26 fevereiro 2010

Somnia ao vivo no Melodifestivalen de Malmö, amanhã!

(Schlager Kvall, Noite do Schlager, Foto de James O´Brien)

(Nota importante: Não passe adiante nesse post se você tem amigos ou amigas suecas ou pretende fazer alguns um dia. São informações de extrema relevância para entender parte da paixão desse povo loiro por música e por outras cositas más...)

Há algumas semanas teve início o programa de tevê, que segundo minha amiga Ju, é o mais visto na Suécia, o Melodiefestivalen, uma prévia sueca para selecionar os melhores cantores e cantoras para o Eurovision 2010.

As músicas, ou os ritmos schlager, como eu já falei ano passado e a Ju também, são canções pouco elaboradas musicalmente, já que normalmente estarão entre as que as rádios mais tocarão no ano todo e que o pessoal brasileirinho mais dançará em festinhas particulares. Música de rádio a gente sabe precisa ser pop e não elaborada, embora obviamente a da minha candidata do ano passado o fosse. Hohoho...

No inverno de 2009 fui contaminada pela síndrome sueca quando assisti com a amiga Xu e um tanto de suecos (que trabalham com ela) na casa de outra deles, a Helena, as preliminares que elegeram minha amiga Malena Ermnan com sua La Voix e, depois, a final (na torre do Turning Torso, no apê dos simpáticos Thomas e Magnus). Naquele dia, foi a vizinha Noruega a levar o prêmio com o mocinho russo, cujo som me innnrrritava que só, mas que agradou a milhares. Lá no Turning Torso a gente quase chorou a perda de Malena e odiei o "norueguês" como se fosse sueca.

Minha participação ano passado e ter entrado para o grupo de amigos suecos da Xu me rendeu convite (ainda não pago, vou pagar amanhã hem Xu!) para ir com eles esse ano e ver a versão do Melodi que acontece aqui em Malmö e onde vou conferir o apresentador de Festival mais improvável para nós brasileiros, Ivan Drago. Ele mesmo, o lutador de Rock IV, sueco de nascença, na verdade é "quite famous" aqui e se chama Dolph Lundgren.

Eu me lembrava dele apenas em Soldado Universal, de 1994, quando eu era bem certinha e bobinha e ele era "mútu mallll", como diz o Ângelo, e brigava com o Van Damme. Os suecos, entretanto, parace que só se lembram dele com o Stallone em Rock IV, de 1985, quando ele ainda estava no auge dos seus músculos.


(Dolph Lundgren em Soldado Universal massacrando o Vam Damme)


(... e pronto para brigar em Rock IV com Stallone)

A seleção do Melodifestivalen ocorre em cinco cidades suecas nessa sequência: Örnsköldsvik, Sandviken, Gotebörg, Malmö (amanhã), Örebro e assim vai elegendo com ajuda de uma banca secreta e do público, através de votação pelo celular, aqueles que estarão na final em Stockholm e representarão o país no Eurovision.

Em dois sábados consecutivos pude constatar, com enjôos e náuseas (provocados pela gravidez não pelas músicas é bom frisar) novamente esse ano o amor dos suecos pela competição. No grupo super engajado na casa da Helena há de tudo. Eles preparam quase como um ritual que fazem há anos: comida gostosa regada a vinho, velas, decoração caprichada na casa e plumas coloridas no pescoço. Isso tudo antes de começar o programa. Depois, mais atentos do que brasileiros em dia de Copa do Mundo e em ritmo de cantorias de velhos shlager o pessoal vai acompanhando emocionado: reclama, põe defeito, elogia, vibra, vota e torce!


(Andreas Johnson, competidor de outros Melodi e uma versão sueca do Bonno Vox, que minha amiga Xu odiou e nossos amigos adoraram)

E eles sabem DE TUDO sobre quem aparece por lá! Tudo, inclusive porque, além do site oficial do evento que traz detalhes, a festa acontece no inverno e o que mais acontece no inverno na Suécia? Niente!

E no fim ainda sobra energia para jogar uma partida de um jogo onde é preciso adivinhar nomes de músicas, cantores e curiosidades sobre o festival, desde os anos 60. A disputa foi acirrada entre dois grupos, mas nós saímos antes do final, dada minha situação gravídica.

A animação para amanhã pode se ver na minha caixa de emails. Eles falam diariamente sobre o assunto e brincam como se fossem crianças!

Então, hoje sairei para comprar as plumas coloridas, imperdíveis num evento assim, para amanhã deixar por algumas horas os meus dois brincando (com total rapoio do maridão que me disse "é tão difícil ser convidado assim de honra em evento sueco que não se pode perder) e irei eu e Xu no evento mais sueco que se conhece, desde que o grupo sueco ABBA ganhou o Eurovision Song Contest, em 1974, com Waterloo.



(Um dos maiores responsáveis pela febre suca por Eurovision, o grupo ABBA, vencedor em 1974)

E só seremos nós duas de brasileirinhas no grupo (ou vai saber no Malmö Arena todo) para conferir! E se você vive por aqui pode talvez, quem sabe, conferir nossa presença e os shlager da noite no canal SVT.

E o melhor: estou há dois dias sem náusea e enjôos! Até a bebezinha (minha intuição também diz que é menina embora eu possa estar quase redondamente enganada e esperando um lindo menino) aqui dentro tá colaborando para nossa ida! Acho que já vai nascer festeira ou festeiro!

Depois eu volto com as fotos todas! E os detalhes... e faço minhas apostas!

25 fevereiro 2010

"Assassinato na lavandeira": contos de horror da pacata Suécia

("Não toque nas minhas coisas!!! "Assassina" na lavandeira checa suas roupas, imagem do artigo de Paddy Kelly, The Local)

Depois de três anos vivendo na Suécia eu percebi esses dias o que está no topo da lista que eles mais amam fazer e mais odeiam:

Número 1 da lista de amor: suecos amam ser pontuais. Amam escolher horário como 9:18 para iniciar uma atividade, gostar de marcar festa com horário de início e horário de término. E de cumprir com o previsto, lógico.

Número 2 do top de amor: Suecos e suecas amam ficar pelados. Em praias, em saunas, em fotos artísticas para álbuns de cds, filmes etc. É sempre um nu natural, sem aquele apelo para o sensual, como nós brasileiros estamos acostumados a fazer e enxergar. O nu sueco normalmente tem uma apelo mais humorístico e tô numa nice e não me importo.

Número 1 do top da lista de ódio: Suecos odeiam gente que atrasa ou os faz ficar atrasados para alguma coisa. O papo pode ser cortado no meio, você será interrompido no meio de uma consulta se seu último minuto tiver chegado.

Número 2 do top da lista de ódio: Suecos odeiam gente que não sabe usar lavandeira comunitária, não respeitam horários e acham que lá dá para ficar numa nice e não me importo com regras.

Isso é o que tem dito minha experiência particular de três anos vivendo aqui e também o que confirmei através do artigo de Paddy Kelly, que escreve no jornal "The Local" e também tem um blog sobre extravagâncias na Suécia.


"Nada causa mais arrepios, tira mais vidas, faz mais ranger os dentes na Suécia do que um quarto sombrio cheio de máquinas de lavar".

Seu artigo que começa dessa forma bem humorada, me trouxe à memória como os suecos, e aqueles que aprenderam com eles a frequentar as lavandeiras comunitárias, mostram mesmo suas garras e tiram aquele sorriso-loiro-de-olho-azul do rosto.


