31 março 2012

Diálogos inesquecíveis com Marina: "eu não nasci de óculos", mas eu amo um!

(Pose, Marina com seus "óscus", S. Paulo, abril de 2012)

Há uns três anos, publiquei um post com um dos "Diálogos Inesquecíveis com Ângelo" e me lembrei novamente hoje, enquanto acompanhava o banho dele com a irmã, como tiro poucas fotos dela ou filmo-a tão menos ou escrevo nada quase sobre os "Diálogos Inesquecíveis com Marina".

Sem contar o fato de estar agora no Brasil e antes querer dar "notícia" para a família, com duas crianças o tempo que era escasso vira algo que não lhe pertence.

Entretanto, estas fases são tãoooo lindas, tão incríveis que penso todos os dias: "por isso a gente tem filhos! porque a natureza quer que nós nos lembremos de coisas simples assim como uma "fuguiga!"... que a gente se encante com um nossa! um cachorro atravessando a rua... Sim! Aquele animal estranho com um rabo pendurado atrás e faz: "au, au, au".

Aqui vai uma foto da Marina quem me só confirma como é maravilhoso poder acompanhar um ser humano se desenvolver. Esta fase de aprendizado das palavras então! (poponatu, leãão, tigui, lafa) Ai! dá vontade de morder, daí então eu beijo o tempo todo a coitada!

Vai também um dos milhares de "Diálogos inesquecíveis" com ela para que, apesar do pouco tempo de registrá-los, quando a memória falhar na velhice ou se a menina um dia duvidar de sua importância eu tenha um pouco disso registrado:

(Óculos de sol com pijamas será o must do outono inverno brasileiro, Marina, S. Paulo, abril de 2004)

- Mamãe! Mamãe! uda!
- Que você quer Má?
- Uda!, apontando alguma coisa na cômoda. Óscus, mamãe! Uda!
- Ah! você quer os óculos Má!, caindo na gargalhada.
- É mãmãe! óscus! uda!

Depois de colocado e muita pose se olhando no espelho.

- Má, deixa a mamãe tirar uma foto da Má de óculos?
- Tila mamãe!
- Pronto! Tirei!
- Mais uma mamãe!
- Pronto!
- Mais mamãe!, com mais poses...
- Pronto!
- Ôta mamãe!...
- hahahaha Marina!

23 março 2012

"Operações de fachada": quais são as suas?


No início de dezembro do ano passado eu vivenciei uma das transformações mais ricas e marcantes da minha vida toda.

Eu cheguei a citar em alguns posts a minha participação no Fórum Landmark, o segundo deles ocorrido no Brasil, e ainda a prometer detalhar o quê exatamente eu havia aprendido que havia sido capaz de mexer tanto comigo num espaço tão curto de tempo.

Podemos entender o Fórum Landmark como um aprendizado, ocorrido em 3 dias inteiros de curso e uma noite, em que se pode avançar incrivelmente sobre aspectos de nossa vida nos quais sentimos que estamos estagnados ou patinando, levando para lá e para cá como dá, mas quase sempre levando tombos enormes. Avançar ainda quando tomamos atitudes que estão nos levando para caminhos os quais de antemão não desejamos ou, um pouco pior, por caminhos onde não fazemos idéias de que um dia acabaremos inexoravelmente por chegar, mas os quais se conseguíssemos antever, através de uma "bola de cristal", com certeza tentaríamos com todas as forças mudar o rumo deles.

Faz agora mais de 3 meses que terminei o curso e é curioso como só agora me sinto mais apta a falar dele sem me embaralhar muito no universo de ganhos, no vocabulário e crescimento pessoal em que mergulhei naquele fim de semana de dezembro.

Bom, são 5:08 da manhã. Acordei sem querer com Marina choramingando e perdi o sono. Então comecei a pensar numa "conversa" que tive ontem com alguns amigos conhecidos no fórum e pensei que a hora de dividir um pouco mais de tudo isso poderia ser agora.

Senta que o post é longo, mas garanto que vale a pena.

...

Episódio 1: Só sei que acho que tudo sei (Sônia x Sócrates)

Uma das coisas mais valiosas que aprendi naquele "curso" é como nós atuamos nas nossas relações pessoais diárias com os mais próximos e também nas mais superficiais com, o que no Fórum chamam de, nossas "operações de fachada". 

Uma "operação de fachada" é uma ardilosa, geniosa e aparentemente eficiente operação que criamos para os outros e para nós mesmos a respeito de pensamentos e atitudes que temos diariamente e tem a função exata de encobrir, de deixar velada nossos reais motivos, nossos reais pensamentos, nosso real modo de ser.

Calma! Diz aí para essa "vozinha" que já começou a falar em sua mente "Onde ela quer chegar com isso?", "Não estou entendendo nada disso!", "Para que serve tudo isso?" que eu vou dar alguns exemplos bem claros e já já eu chego lá!

Eu não sei datar exatamente, mas talvez há uns dois anos um das pessoas mais queridas do meu círculo de amigos veio me falar que sua vida havia passado por uma admirável mudança porque ele havia feito um curso incrível em Londres. Essa "conversa" voltaria muitas vezes depois e agora de manhã eu consegui visualizar várias das minhas "operações de fachada" todas as vezes nas quais ele tentou me convidar a participar do Fórum.

