21 outubro 2010

"Ain´t mountain high enough": sobre o amor invisível


(A colcha de retalhos ou patchwork ganhada por mim na semana retrasada, São Paulo, 2010)

A história de uma pequena colcha de tecido e de um enorme chororô

Ensaio este post há mais de uma semana, desde que minha amiga Daníssima colocou em minhas mãos a colcha estilo patchwork, xadrezinha azul, a qual vocês vêem na foto acima.

Na ocasião, ao tomar o presente, abracei minha pequenina e gravidíssima amiga e me debulhei em lágrimas. Muitas. E foram os porquês de minha emoção que me levam a este texto.

Fiquei pensando no amor que dedicamos todos os dias às pessoas a nossa volta. E elas a nós. Sabe o amor invisível, como a dedicação e horas seguidas as quais nunca serão realmente conhecidas por quem recebe? É desse amor que estou falando.

As milhares de horas gastas por minha mãe todos os dias desde que teve os filhos, cozinhando o almoço e o jantar e lavando a louça, as horas trabalhadas pelo meu amoroso marido em tantos diferentes lugares desde que estamos juntos, assim como o tempo e a energia gasta por minha amiga Dani para me fazer e trazer este presente.

Explico melhor o verbo "fazer": logo que fui abrindo a colcha trazida por Daníssima e me encantando com suas cores e tal, vi rapidamente um nome num dos desenhos: Liana. Liana? Ora! Quantas Lianas a gente conhece na vida? Eu só conheci uma e ela vive na Suécia, não na Suíca, onde Daníssima vive e de onde veio para passar alguns dias no Brasil.

Sim... a colcha tinha o nome dessa amiga brasileira, com quem convivi por um ano e tanto na Suécia. E meus olhos encontraram outros nomes em outros quadrados desenhados: Ludmila, Gi... Peraí! Essas amigas moram na Suíça... Óh não! Que lindo... e as lágrimas rolavam...

Outros nomes foram se somando: Xu, Angel, Maria, Nikol, Juju, Helena. Não acredito! Até a Helena!

- Ai meu Deus!? Dani! O que é isso?, exclamei e me caí no choro, no ombro de Daníssima.


(O tecido delicado e lindo que só do verso...)

Fui limpando as lágrimas, me recompondo e então conferindo os nomes e dessa vez pondo atenção aos detalhes, os desenhos, as intenções, as historinhas contadas em cada quadrado e a cada um eu chorava mais, porque reconhecia rapidamente cada uma delas e a relação que tínhamos uma com a outra. A mãozinha da Gigi, filha da Liana, em meio a um deles foi a primeira... Era tanta emoção. Simplesmente demais. Extremamente emocionante. Daquelas coisas as quais faz a gente pensar rapidamente "não mereço isso!". E eu não sei mesmo se mereço mesmo, a começar pela minha displicência com datas e respostas etc.

Até agora não liguei para elas para agradecer, simplesmente porque estou sem crédito do skype e porque minha correria com as cólicas, o mamá e o cocô de Dona Marina, somando-se à demanda de Sir Angelinho tem consumido toda minha atenção. Além disso, queria um post antes do telefonema... De todo obrigado ensaiado, só agora consigo escrever estas linhas para que elas entendam o quanto eu senti aqui, neste lugar distante, o amor estampado nesta colcha de tecido. Nesta colcha de retalhos...


Os detalhes da operação "Colcha de retalhos"

Daníssima narrou-me rapidamente, e também maior emocionada, como tudo acontecera. Há vários meses, combinara com as meninas a compra do tecido na IKEA e orientou-lhes como deviam proceder para operar sua idéia. Uma delas em Malmö juntou (sem que eu notasse, claro) algumas de minhas amigas mais queridas num fim de semana, enquanto Daníssima se juntava a outras em Baden. Reunidas, puseram-se a criar pedaços de tecidos com alguma história, desenho, letras, algo bonito ou que também remetesse á nossa história de amor e amizade.