A vizinha simpática pode se transformar numa bruxa que tira suas tripas e as cozinham para o café da manhã. O vizinho charmoso pode se revelar uma criatura mas agressiva que Jason e Freddie, então, só não caia na besteira de reservar a lavandeira para uma sexta feira 13.

Sim, a lavandeira é, como afirma Paddy Kelly, o lugar mais temido para os suecos.

Lavanderia (que em sueco se diz tvättsuga e lê-se tvéttstuugá) normalmente são espaços comuns dentro de cada prédio e condomínio. Mesmo os apartamentos novos e caros possuem uma, ainda que os donos tenham em casa uma máquina de lavar e outra de secar.


(Fotos que tirei das lavadouras de roupa da lavanderia de minha amiga Xu, Malmö, abril de 2009)

Além da praticidade e rapidez há também o fato de que nem todo mundo opta por ter máquinas em casa, ainda mais porque apartamentos na Europa normalmente são menores e não há lavandeira separada como no Brasil. As máquinas ficam ou na cozinha, ou no banheiro.

Pela primeira vez nesse novo apartamento não temos o luxo da lavandeira comunitária, mas temos o luxo de ter uma lavandeira, isto é, um espaço separado onde ficam as máquinas e todo o material de lavagem dentro do apartamento.


(... e da secadora que deixa os lençóis prontinhos, Malmö, abril de 2009)

Na lavanderia comunitária você pode se esbaldar com máquinas gigantes onde fará toda a roupa da semana. Abusará de secadoras rapidíssimas e com milhares de funções com as quais o resultado da lavagem é muito melhor. Secadoras onde se estende aqueles lençóis grandes para depois só dobrá-los, haja vista que na Suécia não há empregada que passe a roupa.


(Cartaz encontrado nas lavanderias suecas com todas as intruções que alguém que nãos seja sueco nunca consguirá entender... foto de outra moradora da Suécia que se espanta com o funcionamento das lavanderias, Anna, in: Wash Post)

Isso tudo você fará com um curso básico de sueco e um bom dicionário na mão. Ou você arrancará seus cabelos e encolherá suas roupas até descobrir como funciona cada botão, como eu fiz nos primeiros meses que estava aqui.

Mas isso, eu lhe garanto, não é problema algum considerando-se os que você terá depois na convivência com os outros usuários desse incrível espaço.

A lavandeira comunitária parece um sonho. Fica dentro do seu prédio. É grande. É sua. É organizada por uma tabela com seu número de apartamento no qual você faz a reserva com a uma chave especial. Bem, ela deveria ser organizada.


(Painel de reservas de chaves da lavanderia, Anna, in: Wash Post)

O problema das lavanderias comunitárias é que normalmente tem alguém que não segue devidamente as regras (e elas são muitas, sempre escritas em grandes cartazes afixados na parede) que mantém a limpeza, organização e boa convivência do lugar.

Há aqueles que atrasam a lavagem e pegam seu horário, apesar de saberem que o deles já acabou. Há os apressadinhos (esses eu conheço bem do prédio onde morei antes) que chegam no seu horário e deixam sua grande sacola azul do IKEA com suas meias e cuecas sujas, apesar de ainda ser o seu horário.

Há também os perfeccionistas que se irritam muito com qualquer atitude fora do padrão - ou que eles considerem fora do padrão. Esses são especialistas em escrever recados em várias línguas diferentes, porque obviamente se ouve um erro no padrão deve ser de alguém que não conhece direito as regras. E quem naturalmente não conhece uma regra tão clara da cultura sueca? Evidentemente aquele que não é sueco. Ou seja, moá aqui. Essa foi a conclusão que cheguei depois de alguns episódios que me tiraram do sério. Vejam que ódio gera ódio e preconceito (ou idéia de que há preconceito) gera preconceito.

Um dos primeiros bilhetinhos que puseram debaixo de minha porta foi de uma doente que disse que deixei um pozinho no chão e na secadora... Não fazia idéia do que ela dizia. Eu havia limpado absolutamente tudo quando tinha saído... mas é claro que eu não poderia esclarecer o ocorrido porque a criatura corajosa não havia assinado o bilhete. Ela sabia quem eu era, eu não fazia idéia de quem ela fosse.

Bom, passei adiante. Gente besta existe em todo canto e todo mundo tem lá seu probleminha com um certo tipo de toque... então...

Há um ano e meio atrás, tinha feito a lavandeira do dia quando volto para retirar minhas roupas secas das imponentes máquinas e vejo algumas sacolas de roupas alheias misturadas as minhas. Além disso, minhas roupas haviam sido jogadas num cesto qualquer da sala e roupas de outrém já estavam sendo lavadas. Junto, um bilhete em inglês muito grosseiro dizia, em linhas gerais, que eu deveria olhar o relógio da próxima vez e controlar meu horário, porque a tal pessoa tinha sido totalmente atrapalhada pela minha falta de organização.


(Bilhetinho do tipo que se escreve nas lavandeiras suecos que diz mais ou menos assim: "Dá um tempo! Roubando tempo na lavanderia! Agendou para o dia inteiro, você precisa disso!?.. porque eu... blá blá blá, imagem do artigo de Paddy Kelly, The Local)

Fiquei pasma, branca como minhas as meias secas em minha frente, e olhei para meu relógio: ainda faltavam 20 minutos para meu horário acabar.

Voltei em casa chequei a hora no outro relógio. E na internet e em tudo... Eu estava certa! Como é que podia? Xinguei todos os nomes que sei em português, inglês e em sueco e recolhi todas minhas coisas.

Tive vontade de deixar veneno de rato na lavandeira comunitária para matar todos os suecos que odiavam estrangeiros. Fiquei com aquela coisa de "ó coitadinha de mim, a única brasileira no prédio cheio de suecos, dinamarqueses e noruegueses...."

Veneno de rato não tinha jeito, então eu deveria pensar num plano melhor, mas qual se eu não sabia quem era a pessoa. A chave dela não trazia nenhum número identificável e tive que engolir minha frustração. Engoli num post meio genérico sobre os suecos, já que eu não conseguia entender exatamente o que havia ocorrido e minha cultura sobre as lavanderias ainda era limitada...

Engoli por uma semana porque uma semana depois, a loira e esmilinguida vizinha dinamarquesa que, até então eu achava uma simpatia, me diz assim ao cruzar comigo no jardim: "Oh... me desculpe pelo Klaus (o marido dela que também é dinamarquês)! Ele estava tão nervoso aquele dia que confundiu o horário..."



- WHAT??? O quê? Exclamei surpresa em tom do tipo "não acredito que descobri o criminoso!" Foi ele?
- Ah... então... foi um engano, tentou consertar ela que percebeu que eu ainda não sabia quem havia escrito o bilhete...

E ela tentou lá se desculpar, protegendo o marido, claro! Mas eu falei com to-das-as-le-tras-em inglês que não aceitava aquele tipo de comportamento. Ele sabia que era eu. Podia ter batido na minha porta. Éramos vizinhos caramba! E, mais, nem por um minuto ele não tratou de checar se o erro poderia ser dele, mas ao contrário, deduziu que só poderia ser meu! E que a mensagem dele e a covardia eram vergonhosas.