Como meu amigo estava vivendo aquela transformação ele obviamente falava muito dela e tinha desde o início uma ânsia de que a gente entendesse aquilo e também pudesse pessoalmente vivenciar o mesmo. Então, logo nos primeiros convites feitos para que eu participasse, quando eu ainda morava na Suécia, eu respondi: "Parece ser bem legal, Ênio! Mas acho que teria mais serventia para o Renato, quem  de fato está trabalhando e também trabalha no mundo corporativo como você". Minha "operação de fachada" escondia então a real razão, mas que eu, claro, não tinha coragem de dizer a ele: "Amigo, isso tudo serve até para outro engenheiro que não aprendeu coisas na Filosofia como eu, mas para mim seria chover no molhado".

Numa outra vez, quando o Ênio dividia seus avanços e me falou novamente: "Sô, vai ter o curso aqui no Brasil, você não quer fazer?" e eu tinha rapidamente uma resposta: "Seria muito legal, mas agora eu tô com outro bebê pequeno, estou me readaptando ao Brasil e é um momento complicado, mas o Renato talvez tenha interesse em fazer".

De novo eu queria ter dito algo que eu achava que meu amigo não entendia: eu não era o perfil de gente que faz "curso de auto-ajuda"! Eu já havia passado de leitora assídua da Bíblia e participante fervorosa em comunidade de bairro para um auto conhecimento experimentado com leituras de Platão, Descartes e Kant; Marx e Adorno; Freud e Jung. Isso tudo sem contar oito anos de terapia com duas psicólogas e dois tipos de abordagens psicanalíticas diferentes. EU era a pessoa quem sempre havia pensado em se auto conhecer. EU já estava cansada de me conhecer e fazia isso diariamente. E EU obviamente não acreditava nem precisava de um curso de três dias para isso!

E foram vários os convites. Nunca insistentes, mas sempre com uma esperança de que eu aceitasse ou de, ao menos, ir em alguma reunião de apresentação. Meu amigo teve paciência. E muita!

...

Episódio 2: Penso, mas ainda não existo (Somnia x Descartes)

Depois de experimentar ser mãe, ser professora, ser artista. Depois de viver fora do Brasil e conhecer cantos do mundo os quais eu nunca havia sonhado em estar, em falar outras línguas e estacionar minha vida profissional com meu diploma de doutorado na mão eu comecei a sentir que eu não sabia mais exatamente onde queria chegar com tudo aquilo. Eu não só queria mais e não sabia o que queria, mas eu não sabia como ter um pouco daquilo que eu achava que talvez soubesse que queria.

E mesmo com as poucas "conversas" com meu amigo nas quais eu de fato "estava presente", comecei a me dar conta de que vivia patinando, mas patinando muito mal nos assuntos que eram importantes para mim. Comecei a perceber o tom repetitivo, insistente da minha "conversa", quando alguém - por conta das minhas reclamações de insatisfação pessoal - me perguntava o que eu iria fazer agora de volta ao Brasil, ou queria saber por que eu não investia no (que eles julgavam ser) meu talento artístico ou por que eu não voltava a lecionar e retomava minha carreira acadêmica ou até mesmo como eu ainda não havia escrito um livro com tantas histórias tão bem contadas neste blog.

Foram muitas "operações de fachada" que eu precise criar para eles e para mim mesma a fim de sustentar uma imagem cuja função era não mexer nas feridas e nas verdades:

- Vida acadêmica depois de quatro anos parada é complicado!
- Conseguir trabalho sem ter tempo nem para preencher um currículo é quase impossível!
- Viver de pintura seria ótimo, mas eu não tenho tempo nem dinheiro para fazer disso minha principal profissão!
- O grande problema é que minha formação é um balaio de gato: eu sou e não sou um monte de coisas! Sou professora de redação, mas tenho doutorado em Filosofia. Sou filósofa, mas tenho experiência como pintora. Sou pintora, mas não tenho diploma na área. Adoro escrever, mas essa não é minha profissão!

Durante todo este tempo eu não só criei "operações de fachada" para fechar a boca das pessoas, mas eu de fato criei coisas diárias para fazer baseadas nestas desculpas. E como o que eu arrumava para fazer ainda não era exatamente algo que de fato acalentasse minha o ânimo e eu continuava a achar outras idéias geniosas e mirabolantes para dizer "olha! tá vendo como não dá mesmo certo para mim!". E... blá blá blá! Eu sempre fui cheia dos blá blá blás! Era tanta "operação de fachada" que chega a ser engraçado agora reconhecê-las todas juntas.

No Fórum "caíram tantas fichas", "estouraram tantas pipocas", o que continua ainda acontecendo, mas elas são muito pessoais e envolvem outras pessoas o que não me dá direito aqui de partilhá-las. Aliás, há uma postura ética que deve ser assumida por todos no curso que é a de manter em sigilo as histórias ouvidas e vividas lá. Não só sua identidade, mas a história mesmo. Então eu tenho apenas sobre mim dezenas de ganhos realmente extraordinários feitos nesses três meses. Coisas que às vezes só eu sei e outras que as pessoas percebem nas minhas ações, mas falarei apenas da uma ou duas delas com detalhe aqui.

...

Episódio 3: Não estar-sendo-aí-no-mundo (Somnia x Heidegger)


Eu finalmente aceitei o convite de meu amigo para ir conhecer o Fórum através de uma apresentação sem compromisso que seria feita perto da minha casa. Fernando Camacho, um chileno, cuja fala nesta apresentação, eu já havia partilhado antes com vocês no post "Ninguém me ama, ninguém me quer", foi quem primeiro me confrontou com uma das minhas  muitas "operações".

