29 abril 2009

A Vera, minha prima, chegou de mala e cuia por aqui

(Eu e meu all star no meio da areia do parquinho do Ângelo, Malmö, abril de 2009)


Esse será nosso terceiro verão aqui, mas acho que nem o tempo mata essa surpresa incrível que é a chegada da Primavera. 

Em vários países europeus a prima já tinha dado o ar da graça, mas nas Escandinávias ela acaba chegando sempre mais tarde

O que é engraçado é que mesmo a gente sabendo da vinda e estando tão ansioso por ver flores e verde e ar fresco com o sol, a mudança é sempre tão radical, tão rápida que a gente parece ter acordado no futuro. Ou no passado. 


(No meio do caminho tinha... um pedacinho do mar. Caminho entre a nova casa e a escolinha no centro de Malmö, abril de 2009)

Há exatos dois dias atrás várias árvores no caminho de casa e alguns arboredos aqui em frente eram só galinhos com uns brotinhos calados. Hoje, ao fazer meu caminho de bike, tudo tava tão tão florido que eu fico cantarolando sozinha. Literalmente. Eu canto maior alto, porque além de tudo os suecos adoram música brasileira e mesmo com minha voz de taquara rachada eu nem dou bola...


(No meio do caminho tinha... um mini árvore maravilhosa. Caminho entre a nova casa e a escolinha no centro de Malmö, abril de 2009)

Está tudo TOMMM lindo, tão cheio de vida. É tudo tão amarelo, cor de rosa, verde de todos os tons que dá uma alegria tamanha.

Isso também é uma das explicações e desculpas de porquê eu não tenho conseguido escrever os posts do blog. Além da super mudança (da qual ainda restam umas 8 caixas no meu quarto) tem esse desejo de ficar fora o dia todo. Até o Angelito que não é bobo sai da escolinha e só quer passar de parquinho em parquinho, quer parar na praia, quer ir pra areia, pegar Joaninha no dedo...

("Mamãe, pára!" "Não, mamãe" vóta, páquinho". Os pedidos do Ângelo em cima da bicicleta, desde que a prima chegou, Malmö, abril de 2009)


(No meio do caminho tinha... muita joaninha. Caminho entre a nova casa e a escolinha no centro de Malmö, abril de 2009)

Sabe que eu adoro vocês, mas a minha prima, a Vera, ela é tão legal que eu tô até sem tempo de dar bola pra vocês, embora eu esteja com uns 50 posts na cabeça desde semana passada...

Descurpa! É que a Vera é super animada e eu sou super "volúver!"

Mah que bela vista bella!

(Pôr do sol em frente de casa, mais ou menos umas nove da noite, Malmö, abril de 2009)

Esse "postezinho" é para agradecer todos os comentários de quem escreveu dizendo estar feliz com nossa nova morada e com a vista para qual eu posso olhar quando cozinho, tomo café, lavo trabalho, estudo, pinto, brinco com Ângelo, assisto TV, relaxo e etecétera.

Sim! O cara lá do apê antigo não sabe o bem que ele fez pra gente. Deu um trabalhão e tem dado ainda. Eu ando bem cansada pra dizer a verdade e tô um bagaço no fim do dia, mas vocês mesmos confirmaram que eu só tenho motivos para dar gracias.

Sim! É muito legal, eu sei! Aqui foi um daqueles achados, sabe? Aliás até que tô ficando especialista em achar moradia nota dez. Sete mudanças em sete anos de casamento tem me ajudado!

Foi um misto de sorte com estar no lugar certo na hora certa. Vi muitas casas e apês e esse tinha tudo, incluindo o preço supimpa. Vir pra cá tem a ver pra mim com esse "casamento" e conjunção do andar dos planetas. Tem a ver com muita coisa... Sorte? Benção? Destino?


(Aqui tá todo mundo fazendo festa, incluindo... "Cassa nova mamãe!", Malmö, abril de 2009)

O que percebo é que na nossa vida tudo sempre foi assim: a gente vai indo, vai lutando, a gente segue em frente e as coisas vão se encaixando. Tem uma parte muito grande que é mérito nosso, mérito do Renato que sai toda manhã, desde que o conheço, para trabalhar sempre cheio de disposição. Mérito meu porque (mesmo não tendo saído pra trabalhar nos últimos dois anos fora de casa) sei ver o lado bom das coisas e acho que sei viver com alegria que faz a gente ter vontade de mais, mas, claro, tem aquela parte que a gente não explica. Ou a gente tenta.


(A minha companheira de viagem, Madalena, estacionada numa vista paradisíaca de Ön, a ilhazinha que fica aqui em Malmö, abril de 2009)

O que sei é que estamos bem felizes, inclusive porque calhou de vir morar na praia no verão. Provavelmente no invernão escuro daqui a gente não acharia assim tanta graça... O que sei é que estamos muito gratos, agradecidos e agradecendo...

