26 março 2013

Ver através do olhar do outro: meus instagramers preferidos

(Um dia de chuva em Paris sob o olhar de @vutheara)

Uma das coisas com as quais sonhei, desde bem pequena, era poder viajar muito. Lembro da sensação maravilhosa de acordar de madrugada, eu e meus irmãos ainda crianças, enquanto meu pai e minha mãe ajeitavam as malas, para que fôssemos de férias para o litoral norte de São Paulo, numa Variant bege ou numa Brasília verde abacate.

A preparação, a saída e aí a ansiedade do caminho para ter, finalmente, a alegria contagiante da chegada.

Viajar sempre foi e continua sendo algo que me mantém viva. Mais do que estar viva, dá sentido à vida.
Viajar para mim é explorar pessoas e lugares, cheiros e sons, línguas e costumes, objetos e história e posso viajar no meu bairro, na minha cidade, em outras cidades do meu país ou por outros países.

Entre meus prazeres possíveis dos últimos tempos está viajar através do olhar de pessoas comuns, como eu, mas que vivem em cantos diferentes do planeta.

As fotos do aplicativo instagram, exclusivo para ser baixado em celulares, me coloca todos os dias num lugar diferente do mundo e posso quase sentir a atmosfera criada por estas imagens.

Aqui neste post resolvi selecionar 3 dos instagramers que mais frequento. Suas fotografias são temáticas dos locais onde vivem. Dois deles são de lugares que conheço bem, Paris e Suécia, e um, de um local que ainda quero conhecer, Instambul.

Christoffer Collin vive na Suécia e é morador de uma pequena cidade (e pequena já para os moldes suecos) chamada Karlskoga. Com 30 mil habitantes e uma natureza de deixar a gente de queixo caído o pequeno vilarejo dá a Chris (ou @wisslaren como é conhecido no instagram) as cenas para encher os olhos de gente do mundo todo que o acompanha todos os dias.



(A mesma árvore fotografada dezenas de vezes, http://web.stagram.com/n/wisslaren/ instagram)

(@wisslaren, galeria)

Para mim é um exercício diário de revisitar a Suécia, lembrar as estações e as mudanças na natureza. A Suécia e sua calma está perfeitamente retratada nas fotos desse sueco discreto.

Como a maior parte dos instagramers, Collin é fotógrafo amador e tem na fotografia um de seus grandes prazeres de vida. Sua vida de gente "normal" inclui trabalhar como gerente numa grande companhia na Suécia e curtir sua família e amigos.

Além de passar pela Suécia eu viajo todos os dias até Paris. Não tenho certeza quantas vezes estivemos na eterna cidade do Napoleão, mas em todas elas eu descobri sempre alguma coisa nova, alguma rua maravilhosa, um monumento deslumbrante para se visitar... Falta-me ainda tantos lugares para visitar, mas eu sou bem clichê em afirmar que Paris ainda é o lugar mais lindo que visitei. Talvez o que mais me inspire também.

O curioso é que eu vejo Paris através dos olhos de um quase estrangeiro, Vu Theara (@vutheara), de quem sei apenas que vive na cidade há apenas 5 anos e é designer de interiores. Nem mesmo seu nome consegui descobrir. Talvez o olhar estrangeiro ainda note belezas que o olhar acostumado a vê-las desde sempre já não vê sentido em notar.

Vu Theara (cuja exposição você pode conferir aqui) consegue capturar a aura parisiense ao mesmo tempo que captura o vai e vem da cidade, os visitantes, o moderno sobrevivendo em meio ao velho. É tudo tão, tão lindo que às vezes me esqueço que estava apenas olhando para uma foto. Eu, de fato, volto àquela cidade... e meu desejo é de ter essas fotos impressas gigantes em minha parede.


 (Notre Dame, Paris por @wutheara)

(Paris pelo olhar de @wutheara)

Ciler Geçici (@audiosoup), uma gerente quem trabalha com música, vive em Istanbul. Seu olhar captura, quase sempre, a arquitetura da cidade. A figura humana aparece quase como uma nota musical numa partitura...Geçici nos mostra uma Istanbul imponente, mas sobretudo a Istanbul que ela deve conhecer desde pequena: a das casinhas pequenas e coloridas, os sobrados com suas roupas penduradas, o povo simples e pobre, as crianças nas escadarias ou os bondinhos no centro da cidade. Prefiro as fotos com menos edições, as cores mais naturais dela, mas no geral seu olhar é fascinante. E morro de arrependimento de nunca ter ido até a cidade de Ciler quando estava tão mais perto de lá.

("Barco", Istanbul sob o olhar de (@audiosoup)


("Barco", Istanbul sob o olhar de (@audiosoup)


É isso! Espero que você também consiga viajar um pouco com estas imagens e visite a página deles para ter outros prazeres... Vale muuuito a pena!