Ao ouvi-lo naquela noite eu fiquei extremamente "tocada". E ao anotar num papel os aspectos de minha vida que estavam estagnados e eu desejava mudar eu anotei rapidamente o profissional. Eu me sentia completa no aspecto pessoal e desejava ardentemente ser uma pessoa "mais objetiva". Era essa minha fala.

Quando a apresentação terminou eu senti um desejo que não sentia há muitos anos: o de participar de um curso. Eu queria muito poder avançar naquelas idéias que eu havia ouvido ali e sonhei para mim ter a clareza que Fernando demonstrara ter com relação às suas atitudes, seus pensamentos e suas relações na vida. Eu sabia que seria de fato algo diferente do que eu havia feito até então e poderia sim ser um passo enorme em direção a uma diferença.

Ao final, quem quisesse poderia ir até o fundo e se inscrever no curso. Eu, como sempre boa anfitriã, fui até lá cumprimentar Fernando e dizer de como ele havia me "inspirado".

- Ah! Muito obrigado..., disse ele olhando para meu crachá, ... Sônia! Fico muito feliz em saber! Você então quer fazer o curso?
- Então..., comecei eu com a ladainha e as operações..., eu adoraria. Eu quero muito fazer.
- Mas por que você não aproveita e já se inscreve?
- Porque a verdade é que eu estou no momento sem trabalho e não acho certo usar a renda da família para fazer um curso assim só porque eu achei legal. Eu realmente queria, mas prefiro ver se eu consigo arrumar algum dinheiro nestes próximos meses e quem sabe poder pagar sem me sentir culpada.

Então o Fernando gabaritado no Fórum identificou minha operação e me disse:

- Mas isso Sônia não é repetir exatamente a Sônia quem você diz que não quer ser? Não é sua maquininha jogando para frente o que te importa hoje que você acabou de reclamar? Você não disse que seu problema é não ser objetiva?

Sim! Estava reconhecido! Percebi rapidamente e vi minhas falas como num flash sempre dando desculpa por não ter dinheiro, por não ter o emprego, por isso e aquilo... Fernando me perguntou então se havia algo que eu pudesse fazer para ter o dinheiro como eu havia mencionado. E afirmei que sim, que eu poderia vender umas pinturas. Falamos mais, ele sempre mais "ouvindo" do que falando e eu percebi que    vivia jogando para cima do Renato (mesmo que em silêncio) a culpa por eu não poder fazer o curso.

Desde o início, mesmo quando imaginei por um fração de segundos fazer eu julgava que quem tinha de fato o direito de gastar dinheiro num curso de auto conhecimento era ele quem vinha pagando as contas da casa. Mesmo que nossa conta fosse conjunta, mesmo que eu tivesse minhas eventuais rendas extras, mesmo que ele nunca houvesse separado o dinheiro dele e o meu e deixasse claro que tudo que temos agora é fruto de sacrifícios e trabalho dos dois. Ainda assim, eu me sentia inferior a ele. Eu o julgava com mais poder do que eu. Eu tinha raiva dele por não poder fazer o curso e ele não querer pagá-lo para mim, pois isso ele já havia afirmado que não faria. "Você quer fazer, faça!, mas pague você mesma!". E naquele momento com o Fernando eu vi como minhas "operações de fachada" me mantinham sempre no mesmo lugar. Esse é o problema delas! Este é o grande problema!

Quando damos desculpas para os outros e estamos conscientes delas já temos algumas perdas, mas os ganhos nos parecem maiores então prosseguimos. Todavia, não percebemos, que para além das "operações" conscientes há uma quantidade enorme de "operações de fachada" inconscientes. Algumas assumidas de tanto repeti-las, outras que fizemos automaticamente para omitir algo, para nos esconder, para nos proteger. Elas estão ali há anos! Caminham conosco e nós as carregamos. Nós não conseguimos viver sem elas, porque ao primeiro sinal de perigo nós as pegamos e as utilizamos como escudos.

...

Episódio 4: O prisioneiro consegue ser libertado da caverna (Sônia a favor de Platão e dela mesma)


Quando se reconhece uma "operação de fachada" a razão real vem à tona e com isso não é mais possível esconder-se. É preciso enfrentar a verdade e sem o escudo protetor. Só nós mesmos. Com o que somos. E fazer isso não é fácil. Não só precisamos sair da zona de conforto, mas precisamos lidar com algumas perdas. Será preciso escolher entre ir trabalhar fora novamente ou ficar em casa cuidando dos filhos que ama; será preciso escolher entre ter horários flexíveis e estar em casa pintando e talvez ser reconhecida financeiramente, será preciso escolher entre ser nosso eu novo perdendo os ganhos todos que o antigo tinha. E tudo isso, gente, é difícil. É preciso querer de fato criar uma nova possibilidade de ser, mas eu diria que, acima de tudo, é necessário desejar muito ser  verdadeiramente feliz. Sem máscaras.

O fato é que apenas depois de uma "conversa" inicial, de 2 horas, sobre o Fórum eu havia compreendido coisas nunca antes compreendidas sobre mim. Há, porém, algo ainda mais forte que isso: eu consegui pela primeira vez mudar não só entender e sossegar, eu consegui agir diferente.