Resultado: ele não falou mais comigo e ela ficou meio esquiva. Depois de um tempo ficou normal de novo e eu tive de engolir minhas primeiras fúrias contra suecos. Os filhos da mãe eram dinamarqueses... mas tudo bem, sueco e dinarmarquês para quem vem do Brasil é tudo igual à primeira vista...

Vejam que preconceito gera ...

O tempo passou. Superei. Ou não... Quase matei e quase fui morta, mas a gente sobrevive.

Dia desses, na lavanderia de minha amiga Flávia, que vive em outro bairro, encontrei um bilhete que um sueco havia escrito em sueco metendo o pau em quem havia feito a lavandeira antes dele. "Eu cheguei depois de você no dia tal, hora tal, e você tinha deixado tudo na maior sujeira! Limpe o chão, limpe as máquinas, tire os restos de pózinho, a lavanderia não é só sua!"... E também não tinha assinatura.

De modos que isso tudo só me faz concluir que o problema não era comiga. E nem era porque eu era brasileira. O problema é aquele quarto frio cheio de máquinas que transforma as pessoas...

Só sei que se ainda não foram achados restos de ossos em alguma lavandeira por aqui deve ser porque as mortes que acontecem na surdina são bem mascaradas pelo barulhos das grandes máquinas e porque o pessoal faz um serviço limpinho que só.

Na próxima vez que frequentar uma lavanderia sueca tenha cuidado com o monstro pelado cor de rosa de olhos azuis e não se esqueça de seguir corretamente o protocolo, porque para ser o assassino ou assassinado numa tvättsuga basta ser frequentador de uma.

24 fevereiro 2010

"The look of love", a perfeita combinação entre música e arte

("Tonight", detalhe da instação de Valeska Soares)

Em mais um dos muitos dias que eu me dirigia à USP durante os longos anos do meu doutorado resolvi passar pelo Museu de Arte Contemporânea, o MAC, um excelente museu que a Universidade mantém e onde tive contato com inúmeras obras e artistas nacionais e internacionais.

Em uma dessas minhas visitas e viagens, fui tomada por uma música que me levou de passos no ar até uma sala escura, com luzes verdes em 3D que se cruzavam acima de uma pista de dança real. Projetados no espaço, com corpos translúcidos, um casal virtual, dançava ao ritmo suave e contagiante da composição de Burt Bacharach e Hal David, "The look of love". Embalados pela voz suave de Dusty Springfield que ecoava pelos quatro cantos, com seus corpos cheios de movimento eles me tomaram totalmente. Ouvi uma, duas, três e não sei quantas vezes. Sentei, tirei meus papéis e comecei a anotar o que via. Ao mesmo tempo que refletia sobre a obra de arte que estava ali, eu tentava perceber detalhes de como Valeska Soares (a artista brasileira, residente em Nova Iorque, até então desconhecida para mim) havia criado sua obra. Eu olhava e olhava aquele par "não real", criado perfeitamente pelas mãos de alguém no computador, e pensava como conseguiam criar em mim sensações tão reais.

Na época fiquei louca pela música, mas só consegui a versão do grupo Café del Mare, já que a única referência que eu tinha era o título da obra "Tonight", mas hoje aqui, fuçando em sites de museus, me lembrei daquele dia e voltei a procurar na rede até encontrar o original, inclusive na mesma voz.


("Tonight", detalhe da instação de Valeska Soares)

Naquela manhã ou tarde, não sei dizer, levei muito tempo dentro do MAC e só saí quando senti fome. E naquele dia eu sabia que todos os anos do meu doutorado, do mestrado ou da graduação, aos quais vieram após eu deixar de trabalhar em pequenas empresas na minha cidade, onde eu havia feito tudo muito bem obrigada por dez anos, tinham sim valido a pena.

E tem sido momentos assim, ocorridos desde minha escolha pela filosofia e pela arte, em experiências particulares, únicas e inesquecíveis que eu agradeço por um dia ter tido coragem de mudar totalmente o sentido de minha vida. Isso porque pode parecer exagero, mas a pintura, a música, a arte em geral, é tão parte de mim que não há um dia sequer sem que eu faça algo sem esse contato.


(The Look of love, Dusty Springfield)

Para quem sabe, Dusty Springfield foi uma das vozes mais famosas dos anos 60, interpretando canções que marcaram a época e também foram reproduzidas , em sua ou outras vozes, em trilhas sonoras conhecidas por todos nós. Clique nos títulos se quiser ouvir:

- "The Look of Love", em Cassino Royale (1967),
- "I just don´t know what to do with my self", "Wishin and Hopin" em O Casamento do meu melhor amigo (1997),
- ou "Son of a Preacher Man" que ouvi muitas vezes na trilha de Pulp Fiction (1994).

Acabei usando a reflexão e a experiência daquele em minha tese de doutorado, quando comparo o casal de Valeska e sua leveza com um dos desenhos de Anita Malfatti, ao qual eu analisava na época. Abaixo reproduzi uma parte do meu falatório formal da tese e aqui também vai o desenho dessa outra brasileira que me fez viajar por quatro anos.


(Casal Dançando, Anita Malfatti, 1910-1920, acervo IEB-USP)


"... esse desenho de Anita Malfatti, "Casal Dançando", assim como se poderia trazer aqui outras referências da artista, evidencia um intercâmbio muito forte entre tradição e novo. Mescla um aspecto rústico a uma leveza, criatividade com simplicidade. Ele nos traz à memória outros trabalhos de artistas contemporâneos brasileiros que recorrem a mélange, não na pintura necessariamente, mas nas artes plásticas de forma geral. Um paralelo poderia ser feito com Tonight, uma instalação de Valeska Soares, de 2002, na qual a artista usa de uma projeção lançada sobre um palco, criando a sensação de que a cena seja real. Alguns dançarinos se movem neste palco “imaginário”, em quadrados uniformes de material frio. A rigidez e minimalismo do lugar contrastam com a volúpia da dançarina e seus pares e com o clima aconchegante criado pela música de fundo (Tonight, Café del Mare). A referência ao romântico, colocada através da dança de salão que os dançarinos embalam, se mistura ao cenário e à musica contemporâneos. “A estética predominante de Soares combina um vocabulário formal minimalista - aço inox polido, espelhos, repetição seriada - com uma tendência romântica a associações poéticas, que são freqüentemente despertadas por outras percepções sensoriais. É preciso prolongar-se para ler a história, entender a superposição da voz, descobrir a fragrância essencial à estrutura de uma instalação. Seu trabalho demora para ser assimilado, entra devagar em foco distinto. Mas a paciência do apreciador é bem recompensada.”

Sônia Maria de Carvalho Pinto, "A controversa pintura de Anita Malfatti", USP, 2007.

Referências bibliográficas: HILL, Joe, “New York: The Bronx Museu of the Arts”. Disponível em: , acesso em: 03 junho 2006. A obra foi exposta também na “Exposição Territórios” do Museu de Arte Contemporânea da USP.

22 fevereiro 2010

Dicas de como quebrar o gelo

(Ângelo pintando sua caixinha do jogo das regras da casa, Malmö, fevereiro de 2010)

Se você vive em terras geladas como as que estamos a viver aqui e se os seus dias estão brancos e deslizantes como os nossos, aqui algumas dicas de como quebrar ou derreter o gelo de fora e fazer a vida brilhar apesar das baixas temperaturas.

1.

