31 outubro 2008

"Se o brilho das estrelas..."


Comecei a reler Clarice e às vezes tenho a sensação de que ela sou eu, é você, é aquele outro. De que ela já escreveu sobre quase tudo daquilo que todos nós sentimos e pensamos um dia...

Abaixo alguns trechos de "Perto do Coração Selvagem", o primeiro livro que li dela, há quinze anos atrás, e que continua atual e muito perto do meu coração selvagem...


"Se o brilho das estrelas dói em mim, se é possível essa comunicação distante, é que alguma coisa quase semelhante a uma estrela tremula dentro de mim." 

(...)

"Mal posso acreditar que tenho limites, que sou recortada e definida. Sinto-me espalhada no ar, pensando dentro das criaturas, vivendo nas coisas além de mim mesma."

(...)

"Também me surpreendo, os olhos abertos para o espelho pálido, de que haja tanta coisa em mim além do conhecido, tanta coisa sempre silenciosa."

(Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem)

30 outubro 2008

Desliga o botãozinho do tempo?

(O frio só estava na minha lembrança registrada em fotos, semana de neve em Malmö, fevereiro de 2007)


A Suécia é uma coisa louca. Há umas semanas atrás eu tinha me esquecido completamente como era sentir frio nessa terra. O calor era tanto, as cores eram tão intensas e a alegria tremenda que a gente rapidamente se esquece e começa a pensar coisas impossíveis como: "se fosse assim sempre..." Agora eu já não me lembro mais como era possível uma vida daquelas lá, daquele verão passado, na mesma terra que agora estamos. 

Eis os quatro lados de uma mesma Suécia!

Embora ainda falte quase dois meses pro inverno do calendário chegar, aqui a gente já tá sentindo um frrrriiiiio no meio da rua que ui! Já tenho saudade daqueles doze graus de duas semanas atrás. Tava tudo tão quentinho e eu me sentia toomm adaptada

Acordamos hoje com 5 no termômetro (ainda positivo, mas nem parece!). Nesse momento temos vento de 42 km por hora e no fim de semana tem previsão de neve, menos alguma coisa. Já falei como essa época tem uma mágica e a neve ajuda no clima de Natal, mas se tivesse como pedir pra parar o termômetro no cinco de agora já tava satisfatório de clima de inverno já...

Como não dá, já tirei hoje o casaco mais grosso, a bota cheia de pelo de esquimó dentro e estou mais ou menos preparada... Eu e minha pequena família... A única coisa ma-ra-vi-lho-sa disso tudo é ter uma casa quentinha quentinha pra ficar... ui ui ui ai ai ai...

28 outubro 2008

O que nosso esporte preferido diz sobre nós mesmos


Dias atrás, eu voltava da academia depois de fazer uma aula de boxe pela primeira vez. Minhas amigas, Ângela e Xu-Muié, haviam posto fogo na minha fogueira, mas acabaram não podendo comparecer na aula. O resultado foi que fiz parceria com uma professora que não se importou que eu era iniciante e me socou horrores. Tudo de briiiincadeirinha forte.

Fiz a aula tudo bonitinho. Dei os socos, levei socos e me senti bastante forte depois. Foi bom pro meu corpo e tudo o mais, mas eu voltei pedalando, pelo canal frio e a cidade escura, com uma idéia certeira na cabeça: boxe? nunca mais!

Nos longos cinco ou seis minutos que dura a pedalada da SATS até minha casa eu matutei bastante sobre o seguinte: o nosso esporte preferido diz muito sobre quem somos, mas por que será que a gente vive se enfiando em atividades que são exatamente o contrário daquilo que desejamos?

Cheguei à conclusão que sou o tipo que aguenta uma natação. É tranquilo, relaxa, faço no meu tempo e saio toda revigorada. Gosto e curto fazer yoga ou um "pilates med boll". Meu corpo agradece a cada aula. Trabalho cada músculo com gosto e a aula também me acalma. Por outro lado, eu preciso de aulas animadas, com música e ritmo. Aulas nas quais me divirto e ao mesmo tempo sinto que estou exercitando meus músculos, sinto a adrenalina correndo nas veias e uma energia danada depois que termino. 