Me inscrevi naquela mesma noite no Fórum. Cheguei em casa e "partilhei" com Renato o que havia percebido. Assumi que ganharia o dinheiro para pagar o fórum. Naquela noite dei uma entrada de R$300 reais para segurar a inscrição e faltariam R$750 que deveria ter nos próximos três meses. Tirei idéias engavetadas, projetos de pintura que tinha, criei um novo blog e o vinculei a um site de vendas e anunciei para vocês o "Toda Sexta-Feira". Naqueles meses eu criei com um êxtase incrível! Eu só queria pintar e pintar e foi assim que acabei vendendo algumas telas (hoje eu não tenho quase nenhuma mais!) e em dois meses eu já tinha o dobro do dinheiro necessário para fazer o curso.

E lá fui eu dia 03 de dezembro enfrentar a maior batalha que eu havia enfrentado até então, uma batalha cujo tema era eu. Eu e os meus muitos eus ocultos. O que eu não tinha clareza era de que minhas "operações de fachada" estavam apenas por serem desemcobertas. Entre algumas percebi que o boicote a mim mesma e a recusa insistenten em fazer o curso e tomar outros rumos tinha a ver com o não querer deixar minhas crianças e me separar delas; com o medo de perder um tempo tão precioso na minha vida e na dos dois; com o medo de parecer não ser uma boa mãe a eles e principalmente para os outros; com o medo de não ter sucesso e fracassar; de assumir outros gostos que não os de anos atrás e talvez quem sabe nem querer mais seguir o que eu havia lutado tanto para ter...

Continuo tendo várias "operações", mas há agora uma diferença salutar: eu consigo rapidamente perceber grande parte delas enquanto estou atuando com minhas máscaras e "abrir mão" antes que elas se colem na minha face e virem uma outra Sônia que a Sônia mesmo não desejava.

Se você deseja, como afirmam no Fórum, dar um salto qualitativo na sua vida, descobrir véus que circundam seu olhar, vivenciar sua vida de uma forma que jamais experimentou então segue o convite feito esta semana pelo meu amigo Ênio que é o responsável pelo Fórum no Brasil:

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Descrição: http://www.mkteventos.com.br/landmark/imagens/tarja7.jpg

Prezados Amigos e Amigas,
Se você está disposto a criar novos saltos para as áreas importantes de sua vida.


Se está disposto a avançar além daquilo que hoje parece possível realizar.

Esteja conosco para a próxima Reunião de Introdução do Fórum Landmark.
Convide outras pessoas de seu relacionamento. Elas são tão benvindas quanto você.

Basta confirmar presença por telefone ou no email abaixo.


Quando: 19/03 – 2ª. feira Horário: das 19:30 h  às 22:30 h
Onde: Rua Caraíbas, 1051 - Mezanino
Pompéia – CEP 05019-011 – São Paulo – SP



Time Brasil - Landmark Education
ESCRITÓRIO


Telefone:
(011) 3675-4088

Fax:
(011) 3679-9222

e-mail:
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Enio Rocha:
(011) 8476-4499

21 março 2012

Saramago e Win Wenders que não me saem da cabeça!


(José Saramago e Wim Wenders, em "Janela da Alma")

Nem é tão tarde, mas eu estou e-xaus-ta!
Ainda assim queria muito postar este vídeo que tenho revisto dezenas de vezes nas últimas semanas.

Trata-se de um trechinho de um dos "filmes" mais lindos que já vi (na verdade é um documentário): "Janela da Alma", de João Jardim e Walter Carvalho, feito em 2001.

Acontece que tendo voltado a lecionar Filosofia (depois do rebolado inicial veio agora uma alegria interna imensa!) eu venho revisitado coisas que li e vi nestes anos para se somar às questões atuais de interesse e importância para os alunos.

Nesta parte da entrevista, tanto Saramago, nobel de literatura, quanto Wim Wenders, cineasta alemão falam tão humanamente, tão de alma aberta, sobre como nossas necessidades mais profundas são roubadas no mundo contemporâneo.

Um mundo onde a imagem rouba sempre a cena, onde a TV substitui o livro, onde a experiência de ver o outro por uma câmera substitui minha própria vivência, onde tudo é não só repetido em demasia, mas exagerado sem nenhum cuidado, a alma fica a mercê disso tudo porque, lá no fim das contas, há um produto para se vender.

Um mundo vazio, mas tão geniosamente construído que nos dá a impressão de que nunca tivemos tantas escolhas, de que nunca houveram tantas coisas para se fazer, assistir e viver. O problema, afirmará os dois de alma aberta, é que nós nem mesmo percebemos que desse tanto nossa alma, de fato, não recebe nada.

Assista porque vale muito a pena! E essas consideraçõezinhas que fiz aqui são só o começo do novelo!
Vê sim que é Lindo com L maiúsculo! Boa noite pra vocês!

19 março 2012

"Não se admire se um dia..."

(Xu, Gus, Nikol e Nik "comemorando e bebemorando" meu aniversário sem mim em Malmö hoje)


O que dizer dessa mulher?! Da força do seu olhar?! Das cores com que decora a vida?? Do amor que propaga?? Da beleza dura de sua franqueza?! Da criatividade que brota pelos poros?! Poderia eu falar tantas coisas sobre ela...mas me faltariam pincéis pra pintá-la tamanha é sua grandiosidade! O que digo, então?! É que sou feliz de tê-la por perto! De poder saborear sua sabedoria!
Felicidades, sempre!
Com todo amor que houver nessa vida!