Ah! E para quem deseja comprar algumas dessas e das milhares de fotos do aplicativo é só consultar a página do Instacanvas, procurar pelo "artista" que deseja e pronto.

Beijo grande!


22 março 2013

"Somebody that I used to know"


("Somebody that I used to know", Gotye, feat. Kimbra)

Bom demais de se ouvir e também de ver...



Somebody That I Used To Know 
Gotye - (feat. Kimbra)


Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know

Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know

I used to know
That I used to know
I used to know
Somebody

21 março 2013

Qual seu sonho?

(Cena de "Os miseráveis", em que o jovem pobre e o jovem rico se juntam para lutar contra a miséria de seu povo, musical baseado na obra de Victor Hugo)

Hoje acordei "naqueles dias femininos" que quase todas nós bem conhecemos. Os dias em que os peitos incham, as saudades aumentam, os problemas do mundo, mais do que cansarem, doem em cada osso e a música do caminhão do gás nos faz chorar.

Já ouvi "Les Miserables", o que ajudou muito a chorar pelo mundo por quem já se foi, por tudo feito, pelo não feito e pelo que ainda se sonha a fazer, mas se imagina não poder... E também a pensar que o mundo hoje não é tão pior do que já foi e como tantas milhares de formiguinhas operárias eu estou aqui no mundo cumprindo minha parte.

Depois de acordar assim, eu tive minha conversa de toda quinta feira com um colega (a quem chamamos de buddy) do grupo Landmark, pois sou assistente do Fórum Landmark e tenho o compromisso comigo mesma de manter viva a possibilidade de viver minha vida extraordinariamente. É algo que fazemos para esvaziar o balde, focar no que de fato nos interessa e nos deixa felizes. Reconhecemos nestas conversas nossas operações de fachadas as quais estão sempre aí nos limitando, tirando a energia e de algum modo trazendo culpa ou sofrimento.

Temos culpa e sofrimento por tantas coisas: por não ir à academia, por não brincar o suficiente com nossos filhos, por não ter nos depilado no dia correto, por ver uma criança pobre no semáforo, porque a moça do caixa do mercado parece insatisfeita, porque a comida queimou, porque não fizemos o planejado no dia anterior...

Vinte minutos depois de reconhecer onde eu estava travada organizei no meu mural do escritório minhas tarefas. Elas pareciam milhares antes de começá-las, mas ficaram claras e pareceram novamente possíveis e gostosas de se fazer. Foi maravilhoso! De novo!

Eu mesma disse a uma amiga esses dias quem se queixava de tudo estar um horror por ela estar naquela tensão pré menstrual: "A TPM agudiza o que você sente, mas não sei se inventa..."

Sim, eu não inventei as mazelas sociais pelas quais vejo parte de meus alunos passar, a corrupção escancarada e denunciada no facebook, o sofrimento de um jovem como o David Santos Souza ou tantas outras coisas. Por outro lado, sofrer por isso como se fosse eu, se fossemos nós as vítimas é uma operação de fachada. É uma desculpa para ou não fazer o que se precisa fazer, ou para justificar porque ficamos parados frente a algo quase impossível de mudar.

Ontem, dando aulas de Sociologia para a 1a. série eu trabalhava as teorias de Durkheim, Weber e Marx e, embora tenha ficado em silêncio, eu sempre, sem-pre!, me identifico com Marx.

Durkheim (perdoem-me o resumo quase ultrajante que faço do teórico aqui apenas a título de menção) vê os fatos sociais, essas coisas das quais falei acima como algo dado, algo que está aí como um fato e o melhor que temos a fazer é conviver com isso e aceitar. Em partes, concordo! Foi isso que me salvou de enlouquecer na volta da Suécia para o Brasil.

Weber crê que estes fatos não foram criados a nossa mercê. Eles foram constrúidos e são construídos por nós. Somos parte da estrutura social que aí está. Claro! Como não concordar também com este ponto de vista. Weber, inclusive, em sua "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" (1904)  o qual está entre os livros mais esclarecedores que li até hoje, explica como o Capitalismo se sustentou, cresceu e foi motivado pela conduta metódica e a ética dos protestantes. Então, para Weber é possível sim alguma contribuição para construir o mundo ao meu redor. Também depende de mim torná-lo um lugar melhor de se viver.

A ideia que normalmente mais cativa, mesmo que depois de estudar tanto Adorno e a Escola de Frankfurt, ainda é a de Marx, a utopia mais bonita de se acreditar: que o povo tome o poder, os bens necessários para criar uma vida igualitária e que saiba dividir este poder e estas posses de forma justa. Seria um mundo realmente lindo de se viver! O problema é que eu, como a maior parte das pessoas, desejaria até uma revolução, mas sem luta, sem sangue, sem mortes.