Mas por que uma pessoa que é louca por Body Combat pode detestar o boxe, por exemplo? Foi a questão que a Xu e Ângela me trouxeram.  Minha teoria é porque o body combat simula a luta, mas mistura diversão e dança junto. Tem ritmo, exige maior sensibilidade do que força. E sensibilidade, baby, é algo que em uma mulher, pisciana, filósofa, artista não falta. O boxe exige um preparo físico muito maior, mais concentração e é bem pouco divertido. Parece mais trabalho que diversão. 

Minha segunda teoria é de que o boxe exige um tipo de personalidade que não tenho. Os socos são mais repetitivos e é menos dinâmico do que o outro exercício. E eu preciso de coisa nova o tempo todo quase. Não tô dizendo que toda a mulherada que faz aula comigo no body combat deva gostar de literatura, artes e filosofia como eu. Provavelmente um monte, odeie. A chave seria ver o que cada uma gosta nessa aula e isso talvez explique o jeito que cada uma seja. Talvez sejam as mesmas diferenças que fazem um Nacho libre ser apaixonado por luta livre, mesmo sendo ele tão diferente dos seus adversários. Para o ingênuo Nacho, era a idéia de ser um super herói com a luta que o fascinava, não os socos ou a vitória apenas.


(Cena do filme "Nacho Libre," 2006)


Só pra ilustrar: quando falei da aula de bicicleta pra Xu eu enfatizei como eu delirava com as músicas e me sentia subindo ladeira, descendo ladeira e uma coisa incrível tomando conta de mim. Como a figura do professor cinquentão animado era importante, porque ele vibrava a cada canção e passava uma vontade de querer pedalar. Ela fez a mesma aula e me disse: "Não senti nada disso. Senti foi uma dor terrível na....". Região pélvica foi o que ela quis dizer. E a Xu é o tipo animadassa também e que curte um body combat de montão.

Não sei direito, mas sou do estilo que não consegue ter alguém tipo o Gordon do Hell's Kitchen me dizendo: "vai", "Termina", "é pra ontem!" "Isso tá horrível!". Me incomodava apenas tentar assistir o programa. Posso dançar até "boquinha da garrafa" num sala com cem alunos, se isso me ajudar a explicar a matéria, e invento mil modas pra deixar o pessoal ligado na aula, mas não aguento aluno mal educado ou que acha que pode destratar colegas e coisas assim.

Talvez o segredo de achar a tal famosa "vocação" e ser feliz seja apenas esse: conseguir primeiro perceber que tipo de pessoa somos e, então, escolher que tipo de coisa realmente gostaríamos de fazer. Pra que fazer advocacia se você sempre adorou pesquisar insetos? Por que se matar dentro de uma sala de aula quando você queria mesmo era correr em maratonas? Ou por que perder seus dourados anos dentro de uma empresa se o seus sonho sempre foi estudar filosofia e ajudar os outros a pensar sobre a vida?

Foram questões assim que passaram pela minha cabeça naqueles gostosos cinco ou seis minutos em cima de minha Madalena, que aqui tem me permitido sentir prazer com um esporte que, pra mim, sempre foi chato: pedalar. Com ruas planas e ciclovias, nada de stress e cansaço, a Somnia é só alegria...

26 outubro 2008

Horário de Inverno na Suécia

("Inverno na Fifth Avenue", Patrick Antonelle)


Hoje começou o horário de inverno na Europa, então, a gente atrasou os relógios em uma hora para acordar com um pouco mais de luz e não enquanto ainda está tão escuro. 

Como vocês aí no Brasil já estão no horário de verão, a diferença fica apenas de três horas agora e não mais de cinco como antes. Agora fica um pouco mais fácil para falar com a família no skype e mais fácil para se adaptar nas férias e na volta. 

E que venha o inverno!

25 outubro 2008

"Chuva, chuvisco, chuvarada..."

"Ábúúá!", Ângelo provando minha tese sobre a chuva e os suecos, hoje de manhã, Malmö, outubro de 2008)


Aqui não pára de chover faz muitos dias. Temos uns dois dias de sol no meio de muitos com muita água. Os dias já estão curtinhos e sete e meia da manhã é praticamente noite.