E como uma delas, acho que a Xu, havia feito referência ao filme "Stepmom" (o qual no Brasil recebeu o terrível título de "Lado a lado"), em ambos os grupos estas mulheres amigas minhas foram cantando a música tema do filme, enquanto desenhavam, costuravam e pintavam.

Dá para entender? Receber presentes de amigos é sempre gostoso. De amigos distantes tem ainda um gosto especial, mas isso que minhas amigas fizeram, coordenadas pela Daníssima, é a expressão mais pura do amor entre amigos e amigas.

Eu ainda estava na Suécia. Elas guardaram segredo todo este tempo, quietas, sem me cobrar o recebimento ou não da colcha. E me mandaram suas energias daquele fim de semana todo junto com a colcha. Eu me senti amada de uma forma quase indescritível. Vejo na colcha um amor invisível que provavelmente a maior parte das pessoas não conseguirá visualizar. E de tudo que rolou nos encontros delas, o que sentiram e compartilharam eu sinto um tantinho, mas imagino quanto mais não foi envolvido!

Com os desenhos lembrei-me do primeiro dia que vi cada uma delas. E também do último.

Minha idéia, desculpem vocês se as frustrarei, é usar a colcha como uma tela de tecido. Eu a pregarei na parede de nossa casa, num lugar especial para onde eu possa olhar o tempo todo e me lembrar desse gesto e de nossa história.


A história das fazedoras da colcha e do meu encontro com cada uma delas


(A galinha dos ovos de ouro! Desenho da Dani, quem teve toda a idéia)

Eu e Daníssima nos conhecemos num projeto solidário pelo sertão do nordeste e foi empatia fácil fácil. Fui sua madrinha de casamento anos depois e há muitos anos ela e seu Rogério vivem na Suíca, onde já fui visitá-los algumas vezes. É pedagoga e chefe em uma creche numa cidadezinha linda ao longo dos Alpes e de um lago.

Nesses anos temos nos reencontrados sempre em ocasiões especiais e desde que nos separamos no Brasil só me lembro da Dani me mandando cartões de aniversário e outros tantos lindos e maravilhosos pelo correio. Eu nunca retribuio. Não que não planeje. Planejo, como tenho planejei escrever este post logo no primeiro dia depois de ter recebido a colcha, mas me enrolo como gato com novelo de lã.

Há, entretanto, amizades que são assim. A gente dá pouco, ou dá do nosso jeito e recebe muito. Sempre. E Daníssima sempre dá muito, por isso já imagino quanto amor não receberá a bebezinha que ela agora carrega...

Na Suíca, reencontrei Ludmila e Gi. A primeira quem conheci por conta da Dani e porque tínhamos um grupo virtual de estudos de Freud. Lud é uma enorme e bela psicóloga, maluca, artista, cujo sotaque mineiro na Europa fica ainda mais delicioso de se ouvir.


(Abelhinhas da Gi lembrando um tema que eu adoro e já ganhei de presente dela)

Com a Gi trabalhei junto no meu primeiro emprego como professora, em Campinas. Ela é sempre menina, sempre com um sorrisão enorme estampado no rosto e cheia de soltar frases de pura poesia em suas falas. Quando conheceu seu marido, Christian, numa festa, eu estava junto e fiz uma aposta como dali rolaria muito mais que só olhares. Casou-se com este alemão suíço e tem duas lindas criaturinhas com ele.



(Me senti a própria mãe dos pintinhos todos!, desenho da Ludi maluquinha)

Jantamos todos uma bacalhoada na casa da Daníssima este ano, quando estivemos lá passando férias. Lembro-me das risadas, da barriga quase para estourar da Gi, do sorriso da Dani, do jeito dos homens e tanto mais...


(As criativíssimas palavras cruzadas em arte da Xu, na qual se pode ler Renato, Sônia, Ângelo, Xu e Baby, numa referência talvez tanto ao futuro bebê Marina, quanto a nós duas que nos tratamos por "Baby", Malmö, 2010)

E aí tem a molerada que vive na Suécia. No grupo das brasileiras, Xu, Li e Angelinha.