Sem contar nossa utopia da paz, ainda tem tantos milhares que falam de uma revolução sem cortes de privilégios, continuando a levar vantagens sempre que possível, sem pensar na conta de água ou luz, sem separar o lixo, pagando o mínimo possível pelo máximo de trabalho possível dos seus empregados, comprando roupas de lojas punidas pela lei por escravizar trabalhadores... Ou seja, querem, queremos, uma revolução, um mundo melhor desde que, ajudando a pobres, ela mantenha nossa vida exatamente como está!

O que é então possível?

Hoje, eu prefiro ficar assim: há coisas colocadas na minha vida antes mesmo de eu nascer. Há fatos que por mais que eu lute contra eles provavelmente permanecerão os mesmos, ao menos por um bom tempo, provavelmente enquanto eu ainda viver, mas como sonho com este dia em que a racionalidade servirá para proporcionar uma vida boa, justa, feliz para todo ser humano, então eu estou aqui a escrever este post para dizer: indignar-se é preciso, mas sonhar com algo novo é um dever!

Eu fico feliz de ver que muitos de vocês, nós nos indigamos com toda a podridão no Congresso, com a tragédia do rapaz David (eu choro só de pensar no nome dele) e tantas outras por este nosso país e nosso mundo, mas o que teríamos hoje se no passado todas as pessoas tivessem sentido que fossem as coitadinhas por viverem num mundo de peste e morte, domínio de poderosos e exploração? O que teríamos se as pessoas se conformassem em ficar sentadas nas suas carteiras e tirar notas razoáveis ao final do trimestre para ter um diplominha no fim do colégio? O que teríamos se os professores de filosofia tivessem se conformado em fazer seus alunos decorar uma dezena de nomes ao invés de proporcionar (a duras penas) que alguns de seus estudantes vissem no mundo uma chance de auto conhecimento, transformação da realidade, de criação, de viver a vida extraordinariamente e não de forma ordinária?

Eu ainda sonho.
Eu ainda luto.
E é isso que eu sei fazer!
E quer saber?
A verdade é que eu amo muito tudo isso!

Uma quinta feira maravilhosa pra você que está aí do outro lado?
E agora uma pergunta:

O que está ao seu alcance fazer hoje para ter uma vida extraordinária?


19 março 2013

Tá ouvindo o povo cantando?


("Do you hear the people sing?", Les Miserables')


Gente boa! Eu sei que chega a soar ridículo, mas já faz quase um mês e continuo com "Les Miserables" na cabeça.

Continuo ouvindo suas músicas quase diariamente e com Victor Hugo na cabeça. Depois de meu último post fui novamente ao cinema, desta vez com outra amiga, e fico pensando que a humanidade já tem que valer muito a pena por ter tido um dia alguém capaz de escrever algo como "Os miseráveis".

Vocês estão ouvindo as pessoas cantarem? Eu não páro de ouvir!

Esta música aí acima encerra a história, faz parte da última cena que é tristíssima, mas, ao mesmo tempo, cheia de esperança.

É a canção de um povo que não será escravo novamente!


Do You Hear The People Sing?

Do you hear the people sing?
Singing a song of angry men?
It is the music of a people
Who will not be slaves again!

When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!

Will you join in our crusade?
Who will be strong and stand with me?
Beyond the barricade
Is there a world you long to see?
Then join in the fight
That will give you the right to be free!

Do you hear the people sing?
Singing a song of angry men?
It is the music of a people
Who will not be slaves again!

When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!

Will you give all you can give
So that our banner may advance
Some will fall and some will live
Will you stand up and take your chance?
The blood of the martyrs
Will water the meadows of France!

Do you hear the people sing?
Singing a song of angry men?
It is the music of a people
Who will not be slaves again!

When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!


...

Você Ouve as pessoas Cantarem?

Você ouve as pessoas cantarem?
Cantando a canção dos homens furiosos
Essa é a música de um povo
Que não será escravo novamente



Quando a batida do seu coração
Echoa na batida dos tambores
Há uma vida prestes a se iniciar
Quando a manhã chegar



Você vai se unir a nossa cruzada?
Você será forte e ficará comigo?
Além da barricada
Há um mundo para se ver por muito tempo?
Então junte-se à luta
E você ganhará o direito de ser livre


Você ouve as pessoas cantarem?
Cantando a canção dos homens furiosos
Essa é a música de um povo
Que não será escravo novamente

Quando a batida do seu coração
Echoa na batida dos tambores
Há uma vida prestes a se iniciar
Quando a manhã chegar

Você dará tudo que pode dar
Para que nosso estandarte possa avançar?
Alguns vão morrer e alguns vão viver".