(O Ângelo no seu carrinho, com seu papis, nos campos de futebol que no inverno se encheram de neve, Malmö, abril de 2009)

O lugar, vocês devem se lembrar, fica em frente aquele mesmo campo onde a gente ficou brincando de trenó na neve há pouquíssimo tempo atrás. O canto novo fica há apenas 13 minutos de bike da casa antiga e do centro. Agora sou mais vizinha da Xu-Muié (de quem eu sempre tirei sarro por morar na "fazenda", mas que mora na verdade na Ilha que tem aqui). Já tenho até uma nova amiga brasileira. Paulista, vinda exatamente do mesmo bairro onde eu morava antes, a Liana, estuda sueco comigo no Komvux e mora há uns 8 minutos de bicicleta, grudadinho na Xu, nesse cantinho paradisíaco que eu meio que inclui como sendo vista de perto da minha casa...


(De Ön e daqui de casa a gente vê aquela ponte maravilhosa que separa a Suécia da Dinamarca, Malmö, abril de 2009)


(Ali do outro lado do Mar Báltico está Copenhaguem, a capital da Dinamarca, da qual consigo ver os prédios da sacada de casa. Aqui, vista paradisíaca de Ön, Malmö, abril de 2009)

Essa é uma daquelas coisas fantásticas das quais se pode ter na pacata Suécia. Dá para conciliar o trabalho legal com infra-estrutura da cidade e vida tranquila. São uns vinte e tantos minutos até o trabalho do Re e meu curso de sueco. Quinze até a escolinha do Ângelo. E ontem na escola uma moça achou que eu tava morando muuuito longe... rs... Isso já dava pra conciliar na casa antiga, agora eu concilio a praia. Sim bemmm! Malmö é uma cidade de praia, lembra? O Inverno se foi e agora a gente se lembra disso de novo.

(Um dos primeiros lugares que fiz questão de arrumar, o ateliê onde eu já pintei uma tela essas noites atrás, Malmö, 2009)

Eu tenho mais posts para escrever sobre algumas reflexões que venho fazendo, mas agora tô só dando notícia rápida mesmo, ok?

beijocas e boa noite!

26 abril 2009

Minha nova vista e a nova vida...

(Vista da nossa nova morada, praia e campo de futebol em frente e Torso do lado direito, Malmö, abril de 2009)

Gente querida, estivemos sem internet e ainda estamos desempacotando nossas coisas, mas só para dividir com vocês uma parte dessa nova vida. Com vista pro mar, direito a gaivota e barquinho na paisagem eu só to rindo à toa... 

É mesmo como muitos de vocês me mandaram aí comentando: quando a gente muda é hora de jogar o velho fora e aproveitar o que vem de novo... e o novo tem me deixado novinha em folha!

Um beijo e logo volto para atualizar o blog e responder comentários calorosos e tudo mais!


(Onde o pessoal joga uma pelada todos os dias do verao, depois das quatro e meia e do trabalho estressante, Malmö, 2009)

19 abril 2009

A mão de obra feminina brasileira e a minha sétima mudança em sete anos

(Ângela e Xu-Muié, empacotando, comendo, dançando e tagarelando super feliz, tudo ao mesmo tempo, Malmö, 2009)

A correria tem sido tanta e tanto assunto pra por em dia que me dei conta de que não contei ainda que estamos nos mudando. De novo! Sim, simmm salabim! como diz minha amiga da foto.

Estou aqui com a casa de cabeça pro alto e tropeçando pelas caixas. 

São sete anos de casamento, completados agora em janeiro, com meu Renatão e, na próxima quarta, serão sete mudanças desde que nos casamos. Não tem do que reclamar já que a cada vez que fomos obrigados a nos mudar, normalmente porque o dono resolve vender o apê ou coisa assim, a gente sempre acha um lugar melhor e uma nova vida se abre.

Trabalhei duro os últimos dias, mas o resultado é realmente bom: além de ter as melhores empacotadoras do mundo me ajudando nesse fim de semana, ainda temos a alegria de poder ir pra um cantinho cheio do azul do mar.

Eu tenho comentários muito legais de vocês para responder, mas não consigo agora e queria falar tanta coisa que também não dá, não dá... mas só para jogar a discussão no grupo eu fiz esse post aqui. Pensem se é possível ter melhores empregados do que os brasileiros.

(Eficientes e alegres, coisa que "não tem preço", Malmö, 2009)


Essas amigas aí da foto acima, a Xu-Muié e a Ângela, passaram o sábado empacotando dezenas de caixas. Também tivemos uma ajuda rápida da alemã Nikol, mas elas superaram em tudo.

Além da mão de obra extremamente barata (bastou pegar uns sushis no japonês que elas toparam), tem ainda aquela alegria contagiante de quem veio do país do samba e do futebol.

Fizeram 80% da casa em um dia e numa felicidade que eu nunca vi em trabalhador nenhum!