A primeira, quem vocês conhecem por Xu, mas a quem eu chamo de Baby e ela me chama de Baby também, me foi apresentada pelo Renato lá na Suécia. Conheciam-se de empregos anteriores e ele me disse: "Acho que você vai gostar dela. Ela fala mais do que o homem da cobra". Ao que respondi: "Eu também, então acho que sim!".

Foi amor fácil também. Quase precisamos contar até três para não atropelar a outra na fala. Somos empolgadas pelas mesmas coisas, embora sejamos muito diferentes. A Xu é franca no que diz, é fiel na amizade, é amiga para toda obra e esteve comigo arrumando as mesas da nossa festa de despedida com a mesma dedicação a qual me reservou os três anos vividos juntos na fria Escandinávia.


(As flores que eu mais amava comprar por Malmö, no desenho da Angelinha)

Angelinha conheci por conta da Xu. Apaixonei-me por ela e por seu marido, Kenth, cuja história de vidas juntos ainda pretendo fazer render um livro. Literalmente falando. Essa aí me trazia pamonha, feita direto da espiga do milho, só para saciar meus desejos de expatraida carente. Das aulas na academia até os muitos encontros em sua casa ou na minha, Angelinha é puro afeto, a calmaria em pessoa e me fez sempre achar que meus problemas não eram tão grandes quanto eu os pintava.


(Mãe e filha brincando de fazer chorar juntas: a mãozinha da Gigi aqui sempre será pequenina Li!)

Da Li já falei várias vezes aqui, outra vez ali, mas resumindo a prosa: ela é meio uma irmã mais nova achada no exterior. Estudamos juntas o difícil sueco e partilhamos nossa intimidade, medos e projetos. Ficamos comadres daquelas que aparecem na casa da outra com um pouco de batata e pensa o resto do jantar juntas. Nossos filhos se tornaram amigos inseparáveis e foi para ela que liguei em minha primeira crise de Brasil, logo após a chegada.


(Eu adorei o jogo da velha da Juju e suas cores ousadas!)

A Juju, ah! a Juju. Essa eu quase sentia como uma filha jovem minha, embora eu não tivesse idade para o sê-lo. A Juju, quem trabalha com redes de computação, coisas super complicadas pra mim, sempre diz que não leva jeito pra arte, mas vejam só que até ela se atreveu e fez bonito! A Ju é sempre falante, tagarelante, esbravejante. Foi com quem aprendi a me virar no início, quando aprender sueco era só um sonho e o inglês não bastava para a vida prática. Nos conhecemos na casa de outra super querida, a Márcia, e de lá mantivemos nossos encontros em almoços, em casa, com trocas dos ânimos excitados ou lá embaixo. A Ju me fazia rir e, apesar das experiências muito diferentes, tínhamos assunto para psicologizar até o dia raiar.


(Costura perfeita, desenhos perfeitos feitos imagine por quem? minha amiga quase perfeita Nikol)

Nesse cuidadosíssimo desenho vocês vêem as mãos de minha amiga, quase perfeita, Nikol. Sobre a Nikol falei muito antes e ainda agora sinto que poderia escrever dezenas de posts sobre coisas vividas com ela. Do primeiro dia em que a vi, num playground em Malmö, balançando sorridentemente seu menino, eu nunca poderia imaginar que a veria chorar tanto e que ela me faria chorar como chorei em nossa despedida. Foi um tchau muito dolorido. Isso porque sei que verei as meninas brasileiras nas férias e provavelmente um dia estaremos todas no Brasil de novo, mas não a Nikol. Tenho com ela dezenas de vídeos nos quais a gente conversava (sempre em inglês) e nossos meninos brincavam em sueco. Eles se amavam, se amam até hoje e a gente aproveitava a companhia uma da outra quase já imaginando o dia em que não poderíamos mais usufruir daquela amizade. Doía de pensar em um dia não dividir meu dia-a-dia com Nikol e doeu muito deixá-la em Malmö. De suas mãos caprichosas ainda me chegaram semana passada alguns presentes para Marina, com chocolate e foto enviada por Iven ao Ângelo. Amizade invisível e que espero dure para sempre, ainda que os encontros sejam muito espaçados.