Tenho cantado muito com o Ângelo uma música adorável do "Cocoricó", "Chuva, chuvisco, chuvarada"... A gente tem vontade de ficar comendo bolinho e tudo o mais, como aí no Brasil, mas há uma grande diferença entre o que acabamos por fazer com as crianças aí, num dia assim e o que fazemos aqui. Me lembro que dia de chuva era até bom de desculpa para tentar faltar na escola. Tentar, embora a mãe não deixasse...

Aqui, mesmo com o tempo assim, a molecada quer ficar na rua. E os pais deixam. Nada de dizer: "moleque, sai da chuva!". A criançada se espatifa em folhas molhadas ou pula em poças, rola na lama e na areia molhada. De roupa quente, super capa de chuva e galochas não há nem chuva, nem chuvisco ou chuvarada que faz os escandinavos ficarem em casa durante o dia. Isso porque, diferente da gente aí no Brasil, quando chega essa época não tem como pensar: "Ah, o dia tá ruim, então, quem sabe amanhã esteja melhor e a gente brinque!". Não. A partir de agora os dias ficam mais e mais difíceis. Mais frio, mais escuro, mais vento, mais tudo. Então, como não dá para passar os próximos meses enfiado em casa só comendo, só indo pra rua mesmo e curtindo cada centímetro de tudo que acontece lá fora.



(Ângelo num segundo de descanso no parquinho perto de casa, Malmö, outubro de 2008)


Eu sei que aí o tempo tá uma beleza, com dias quentes e tudo, mas ainda assim vale a pena ter em mente essa canção para os dias de chuva e para cantar com a criançada. Ótimo sábado!



"Chove, mas como chove
Chuva, chuvisco, chuvarada
Por que é que chove tanto assim?

A terra gosta da chuva
E eu gosto da chuva também
Ela lá e eu aqui
Cocoricó
Quiquiriqui

Chove, mas como chove
Chuva, chuvisco, chuvarada
Por que é que chove tanto assim?
Lararáaa

Quando chove
A terra fica molinha
A planta fica verdinha
E eu ali atolado
Com o pé na lama e nariz tapado
Minha vó me chama:
"menino vem cá vem tomar chá
Vem comer bolo de cenoura
Com cobertura de chocolate quente"
Bom muito bom muito mais do que bom
É excelente

Oh que tarde tão bela
Banana quente no forno com açúcar e canela

Chove, chove ,chove deixa chover
Enquanto tiver bolo de cenoura
A gente nem vai perceber

Chove, chove, chove deixa chover
Comendo banana quente
A gente nem vai perceber"

(Hélio Ziskind)

22 outubro 2008

"Em algum lugar sobre o arco íris..."

(Israel Kamakawiwo'ole)


Eu e Renato estávamos, há pouco, olhando um programa sueco qualquer que trazia como tema de fundo uma das canções mais lindas que já ouvi até hoje. Tenho-a aqui comigo num cd que minha amiga Janete me deu e que eu sempre páro para ouvir. 

Entretanto, só hoje, depois de ouvir pela TV sueca, tive a curiosidade de buscar alguma informação sobre o cantor e a letra completa etc. Para minha surpresa, o dono de uma das vozes mais lindas que tenho entre todos os meus cds, não tinha necessariamente a "cara" que eu imaginava. 

Gigante, em muitos sentidos, o havaiano, e não americano como eu pensava, Bradda Israel Kamakawiwo'ole, põe todos os estereótipos por terra. Depois de ler sobre sua história de vida por alguns minutos, ouvindo "Somewhere over the rainbow", é impossível (para mim foi) não se apaixonar também pela figura de IZ. 

A vida tem de muitas coisas e a música é algo magnífico, porque, quando meu encantamento por essa música começou, em 1998, Israel Kamakawiwoʻole já estava em "algum lugar sobre o arco-íris". O cantor faleceu em 97, com apenas 38 anos de idade, deixando para o mundo sua voz como herança. 