Decidi esta semana, depois uma horrorosa virose que tomou a mim e as crianças e ainda pelo fato de não poder comer nada gostoso ou beber direito que iria comemorar meu aniversário apenas em abril, depois da Páscoa, quando tiver voltado do meu retiro de loba solitária no tratamento do iodo.

Qual sentido de fazer festa se a aniversariante terá de passar vontade enquanto os convidados se lambuzam em coisas deliciosas? Nãnãninãnão!

Bom, o problema não foi este, problema é que sou tão maluca (e a falta do hormônio neste momento só tem acentuado esta minha tendência) que nem sequer pensei em alguém me ligando hoje. Sim! De certo modo eu deletei que fosse de fato meu aniversário! E eu tenho este meio desapego com o celular, então de vez em quando eu esqueço da existência de celulares no mundo, sobretudo quando estou no interior. Bom, esquecendo eu perdi então várias ligações de gente adorada e fiquei até baixo astral quando vi a somniada que tinha feito!

Então, agora acabo de ler tanntas dezenas de mensagens carinhosas e verdadeiras, vi telefonemas perdidos os quais não sou capaz de devolver hoje ainda por conta do cansaço e demonstrações tão únicas de amizade que me deixaram, claro, num maior chororô. Entre tanta coisa boniiiita está esta mensagem aí de cima, da Dri, a qual eu posso adotar como slogan de campanha se eu um dia for tentar me candidatar a ministra ou qualquer coisa e que vou reproduzir num mural aqui em casa só para ficar olhando para ela e me achar essa pessoa linda que ela descreveu. :)

Então sim! Fiquem felizes! Vocês conseguiram! Podem agora me passar um lenço!

Eu poderia dizer que não mereço tudo isso, mas confio mais no julgamento de vocês do que no meu, de modo que eu só posso agradecer tanto amor e carinho. Adoro vocês todos e obrigada! É bem bom ser amada assim como eu sou!

18 março 2012

Uma música, mil lembranças: "Eyes without a face", Billy Idol entre o meu eu mais brega e meu eu mais cult, se é que eu tenho um


"Eyes without a face", Billy Idol)

Atenção: Para seguir a idéia da série você deve ler este texto ouvindo a música acima

...

Alguns meses atrás, quando ainda finalizávamos o concurso "Uma foto, mil lembranças" eu estava num dia qualquer, num fim de tarde qualquer fazendo "uma janta" corrida para Ângelo e Marina. Os dois, na sala, estavam começando a aprender a brincar juntos. Cansada do dia difícil eu ouvia a risada gostosa deles, mas estava com tanta pressa porque sabia que mais dois minutos seriam suficientes para que eu tivesse companhia, então eu mexia uma, duas panelas pra lá. Uma duas panelas pra cá.

Rádio é algo que eu praticamente não ouço mais. Sou movida à música, mas seleciono diretamente minhas listas do meu Spotify. Naquele dia, ao contrário, um radinho de pilha estava ligado na minha cozinha e a conhecida rotina só foi quebrada quando comecei a ouvir "Eyes without a face", uma música pop muuuito tocada nos rádios dos anos 80, quando eu era uma pré-adolescente numa apagada cidade do interior.

Sem exageros eu posso afirmar que os 4:58 minutos de Billy Idol criaram em minha cozinha um portal do tempo. Eu deixei minhas crianças ali na sala que rolavam entre almofadas, a comida continuava a ferver no fogo e parte de mim continuava as mesmas ações aqui enquanto outra foi parar na década de 80, em Sumaré. Mais particularmente aportei num tal clube Recreativo, onde a menina pobre da vila passava as noites de domingo junto ao pessoal do centro da cidade, dançando, rodopiando, cabeça tombada pro lado, cabelos longos, soltos ao vento, o rosto iluminado por aquela famosa bola de discoteque. A saia amarela longa, cheia de babados e a barriga toda de fora. Um top do mesmo tecido fazia o conjunto e eu estava tão imensamente feliz de estar ali.

A roupa, confeccionada pela minha mãe, como quase todas de minha infância e nos primeiros anos da juventude havia sido "criada" por mim. Depois de desenhá-la e coordenar: "assim Dona Maria! desse jeito!", escolher o tecido e vê-la pronta eu me sentia dona do mundo, viajante planetária com aquele rodado todo. Foi inesquecível e me lembrei então de como eu amava aqueles momentos tão meus na discoteque do clube na minha cidade caipira.

O mundo ainda era pequeno para mim, mas de alguma forma eu já me sentia dona dele... E através das músicas que ouvia e dançava era como se o mundo me pertencesse...

A cena se desfez então rapidamente e fui transportada ao meu quarto na casa de meus pais. E me vi nas minhas muitas centenas de madrugadas limpando meu quarto, ouvindo Billy Idol sem entender a letra, sim porque agora eu entendia a letra inteirinha e como ela era horrível!  Me via ali organizando os pouquíssimos livros que tinha: a vida do Papa João Paulo II, a conversão de Maria Magdalena e meu dicionário de português. Sim! Pura verdade! Minha mãe não sabia ler e meu pai, por quem eu tinha enorme admiração intelectual por ter cursado até a terceira série, havia ganhado os dois primeiros numa excursão religiosa para Aparecida do Norte. O dicionário havia sido o primeiro, único e último livro com o qual meu pobre pai me presenteara.  E então me vi lá, orgulhosa dos meus livros e de minha recém conquista de ter um quarto só para mim, enquanto meus irmãos dormiam juntos no outro. Tudo colocado sobre a mesinha vermelha de madeira, feita pelas mãos fortes de meu pai e que me acompanhou por toda minha vida acadêmica até vir morar em São Paulo.