E então vem as suecas, Helena e Maria. Ambas conheci por intermédio de outros amigos. Helena, pela Xu, e Maria, por Jocelyn, meu amigo francês de um outro curso de sueco.


(Todo o imenso coração da Helena, a sueca cheia de sensibilidade)

A Helena poderia ser descrita como uma típica sueca. Além de loira, alta, imensos olhos azuis e linda, ela é mais tímida e contida. Tem um mundo colorido dentro de si, mas o mostra só para os que conhece muito bem. Em seu aconchegante apê passei algumas das horas mais divertidas dos anos suecos, assistindo aos Melodifestivalen, ao casamento de princesa coroada Victoria e comendo quitutes que ela mesma preparava. Com ela sempre tive a impressão de estar com alguém refinado, sabe? Mesmo quando ri, Helena ri com a mão na boca ou um jeito discreto de olhar do lado. A última vez que a vi foi um dia depois da nossa festa de despedida. Ela veio trazer ao Ângelo sua fantasia de índio de presente e me dizer adeus. Ligou-me antes de uma outra festa surpresa organizada para nós me desejando tudo de bom e boa viagem. Seu jeito tímido de falar me pôs aos prantos no meio do shopping. Eu sabia que ela queria dizer que sentiria muitas saudades e eu sentia o pesar de não partilhar mais com ela as próximas alegrias que viriam.


(E as joaninhas que sempre invadem o verão sueco invadindo o desenho da Maria)

Bom, mas mais sueca que a Helena é a Maria (que em sueco lê-se Mária) embora de timidez parecida. "Sambo" com meu amigo Jocelyn, de quem é o côncavo e lembro-me dela toda falante, sorridente e apaixonada no primeiro encontro que tivemos, logo depois de experimentar caipirinha, num jantar feito a quatro mãos. Anos depois, sob efeito de um outro pouquinho de caipirinha, ela pularia na "Casa Nova", feliz da vida e dizendo o quanto se sentia feliz em meio aos brasileiros. Das últimas lembranças tenho a deliciosa torta de frutas, tipicamente sueca, que ela nos preparou e nos ofereceu como despedida. A Maria saltitante, sob suas sardas e olhos brilhantes, nem muito doce, nem muito azeda, como sua torta, é a imagem que sempre terei na mente.



"Não há montanha alta o suficiente que me impeça de te alcançar"



("Não há montanha alta suficiente", tema do filme Stepmom)


Não sei se vocês já viram o filme ao qual falei acima, Step mom, mas eu não pude escrever este post antes de ir assisti-lo. Quando vi a colcha das meninas, na verdade, pensei logo no filme "Colcha de retalhos", o qual eu havia visto e gostado muito há um bom tempo, mas Step mom (que en inglês significa madrasta e acho que faz mais juz a idéia central do filme) é bem mais intenso, daquelas histórias de se debulhar de chorar. Fala de perdas, fala da dificuldade de superarmos o orgulho e o medo e nos aproximarmos de quem se importa de fato conosco.

A letra da música tema fala do amor sem barreiras, o amor que se mantém para além da distância, do tempo, de tudo. De fato é assim que sempre imagino, por exemplo, o amor pelo meu pai. Tempos depois de sua morte consegui começar a sentir seu amor tão presente como se ele estivesse aqui. Como se sua ausência física tivesse se transformado numa presença metafísica, confortante e certa.

É assim que também senti a presença, embora na ausência, de minhas amigas brasileiras, alemã e suecas através dessa colcha.

A colcha me pertence, elas também. O amor delas está descrito nesta peça para que eu sempre me lembre dos dias maravilhosos e do "destino" que nos uniu e depois separou de novo.