Sem falso positivismo, eu acho um privilégio dar de cara com gente assim na vida, ainda que seja pela TV, pela internet, ou por um aparelho de som. Quando ouvi sua versão de "What A Wonderful World", de Louis Armstrong, da qual eu já gostava, pensei como é que alguém podia criar coisas tão bonitas. Como o compositor e cantor podia ter conseguido dar ainda mais luz, mais paixão, mais suavidade e cor à canção clássica de Armstrong. 

E todas as milhares de vezes que ouvi, lembrei de cenas do "Mágico de Oz", perdidas em minha memória, pensei nos arco-íris que havia visto na vida, em minha amiga Jamnis (a Janete) que me fez um cd só com músicas muito especiais. Todas as vezes pensei em coisas bonitas e sinceras que havia sentido durante meus lindos trinta e sete anos.

E hoje, ouvindo "Somewhere over the rainbow" aqui na TV sueca, e fuçando sobre Bradda Israel (que possivelmente muitos de vocês já conheciam muito melhor que eu) para escrever este post, novamente esse sentimento me invade. Com certeza, para cada um de vocês, a experiência deverá ser diferente e já que uma sensação não é facil de se explicar, melhor que cada um possa vivê-la. Por isso, trago nos links deste post e no youtube do Borboleta, algumas versões dessa maravilhosa composição, e mais sobre o "Gigante Gentil", como o cantor era conhecido. 

Por favor ouçam. Meu post não vale nada sem a experiência. Abaixo, vocês podem conferir a letra e a tradução para quem precisar de ajuda dos universitários. 






Somewhere over the rainbow

OK this ones for Gabby
Ooooo oooooo oooooo...

Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dream of
Once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true

Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me
Oh somewhere over the rainbow blue birds fly
And the dreams that you dare to, oh why, oh why can't I?

Well I see trees of green and
Red roses too,
I'll watch them bloom for me and you
And I think to myself
What a wonderful world

Well I see skies of blue and I see clouds of white
And the brightness of day
I like the dark and I think to myself
What a wonderful world

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands
Saying, "How do you do?"
They're really saying, I...I love you
I hear babies cry and I watch them grow,
They'll learn much more than
We'll know
And I think to myself
What a wonderful world

Someday I'll wish upon a star,
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me
Somewhere over the rainbow way up high
And the dreams that you dare to, why, oh why can't I?
Ooooo oooooo oooooo...

(Israel Kamakawiwo'ole)


...



Em algum lugar sobre o arco-íris

Ok, esta vai para Gaby
Ooooo oooooo ohoohohoo

Em algum lugar sobre o arco-íris
Bem lá no alto
E os sonhos que você sonhou
Uma vez em um conto de ninar

Em algum lugar sobre o arco-íris
Pássaros azuis voam
E os sonhos que você sonhou
Sonhos realmente se tornam realidade

Algum dia eu vou desejar pôr uma estrela
Acordar onde as nuvens estão muito atrás de mim
Onde problemas derretem como balas de limão
Bem acima dos topos das chaminés é onde você me encontrará
Em algum lugar sobre o arco-íris pássaros azuis voam
E o sonho que você desafiar, por que, porque eu não posso?

Bom, eu vejo árvores verdes e
Rosas vermelhas também
Eu vou assistí-las florescer pra mim e pra você
E eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

Bem eu vejo céus azuis e eu vejo nuvens brancas
E o brilho do dia
Eu gosto do escuro e eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris tão bonitas no céu
Também estão no rosto das pessoas que passam
Eu vejo amigos apertando as mãos
Dizendo, “como vai você?”
Eles estão realmente dizendo, eu, eu amo você
Eu ouço bebês chorando e eu os vejo crescer
Eles vão aprender muito mais
Que nós saberemos
E eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

Algum dia eu vou desejar pôr uma estrela
Acordar onde as nuvens estão muito atrás de mim
Onde problemas derretem como balas de limão
Bem acima dos topos das chaminés é onde você me encontrará
Em algum lugar sobre o arco-íris pássaros azuis voam
E o sonho que você desafiar, por que, porque eu não posso?

