A. Não. Ele não era tão estúpido assim, apesar de acharem isso. Não havia frequentado muito a escola, mas sentia de si mesmo certa perspicácia com os números. Não se sentia inteligente, mas julgava-se bastante esperto. E se tinha algo do qual se orgulhava era essa certa habilidade natural para o cálculo. Gastava seu tempo agora em constatar como, de fato, havia escolhido os fios perfeitos: o entrelaçamento, a fibra, o nó. Ele já a havia usado em tantas atividades na fazenda e ela, sim, lhe parecia suficiente para dar fim ao seu corpo de 25 quilos e 450 gramas. Isso sem contar os testes conseguidos nas últimas três semanas. Seu peso com certeza não estragaria seus planos. E pensar que havia preparado tudo sozinho, como havia pensado no celeiro, cada detalhe, isso lhe dava uma mistura de prazer, culpa e autopiedade, tudo ao mesmo tempo.

Sim, era verdade, estava bem abaixo do peso para um garoto de 10 anos, e ele sabia disso, principalmente se comparado aos seus irmãos. Era o mais velho. Mas o saco de ossos que era não chegava ao peso do mais novo. Saco de ossos... Esse praticamente havia sido o único nome pelo qual o velho Anders lhe chamara aqueles três anos e meio. Ao contrário do irmão caçula, a quem o pai fazia questão de chamar pelo nome e o “ö” pronunciado de forma tão sueca que até mesmo lhe dava náuseas.

- Byörn, sussurou. Sentiria falta dele. De alguém mais? Provavelmente não. Com certeza não! De ninguém mais! Sua voz zangada assustou duas pombas acima dele. Elas voaram em direções opostas, voltaram-se uma para a outra, bateram-se de frente, e, finalmente, alcançaram a saída no topo do celeiro, enquanto uma ou duas penas flutuaram próximas de seu rosto.

Apertou um pouco mais a corda em torno do pescoço e foi colocando os pés pouco a pouco para fora da viga. O sapato apertado incomodava, mas ele fazia questão de não parecer um qualquer. Ele não era um qualquer! Ainda que fosse tratado como. Ele não apareceria em shorts beges rasgados e camisas surradas. Ele não seria sepultado como um mendigo. Não, não, não. Ele tinha sobrenome também. E, apesar de tudo, se orgulhava de não ser o mesmo do peste, mas também querido, Byörn. Ele não era um Zé Ninguém, ele era alguém. Seu nome era Sven-son. Svenson!, pronunciou em voz alta, como se houvesse uma platéia a assisti-lo no palco.

Umas faíscas de terra e pedrinhas caíram no ar. Só o calcanhar restava na viga. Ajustou a gravata roubada da gaveta de Byörn e limpou cuidadosamente o terno marrom claro do irmão. Estava pronto. Ele era forte, todos veriam. Ele fazia diferença, todos notariam. Ele faria falta, ninguém mais poderia negar. 



Eu tenho uma história pra te contar ... e você não vai sossegar enquanto...

(Foi assim que eu me senti quando terminei as primeiras linhas...)

Gente muito querida, muito mesmo, que ainda visita esta blogueira desaparecida, enfiada na vida, cheia de ideias que quase não coloca em prática, de saudade que não mata e quem quase sempre vai sendo levada pela correnteza... até colocar a cabeça para fora de novo.

Pois então! Minha gente preciosa, Sonildes está de volta! E ela quer arrebentar em 2014. Pelo menos ela quer arrebentar o blog com uma nova história que tem para contar, um projeto o qual, finalmente, saiu da gaveta depois de 3 anos e meio.

A partir de hoje eu começo a contar para vocês a história de um grande amigo que fiz na Suécia. Sabe aquelas histórias que dão um belo livro, um excelente filme? Sabe aquelas pessoas cuja vida você começa a contar no meio de um jantar e quando vê está todo, mas todo mundo parado te ouvindo? Então, destas! Verdade!

Minha ideia ousada e metida a besta é a seguinte: eu escrevi o 1o. capítulo do livro (ou ao menos estou chamando assim por hora), fiz um teste drive com algumas pessoas que aprovaram. Este primeiro é curto, mas eu agora consigo ter a ideia do livro todinha na cabeça. As cenas, as falas, ai tudo! Tô quase pirando o cabeção porque quero poder pôr no papel logo!

Funcionará assim: eu vou publicar capítulo a capítulo deste livro até um momento em que ou eu consiga uma editora ou vocês decidem que o livro é bom e vão publicá-lo comiga! rs... Hoje em dia existem várias formas de se publicar um livro, mas eu e meu amigo a gente não quer só publicar! A gente quer que seja muito bom! E a gente quer ganhar dinheirinha! rs... Na verdade, meu querido amigo me disse que se a história dele puder se escrita e, um dia, se os filhos e, possíveis netos, puderem ler ele ficará feliz e realizado...

Pois! Pois! Acredito que se de fato eu conseguir escrever direitinho e vocês me ajudarem na empreitada a gente consegue! A história é baseada nesta história real. Um romance fictício sobre uma história real, é assim que se fala?

Durante as semanas que antecederam meu retorno ao Brasil eu passei horas e horas gravando a história deste meu amigo... eu devo confessar que não dormi muito bem naqueles dias só pensando e repensando tudo que ele me contava... e eu ri muito, muito! E chorei ... ai como eu chorei! assim como sei que vocês muitos de vocês também o farão.

O que eu vos peço caros senhores e senhoras que sempre apoiaram as minhas ideias mais mirabolantes?  Que vocês leiam...Sim! Uma escritora que se preze precisa de leitores! E que se desejarem, palpitem! E se gostarem, divulguem entre seus amigos do face, da vida real, da vida imaginária todas elas!

O que eu prometo? Não parar no meio... Não desistir, não deixar a história sem fim para que não aconteça o que já me aconteceu quando vi séries boas que não obtiveram patrocínio e pararam... Então! Eu tenho tudo aqui... cenas, como escrever, tudo! E minhas férias começam daqui uma semana, ou seja, a hora é perfeita!

Vocês topam? Eu garanto que pode ser bem divertido! Tô pensando em pôr em votação o título e outras coisas mais para o projeto ser meio em conjunto. Que vocês acham? É que eu sou das loucas que pensa melhor falando e papeando.

Antes de tudo quero me comprometer a divulgar ainda esta semana a tela que a Lu Brito (nossa querida participante) ganhou no concurso de textos do Borboleta "Um casamento, mil lembranças" e também a publicar a segunda parte do post sobre Sartre e a liberdade e! responder os comentários que vocês bacanas deixaram lá, ok?

Feito isso eu quero dizer que hoje, às 19 horas será o lançamento do livro aqui no Borboleta.

-Posso contar com vocês???

-"Pooooode!"

Legal gente! Vocês são incríveis!

Ah! peguem táxi para o lançamento porque champagne não pode faltar!!!