Dedique-se a atividades intelectuais e artísticas. Elas ajudam a canalização de energia e proporcionam uma enorme sensação de prazer.

(... a arte opera milagres, Malmö, fevereiro de 2010)

2.
Junte os chegados para incendiar o barraco. Escolha as trilhas preferidas e deixa a disposição instrumentos desinibidores, como guitarra, bateria e microfone por exemplo.

(Acho que eu levo jeito..., Malmö, fevereiro de 2010)

(A banda a todo vapor, Thiago, Gigi, Ângelo e Renato brincando de guitar hero, Malmö, fevereiro de 2010)

(Pula e pula e pula que é bom para dormir melhor ainda no inverno, Ângelo e Gigi, Malmö, fevereiro de 2010)

3.
Em hipótese nenhuma tranque-se em casa sozinho. Arranje programas que caiam bem nas suas escolhas e saía para pisotear o gelo. Exposições de animais pré históricos cai bem como uma luva se estiver a fim de programa em família.

(Ângelo no museu Zoológico, Copenhaguem, fevereiro de 2010)


4.
Junte os amigos e cozinhem juntos. Uma tarde de bolos e chás é tiro e queda para espantar o mau humor do domingo de neve.


(saboreando os bolos que as mamães fizeram, Ângelo e Gigi, Malmö, fevereiro de 2010)

(Olha o Xissss, bolinho no domingo de tarde e papo mui feminino à mesa, Ângela, Xu e Liana, Malmö, fevereiro de 2010)


5.
Abrace e deixe-se ser abraçado. O corpo pode transmitir e receber energia positiva e negativa tão somente pela proximidade com outros corpos. Um abraço apertado e longo cura até crise e tpm feminina, dizem alguns médicos.


(Ângelo sendo agarrado pela filhinha da amiga tarada Liana, Malmö, fevereiro de 2010)

6.

Fotografe todos os ângulos que lhe apetecem para que nos dias de verão te lembres de nunca deixar de sair ao sol.

(O quintal de casa, onde churrascos foram feitos há milhares de meses atrás, Malmö, fevereiro de 2010)

1+1=4: divagações de uma grávida na terra do gelo

(Eu, fazendo graça na noite do Reveillon fazendo e um sinal que eu mesma ainda não sabia o que poderia vir a ser..., Brasil, janeiro de 2010)


Tá vendo esta foto aqui?Ela foi tirada na noite do reveillon desse ano e eu a usei no meu perfil no blog assim que soube que estava grávida de 5 semanas.

Eu sabia que ainda era cedo demais para contar, mas foi um jeito de eu deixar algum sinal que eu já queria partilhar com vocês, mas ainda não me sentia pronta para.

Bom, cá estou na semana 10 agora olhando para a janela que some ao longe do branco da neve. Faz um mês que cheguei e a paisagem continua absolutamente a mesma. Neva quase todo dia.

Aqui estou para mais um post e para responder alguns comentários super master de vocês, Ju e Lucinha, essa segunda gravidez foi sim planejadíssima. Tal como a primeira. Pensamos sobre isso o ano passado inteiro, conversamos, ponderamos etc. Aí, em novembro, visitei um médico aqui (ótimo por sinal, da Kura Kliniken) para vermos as chances de eu ter ou não os mesmos problemas da primeira.

Naquela, eu precisei tomar injeção para segurar o Ângelo ainda no sexto mês, porque as contrações haviam começado e o parto aconteceria prematuramente (o que descobri depois é bem comum na primeira gravidez) e também tive uma pequenina alteração no sangue, na pressão e na urina. Não havia sinal, mas o fato de isso sinalizar risco de pré-eclampsia fez com que me mantivessem no hospital vários dias antes do nascimento do Ângelo e aí, na data, o parto foi induzido. Se um dia eu tiver coragem eu faço uma narrativa do parto, por enquanto só digo que eles foram extremamente e até exageradamente cautelosos.

O médico, Dr. Bo, um senhor de uns 70 e poucos anos, sorriu tranquilo, nos acalmou e disse: sempre há riscos. Há coisas que se pode prever, outras não. O que eu garanto é que se houver problema nós faremos de tudo para remediá-lo, mas não dá para dizer o que acontecerá. E também nos disse que os problemas que tive foram típicos de uma primeira gravidez e que, normalmente, na segunda isso não aparece. Mas que... vocês sabem...

Bom, decidimos que sim! Queríamos muito de novo outro filho ou filha. O único ocorrido foi que foi assim vapt vupt! Assim como na primeira gravidez tudo aconteceu muuuito mais rápido do que a gente imaginava mesmo. Daí minha surpresa quando vi o resultado. Sabe eu estava só começando a treinar...

A Daniela, minha cara leitora, disse que me admira por eu ser tão bem resolvida e tal. Obrigada querida Dani. Se tem uma coisa que eu acho que eu sou é bem resolvida. Não tenho muita dificuldade para assumir meus erros, pontos fracos. Acho... Sei do que sou capaz, entendo muito bem o que acontece dentro e fora de mim, mesmo que isso leve algum tempo para eu perceber. Mas eu não sou essa florzinha sabe? Infelizmente eu também posso desempenhar bem o papel de casca grossa quando quero... Entende?

Quer dizer, eu estou curtindo muito estar grávida, mas eu não estou inclusa na estatística de 25% de grávidas que não sentem nada. Estou nas que incluem as que sentem tudo: são enjôos, enxaquecas, náuseas, tontura etc que pertubam meu dia e me deixam muitas horas de mal humor, querendo que os primeiros 4 meses terminem logo. E então bem resolvida eu continuo, mas meu! é um sobe e desce que nem eu aguento!

Só o marido e as pessoas chegadas sabem. Viro literalmente uma chata de galochas amarelas. Eu recraaaamo que é uma coisa! "Ai que enjôo.. ai que vontade de vomitar... que dor de cabeça" A boa notícia é que passada essa época eu viro a grávida mais "Magnificat" que conheço... A música que mais cantei na gravidez do Ângelo foi esse "Canto de Maria ao Povo" que eu cantava no violão com minhas amigas Rose e Solange (falecidas em 2002 num acidente de carro) na época que participava da Igreja com elas. Não sei que tanto, mas eu me sentia tão feliz que no chuveiro era só "Minh´alma dá Glórias ao Senhor, meu coração bate alegre e feliz... Olhou para mim com tanto amor..."

Vejam que a gravidez talvez aflore mesmo sentimentos mil na gente, mas eu acho que acaba aflorando é nossa essência. Mesmo aquela que a gente tenta negar, se medrosa, se emocionada, se agressiva, aquilo que somos mas fica meio esquecido. Eu senti como que não conseguindo negar, nem apagar meu passado. Até as crenças em que eu não achava acreditar mais reapareceram de alguma forma. De uma forma reelaborada por mim mesma, mas apareceram. E muita coisa se manteve depois de ser mãe. Foi uma transformação que eu não esperava, nem mesmo queria, mas foi o que houve.

Talvez vocês achem meio ridículo ou ultrajante esse sentimento, mas eu me sentia bem Maria mesmo. Não Sônia Maria, mas Sônia, a Maria. E agora, apesar do mal estar, celebro a cada momento (não que eu não esteja celebrando agora) o fato de ter um ser crescendo dentro de mim. Ainda não como eu quero...