Foi ali, naquele quartinho de vila que eu sonhei com um mundo que eu não conhecia. Havia consertado um rádio antigo de meu pai e com ele ouvia músicas clássicas de uma rádio de Campinas. Ouvia também tudo que qualquer menina da minha época gostava e tinha nas paredes o "Thriller"de Michael Jackson e os Menudos, ambos parte do senso comum e do meu gosto infantil criado pela indústria cultural que eu um dia criticaria bastante num mestrado, mas que naquela época me ajudavam a criar ali naquele minúsculo quarto um canal com meus sonhos.

- Mamãe! Mamãe!

A voz de Ângelo me chamou rapidamente para dentro da cozinha e então me dei conta de estar ouvindo aquela música e de como minha vida havia caminhado por tantos caminhos incríveis desde aqueles anos todos.

Não tenho certeza como exatamente fui me dando conta de como até hoje, sobretudo pelo fato de termos nos mudado 9 vezes em 10 anos de casamento, meu companheiro sempre tenta me dissuadir a jogar algumas dezenas, da minha atual muitas centenas de livros, no lixo para diminuir volume e trabalho. Os livros e os cds. E mesmo sob muita pressão eu sempre respondi por último que "não!". São meus livros e meus cds! E eu os carrego pra lá e pra cá desde que Renato me conhece. Eu os empresto, eu dou alguns, mas a maior parte continua comigo. Eles são a prova do quem sou hoje e de quem fui ontem! Eles me ensinaram, me acompanharam em momentos solitários em bibliotecas, em repúblicas, em moradia solitária. Eu aprendi tanto nestes anos! Eu aprendi tanto e continuo aprendendo! Os livros e seus autores! Como eu sempre os amei!

Neste momento, claro! eu estava aos prantos na minha cozinha... Eu, brega que sou, eu, a sempre Soninha do interior, chorava porque estava tão grata por tudo! Eu nem sabia exatamente pelo quê, mas eu estava! Pelos meus pais e seu amor simples e cheio de entregas, pelos meus irmãos e sobrinhos queridos, pelos milhares de amigos que fiz em minhas andanças, por aqueles com os quais nunca mais cruzei e aqueles que continuam a iluminar meus dias, pelas viagens, os lugares maravilhosos que pude conhecer desde que saí um dia de casa para passar um fim de semana na casa de uma amiga, pelos meus estudos e por ter tido gente suficiente para ir aparecendo e me tomando pela mão mesmo que sem perceber. Estava ainda grata por ter encontrado uma alma tão gêmea e bondosa, apesar de sermos tão diferentes um do outro, e finalmente por ter com ele duas das criaturas mais lindas e doces que...

- MAMÃEEE! MAMÃEEE! a Marina está me beliscando!

- Tô indo! Calma aí Ângelo que a mamãe já está indo!

E assim percebi que as milhares de lembranças suscitadas por "Eyes without a face" deveriam inaugurar um novo concurso no blog assim que eu as escrevesse aqui.

E como hoje é meu aniversário e eu estou inspirada, acabo de publicá-lo na esperança de ganhar de presente a sua participação no nosso novo concurso: "uma música, mil lembranças".

Mais detalhes em breve! Até lá vai separando a música e revivendo sua história...

17 março 2012

Lista de desejos para começar e terminar em abril de 2012


Gente, eu tô fazendo minha dieta rigorosa e chata para virar uma mulher com poderes radioativos no início de abril e a única coisa que eu consigo pensar é qual será a ordem dos restaurantes, padarias, pratos típicos que irei devorar quando tiver terminado o meu tratamento. Por ora, eu basicamente não posso comer nada comprado, embalado, empacotado, que tenha sal normal, gema de ovo ou leite bá tchê!

Cheguei, então, a uma listinha básica mais ou menos assim de quais desejos gastronômicos eu tenho para o meu abril de 2012:

Nos cafés da manhã em casa com a família:
- Pão de queijo, pão francês com to-do tipo de queijo possível: gorgonzola e brie só para começar;
- Pão com todo-tipo-de-queijo cheio de salame e ou mortadela;
- Yogurte de côco, geléia de framboesa e nutella na torrada;
- Leite integral da Fazenda, gostoso, cremoso com gostinho de teta de vaca.

Na padoca do meu bairro antigo, Perdizes:
- bolo de tapioca
- torta de morango
- com coca-cola zero estupidamente gelada

Nos intervalos:

- Paçoca do botequim na esquina de casa com coca cola zero estupidamente gelada;
- Maria mole da minha sogra bem quadrada e geladinha com...
- wafle que eu mesma faço para as crianças com morangos e geléias em cima. Este, com leite integral quente e café fresquinho.

Nos almoços:

- Risoto de funghi secci com uma, quer dizer, duas, ou melhor três taças de vinho tinto, bemmm tinto;
- Lasanha verde hummmm;
- Uma feijoadinha da sogra,
- Um camarão na moranga e aceito até um bobó de camarão do Dita Cabrita acompanhada de caipirinha de saquê de frutas vermelhas.