Eu não sei se elas estavam saltitantes porque puderam dar umas boas desculpas pros maridos e filhos e sogros e sogras para se ausentarem do sábado ou sei lá se tem uns parafusos masoquistas a mais como eu, só sei que eu sou a a mais sortuda do planeta, porque ajuda de "grátis" com sorriso verdadeiro no rosto "não tem preço!".

Agora deixa eu correr, correr e correr, porque, além de ir pro curso de sueco toda manhã eu preciso terminar muito aqui ainda e estar na casa nova na quarta feira de manhã pra começar tudo de NOVO!

beijocas e "vis ses!"

16 abril 2009

"Não importa quem você seja, não importa onde você vá..."



video

Há mais ou menos um ano atrás, eu conheci o Jocelyn, um francês de Lyon, num curso de sueco da Folkuniversitetet, no mesmo grupo onde conheci aquele irlandês de quem já falei aqui. Calmo, mas falante e cheio de idéias, o Jocelyn logo se transformou numa boa companhia para estudo, cafés e almoços. Junto com sua Maria, uma sueca sorridente e simpatiquésima, eles estão entre os nossos grandes amigos daqui.

Depois de voltarmos a nos cruzar no Komvux para estudar sueco de novo, nada segura nossa troca de experiência, de vivências. Ontem, o Jocelyn enviou o vídeo acima para os amigos que fez pelo mundo e também enviou-o para mim. Esse vídeo faz parte de uma série de outros intitulados "Tocando para a mudança, música ao redor do mundo". Depois de ouvir a canção e cair de queixo por ela; depois de não resistir e me contagiar de uma "sentimento bom", tal qual Jocelyn também disse haver sentido, eu ouvi a música novamente. E, então, como o Ângelo ouviu de longe e veio conferir, me pedindo para pegar o violão, cantar e dançar com ele, a gente ouviu de novo junto... E ainda mais uma vez. Foi aí que eu não consegui não escrever esse post para tentar compartilhar isso com vocês também.

Eu sempre tive pra mim que a música tem um poder de conectar almas e mentes em cantos distantes e desconhecidos da terra e esse vídeo é uma prova viva disso. Ele é prova porque conecta os cantores e instumentistas que estão nele e porque conecta quem os ouve a eles e porque ainda conecta outros que tentam passar a experiência adiante.

Talvez você não goste, vai saber... mas eu tenho cá pra mim que você vai adorar... Não pare nos primeiros minutos e vá até o final. É a experiência da coisa toda que faz a diferença. Prove! Assim como me conectou a meu amigo francês pode conectar-me a vocês também...

"Não importa quem você seja, não importa onde você vá em sua vida... não importa o quanto dinheiro ou amigo você tenha conseguido, em algum momento você vai precisar de alguém para estar do seu lado e defender-te..."

Abaixo a letra pra gente cantar e dançar junto...

...

Stand by me 
(versão "Playing for change")


"This song says: no matter who you are, no matter where you go in your life, at some point you're gonna need somebody to stand by you...


Oh yeah, oh my darling, stand by me..
No matter who you are,
no matter where you go in life.
You're gonna need somebody
to stand by you.
No matter how much money you got,
or the friends you got.
You're gonna need somebody
to stand by you.
When the night has come,
and the land is dark
And that moon is the only
light we'll see
No, I won't be afraid,
No, I won't shed one tear
Just stay as long as the people coming, stand by me
And darlin', darlin' stand by me
Oh stand by me
Oh stand, stand by me, come on stand by me yeah!
When the sky that we look upon
when should tumble and fall
Or the mountain may should crumble into the sea
I won't cry, I won't cry, no,
I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me
So darlin', darlin' stand by me
Oh stand by me
Please stand, stand by me, stand by me
And darlin', darlin' stand by me
Oh stand by me
Please stand, stand by me, stand by me
Oh baby, baby...
So darlin', darlin' stand shälana mi
Oh stand shälana mi
Oh stand, Oh stand, stand-stand by me
come on, stand by me
Stand shälana mi,
Oh I want to stand shälana mi
Oh stand shälana mi
Oh stand, Oh stand, stand-stand by me
come on, stand by me
When the night has come,
and the land is dark
And that moon is the only
light we'll see
No, I won't be afraid,
No, I won't be afraid,
Just as long,
Just as long as you stand, stand by me

(Letra original de E. Ben King)

15 abril 2009

Na Suécia também não tem... garçom camarada, "chefia", "campeão"!

("Il cameriere", O Garçom, Daphne Brissonnet)


Pondo um peso no lado contrário da balança aqui vai o que é bem legal e não tem na Suécia...

Se eu fiquei incomodada com o pessoal em Roma dando uma de "moito" grosso na furação de fila eu também fiquei emocionada com o jeitão camarada da maioria dos garços dos restaurantes em que paramos para comer.