(Depois dos 4 meses de enjôo veio a bonança e a boa disposição pra tudo, Eu num auto retrato com 6 meses na primeira gravidez, buscando inspiração para uma nova tela, abril de 2007)

Eu sei que para algumas pessoas esses sintomas são coisas que eu deveria conseguir controlar. Algumas amigas (que não se sentiram mal na gravidez) e pessoas queridas já sugeriram isso e eu ouço com respeito. Claro que não se entregar e ter disposição de ânimo conta, mas não acho que dependa de mim apenas. Tem dias que empurro literalmente com a barriga e em outros eu canto, faço planos, trabalho. E vou indo. Do meu jeito, obrigada.

Já sinto o "bichinho" mexendo desde agora. Não sinto por fora, sinto lá dentro sobretudo de manhãzinha e a noite. E sinto muito! A verdade é que eu sinto tudo sempre muito e isso é uma vantagem ou desvantagem, depende do caso.

Tenho amigas que me disseram que não sentiam tanto assim o bebê se mexer. E outras que confessaram não terem conversado tanto com seus brotinhos lá dentro do ventre. Eu conversava muito com o Ângelo. Cantava todos os hinos que havia um dia aprendido quando era carola. Cantava MPB ou simplesmente falava enquanto limpava, cozinhava, escrevia tese...

Era uma comunicação maravilhosa.

Eu estava pensando como teria sido quando minha mãe ficou grávida de mim (com 16 anos, em 1970) ou a mãe do Renato e acho que deve ter sido mágico para elas também. Só tô aqui matutando se talvez o fato de hoje em dia a gente ter tantos recursos visuais, livros e vídeos resultados de tanta pesquisa, ajuda a gente a ter uma relação diferente com a gravidez.

Eu sei que a pecinha aqui agora tem o tamanho de uma uva, que já tem bracinhos, perninhas, tem alguns órgãos internos etc. Tenho uns livros (Lamare e Coslovksy, "A Grávida e o bebê") e acompanho uns sites nos quais posso saber tim tim por tim tim o que acontecerá na próxima semana e na próxima e também na outra (Baby Center, na minha opinião, é o mais completo).
Tenho respostas para meus sintomas e meus sentimentos "up-down". Entendo o que ocorre com os hormônios e o porquê da gente se sentir a mulher mais feliz e abençoada num dia e no outro morrer de tédio e pensar se foi mesmo a decisão certa. Isso tudo, tenho certeza, mudou nossa relação com a gravidez. No meu singelo (e talvez errado) ponto de vista mudou para melhor.


Tá certo que podemos usar isso tudo contra a gente mesmo e encanar com tudo. E viajar na maionese pensando em todos os problemas que se possa ter blá blá blá, mas se a gente souber aproveitar uau! dá material para conseguir ir "convivendo" com o bebê desde sua vivência no útero.

(... e depois de 42 semanas completas a dor e a alegria de se ser o que é..., Ângelo e eu, junho de 2007)

Me lembro de que quando o Ângelo nasceu (depois de 10 horas de contrações terríveis e de eu achar que não conseguiria) eu recebê-lo nos braços e já o conhecer. A gente ficou ali quietinho e era como se só faltasse conhecer seu rosto. O resto eu já sabia. E ele também. Não sei se tem a ver com esse conhecimento que a tecnologia permite (me ajudem a refletir nisso também), provavelmente toda mãe antes disso também pôde vivenciar esse momento mesmo sem ter idéia do que ocorria dentro dela. Sei lá! eu tenho a ilusão que eu sou toda ligada assim na gravidez por conta do que sei... mas não sei direito.

Bom, hora de ir... o papo xarope de grávida já deve ter dado sono em vocês...

Antes, porém, Jo Ann, Ana, Luciana, Lúcia, Rita, Maaariah, Myrna, Cintia, Camila, Irene, Cristiane, Mariel, Cris, Xu, Ju, Mari, Márcia, Daniela e Lívia O-BRI-GA-DA!!!

Obrigada a vocês por tudo que me escreveram nos 24 comentários do post abaixo! Foi de muita sensibilidade e foi como receber vários abraços apertados sabe?

E a você, Super Lilás, um abraço especial pelo post de ontem!!! Fiquei emocionadíssima!

Eu só não vou prometer voltar à ativa com o blog e nas visitas já. Depende do dia vai bem, como hoje. Tem dia que tenho vontade tem dia que só quero descansar mesmo. E vocês tão carecas de saber que aqui na "cultura self service" não me resta exatamente tempo para descansar... Sei que a mãe natureza clama por calmaria nessa época. Sinto uma malemolência que me diz: deita! deita! deita já e descansa! Aí páro tudo e tento fazer com que essa gravidez seja mais calma, sem tanto estresse como na primeira. Relaxo e espero... na esperança...

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update: mudei o título do post de 1+1=2 para 1+2=4 hoje (24 fev), por ter adorado a piadinha do meu amigo Álvaro que me corrigiu na matemática.

17 fevereiro 2010

Éramos três...

(O trio amoroso no Natal no Brasil, dezembro de 2010)

Eu escrevi este post dez dias atrás para todos vocês. Estava me sentindo meio sufocada de "não poder contar" o que vinha se passando comigo e o porque de eu não responder e escrever comentários ou posts, visitar os blogs de vocês. Enfim, de estar tão sumida, apesar de já ter voltado. Além disso, vocês sabem, eu sou do tipo que se não posso dizer o que estou sentindo eu acabo me calando. Eu sempre divido a tristeza e também divido as alegrias.

Não consigo não ser sincera com quem gosto e por quem tenho satisfação. Sem contar isso, havia também outras cositas mais que me fizeram ficar meio quieta essas semanas...

Ontem tive algumas informações que me ajudaram a decidir que já é mais que hora de falar e pá!

Se desejar, sugiro que você leia o post ouvindo a música que eu estava ouvindo quando o escrevi. A letra (que reproduzo em sueco e em inglês no final do post) fala de alguém que sempre esperou por um outro e, mesmo quando não sabia, o desejo do encontro com este já estava lá...

Adoraria que vocês lessem ao mesmo tempo que ouvissem, acho que ajuda a entender o sentimento que tentei passar no post... Ou não... daí podem me dar alguns feed back depois.

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CajsaStina Åkerström cantando "Av längtan till dig" (Porque eu ansiava por você), composição de Jan Krantz)


Foi no dia 23 de janeiro, exatamente um dia antes de voltar para o Brasil, que me peguei no banheiro do nosso apê, em São Paulo, sozinha, com duas tirinhas nas mãos, nas quais eu via duas linhas cor de rosa em cada uma.

Sim, era o resultado, ou os resultados, positivos para uma segunda gravidez.

Chocada, surpresa, olhei para o espelho sozinha e sorri numa felicidade ainda não compartilhada. Corri para a sala onde estavam toda minha família, mãe, irmãos, sobrinhos, cunhadas, sogra, sogro, alguns tios e tias, a bizavó...

Há exatamente uns 5 minutos minha irmã havia me perguntado: "E aí, vocês querem ter um segundo?". "Sim, a gente agora decidiu que quer sim... Vamos dar tempo ao tempo e ver no que dá..." Lembrei rapidamente do teste que eu havia comprado naquela tarde por conta dos enjôos e náuseas terríveis que vinham me pegando aquela última semana e fui lá eu para o banheiro.

E foi assim que nos despedimos de todos no Brasil... naquele mesmo dia eu disse "fica com Deus" à minha família e vi nos olhos de minha mãe e de todos uma alegria misturada a um medo do futuro e do que viria...