Essa colcha é uma das maiores provas de amor e amizade já recebidas por mim e estará comigo, assim como vocês todas, Xu, Li, Angelinha, Ju, Gi, Ju, Nikol, Maria e Helena.

Amo vocês todas. Obrigada!

E abaixo a letra dessa canção que apoio meu chororô e a letra infalível e inesquecível.
...

Ain't No Mountain High Enough

Listen Baby...

Ain't no mountain high
Ain't no valley low
Ain't no river wide enough baby

If you need me call me
no matter where you are
no matter how far (don't worry baby)
just call my name
I'll be there in a hurry
you don't have to worry

'Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you baby

Remember the day
I set you free
I told you you could always count on me darling
From that day on
I made a vow
I'll be there when you want me
some way somehow

Oh no darling (no wind, no rain)

All winter's cold can't stop me baby
now now baby
(if you're ever in trouble
I'll be there on the double
just sing for me)
ooo baby

My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart

If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
just as fast as I can
Don`t you know that

...


Tradução

Não Há Montanha Alta o Suficiente

Escute, baby..

Não há montanha alta,
Não há vale profundo,
Não existe rio largo o suficiente, baby...

Se você precisar de mim, me chame.
Não importa onde você esteja,
Não importa a distancia (não se preocupe baby)
Apenas chame meu nome.
Estarei lá depressa
Você não tem que se preocupar

Porque baby...
Não há montanha alta o suficiente,
Não há vale profundo o suficiente,
Não há rio largo o suficiente
Que me impeça de te alcançar

Lembre-se do dia
Eu te deixei livre
Eu te disse que você poderia sempre contar comigo
Daquele dia em diante
fiz uma promessa
Estarei lá quando você me quiser
De um jeito ou de outro

Oh não querida (nenhum vento, nenhuma chuva)

Nem o inverno mais frio pode me deter baby
agora agora baby
Se você estiver com problemas
Estarei lá rapidamente
Apenas chame por mim
ooo baby

Meu amor está vivo
Bem dentro do meu coração
Embora estejamos milhas separados

Se você precisar de uma mãozinha para ajudar
Estarei lá rapidamente
Tão rápido quanto puder
Você não sabe disso

...


18 outubro 2010

"Quem não chora não mama" ou ...

(Ângelo aliviando as cólicas da Marina com massagem e muito amor, S. Paulo, outubro de 2010)

... não ganha colo.
Não ganha massagem,
e nem cafuné.
Não ganha cantoria,
nem a atenção
e o amor do irmão mais velho.

"A origem do meu feminismo": final


Gmail - Entrada (1309) - somnia.carvalho@gmail.com
(Iris Von Rotten, polêmica feminista dos anos 50 em seu escritório na Suíça)


Molerada e pessoal de plantão que foi lá dar o voto para meu post no concurso da Lolíssima, obrigadíssima!

Eu sinceramente gostei bastante do meu texto ("Mirem-se no exemplo"). Adorei escrevê-lo, o que fiz especialmente para o concurso, e gostei do resultado, com algumas ressalvas para o final o qual achei longo demais. Tenho sempre este terrível problema de não conseguir ser mais enxuta. Os votos não foram suficientes para que ele estivesse na final, mas foi ótimo participar!

O importante, tenho certeza disso, é que com o concurso a gente acaba não só divulgando o que escreve, mas de quebra sai conhecendo gente que escreve gostoso, escreve bem e com quem sempre se pode aprender mais. Seja refletindo a temática proposta, seja tendo contato com diferentes modos de expressão escrita.

Eu passei pelas finalistas da última seleção, votei, e vim dizer que ainda dá tempo de vocês também votarem, mas tem que ser loguinho, porque falta apenas 1 dia!



Para escolher o texto sempre tomo alguns critérios que ao meu ver são chaves para um texto fluente e gostoso de se ler. Apesar do tema ser feminismo, ou seja um tema crítico, espinhoso e cheio de casos pessoais, gosto quando sinto na escrita mais do que um relato de alguma história passada com a pessoa. Narrativa é mais que contar sem pretensão um ocorrido, por isso se a pessoa escolhe esta via eu só gosto se há algum cuidado com isso, se sinto um fio literário prendendo a análise e discussão do tema pedido no concurso.