Falantes, sorridentes e daquele tipo que você pede a conta dizendo "ô campeão!", "o gente boa!", sabe? Igual fazemos no Brasil com aquela intimidade toda? Então, isso é igualzinho na Itália, ao menos foi em Roma. Aliás foi bem mais comum do que tinha sido em Milão, por exemplo, quando visitamos a cidade há um ano atrás. Os garçons e algumas garçonetes de Roma me lembraram muito os garçons dos barzinhos, das padocas e pizzarias de São Paulo. Como o Ailton, eles são atração do lugar e parte do que você gosta no lugar onde vai. 


(O Ailton, um garçom "pop" de um barzinho na Vila Madalena em São Paulo que já teve até reportagem em jornal)

Só para dar um exemplo, em um dos restaurantes, perto do Panteon e do qual infelizmente não anotei nome nem nada, encontramos a Susani. A Susani é uma moça de Santa Catarina que vive em Roma há dois ou três anos. Casada, bonita, sorridente e falante ela papeou com a gente como se fosse amiga antiga. E falar português fez a gente parecer ainda mais de casa e ela também.


(Anders Hylén, 34 anos, é garçom e somelier no restaurante Sant Markus, que fica aqui no centro de Malmö. Ele é fino, educado, bonitão, solteiro?  e... provavelmente pouco falante)


Mesmo que o garçon não seja fino, finésimo igual esse moçoilo boniton da foto, o Andérs que é garçom num restaurante que já fomos duas vezes aqui, na Itália e no Brasil um garçom quase sempre é muito acolhedor. Ele também pode ser meio casca grossa de vez em quando, mas, no geral, é muito gente fina. 

E tem sempre um sorrisão pra você e sempre a curiosidade de saber mais e perguntar isso e aquilo. E puxa papo com a criança e faz uma piadinha... Isso pode até incomodar se você já está há um tempo no lugar e se tá num mal dia, mas pra gente que tá "carente de gente falante" foi uma beleza.

Veja, por exemplo, o garçom italiano Giovanni. Esse ragazzo é amigo da Susani e trabalha com ela lá naquele restaurante sem nome. Depois deles falarem um tempão com o Ângelo e perguntarem muito sobre nós e o Brasil etc, o Giovanni pegou Ângelo pela mão e foi na loja ao lado e deu a ele um bonequinho do Pinóquio. Lindo! Nossa! lindo! 

Eu fiquei mais emocionada do que o menino, porque, claro! Pinóquio é parte importante da minha infância... e claro! porque alguém que você nunca viu na vida, que tem sei lá um salário de quantos euros, vem dar de presente um boneco pro seu filho que ele também nunca mais verá na vida dele, é algo muito especial.


(Ângelo com o boneco que ele chamou de "pelóquio" , presente do "amigo"  italiano Giovanni... Roma, abril de 2009)


O Renato virou pra mim lá no restaurante e me perguntou e eu conseguia imaginar algo parecido na Suécia e eu tive que concordar que não. Impossível. Só se o cara não for sueco. E for... louco. 

Eu não sei se é porque aqui na Suécia os garçons trabalham além da conta. Eles servem, limpam, organizam, cozinham, ficam no caixa etc. Eles não tem tempo de fazer aquela moral de garçom, compreende? Como não há funcionários quase o cara precisa se virar muito pra dar conta do recado... Mas isso não explica tudo, claro!

Eles, no geral, são educados... e sérios. Sem tempo pra papear. Você pode arrancar um sorriso, mas será mais um sorriso educado do que um sorriso assim todo feliz da vida de espontâneo. E se tiver tempo o cara provavelmente nunca vai tentar puxar papo com você, porque sua vida e o que você anda fazendo na ciadade não é da conta dele, entende?

Para um sueco, ficar perguntando sobre sua vida é algo que soa como mal educado. Ele não vê como interesse na sua pessoa, mas como uma invasão. E pior ainda se você é apenas o cliente do lugar.

Esses dias eu encontrei uma moça que vejo há dois (dois!) anos no parquinho aqui perto... Ela me perguntou assim bem suecamente: "Oi! tudo bem? voces estão indo brincar no parquinho?" E eu: "Não... eu preciso ir pra casa cozinhar, porque meu marido..." "Ok, ok... entendi!", cortou ela toda preocupada porque achou que estava me invadindo e que eu já estava dando explicação demais...

Eu ia dizer a ela que meu marido tava no Japão blá blá blá... Putz grila a gente se encontra há dois anos e não pode dizer: "tenho que correr, porque tô sozinha essa semana!"...  Tudo bem que ela não é garçom, mas só para ilustrar melhor...

Isso não é regra. Já teve um  garçom (unzinho) que uma vez quis saber mais da gente num restaurante aqui... Fora os garçons até já consegui papo de mais de 5 minutos com alguns suecos na rua, mas ficando só no tema do post que são os garçons e as garçonetes eu diria que é raro, raríssimo ser diferente...

Vai ver eu só não dei sorte... Vai ver se conheci esse garçom camarada sueco deve ter mais algum perdido... Mas me diga você já encontrou um desses seres "estranhos" por aqui???