De novo eu e Renato deixamos todos, grávidos, para vir para uma terra fria, muito fria nesses tempos, onde todos eles sabiam não haveria a ajuda e o amor que eles poderiam nos oferecer se não fosse a distância. De novo uma barriga crescendo, enjôos e náuseas não compartilhadas e um bebê sendo visto através do skype.

Hoje, aqui sozinha, olhando pela janela branca, onde a neve desaparece ao longe eu coloquei na minha vitrola moderna (o spotify) a música de uma sueca que eu adoro. Lágrimas e lágrimas rolaram, motivadas pelos hormônios todos a flor da pele.

Tristeza? Ao contrário! Uma coisa louca, como se meu corpo todo estivesse repleto de sensibilidade. A neve fora me fez lembrar os dois anos e meio que vivemos aqui com o Ângelo. E como rolamos lá fora e aqui dentro, os três, embalados por tanto carinho, por tanta alegria.

E, como mulher hormonal, eu já chorei de saudade de pensar que, se um dia eu senti a perda de não sermos mais dois, eu agora sei que esse "éramos três" também já começa a ser passado.

E, enquanto eu pensava nesse novo ser que vai tomar conta dos nossos dias e das nossas preocupações, esse outro ou outra ao qual vamos amar tal qual não pudemos deixar de amar ao Ângelo, eu ouvia a voz da cantora sueca...

Como pude eu, em apenas três anos, me transformar tanto? Ao mesmo tempo que continuo a mesma sentimentalóide e exagerada um outro mundo agora habita em mim: essa Suécia da cor e das flores, da discrição e do sorriso, dos olhos azuis e da escuridão, da neve branca e do mar azul quieto do verão... Essa Suécia é tão parte de mim que não parece haver mais volta. A Suécia da paisagem, a Suécia de tantas amizades novas e queridas...

E por tudo isso eu buááá chorava... Eu sei que parece exagero, mas de vez em quando sinto tanta saudade daquilo que nem sequer ainda passou. Já tenho saudade do Ângelo se sentindo único, de vivermos aqui enclausurados na terra do nunca e até mesmo de me sentir grávida do segundo ou segunda como agora. Com certeza a coisa toda vinha de eu saber que isso meio que nos força a ter respostas mais rápidas para perguntas que já vínhamos nos fazendo: ficar na Suécia, voltar para o Brasil, começar em outro lugar? Perguntas para as quais ainda não tenho resposta. A possibilidade DE já causa certa saudade...

O que sei é que daqui em diante, onde eu for eu carregarei não só os filhos que aqui senti crescendo em mim, mas toda essa experiência quase transcedente que é viver numa cultura diferente. Aliás, numa cultura, em que só se conta mesmo que está grávida quando o bebê ultrapassa as 12 semanas ou mais, ainda que seja para pessoas muito amigas.

E, ouvindo a letra, eu conclui que algumas coisas ninguém ou nenhuma mudança podem tirar da gente: se o futuro a Deus pertence, tenho certeza o passado é sempre nosso.

O que sei é que se "Éramos três", nós seremos quatro em breve...

Assim seja, Amém!


(A imagem do ultrassom que "não deixa dúvidas de que eu esteja grávida", como diz o Dr. Bo Westlund, com a criaturinha de 9 semanas, 2 cm, que tem balançado o meu estômago e revirado meu dia, ontem, Malmö, fevereiro de 2010)



Av längtan till dig

I en evighet levde jag som om du inte fanns.
I alla drömmar var du ändå nära, så underbart nära.
Och jag trodde jag fann dig, men du va nån annanstans.
Och varje gång jag funnit nån så såg jag att drömmen inte va sann.

"Tänk alla famnar jag lämnat av längtan till dig,
för jag trodde att du fanns och väntade mig.
Ja, alla dagar jag vandrat så sorgsen och trött,
för att möta den vackraste mänska jag nånsin mött."

Det var enkelt och vackert, du sa att du väntat mig.
Jag kunde ana att det fanns en himmel på jorden, jag såg den.
Och du bad mig att leva mitt liv alltid nära dig.
Jag följde dina steg och allt jag någonsin drömt om fanns där för mig.

Det finns ingen som lockat mitt hjärta så underbart:
Med all din ömhet får du sorg och smärta att sakta försvinna.
Alla skuggor, allt mörker som förr var så uppenbart
det skingras och tillsammans ser vi ljuset som stiger med solens fart

CajsaStina Åkerström / Åsa Jinder
Musik: Jan Krantz

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Tradução para o inglês

Because I longed for you

In an eternity I lived as if you did not exist
Still in all my dreams you were close to me, so wonderfully close
And I thought I found but you were somewhere else
Every time I had found someone, I saw
That the dream had not come true

Imagine all the relationships I have left
Because I longed for you
Because I thought you were there waiting for me
Yes all the days I have walked so sad and tired
To meet the most beautiful person I have ever met

It was simple and beautiful
You said you had awaited me
I had a presentiment of heaven on earth - I saw it
And you asked me to live my life always close to you
I followed your footsteps and everything I had ever dreamt of was there for me

Imagine all the relationships I have left
Because I longed for you
Because I thought you were there waiting for me
Yes all the days I have walked so sad and tired
To meet the most beautiful person I have ever met

There is no one who has called my heart in such a wonderful way
With all your care you make sorrow and pain slowly disappear
All shadows, all the darkness which used to be so apparent
They disperse and together we see the light rising with the speed of the sun

Imagine all the relationships I have left
Because I longed for you
Because I thought you were there waiting for me
Yes all the days I have walked so sad and tired
To meet the most beautiful person I have ever met

Imagine all the relationships I have left
Because I longed for you
Because I thought you were there waiting for me
Yes all the days I have walked so sad and tired
To meet the most beautiful person I have ever met

12 fevereiro 2010

"Como eles vivem e trabalham"

LICENÇA-PATERNIDADE
Cechetti com a mulher, Sônia, e o filho, Ângelo: o pai também sai por quatro meses

Na edição da Época Negócios dessa semana, a revista explora o tema de como vivem e trabalham alguns executivos brasileiros e acompanharam um dia inteiro de cada um. Junto à edição há uma sessão que chamaram de "Inspiração, viagens" na qual há parte de uma entrevista que o Renato deu para a revista no fim do ano passado.

De quebra, tem uma foto já conhecida por vocês, tirada em junho do ano passado pela minha amiga Daníssima Morassutti. Nós três naquele lugar lindo do qual sempre falo: o Ales Stenar. Pena eles terem cortados as vaquinhas e a paisagem do lugar... Ainda assim acho que a imagem é inovadora para uma reportagem de alguém que trabalha e vive na Suécia com a família, não é não?

Aqui vai uma parte da entrevista... A edição completa e o restante vocês podem conferir nas bancas ou no site, se forem assinantes da Globo.