Se a escolha é por um texto mais crítico, analítico, dissertativo precisa mais do que uma série de denúncias, como um panfleto denunciador para chegar lá. Certo cuidado com coesão de idéias e mais do que um "eu" que denuncia tudo é, na minha opinião, extremamente importante.

Por isso fiquei com maior dúvida entre os textos que tinham essas qualidades e eram de categorias diferentes, como o "Chega de maças", da Luci, do "Caso me esqueçam" e "O começo de tudo", da Fernanda, do "O grito de Fernanda". Tem outros bons, mas esses foram meus preferidos.

E os seus?
O que normalmente vocês contam para dar seu voto num texto participante de um concurso como este?
Que tipo de qualidades ou defeitos vocês procuram num texto para elegê-lo como bom ou ruim?

Votem lá e troquem idéia com a gente aqui!

Beijinho e boa noite!

13 outubro 2010

Por onde ando? No mundo de Marina


(Eu, no mundo de Marina, hoje, outubro de 2010)

"Mamma, I´m a happy girl"...


Gente boa e querida,

Hoje de manhã, enquanto tomava meu café meio em pé, pensei rapidamente:

"Caramba!", quanto tempo faz que não escrevo nada no blog, que não visito os amigos? Que raio de blogueira de m. que sou!

Eu nem consegui me lembrar quanto tempo direito para dizer a verdade.

Ando naqueles dias e noites que se confundem. Muito mamá no peito, muita fralda suja com um tanto de choro de cólica e jatos amarelos de côco voando pelo meu banheiro. Tenho uma bebê em casa e uau! próxima sábado já faz um mês.

Marina é calminha, boazinha, fortona com suas cólicas como só as mulheres o são. Dorme bonitinho se não tem dor e mama no peito que é uma beleza.

E eu estou aqui, no meio desse mundo marinístico.

Esse negócio de ser mãe e pai deixa a gente fora do mundo mesmo. É possível perder muito tempo olhando, admirando aqueles sorrisos involuntários que os bebês fazem, ouvindo e sentindo sua respiração, seu cheiro etc.

Meu trabalho é puchado, mas tem recompensas. As pernocas da Marina já estão mais rechonchudas e a carinha tá mudando... Só de peito vive a danada e eu de muita, muita água o tempo-todo-toda-hora.

Cansa à beça, cansa sim! Até Adriane Galisteu "filosofou" na filosofal Caras sobre o trabalhão que dá amamentar. Além disso cuidar a gente mesmo, como eu e tantas de vocês cuidam, ufa! soa a camisa, deixa maluca mesmo. Entre um copo de água e outro eu fico aqui olhando para Ângelo e Marina, sentados quase sempre lado a lado por desejo dele e penso sozinha:

"Deus, obrigada!"...

E nesses momentos, como o de hoje de manhã, eu lembrei de uma frase dita por minha amiga Nikol, nas últimas semanas que estive na Suécia. "Mamma, eu sou uma garota feliz!", disse ela ter concluído sozinha, enquanto passeava com seu recém nascido Luís pelas ruas de Malmö. Minha amiga estava surpresa o quanto ela, tão acostumada à correria do mundo da moda das grandes empresas onde trabalhava, era capaz de ser tão feliz num momento tão simples.

Eu nunca tinha me imaginado assim numa situação de mãezona de duas crianças, mas é é isso: uma sensação de felicidade muito grande. Sem contar que segundo filho, filha, é tranquilo mesmo, bem diziam todas vocês! Ou eu é que estou mais tranquila também.

Tenho centenas, milhares de projetos e nem sei por onde começar quando os meses passarem. De vez em quando tô lá amamentando e pensando nas coisas que desejo fazer acontecer para mim mesma. Parece que nós mães modernas de bebês pequenos e pequenas sentimos ao mesmo tempo uma felicidade incomensurável por sermos mães e cuidarmos das crias e de podermos ser nós mesmas como antes o mais rápido possível.