Na Suécia também não tem... folgado cortando fila

(Nós, em frente à estonteante Basílica de São Pedro, um dia antes da Páscoa. Fácil de entrar, de ver e aproveitar. Roma, abril de 2009)


Vocês conhecem o blog da Paula Sartoretto, uma jornalista que vive em Estocolmo? O blog dela, "Na Suécia não tem barata" é um bem dos bons e sempre que leio o título dele eu fico pensando em tantas coisas que "Na Suécia não tem.."

Pra mim não ter baratas é importante, mas para a Paula, com certeza, é essencial. Eu não tenho problemas com as nojentinhas eu tenho problema mesmo é com aranhas, por exemplo. Bicho que aqui quase não tem também, se comparar com as milhares que temos no Brasil. Então vejam que a Suécia pode ser um lugar bem bom dependendo do ângulo que você olha...

A Suécia está longe de ser um paraíso. Muito longe. Aqui há problemas e dificuldades que podem ser bem grandes, sobretudo se você vem de outra cultura. Então na Suécia não tem um monte de coisas que não tem no Brasil e que eu acho muitíssimo legal. Por outro lado, na Suécia além de não ter baratas não tem tanta coisa ruim que a gente encontra ainda em tantos lugares que faz daqui um lugar muito bom de se viver e um exemplo para a gente aprender e tentar aplicar no nosso país também.

Eu tenho pensado nessa seção faz um tempo e pensei muito nela em Roma... Pensei porque lá tem coisas parecidas com aqui e coisas parecidas com o Brasil. 

Então pra começar eu percebo que "Na Suécia quase não tem..." gente que corta fila. Quando eu digo "quase não tem" pode ser força de expressão, mas significa que na maioria dos casos não tem mesmo. É raro. Raríssimo. 

Eu não peguei todas as filas da Suécia, mas eu consigo constatar isso. É que nem a Paula. Ela deduziu por a+b que não tem baratas, já que desde que ela está aqui nunca viu uma. Aliás, eu também nunca vi uma! Assim como não vi gente dando uma de folgado na cara dura.

E uma coisa que em Roma dava nos nervos era turista e italiano tentando dar uma de esperto em todos os eventos. Brasileiros então! eles iam aos montes cortando as filas. 

Enquanto visitamos a praça da Basílica de São Pedro, vimos que havia uma fila muuuuuito, mas muuuito grande pra a visita. Pensamos em não ir, mas percebemos que a fila ia rápido. Fomos com Ângelo e ele foi dormindo no carrinho. Foram uns quinze minutos, vinte no máximo pra chegar dentro da Basílica. Nesse meio teve bandos de italianos turistas, alguns brasileiros e muitos estrangeiros tentando dar uma de esperto. Eles faziam aquela cara de "João Armless" sabe? e ploft! cortavam a frente de todo mundo.

Eu? Eu percebi que agora que sou fluente no meu inglesinho eu briguei horrores com o povão mal educado. Na fila da Basílica umas italianas apontaram um grupo de turistas (com a folgada da guia) furando milhares de pessoas e entrando na frente. 

- Olha, disse ela em italiano. Tá todo mundo entrando lá na frente. Não vamos esperar não! Vamos lá também!

E eu, em inglês, nem dando bola se ela tava entendendo ou não.

- Olha bem, eu tô esperando. As pessoas aqui na minha frente estão todas esperando a vez delas. Você TEM que esperar também. Aquelas lá que cortaram fila são só pessoas mal educadas. Nada mais. 

Acho que ela entendeu bem o recado. Me olhou com olhão arregalado e ficou quietinha. Enquanto isso um casal de brasileiros passou a perna no pessoal da frente e foi indo olhando pro céu, manja?

Para entrar nos ônibus, o mesmo! Que nada de respeito! Só socando o cotovelão na frente dos outros.

Umas quatro orientais que pareciam viver em Roma foram enfiando o carrinho delas na frente do meu na hora de subir no ônibus. Virei e falei:

- Você não tá vendo que eu tô na sua frente!

E a amiga:

- Calma! é só um carrinho! 


Pra mim má educação tem a ver com falta de senso social. E, embora eu saiba que há milhares de pessoas super respeitosas no Brasil, por exemplo, eu sei que a maioria acha que não passar a perna no outro é ser tonto. Bobão. Na Itália não parece ser diferente. Não ser ético e correto é significa ser passado pra trás... então!? Passo-lhe a perna primeiro!

Se isso já me deixava louca na época da Unicamp que eu via centenas de alunos (que deveriam ser educados, mas não eram!) cortando a fila do bandeijão todo dia na minha frente eu agora fico louca e meia, depois de estar dois anos num lugar onde o respeito é fundamental. E o que a gente vê é que respeito se aprende em "casa". Na terra natal da gente e se a terra não ensina, a família precisa. Aqui, nunca me furaram fila no caixa do mercado. Nunca furaram fila nos eventos e shows. Se eu cheguei primeiro, eu tenho preferência. Acabou. 