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Cultura Self Service

Planejar e fazer tudo por conta própria são palavras de ordem entre os suecos

Por Época NEGÓCIOS

"Achei que o frio seria o que eu mais estranharia na minha mudança para a Suécia, há quase três anos. Mas foi o de menos, comparado à visão de mundo tão distinta dos suecos em relação aos brasileiros. Foi difícil me acostumar, por exemplo, com o jeito cartesiano com que as pessoas planejam a vida. Se os brasileiros têm dificuldade de pensar a longo prazo, com os suecos acontece o contrário. Eles já sabem no outono o que vão fazer no verão do ano seguinte. Em muitos restaurantes, é preciso reservar mesa com um ano de antecedência, se você pretende ir durante os meses quentes, que são os mais disputados pelos suecos. Trabalhar dentro de uma cultura assim significa ter funcionários pouco preparados para lidar com situações de improviso e cenários econômicos instáveis.
No início foi difícil, também, entender a cultura self-service sueca, em que as pessoas fazem praticamente tudo por conta própria, desde limpar o banheiro até plantar flores no jardim. Logo no primeiro ano no país, precisei me adaptar rapidamente a essa realidade porque me tornei pai. Não só no conceito da palavra, mas no dia a dia. Como não há babás para ajudar, o pai precisa ser muito mais participativo, a começar pelo parto. Num ato simbólico, a tradição por aqui é que os pais cortem o cordão umbilical. O bom disso é que, apesar de ter de trocar fraldas, os homens também têm direito a uma licença-paternidade de quatro meses."

Renato Cechetti Pinto

10 fevereiro 2010

Alma sueca x alma brasileira e alma portuguesa...

(Eu, a brasileira, Kerstin e Helena, as suecas e Xu, a brasileira-portuguesa, orgulhosas das nossas guirlandas de Natal, no curso de decoração de Natal que fizemos juntas, Malmö, dezembro de 2009)


Na noite de sábado passado, assisti a primeira parte do Melodiefestivalen de 2010, na casa de uma amiga sueca, a Helena. Com nós estava lá também a Kerstin.

Rimos, cantamos, torcemos, falamos da voz, do cabelo e da roupa dos cantores. Erramos nos preferidos que irão concorrer com os melhores da Suécia em Estocolmo e depois irá representar a Suécia no Eurovision. Estava tudo muito engraçado, patati patatá e o papo acabou no que a Kerstin, a simpática, sorridente e solteira sueca, havia feito naquela manhã de sábado com zero grau no termômetro.

Será que algum de vocês seria capaz de adivinhar? Hummmm... Tentem...

Kerstin narrou animada que havia ido à sauna, uma que fica aqui na praia onde moramos e que é bem popular no verão também. Até aí, normal, não?

Daí que então o ritual da amiga na sauna (que eu até sabia como era no verão) incluiu sair do meio da fumaça muuito quente e pular direto na água do mar. Sim! Na água do mar... E, detalhe: peladona!

Eu ri e disse: "Há há há.. até parece! pelada!"... E elas: "Sim, Sônia, é verdade..."

Foi quando eu então expliquei que isso teria que ser assunto num post meu, entendem? Elas me questionaram o porquê e eu dei detalhes de como isso soaria só como coisa de "sueco maluco" para vocês. Hábitos estranhos de gente esquisita! Elas riram e a Kerstin disse que achava super legal se eu contasse então...

Conversa de pelada vai, conversa de pelada vem e comecei com minha teoria de como as pessoas dos países quentes parecem ser mais suscetíveis a dores do que as de países frios. Em minha teoria eu tive mais dor de parto do que minhas amigas suecas, porque elas são acostumadas a sofrer (vide o episódio da sauna) as condições do clima no corpo, por exemplo, do que nós brasileiras e latinas. Eu deduzi isso depois de viver 3 anos aqui e eu ser a única (entre as suecas, of course!) a reclamar mooooito das dores do parto.

A Helena respondeu que não concordava. Na teoria dela a diferença é que nós, latinas no que tange ao que sentimos, somos mais autorizadas a revelar nossas emoções. As suecas, ao contrário, não. Delas é cobrado que sejam fortes, que dêem conta de tudo sozinhas, que carreguem os mesmos fardos que os homens. Elas precisam mostrar-se forte, independentes e capazes de sofrer o que for, sem reclamar. Isso, creio eu, por conta de que há mesmo isso de "a diferença do sexo não nos diferencia em nossas capacidades...

Ela disse que mesmo quando expressa o que sente as pessoas não dão bola, incluindo quando fala de uma dor de cabeça, por exemplo. E aí eu emendei... De fato, a gente fala da dor, do que sente de um jeito único. Enquanto ela diria: "Hoje estou com muita dor de cabeça, ponto final."... Eu diria: "Hoje eu estou com uma te-rrí-vel dor de cabeça que vai da nuca até a testa e que está quase me ENLOUQUECENDO, com ponto de exclamação".

Rimos juntas e meio que concordamos que talvez tenha mesmo a ver com a forma de expressão, mais do que a forma como sentimos.





Fato é que hoje de manhã, fuçando num blog que eu gosto muito e do qual estava com saudade, do Luiz Coutinho, um português meio poeta, discreto e que normalmente não responde comentários, quando ouvi uma música maravilhosa de outro português, Rodrigo Leão. "Vida estranha", na voz apaixonante da portuguesa Évora me deixou sem fôlego de tão profunda.

Apesar de, nesse momento, eu não ter me identificado com a tristeza da letra eu a compreendi profundamente. É assim que me sinto em alguns dias. E então me lembrei dessa discussão com as amigas suecas e de como nós, brasileiros, portugueses, latinos, no geral, conseguimos pôr pra fora o que sentimos e pensamos de uma maneira tão cheia de emoção. A música é poética, mas ela fala de dor, de uma dor do vazio... E como dizer isso se não for com poesia e muuuita emoção?

Acho que é esse jeito de expressar que me faz ter até hoje, sempre em algum canto diferente da casa, um livrinho de poemas do Fernando Pessoa, presente de uma amiga adorada portuguesa*, com quem perdi contato já há alguns anos e que vivo a folhear... Ontem mesmo eu folheava um dos poemas novamente...

Do que é, então, feita a alma brasileira e alma portuguesa?
Creio que de muitos sentimentos e de força de expressão...
E a alma sueca? De sentimentos e discrição...

...


* Se você quiser me ajudar nessa procura desesperada: minha amiga, Irene Carvalho, ex-freira carmelita, viveu no Brasil alguns anos, onde nos conhecemos, estudamos juntas e trabalhamos juntas na comunidade. Depois que abandonou o hábito nos encontramos em Paris e perdemos contato. É enfermeira e sua família vive numa aldeia em Braga... Ela me ligou algumas vezes no Brasil, mas nunca mais consegui o telefone dela... Como tenho tantos leitores da terra querida, vai que algum de vocês sabe um email da Irene ou algo assim... obrigada! :=)

"Para dizer que eu não falei das.."

(Ângelo deslizando no parquinho de onde moramos na manhã de domingo, foto do pai Renato, Malmö, fevereiro de 2010)

... carinhas felizes que também se faz na neve...

Outro dia, quando postei uma foto do Angelito de sunga, debaixo do guarda sol no Brasil junto de outra aqui na neve, no dia que chegamos, todos vocês foram unânimes em dizer o quanto ele parecia mais feliz aí no calorzão.

De fato era verdade. E mesmo que eu explique que ele estava gripado naquela foto na neve a gente já sabe que a explicação não basta.

Mesmo os suecos, nascidos e crescidos aqui, reclamam demais do inverno. O longo inverno, diga-se de passagem, já que eles adoram as mudanças que as estações trazem, assim como eu aprendi a amar.