Jantares:

- Comida japonesa com tudo de salmão, 3 vezes na semana com repetição de 2 repetições de shitaque em cada uma delas e 3 de sashimis de salmão tudo só para mim;
- Comida árabe num restaurante maravilhoso da vila madalena que minha cunhada me levou com 2 vezes o pãozinho quentinho da entrada;

De quebra eu pensei em solicitar o mesmo corpinho que vou adquirir nas semanas que antecedem as comilanças, mas aí parece que eu já tô pedindo demais!


08 março 2012

Quer estudar sueco em casa?




("O que vocês vão ser quando crescerem?", "Suecos". in: Nasser Alkhourin)


Este post havia sido publicado, inicialmente, em setembro de 2009, mas como é bem frequente as pessoas me perguntarem como podem aprender sueco sozinhos resolvi republicá-lo com o link e as dicas básicas para tal. Vale super a pena tentar! Se tiverem problemas, podem me mandar que vejo se consigo ajudar. Boa sorte!

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Descobri um site muito bom com um curso de sueco para estrangeiros. Se você ainda não conhece e quer tentar aprender em casa por conta, ou complementar as aulas que já tem, creio que vale a pena conferir, O nome é Safir e há vários módulos de lição desde iniciante a níveis mais avançados.

Se você é iniciante comece pelo primeiro módulo. Faça exercícios, ouça como se pronuncia as palavras etc e verá que consegue avançar bastante, ainda que sozinho. Se já conhece alguma coisa da língua, escolha os módulos mais avançados.

O programa é fácil de se usar e muito produtivo porque você treina a escrita, a pronúncia e o ouvido.

Safir:
http://www.utbildningsborgen.se/static/Safir/safir/index.htm

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Também sugiro o site Braswenska, organizado pela Lúcia Maciel. O site reúne várias regras da língua sueca e traz muitos exemplos bons e importantes de se memorizar da mesma forma que a autora do blog aprendeu em seu curso.

E, por fim, sugiro um livro excelente, no qual parte-se da explicação inicial do funcionamento do sueco, com traduções e comparações com a língua na qual foi traduzido. Não tem em português. Você pode achar em espanhol, se achar mais apropriado. Minha versão é a do inglês:

"A concise swedish grammar, Svenska grammatik på Engelska", da editora Natur & Kultur.

Quando eu tiver uma opinião melhor formada sobre os vários livros empregados nos cursos que estou a fazer eu passo o nome para vocês.

Boa sorte!



06 março 2012

Cheios de personalidade

                   
(A sala de jantar mais alto astral do mundo, Catalina Estrada)

Durante uma atividade em aula hoje, na qual eu discutia Estética, e tentava chegar um pouco na questão dos gostos com os estudantes da sala, um aluno carinhoso me disse: "Professora qual seu ídolo na música?" "Ah! Fala pra gente!".

A verdade é que eu não tinha uma resposta só. Eu gosto de tannnnta coisa em música que sou capaz de começar o dia com Beethoven e Schubert, passar por Madredeus, Eddie Vedder, Norah Jones e terminar (não! com Michel Teló não! rs) com Sidney Magal ou Nirvana. Tudo a ver não?

Embora eu não goste de tudo gosto de ouvir música conforme meu estado de espírito. A mesma coisa para os interesses do dia a dia, sobre coisas que gosto de falar e escrever.

Então aqui vai de novo! mais uns papéis de parede simplesmente fantásticos, com muita personalidade! Todos eles criados por Catalina Estrada e, embora eu não vá poder comprá-los, vale a pena se inspirar na ousadia, nas cores e na alegria com a qual ela pensa em decoração.

(Um escritório para sair do bege, preto e branco, Catalina Estrada)

(Papel de parede incrível e repare no detalhe com crochê que você pode pedir pra sua avó ou mãe fazer e colocar nos puxadores, Catalina Estrada)

04 março 2012

Coisas boas que me enlouquecem

(Papel de parede da Scrapwood Wallpaper Green)

Eu devo ter uns parafusos a menos, uns tantos a mais ou então alguns soltos, porque tem algumas coisas que não saem da minha cabeça e uma delas é decorar, arrumar, enfeitar...

Falem sério: ceis acham que é normal alguém sentar pra ver tevê e pensar: "Hum... preciso dar um jeito de esconder aqueles fios". Aí vai tomar banho e fala consigo mesmo: "Tenho que repintar este móvel aqui porque ficou horroroso!" e então está esperando o elevador e pensa: "Preciso pôr uma cor nesta parede!"...

Bom, como sou inscrita como artesã na Etsy, uma loja virtual americana, do mesmo estilo que a Elo7, aquela na qual tenho o por-hora-abandonado "Toda Sexta-Feira" (eu não posso pintar por 90 dias até fazer o meu exame por conta do iodo) acabei neste site de papéis de parede, algo sobre o qual penso toda noite quando vou dormir e olho minha cabeceira branca.

Caí babando neste papel de parede imitando ripas velhas... Não é lindo?

Desde que me mudei, há um ano, eu já troquei não sei quantos móveis de lugar, pintei e reformei outros, dei coisas embora e peguei outras do lixo. A coisa triste é comparado ao lixo dos vizinhos suecos e dinarqueses aqui eu não acho 1% do que achava.

Tirei fotos de várias coisas que fiz para continuar aqueles posts de decoração os quais eu adorava, mas estão todas na máquina até agora.

(Papel de parede da Scrapwood Wallpaper Green)

E vocês? O que andam aprontando por aí?