Eu uma coisa que a gente percebe é que estrangeiro aqui acaba "entrando no esquema". Muitos não entram, mas a maioria entra. Então eu vejo que o exemplo é a melhor coisa. Onde a maioria age corretamente o resto vai atrás e assim vice-versa.

Se na Suécia tem gente que fura fila eles com certeza ainda não cortaram a minha frente! E se cortar! eu mando pra trás na fila e escrevo um post dizendo que tem. Mas por enquanto eu preciso admitir que não tem não.

13 abril 2009

Entre o melhor de Roma..


("Papai, avião!", Ângelo e eu, Roma, abril de 2009)


Eu adoro viajar e andar pela cidade, entre os turistas e o povo local. Olhar, parar, sentar, descansar sem pressa. E nesse passeio teve algo inesperado. O Ângelo que era até pouco um bebê curtiu a cidade como um adulto fascinado. Entre os monumentos de alguns milhares de anos, ele parava e apontava algo como: "pássarinho!"

Quando a gente tem uma criança junto a gente meio que redescobre o valor de coisas que já havíamos esquecido ou que simplesmente passariam desapercebidas. Fascinado com as centenas de meios de transportes da cidade, ele aqui não deixou passar o aviãooo que estava entre os balões. 

A gente voltou pro hotel, nas ruas e no ônibus, dando aviãozada na cabeça de todo mundo, mas compensou a alegria do dono...



Bon giorno bella! Páscoa em Roma e tudo na Paz!

(Chegando no Coliseu, vista do alto da rua. Foto de Renato Cechetti, Roma, abril de 2009)


Eu espero que vocês tenham tido uma excelente Pascoa!
A correria maluca da semana que passou não me deixou contar que vínhamos para Roma passar a Pascoa!

A gente ainda esta tendo uma, porque tanto aqui quanto na Suecia hoje ainda e um grande feriado! Estamos aqui com as bellas e bellos romanos da Itália!

Escrevo com calma depois, porque vou começar a arrumar as malas para a volta.

Mas para dizer que esta tudo tranquilissimo e muito na Paz. Viemos na sexta e estamos curtindo muito.

Ontem, andando pelo Vaticano, acabamos por pegar a Missa da Pascoa e ficamos la com mais umas milhares de pessoas do mundo todo junto. Visitamos o Coliseu, andamos pela cidade toda e comemos comida muito da boas! Ângelo anda delirando com o tanto de "bus" e "tem" que tem pela cidade.

Roma e enorme e linda. Cansa a beça! Muito para ver e muito para contar.

Beijos e ótima segunda cheia renovada!

07 abril 2009

O que você vê nessa obra? A escultura de Kurt Trampedach



("Morning. Group of Woman and Man, one lying and one sitting on a bed", em dois ângulos diferentes, de Kurt Trampedach,, 1973, foto de Jaime Silva)


Eu não sei quanto a vocês, mas para mim teve boa a conversa sobre a última obra do "O que você vê nessa obra" com a "Desolação da Besta, da Kirstine Roepstorff . Eu não cheguei a fazer um texto só sobre o quadro, porque as discussões renderam material para que concluíssemos mais ou menos o significado da obra. Algumas idéias ficaram pendentes, como o porquê da bandeira da Argentina estar entre o restante, mas além da falta de tempo da última semana, também não sabia até que ponto vocês ainda estavam a fins de discutir mais a obra.

Aqui, vem uma terceira e última obra de um artista dinamarquês que está entre as três que mais me chamaram atenção na visita a obras contemporâneas de artistas da Dinamarca, as quais visitei no Statens Museum, em Copenhaguem. Assim eu posso encerrar minha trilogia de obras de artistas dinamarqueses!

Essa aqui é uma instalação, com duas esculturas em gesso, produzida em 1973, de Kurt Trampedach, cujo título é "Manhã. Grupo de mulher e homem, um mentindo e o outro sentado na cama. 

Eu também tirei várias fotos da obra, mas estou usando essas do belo álbum de Jaime Silva, que também visitou o museu e colocou a fotos no seu álbum do flickr. É claro que estar diante da escultura é diferente de apenas ver essa foto, mas eu realmente espero que vocês consigam "ver" algo nela. Gostem ou não, não deixem de dizer o porquê. 


05 abril 2009

O Super herói Senhor Lixeiro!

(Sopbil, Caminhão de lixo da Scania, igualzinho ao que roda aqui na nossa rua...)


Todo mundo sabe da fascinação dos meninos por automóveis, caminhões, tratores, aviões, trens etc. A do Ângelo começou há pouco e ele passa o dia olhando seus livros que tenham fotos desses "bichos" todos, fica pra lá e pra cá com as máquinas todas "bruuummm", quer ir passear no "bus" e "sitta bus, mamãe" todo dia. Embora continue brincando de outras coisas, além de carros e máquinas possantes, a verdade é que ele parece ter visto um extra terrestre toda vez que encontra um trator no meio da rua, por exemplo.