(Tradução: Marina Guimarães)

19 outubro 2008

"Suíte das Folhas"

(O caminho de árvores na esquina de casa pelo qual me apaixono em cada estação, Malmö, outubro de 2008)


Domingo é dia de família pra mim. 
Domingo é dia de saborear um prato gostoso e comer uma sobremesa caprichada.
Domingo é dia de soneca depois do almoço ou de filme no fim do dia.
Domingo é dia de prece silenciosa pela semana que passou.
Domingo é dia de se jogar nas almofadas e ouvir nossas canções preferidas.
Domingo é o dia De... fazer tudo aquilo que passa pela cabeça durante a semana, sem deixar que o sonho escorregue por entre os dedos. 


("Maissss, maissss", Ângelo curtindo o outono e o domingo em seu carro possante, Malmö, outubro de 2008)

Passeando novamente pelas folhas amareladas das árvores hoje, vi que muita tem saído às ruas com sua câmera fotográfica... As crianças se espalham pelas folhas e os pais ficam atrás das câmeras. E muitos tentam fotografar as folhas amareladinhas caindo ou então jogam-nas para cima, querendo capturar esse momento de profunda delicadeza. 
Eu continuo ouvindo canções quando passeio por entre essas árvores e achei incrível como o quarteto português "Sons do Tempo" conseguiu traduzir esse sentimento tão bem em "Suíte das Folhas, Poema a uma folha caída".


(Bruuum, bruuum, Malmö, outubro de 2008)

Esse tipo de música, domingo e outono é um casamento perfeito. 
Cliquem no link acima para ouvir a canção e tenham um domingo e um início de semana suave suave...

18 outubro 2008

O que vocês prometem?



Infelizmente sou uma pessoa relapsa demais para ter conseguido falar com minha adorável amiga Gláucia pelo telefone hoje, mas hoje acordei com aquela sensação gostosa de quando você vai a um casamento de alguém muito querido. Apesar de muita chuva aqui, estou o tempo inteiro imaginando a Glau entrar pela igreja e olhar para o Daniel lá na frente.

No ano passado acabei escrevendo uma trilogia (ainda incompleta) "Um Romeu para a Julieta", depois de ter me inspirado na linda história dos dois pombinhos, ex-vizinhos de muitos anos. 

Eu sou o tipo muito romântica, mas não gosto nada de ter que aceitar convenções só porque os outros acham que é preciso ou para agradar os outros, mas quando a gente faz lá do fundo do coração, faz porque o gesto faz sentido, faz porque a vida é cheia de celebrações e vale a pena, muito a pena celebrar a união com uma alma gêmea, eu fico totalmente emocionada. E toda vez que vou a um casamento (só uma única vez aconteceu de eu não sentir absolutamente nada, porque tava na cara que os noivos casavam só por convenção e economia) eu choooro horrores. E gosto mesmo dessa jura de amar o outro na alegria e na tristeza. Um companheiro, uma companheira de caminhada é exatamente alguém que suporta e QUER te amar, apesar de... E isso não há dinheiro que pague, não há nada que compre. O amor tem que ser gratuito e gente que nem esses dois aí hoje que conseguiu encontrar esse amor tem muito é que celebrar e se emocionar mesmo.

Não posso estar aí no Brasil com eles, mas minha alma dá muitas graças por eles e, de alguma forma, me sinto com eles nesse momento tão tão especial.

Espero ter foto do babado todo que vai acontecer hoje em Jundiairrrr, interiorrr de São Paulo, para pôr no próximo post sobre os dois...

"Pode o outono voltar, eu quero estar junto a ti..."


(Igreja St. Pauli, bem pertimmm de casa, Malmö, outubro de 2008)

Se vocês se lembram da cor da paisagem aqui perto de casa no verão precisavam estar aqui com a gente agora pra verem a cor da nova estação.


(Caminho de árvores até Igreja St. Pauli, Malmö, outubro de 2008)

O outono chegou com muita chuva, temperatura na casa dos 10 e muito, muito amarelo. 
As ruas estão tão lindas que parecem poesia. Passear de bike ou a pé pelo meio das árvores e das folhas que caem com o vento é uma experiência quase musical. É uma delícia!


