24 janeiro 2012

Hoje: Noite de autógrafos do livro "Ele não sabia dançar", de Ed Cruz!


Ai gente toda a quem eu prezo muito!

"Eu tenho tanto pra lhe falar"... e nem mesmo me faltam palavras! Falta-me mesmo é mais tempo, coisa aliás que terei melhor a partir da semana que vem quando tanto Ângelo quanto Marinacota irão 4 horinhas para a escola e eu quero porque quero pôr o Borboleta pra funcionar porque eu morro de saudade de vocês!

Por ora, passo para fazer um convite daqueles malucos para gente maluca e que topa qualquer coisa: hoje, terça-feira, a partir das 22:30h, estarei junto com Edíssimo, aquele moço Ed Cruz da "Menina da Saia de Tule" para uma primeira noite de autógrafos do nosso escritor preferido (escritora é a Gloríssima, sempre sempre querida!).

Ed estará com alguns exemplares do primeiro livro dele,"Ele não sabia dançar!" aquele sobre o qual eu escrevi um "Prefácio Esperançosíssimo", lembram? Então! Ele publicou o livro com o tal prefácio meu, fato que me deixa duplamente feliz, e quem quiser um exemplar é só entrar clicar neste link e solicitar o seu! Ou então aparecer hoje a noite lá, abraçar o Ed e euzinha e se sobrar livrinho pegar para grudar na história como eu (a primeira pessoa a ler o livro!!! uhul!!!)!

O encontro/bailinho/noite de autógrafos será no:

Bebo Sim
Avenida Professor Alfonso Bovero, 1107
Perdizes -São Paulo


Ah! E tem capítulo 5 no "A menina da saia de tule" saindo quentinho daqui uns minutinhos! 
Hasta la vista Baby!

17 janeiro 2012

Apareceu a Margarida e portanto... a Borboleta!

(Eu, numa foto de brincadeira, mas que é símbolo de minha fase mais filosófica e "in" de toda minha vida, foto de Adriana Cechetti)

Em quase 5 anos de blog (que serão completados em maio deste ano) eu tive muitos prazeres. Escrever foi certamente o maior deles. Saber que estava sendo lida estava ali ó, coladinho com o primeiro. E receber comentários e reflexões acerca do escrito me fazia voltar ao prazer maior que era escrever.

Nesses anos todos eu senti uma coisa tal como uma "força maior" me compelindo a escrever, a dizer sobre o que eu sentia, a dividir, a pôr pra fora coisas e pensamentos íntimos. Eu revelei a cara de minha família. Eu falei do jeito que vivia na Suécia. Eu dividia (um pouco) dos dissabores e (muito) das alegrias de viver no velho continente.

E então eu voltei ao Brasil. Os posts foram se escassando. O medo de se expor demais num país não mais seguro quanto o de antes e de expor detalhes de minha vivência para gente brasileira com quem eu me encontraria se somaram ainda ao fato de que, nos primeiros meses (exatos 11 meses para ser mais precisa), eu não achei graça nenhuma de ter voltado. Eu sofri. E vocês sentiram isso nos escassos posts. Eu queria acordar na Suécia. Eu chooooreeeei baldes de lágrimas lembrando de minhas amigas e meus amigos suecos, brasileiros, poloneses, franceses, alemães, dinamarqueses e chorei lembrando da vista que eu tinha do Mar Báltico. Chorei quando olhava para o quadro enorme da ponte Oresund que ficava meio em frente onde vivia e separava Malmö de Copenhaguem.

Foram anos incríveis! Maravilhosos! E os amigos feitos lá me acompanham e eu a eles diariamente ou semanalmente. A amizade com a maior parte deles permanecerá. Tudo foi ao mesmo tempo árduo e lindo enquanto durou.

E então hoje abri minha caixa muito pouco visitada de email do blog e vi lá vários comentários de alguns de vocês me perguntando por que sumi. Entre coisas carinhosas havia o email longo da querida Ana Flávia, aquela Ana Flávia do Europrosa, quem "vive em Viena" e é filha da Dona Euripa que visitou a Europa. Lembram?

A Ana me pede para eu ser franca e dizer por que, afinal de contas, eu voltei a viver no Brasil. Se lá era bom, se viver lá parece ser o sonho de tanta gente diferente uma da outra e se aqui há tantos problemas o que me fez retornar. A Ana pergunta isso porque está num momento seu de reflexão e de tentar concluir o que também é melhor para ela. Em meio a muita coisa legal ela pergunta:

"O que fariam/ farão essas pessoas (que deixam várias coisas para vir para Europa) num ano ou dois no velho continente? O que as motiva? Se a Somnia morasse em Viena, o que ela faria por aqui que só aqui se poderia faze-lo? Teatro todo dia, opera e baile glamouroso de valsa sao fora de questao, que eu ainda nao ganhei na loteria:) E Kaffee und Kuchen nos charmosos cafés austriácos já me renderam 12 quilos extras na silhueta.
...
Porque, embora tenha turistado no comeco, e ainda continuo achando Viena linda, a rotina é tao igual a qualquer outro lugar: viver pra se garantir os meios de se continuar a viver."

Eu não sei se sei a resposta para todas estas perguntas, mas vou tentar pensar nela com agora...