Gostam de papel de parede? Então passa nesta loja virtual da Etsy, pois o preço pode sair um pouco mais em conta do que do que diretamente de lojas de importados aqui no Brasil. Este imitando madeira velha é meu! Ninguém tasca porque eu vi primeiro! :)

E vocês? O que andam aprontando por aí?

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ps: me lembrei que ando em falta com algumas pessoas (eu me lembro Mariana!), pois vocês me mandaram fotos dos cantinhos gostosos das casas de vocês e eu nunca consegui fazer os posts... ainda termino aquela série!

02 março 2012

"Eu sei... a gente eu poderia viver amanhã, mas eu vivo hoje!"



Há quase 5 anos (caramba! como o tempo passa!) eu escrevia no post "Agora é tempo de..." sobre nossa espera ansiosa dos últimos dias para o nascimento do Ângelo.

Acabei de olhar no calendário e me dei conta de que estamos em março, mês do meu aniversário e mês no qual eu sempre me senti meio especial, como se o mês de março fosse meu. Neste ano faço 41 anos e ai caramba! eu ainda me sinto uma menina!

Dei-me conta ainda de que agora é tempo de curar...

Ontem parei de tomar os hormônios da tireóide (já que eu não tenho mais uma que produza os hormônios para mim) para fazer a radioiodoterapia no início de abril. Em confirmada a necessidade da terapia no final de março (até lá eu farei uma rígida dieta sem iodo para fazer o exame) então me interno no dia 02, passo dois dias no hospital e mais 04 dias isolada.

A boa notícia é que devo sair na Páscoa (que por sorte minha não foi junto com o carnaval!:) ) e Páscoa, vocês sabem, significa renascer para uma vida nova. Sorte minha que ainda posso celebrar isso em abril! Embora eu já me sinta curada eu quero virar a página e depois não gastar mais energia com isso.

Fazendo uma rápida volta no tempo, desde que escrevo este blog, minhas últimas Páscoas eu passei respectivamente: 2007, em Öland, ilha no sul da Suécia; 2008, em Milão; 2009 foi em Roma com direito à missa do Papa e tudo e em 2010, pela Alemanha e República Tcheca.  De modo que minhas Páscoas, não só nos últimos anos, mas também antes, quando eu vivia celebrando no meu bairro em Sumaré, ou fazendo viagens pelo Brasil com Renato sempre foram marcantes. Eu adoro a Páscoa e adoro mais do que o Natal. Dos feriados religiosos este é o único que me toca de fato, então embora eu pudesse e possa realmente lamentar o fato de ficar longe dos meus três amados tantos dias e o restante do pacote chato eu quero pensar só em viver bem hoje, aproveitar este tempo para curar o corpo porque ainda tem tanto que esta minha alma quer ver por este mundão afora!

Para uma menina de 12 anos e leitora do blog, a Ingrid, quem me escreveu sobre ser  (como eu) super fã do ABBA e admirar a Suécia, aqui vai uma música que aprendi a amar ainda na Suécia e acordei ouvindo. É outra daquela mesma cantora de quem já falei, Laleh, uma sueca de nascença e descendência iraniana.

Curioso foi que ao ouvir Laleh me dei conta da letra e decidi vir e dividir este meu novo momento com vocês. Isso porque sei que ao mesmo tempo cada um está aí cuidando de sua vida, com altos e baixos, com conquistas e perdas e isso tudo nos torna tão próximos e tão "demasiadamente humanos" que é bem bonito de se ver...

Se conseguir ouvir e acompanhar a letra sentirá que delícia de música para ter na lista das preferidas!

Beijos e abraços apertadinhos nesta sexta-feira quente quente em todas e todos vocês!!!

...

Live tomorrow

Its cold around me, the nigh t is young
the sun has fallen and I've become
the lonely one

the moon is dancing among the clouds
and my knees are shaking,
and my dreams are braking
but I know I live
But i know i live, today

I know we could live tomorrow
But I know I live today,
I know we could live tomorrow
But I don't think we should wait! No..

I know we could..

Taking my life in my hands!
(the power who has it?)
Taking my life in my hands!
(the power who has it?)
I don't like to wait!
no, i don't like to wait!
It's happening, It's happening..

I know we could live tomorrow
But I live today!
I know we could live tomorrow
But I don't think we should wait!

La-la-la, love

Laleh

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Amanhã ao vivo
(tradução fraquinha, mas vai...)

Está frio ao meu redor, a noite é uma criança
o sol caiu e eu me tornei
o solitário
a lua está dançando entre as nuvens
e meus joelhos estão tremendo,
e meus sonhos são uma trava
mas sei que eu vivo
Mas eu sei que eu vivo hoje
Eu sei que nós poderíamos viver amanhã
Mas sei que nós vivemos hoje,
Eu sei que nós poderíamos viver amanhã
Mas eu não acho que devemos esperar! Não!
Eu sei que nós poderíamos ..
Levando a minha vida em minhas mãos!
(O poder que tem isso?)
Tomando a minha vida em minhas mãos!
(O poder que tem isso?)
Eu não gosto de esperar!
Não, eu não gosto de esperar!
Isso está acontecendo, está acontecendo ..
Eu sei que nós poderíamos viver amanhã
Mas eu vivo hoje!
Eu sei que nós poderíamos viver amanhã
Mas eu não acho que devemos esperar!
o amor

Laleh