(O mesmo caminho, no sentido contrário, olhando da Igreja em direção nossa casa, Malmö, outubro de 2008)

Eu falei muitas vezes de como os europeus, sobretudo o povo escandinavo, parece ter a natureza refletida em seu humor, mas, cada vez mais, tenho notado como eles se espelham também na natureza para se vestirem. Tem hora que parece até exagero, mas essa é a verdade. As lojas aproveitam bem isso e substituíram todas as cores do verão passado por marron, ocre, vermelho e preto que, em breve será quase a única cor tirada do guarda-roupa. 


O povo tá mais quieto e já volta pra casa mais cedo do trabalho. Durante o dia, entretanto, ainda é tempo de brincar nas poças d`água com a criançada, se jogar nos montes de folhas ou passear pelo parques amarelinhos.

(Caroline, filha de minha amiga Márcia,  dando de comer aos bambis da floresta próximo a sua casa, Löddeköpinge, outubro de 2008)


Por enquanto ainda resta esse tom de aconchego no ar, essa paz que a caída das folhas traz e essa alegria contida do outono. 


(Ângelo esperando Rê em frente ao trabalho. "Hej", "Papa", é o que disse para uns montes de homens que saíram do mesmo prédio, Lund, outubro de 2008)


Eu, como sou muito brasileira, como o Tim Maia, tenho vontade de me aconchegar com quem gosto, igualzinho como fizemos na Primavera, só que não mais na praia, mas em cafés quentinhos, com muito bolo e café fresquinho ou até em alguns parques, como fizemos na semana passada, quando visitei minha querida amiga Márcia



(Caroline e Ângelo, mandando ver no pãozinho dos bambis, Löddeköpinge, outubro de 2008)

15 outubro 2008

A "perca" da língua

(Ilustração de Laia Feliu Aguirre)


Semana passada eu estava tagarelando sobre tudo com minha amiga Jéssica, quando no meio da conversa ela me disse: 

- ... "e, então, é preciso marcar uma consulta com a ginecóloga..."
Ginecóloga? Que estranho, pensei, mas fingi não perceber e deixei que ela continuasse. 
Mais adiante, num tema mais moderninho, ela continuou toda posuda dizendo algo mais ou menos assim: 
- "sim, eles vão modernizerar tudo..." (Tô inventando, mas foi parecido com o que eu já tinha ouvido ela fazer que é misturar as línguas, como nesse exemplo: modernisera do sueco com modernizar, do português.
Modernizerar? Uau! Isso é bem estranho, pensei, e não me contendo eu disse:
- Acho que você tá esquecendo o português, porque tá misturando as duas línguas o tempo todo e às vezes diz uma palavra na forma errada. 
- Quem eu? Perguntou ela toda inocente. Nossa... não percebi! O que foi que eu fiz?
Expliquei e aí ela arrematou:
- É... nossa... Mas você sabe que português sempre foi o meu forte na escola...
Não me aguentei e me esborrachei de rir. 
- Era seu forte? háháhá... 
E ela completou tristonha 
- É... quer dizer... era! E se acabou de rir também. 


(Jéssica e seu precioso Nicky, aproveitando um piquenique comigo e Ângelo, Slotspark, Malmö, maio de 2008)

...


Tem uma coisa que você com certeza vai perder um pouco se decidir viver em outro lugar por um tempo. E piora quanto mais tempo você passar fora: a sua língua materna.

Eu e minha amiga Jéssica somos prova disso. Ela é uma brasileira viajadíssima, fluente em sueco, italiano, inglês e português, com vocabulário em português bastante rico, uma super estudante de psiquiatria na Universidade de Malmö. Pra ajudar no seu multiculturalismo, a mãe é peruana e o marido, grego. Ela está fora do Brasil há muitos anos e já morou na Itália, Inglaterra e Irlanda, depois de ter se mudado pra cá.  