Eu não sei exatamente o que ele pensa sobre tudo isso, mas sei que foi só há alguns dias que ele percebeu que havia homens dirigindo, pilotando as tais máquinas, quando mostrei no livro dele.

E não poderia haver nada mais excitante, imagine! do que encontrar um desses indivíduos estranhos, cheios de mistério, personagens dos seus livros e fantasias, na rua, ao vivo e a cores!

Meio entediado por conta de uma virose ele pediu para ir "passiá". Saímos pra caminhar na quadra perto de casa, tomar um sol e ar fresco, ver o céu azulado quando, então, fomos surpreendidos por ummm... caminhão! O caminhão do "ixo, mamãe!".  "Caminhão, ixo!" "Caminhão, ixo!". Repetia ele, correndo na calçada para ver mais de perto.

O caminhão parou. "Parô!". E por surpresa do menino a porta dele se abriu. "Mamãe, homi!" "Homi, mamãe". Sim! Ele mesmo! O Sr. todo cheio de poderes mágicos, o Super Herói Sr. Lixeiro, em pessoa, veio dirigindo aquele caminhão.


(O  herói anônimo que não era o do Ângelo, mas bem que poderia ser)

Ele desceu, discreto e concentrado, muito sueco (embora eu não saiba sua nacionalidade) sem olhar para o menino que o fixava de olhos esbugalhados. Abriu o portão de um dos prédios daqui de volta e trouxe de lá um latão enorme verde, de lixo reciclável. Engatou o latão plástico e... ! "Uau!", fez funcionar toda a engenhoca do caminhão. A máquina toda funcionando, amassando o papel, aquele barulho poderoso. Aquelas coisas de ferro rodando e rodando. Demais! Mas o Super Herói, como quase todos eles, tímido e calado e continuava a executar seu trabalho sem olhar para o menino que estava totalmente fascinado. 

Quando terminou, o Super Lixeiro entrou novamente no caminhã. Não olhou para trás, não pestanejou e não deu autógrafo. Como quem precisava fatidicamente cumprir seu dever ele se foi... "Mamãe, imbora!" "Caminhão fô imbora!". 

"Parô, mamãe!" "Parô!". Sim, o Super Herói Lixeiro que, na verdade, não pára nunca, parou no prédio seguinte, há cem metros e começou a repetir o mesmo processo de antes.

Completamente alucinado, o menino o seguiu, ficou a olhar tudo de novo. De olhos arregalados e a respiração quase contida. E foi assim mais uma, mais duas vezes. Quando finalmente ele chegou no prédio do menino, esse já estava cansado demais para continuar na observação. Então, ele voltou-se para casa e disse cheio de alegria:

"Tchau, caminhão!, tchau homi!". 

O Super Herói anônimo que ama (ou odeia) o que faz diariamente não deve imaginar o quanto cheio de significado seu aparecimento teve naquele dia para a criaturinha chamada Ângelo. Mas os Super Heróis são assim e é por isso que sua aparição é sempre tão inesquecível!


03 abril 2009

Calar-se ou não...

(O Lavrador de café", Cândido Portinari, 1934)


Gente, eu havia programado de escrever um post comentando a poesia "Modernidade" do post anterior, mas a Irene mandou um comentário tão bom que acho que quero começar por ele.

Além de comentar outros aspectos da paternidade e maternidade, ela disse:

"Eu nunca vi uma mãe, negra, com uma babá, branca, passeando no shopping. Moderninade só se for o shopping."

A percepção da Irene sobre a única coisa que tem de moderno no poema foi ótima. 

Lembro de alguns alunos meus na aula que dei sobre esse poema, dizendo que era moderno porque uma mulher branca e uma negra hoje em dia podem trabalhar juntas, serem amigas e passearem no shopping, mesmo uma sendo empregada da outra.

Lembro também que quase chorei com essa leitura, inclusive porque é bom ressaltar eu dava aula para alunos que queriam entrar numa universidade, eu dava aula em cursinho...

Bom, acho que esse poema traz aquela questão que a gente debateu bastante esses dias, sobre a importância de curtir os filhos crescendo, sobretudo no nosso tempo livre, já que a vida exige que abramos mão do resto todo. Creio, porém, que a autora faz uma brincadeira com o título "Modernidade" e uma crítica muito forte à estrutura social brasileira. 

Ainda em tempos tão modernos, nos quais passeamos em shopping center luxuosos, as diferenças educacionais, culturais e econômicas deixam transparecer centenas de anos de discriminação pela cor. Essa cena, corriqueira, parece não incomodar mais ninguém. Ainda que a babá nunca possa entrar numa loja do mesmo shopping que a patroa e comprar umas coisinhas para seus moleques, elas caminham lado a lado, como amigas ou boas companheiras. 