Para me distrair e tirar o foco total no bebê e colocá-lo um pouco sobre mim mesma comprei o livro "Comer, rezar, amar", de Elizabeth Gilbert. Apesar de normalmente eu ser meio avessa aos livros da banca dos "mais vendidos" estou mesmo adorando. Dá pra ler enquanto amamento, inclusive... rs... Além disso, já me identifiquei com a escritora, cujo desejo e objetivo me parece ser conciliar o desejo de viver intensamento o máximo do mundo e ter uma vida interior rica... Ela adora viajar, eu também. Ela adora conhecer mais e mais, eu também. Ela deseja algo que a complete imensamente e busca isso nas pessoas amadas. Eu também.

Vou indo, por ora "viajando na maionese"...

A gente se fala e muitos beijos para vocês que ainda passam por aqui.

Somnia, no momento, muito mais a mãe de Marina e de Ângelo.


("Marina!", olha pra mamãe! hoje, outubro de 2010)

(Marininha, pequena igual a um coelhinho de pelúcia e na posição para aliviar cólicas, semana passada, outubro de 2010)



(Dormindo na semana passada, outubro de 2010)

(E bem acordada, hoje, outubro de 2010)

01 outubro 2010

Somnia no concurso da Lola: ceis já votaram?




Gente querida amiga,

Tô me debulhando aqui miudinho de tanto chorar...
Não é choro ruim. É choro bom.

Renato organizou um álbum com quase 400 fotos do "Melhor da Suécia" e fui olhar para acrescentar outras e escrever um texto para servir de legenda. Daí que... buááá logo nas três primeiras fotos.

Af Maria! Quanta coisa vivida, quantos lugares incríveis, quanta gente maravilhosa conhecida!

Em três anos e meio nossa vida mudou tanto, nossa visão de mundo, nosso jeito de nos ver e o que esperar da vida. Foi uma oportunidade única, daquelas que agradecemos por ter tido a chance e a coragem de encarar...

Um dos ganhos dessa vida na Suécia foi este blog. Este espaço onde encontro gente, onde conheço, divido, ouço, me divirto e cresço.


("Não tô aqui de brincadeira...", eu, no final anos 70 ou início 80, não sei direito, com a mesma cara que deixaria os futuros colegas de classe com medo)


Parte disso está num post que está sendo divulgado em outro concurso de blogueiras promovido pela amiga Lola. Lembram quando vocês fizeram do meu texto "O primeiro vôo do anjo" o ganhador do primeiro concurso da série? E despues quando deram bons votos e fizeram mais gente vir conhecer o Borboleta com o texto "Nove porteiras: o longo caminho até o paraíso das mães"?

Então! agora, numa quarta etapa de um novo concurso, cujo tema é "A origem do meu feminismo", há outro texto meu, entre muitos outros suuuper gostosos de ler ou cabeças, vale ressaltar.

"Mirem-se no exemplo..." narra um episódio de minha infância no qual vejo verdadeira e precocemente uma Somninha feminista. O fato de me orgulhar tanto disso fez com que escrevesse o texto pro concurso.

Lembrando: não é concurso para dizer quem é a melhor, a mais gostosa etc e tal, mas é um concurso cujo intuito é divulgar bons textos, idéias legais e blogs femininos bacanas dessa nossa enorme blogosfera.

Ainda restam 3 dias para o encerramento da votação, prestigiem a molerada e se gostarem do meu texto vou ficar feliz em ter seu voto! Porque eu digo que se for eleita... blá blá blá

... Sem piadinha sem graça, então, passem por lá, participem, conheçam e divulguem vocês mesmas... Há uma lista dos textos do lado direito do blog e uma opção para voto. Eu vou ficar feliz de saber que ceis leram e gostaram.

Beijocas e muito muito bom dia! com uma saudade doída que só... ao som de novo de "Wonderful life", Cake... Brega e delicioso...