Eu não tenho esse gabarito todo não, mas em minha vida toda nunca tive nenhum, "nenhunzinho" problema sequer com português. Eu era bem razoável em matemática e afins, mas eu era o xodó (é com x ou ch?) da professora de português, da de geografia e da de artes. E isso me ajudou até numa carreira como professora e corretora de redação.

A verdade é que, desde que vim pra cá, meu lindo português, alto, moreno, pele clara, de lindos olhos amendoados, está virando um portuguesinho baixinho, bem gordinho, com uns dentes de ouro no meio dos bigodes longuíssimos. Um português nada charmoso. 

Escrevo os posts sempre muito rápido e quase sem correção, então deixei passar erros "bestíssimos", trocando x por ch, coisa que nunca - never!, jamais em tempo algum! - aconteceu antes, mesmo eu escrevendo voando. Inventei palavra misturando português com espanhol, inglês e sueco e só percebi depois de me chamarem a atenção. Mas toda vez que a gente que vive esse dilema da "perca" da língua tenta se explicar o pessoar daí do Brasil acha que é coisa de gente fresca ou, pior, coisa de quem sempre escreveu errado mesmo, mas agora aproveita a deixa e comete um montão com boas explicações. Pode até ser em alguns casos, mas eu juro que não era o meu.

Eu era uma moça bem intencionada e sempre amei escrever corretamente ou passar a caneta nas redações e colocar a forma correta ao lado do texto do aluno... mas ouvindo sueco na rua, TV, rádio, lendo no jornal, revistas, correspondências etc e tentando falar o pouco que consigo eu tô mais confusa que o cavalo do cego no meio do tiroteio. Além disso, tem o inglês que praticamente é a língua com a qual me comunico aqui. Português eu falo com Ângelo (pá, bá, má), com Renato e algumas valiosas e poucas amigas, de modos que meu purtuguês charmosão tem deixado saudades.

Isso talvez possa ser contornado com boa leitura na minha língua (por isso catei minha "Montanha Mágica, do Thomas Mann, e recomecei a leitura que sempre quis terminar), mas se você se muda sua vida é cercada de obrigações e aprendizado de tudo em uma nova língua, então, um mix muito grande vai acontecendo e você se vê criando palavras o tempo todo... 

Se esquece o sentido de uma palavra, sua mente busca muito rápido, como num grande fichário, um sinônimo em alguma língua que você aprendeu antes. Por isso, até mesmo línguas que estudei por um tempo, mas não sei porcaria nenhuma, aparecem nas frases, mas totalmente sem querer. A gente mistura de tudo e inventa de tudo! E perde um pouco da língua original. Minha adorável amiga Inara, inteligentérrima, que tem o prazer de viver em Paris, me disse que ao escrever seu doutorado ela se viu com um texto escrito em várias línguas, com um misto total de palavras e sentenças em francês, inglês, alemão e português.

Essa é uma desvantagem de se aculturar, se a gente pensar por esse prisma. Apesar de não ser o que a gente deseja, quando tenta assimilar outra língua, não me parece que haja muita saída. Tenho amigas com alto nível escolar que viveram fora por uns tempos e me escrevem emails com erros "tipo de quinta-série", "manga"? sem "perseber".  Outras, como umas italianas por exemplo, que vivem no Brasil há uns vinte anos, até hoje falam italianês porque morrem de medo de esquecer sua língua materna. Detesto a idéia de não ser mais tão boa em português, mas, ao menos por um tempo, me parece preciso não me preocupar tanto com isso, senão ficarei sempre no meio do caminho. 

O mesmo tem acontecido com Ângelo. Antes da escolinha, o Dagis, ele vinha falando muuuitas palavras em português, acho que umas vinte e poucas, e algumas frasesinhas. Agora com a suecadinha e professoras falando sueco o tempo todo com ele na orelha dele, ele volta de lá fazendo biquinho e dizendo: "ijjhhhhh". Ele está soltando muita coisa em sueco e tentando fazer os sons característicos dos escandinavos, mas passou uns dias sem falar muita coisa nova na sua língua. Aos poucos, ele parece estar digerindo, assimilando e se arriscando novamente. "Ba-ta-ta" foi o que ele disse hoje, com todas as letras, enquanto eu cozinhava seu almoço. 