No meu caso não sou casada com um sueco e o Renato tinha um projeto claro que era ir como expatriado (contrato especial com vantagens e privilégios diferentes de um contrato local) e o emprego dele estava "vago" aqui no Brasil. Ele tinha a chance de voltar. E voltaríamos com todos os privilégios mantidos de emprego, mudança etc. Isso pesou quando o contrato acabou. Ficar na Suécia significaria enfrentar por nossa conta o contrato da mesma empresa mas lá, com salário sem casa, carro etc etc garantidos. Significaria uma vida mais real e menos "glamourosa" do que levávamos sem contar que eu (além de dar os workshops e vender telas) ainda não estava trabalhando e tendo uma renda fixa.

Então este ponto pesou muito.

O outro foi, sem sombra de dúvida, o longo inverno. Eu aprendi a amar a mudança de estações. Estou mega feliz com essa chuva caindo em Sampa e o "friozinho" de 21 graus de janeiro. Eu choooooreeei outros baldes esses dias quando vi um filme ("Sempre ao seu lado") em que víamos as mudanças de estação todas se passando enquanto o cachorrinho ia envelhecendo esperando seu dono voltar. Não era o frio o problema, mas adoecer tanto. Ter o Ângelo sempre doentinho no inverno e gastar quase seis meses do ano tão quietos, tão calados. Era ótimo por um mês, dois, mas depois doía. O inverno dói na gente. E nem que você não queira, nem que lute como eu lutava fazendo amigos, indo à casa deles, organizando festinhas e viajando por muitos cantos a gente consegue evitar se deprimir. Tem gente que não deprime, mas fica triste. Fica quieto. E o Brasil, vocês sabem, é muita alegria todo dia. Claro! Aqui também há toneladas de gente deprimida, mas deprimir independente de nada na sua vida, apenas porque são cinco, seis meses que seu corpo não curte sol, então é algo bem diferente. Aqui eu sinto uma alegria diferente. Não essa alegria de carnaval (eu nem gosto de carnaval!), nem do futebol (eu não aguento mais ver futebol em tv), mas essa alegria da natureza. Esse azul que invade minhas janelas todas do meu apê todos os dias. O sol que tantos aqui reclamam, mas ilumina praticamente todos os dias do nosso ano a nossa vida.

O inverno sueco é escuro. É muito escuro. E o escuro, sempre falei isso aqui, era o pior de tudo. Três meses mais ou menos com dia começando as dez e terminando as três da tarde. E quando falo dia falo de um dia cinza, cinza muito escuro, sem nenhuma (nenhuma!) claridadezinha, ponta de sol, nenhuma esperança de que o sol brilhe a não ser que neve...

Entendem?

Então havia meu amor pela Suécia. Havia meu amor pela vida européia mais cultural, mais centrada e menos superficial-viciada-em tv-e-corpo que a brasileira, havia uma vida com a qual eu me identifico muito, mais segura e mais calma, mas faltava poder conseguir ser a Sônia possível unicamente no Brasil. Eu de fato amo coisas simples como pedalar até o mercadinho e fazer minhas compras. Eu adoro sentir a neve na minha pele. Eu a-do-ro ouvir outros idiomas e sobretudo eu sou fascinada por gente com mentalidade aberta. Gente que não se priva de viajar, ler, aprender em troca de certas regalias que temos no Brasil. Eu amava minha vida na Suécia e não foi por não amá-la que eu voltei. Se era uma vida cheia de rotina? Era. Era sim. Aqui também já se tornou outra. Rotinas são sempre rotinas. O problema é quando elas normalmente nos incomodam mais do que deveriam. Quando repetir uma ação nos faz ficar pensando "não aguento mais isso", "não suporto mais fazer aquilo"... A rotina lá era rotina, mas era muuuito menor do que a vivida aqui. O fato de eu conhecer alguém novo sempre me tirava da rotina. Ir a um lugar nunca visitado, o sempre ter algo para descobrir.

Neste quesito o Brasil me entedia horrores. Ainda assim é o lugar onde parte de mim pode se realizar e pode ser feliz... Parece contraditório, mas é assim mesmo... A gente fica maluco depois de viver fora e gostar da experiência... Fica partido ao meio.

Viver aqui não me deixa totalmente feliz. Não. Eu ainda sonho em viver novamente fora e ainda sonho em quem sabe um dia poder me dividir entre Brasil e Europa... não sei o quê... mas era uma decisão a qual precisava ser tomada e pesando tudo, as oportunidades de trabalho pra mim, a família com saudade da gente e a gente querendo que nossos filhos crescessem sentindo o amor dos avós, primos e primas então foi melhor ter voltado. Pra sempre? Provavelmente não. Provavelmente com outras saídas, não sei se definitivas... Isso só o momento a ser vivido dirá... Por ora eu consegui, finalmente, sentir alegria em estar aqui novamente. E torço, Ana Flávia e vocês todas e todos que me escrevem compartilhando essa dura decisão de escolher ficar ou voltar, para que consigam ver quais as razões que os prendem num lugar e quais as que os chamam para outro. Se são vocês falando ou se é a voz de outros compelindo vocês a não ficarem felizes onde estão ou não decidirem partir para onde desejam.

Seguir o próprio coração e mente eliminando o quanto conseguir de interferência externa talvez seja mesmo o caminho mais seguro a ser tomado.

Beijos e obrigada por compartilharem.

O blog não acabou não! Mas eu não dou conta com minhas criancinhas de férias! :)