Se há um trocadilho meio irônico com o título, o poema faz outros trocadilhos não só irônicos, mas também tristes. O fato das duas mulheres, uma branca, uma negra, estarem passeando juntas e o fato de que "vão no maior ti ti ti", não significa algo positivo. A roupa branca da babá, uniforme que marca a condição de empregada e de inferior na relação com a outra, em contraste com a roupa preta, sinal de elegância, da mãe, mostra que o ti ti ti é apenas ingênuo. Ou falso. 

A tristeza fica por conta de nem a mãe branca parecer se dar conta de que repete uma história de dominação e um papel tão antiquado, como o da mulher rica que tem a "escrava" negra e nem a empregada negra que sua situação possa ser tão miserável. 

Na descrição do poema, a mãe está em momento de lazer, mas traz sua "mucama". Ela tem seu bebê querido no carrinho o qual ela nem mesmo faz questão de empurrar. 

A miséria está em não reconhecermos em cenas assim algo tão arcaico, tão consolidado e tão difícil de ser questionado. 

A gente não questiona porque já se acostumou. A gente não questiona porque não quer ter um dia triste e cheio de preocupações mais além daquelas que já temos e porque posts alegres dão mais ibope. A gente não questiona porque sabe que é algo bem difícil de se mudar. A gente não questiona porque conhece gente que gosta e que faz o mesmo. Ou... a gente não questiona porque faria o mesmo, sendo brancos ou negros, desde que tivesse dinheiro e que "precisasse".

O grande valor desse poema anônimo é que ele faz e força a gente a questionar.


...

A semana aqui está com milhares de tarefas para eu cumprir, sem marido e com Angelinho ficando doente. tchau! tchau! beijos!

Valeu!

01 abril 2009

Análises neuróticas 1? : A babá



("Carrinho de bebê, de Andréa Ebert)



Modernidade

A babá, preta, de branco,
 empurra o carrinho do bebê, no shopping.
Ela passeia com a mãe, branca, de preto.
As duas vão no maior ti-ti-ti
Conversando sobre a modernidade de São Paulo.

(autora: uma socióloga paulista)


Há alguns anos, vi esse poema (que espero ter reproduzido corretamente, porque eu o tenho gravado apenas na memória e nos papéis no Brasil) pregado nos ônibus do centro de São Paulo.

Tratava-se de um incentivo do governo da Marta às mulheres que gostassem de escrever. Lembro de estar em pé no buzão cheio, indo dar aula no cursinho. Mudei minha aula do dia e pus o poema em debate. Rendeu uma hora e meia de excelente conversa, argumentos e possíveis idéias para tratar em temas nos vestibulares. 

O impacto do poema foi tão forte em mim, que ele vem à minha mente, quase como uma canção, todas as vezes que penso em algo parecido com o assunto nele tratado. E voltou esses dias, depois dos comentários que vocês enviaram para o post "O que os suecos fazem bem que é uma beleza?"

O que vocês acham dele?
Ele diz tanto para vocês também? Quais os pontos que a autora (infelizmente que eu não guardei o nome) traz para o debate, ainda que de forma tão sutil?

...

(se alguém tiver o nome da autora, que não é famosa, nem nada, é um socióloga paulista. Assim vinha na descrição do nome... por favor me envie para eu dar os créditos? Tack!)

Como fazer parecer que você é muito "snabb" em três tempos?



Aprender outra língua não é simples, mas se você é alguém muito "snabb", como eu, as coisas não são assim tããão complicadas. 

Depois umas seis semanas que eu estava finalmente estudando sueco direitinho, minha professora fez uma avaliação em voz alta para todos da sala. Quando chegou minha vez ela virou-se e falou uma tantada de coisa em sueco que significava mais ou menos assim:

- Sonia você é tão "snabb"! Por que você chegou há pouquíssimo tempo blá blá blá...  e é tão "snabb"! Eu estou impressionada como voce é "snabb"! 

E eu, imaginando que ela deveria estar dizendo algo como você é tão espertinha, sua danada!, como sempre, usei de toda minha simpatia braziliana e meu quê teatral, falando e sorrindo agradecida:

- Tack! Tack! Obrigada! Eu fico muito contente! 

Quando ela terminou a minha encheção de bola eu virei pra minha amiga polonesa, mais velha na turma do que eu, e perguntei:

- que ralhos significa "snabb"???

E ela:

- Rápida!

Ui! De rápida no sueco, vocês viram que eu não tenho nada! Mas isso não é importante. Importante mesmo é que a professora continua achando isso, porque eu agi como uma garota realmente muito "snabb". Em muitas situações na vida, as caras e bocas que você faz são mais importantes do que as palavras. Veja, por exemplo, essa moça da foto acima. Você tem alguma dúvida que ela não seja uma menina realmente séria e eficiente? 

Sabe que viver na Suécia tem me dado pós graduação nesse quesito?