Por outro lado, é notável como todo mundo por aqui tem um brilho no olhar, tem um sorriso quase pronto no rosto nos dias de primavera e do verão. É assim... somos feitos de sol, somos feitos de energia e dela precisamos. É natural. É humano...

E esse é um dos argumentos que mais me deixam "down" quando penso no Brasil... A gente tem isso todo (quase todo) Santo Dia! Mesmo agora com as chuvas das quais quase todos reclamam, se não contarmos os problemas de enchentes, provocados mais por problemas de planejamento e miséria, a chuva vem uns minutos e vai. Cai aquela torrente toda e o sol brilha logo depois. O céu é azul de novo.

Quando estive na praia em janeiro e em dezembro, no litoral paulista, era isso. E poder desfrutar do sol e do céu azul é um presente que a gente tem. O difícil é que vivendo num lugar que haja isso sempre a gente não perceba mais. E aí é fácil reclamar de um sol meio escondido ou de 25 graus meio nublados.

Uma amiga me disse que andava deprimida no Brasil porque estava a chover demais. Escuro demais! "Escuro demais?, cê ta brincando?", perguntei. "Não... eu não suporto esse escuro..." E eu então disse: "Você com certeza então não sobreviviria à Suécia!"...

Bom, o fato é que não tem escuridão no Brasil. Nossa escuridão vem de outros terríveis problemas, mas a mãe natureza foi bondosa demais com a gente aí. Não tô dizendo que não há do que reclamar, claro que há! E também a gente tem problemas como qualquer outro e tem que superá-los. A vida tem outras dificuldades aí! O que tô dizendo que é exatamente o que vocês constaram: o calor e o sol são capazes de proporcionar sorrisos como os que vocês viram outro dia no Angelinho.

Talvez seja por isso que eu continue apreciando muito a posição das pessoas aqui quando um solzinho no início de abril começa a aparecer e os dias com aquele azul anil. Virados em direção do sol, como animais que agradecem a mãe natureza, eles ficam quietos só "bebendo" da energia. Eles fazem isso nos pontos de ônibus, à beira da praia de roupas, numa cadeira na praça. E eu penso que falta mais isso a gente...

Bom, aqui vamos curtindo a neve que não desgrudou do chão desde que cheguei. Os dias estão bonitos. Ainda não são todos de sol não, mas ao menos são azuis. E eu amo azul. Com quem falo estão todos a rezar pelo começo da primavera. A Prima Vera que faz a gente desabrochar de novo para os sorrisos sem conta. E eu também estou nessa espera ansiosa.


(... e se jogando na neve fofa, foto do pai Renato, Malmö, fevereiro de 2010)
...

Mudando de pato para girafa: estou devendo várias respostas de comentários. Várias! Recebi comentários e emails lindos de leitores e realmente peço desculpa pela ausência. Estou ausente também do blog de vocês e rapidinho eu explico o motivo... Talvez semana que vem eu consiga. Não tem absolutamente nada a ver com descaso ou com estar "brigada" com alguém (viu Lucinha?), mas tem a ver com o meu tempo... Eu conto logo mais e adianto que não se trata em absoluto de motivos tristes.

Beijolinos para todos vocês!

03 fevereiro 2010

Para você que esteve aqui comigo eu desejo...

(Ângelo "fazendo cavalinho" no pai, Rivera de São Lourenço, Brasil, janeiro de 2010)

Na primeira semana de janeiro eu estava lá com minha máquina fotográfica clicando os meus dois, de férias, com meu par de havaianas e as regatas, num calorzão danado, curtindo mais uns dias de sol e praia antes de voltar ao batente.

E, então, o circular verde com os letreiros que você vê acima invade minha foto. Foi naquele instante de segundo que eu pensei em cada um que visita este blog. Pensei até mesmo naqueles que eu não conheço. Juro! Imaginei que era a foto perfeita para eu desejar um super e feliz 2010 e: click!

Com algumas semanas de atraso, aqui vai a foto e meu desejo bem forte de que esse ano você consiga se livrar daquilo que não lhe deixa feliz ou realizada e realizado.

Que você se sinta capaz de dar um passo em direção de coisas que deixou para trás, mas das quais se arrependeu. Que nada lhe pareça impossível demais e que mesmo nos dias mais tristes dos meses que virão você consiga se agarrar às pequenas e realmente importantes coisas que têm.

Eu desejo, do fundo do meu coração, que você tenha poucas perdas e, se as tiver, que esteja crente de que de perdas a vida é feita e que isso lhe permita seguir em frente.

Eu desejo que você passe mais por aqui e que, se passar, se sinta a vontade para dar sua contribuição, se assim quiser. Que se sinta sempre bem vindo e que se lembre que, apesar de ter a voz, eu não tenho a razão, eu apenas tenho a minha razão e a partilho com você. E que escrevendo eu aprendo, aprendendo eu me conheço melhor e cresço.

Sendo assim, aproveito também para dizer obrigada pela companhia, pelo incentivo, pela leitura, pela troca com comentários, por ter me levado a escrever e partilhar um pouco do que vivo, sinto e penso. Isso, com certeza, foi de grande ajuda no ano que passou e assim espero continue sendo este ano.

Um grande beijo, bom dia e Feliz Ano Novo para você!

01 fevereiro 2010

A Felicidade mora..., 1a. parte

(... no colo carinhoso e anônimo das brasileiras, moradoras do Japão e que iam de férias para o Brasil, vôo de Frankfurt para o Brasil, dezembro de 2009)

(... numa festa de casamento, com noivos jovens, lindos e apaixonados. Casamento da Lúcia e Gabriel, no qual Ângelo foi pajem, Brasil, dezembro de 2009)


(... nas alianças trazidas pela daminha e nos caixinhos mais cobiçados da noite. Casamento da Lúcia e Gabriel, Brasil, dezembro de 2009)

(... no orgulho da avó e na fama invertida... Ângelo com Cris Polly, a Super Nanny brasileira, que sabia quem era o Ângelo que ainda não sabia quem era ela. Casamento da Lúcia e Gabriel, Brasil, dezembro de 2009)


(... na babação da tia lindona... Tia Dri, vavá Irene e Vô Caetano matando a saudade. Casamento da Lúcia e Gabriel, Brasil, dezembro de 2009)

(... nas dezenas de presentes dados com amor por aqueles que nos amam. Ângelo brincando no amigo secreto do Natal, Brasil, dezembro de 2009)

(... e na festa de Natal celebrada em família. Ângelo com a vó Maria, Luana, Gustavo e Júnior, Brasil, dezembro de 2009)

(... na festa de aniversário da Bizavó, com direito a canção em português e sueco, dirigida pelo Angelinho. Niver da Dona Conceição, Brasil, janeiro de 2010)

(... nos primos de quem sentimos falta e pedimos para ver, mesmo depois de voltar à Suécia. Ângelo Luana e Júnior, Brasil, dezembro de 2009)

(... numa história contada por uma amiga e em noites inesquecíveis. Luana e Ângelo ouvindo minha amiga Fá lhes contar uma história... e os dois dormiram felizes até o outro dia... Brasil, dezembro de
2009)


(... numa imagem que queremos guardar na lembrança...Foto pedida pelo Ângelo, antes de minha família ir embora no dia da nossa despedida do Brasil. (minha mãezinha Maria, eu, Re, minha irmã Sandra, cunhada Vanessa com Gustavo, irmão Lê, Ângelo, Jú e Luana), Brasil, janeiro de 2010