Vê-lo tendo contato com três línguas ao mesmo tempo e tentando se expressar é incrível. Mostra como somos capazes de tanto, ainda tão cedo. Às vezes ele fala a mesma coisa duas vezes, em sueco e português: "Né! Nã!" (Nej, não), "épê" (äpple), "açã" (maçã). Tem hora que arrisca até um inglezinho básico e se despede, por exemplo, usando as três línguas ao mesmo tempo: "Táu!", "Redô!", "Babá!". Ele talvez demore mais a falar fluente o português, acho que é uma perda temporária, mas necessária, ao menos no caso dele. Já no meu não posso garantir que eu não renda risadas melhores ainda do que a minha amigona Jéssica me deu aquele dia. 

Por ora, prefiro anotar, morrer de rir e escrever posts. E, por favor, passem a caneta vermelha em mim, quando eu publicar erros por aí, mas com jeitinho, senão eu choro. Eu e a língua portuguesa agradecemos.


12 outubro 2008

...nas Teresas, nas Gis e nas Marias todas, amém!



"Em Teresa brotou a Rosa" é o título dessa tela que fiz há algum tempo e que foi comprada pela querida Gi - Gislaine. Ela e o Christian caíram de amores pela "Teresa" e foram buscar a tela em São Paulo. Desde então, ela está na sala deles lá nas Suíças...

A "Teresa" acompanhou os primeiros tempos do casamento dos dois apaixonadíssimos e pôde ver a Gi de barrigona, coisa que eu não consegui. Nessa foto que "tomei" do álbum da Gi as duas estão tão cara de uma, barriga de outra que a impressão que tenho é que pintei "Teresa" a partir da Gislaine, embora engravidar fosse apenas um projeto da Gi, quando ela conheceu minha pintura. 

É interessante demais pensar em como o que vemos e sentimos pode afetar o que somos. Enquanto alguém pode olhar pra esse mesmo quadro e sentir algo ruim, ou detestar a idéia e as cores, outra pessoa pode ficar em êxtase com ela. Eu acho magnífico o que uma pintura, uma poesia, uma música pode fazer com a gente...

Semana passada, por exemplo, a Irene, minha sogra, me disse que uma foto que pus no blog comigo, Ângelo e Re juntos é quase idêntica a uma pintura que fiz da Sagrada Família há um tempo e dei para duas pessoas da família dela de presente.

Curioso tudo isso... curioso como a Gi poderia ter se espelhado nas cores da "Teresa" quando pôs sua blusa rosa e sua barriga cheia de Ana Carolina para posar na foto no dia do chá de bebê de sua esperada. Curiosíssimo pensar como eu posso ter em mente, sem querer, que minha pequena família é um tanto "sagrada" e posar para fotos na mesma posição que fiz meus quadros ou fazê-los de forma que lembrem àquela admirada família, mesmo quando não a tenho em mente conscientemente. Viagens minhas, talvez. Talvez não.

Bom, o fato é que, depois de meses de paixão e espera, em Gislaine brotou a Ana Carolina que nasceu no dia 21 de setembro.

E vendo essa foto tão linda e única das duas aí, coladinhas uma na outra, a mãe cheia de orgulho, a filha cheia de segurança junto dela, eu fiquei pensando que a cada nascimento todo mundo se torna um pouco sagrado. Toda mulher é um pouco "Maria" ao carregar dentro de si uma criatura cheia de vida e ao dar a luz a ela depois... 




Todo homem é um pouco José, quando segura nos braços o fruto do seu fruto, como o Christian nessa foto abaixo, todo bebê, um milagre...

Acho que foram idéias assim que me levaram a pintar "Em Teresa brotou a Rosa" e outras telas mais... A gente tem mais de idealismo e pureza dentro de si do que assume e a vida é mais arte do que a gente imagina. 


09 outubro 2008

Meu pé de jaboticaba

("Jaboticabas, foto de Bruno Guimarães) 

No quintal do sítio de minha amigona do coração, Susette, havia os pés de jaboticaba mais lindos que eu já vi na vida.

Em uma das minhas idas à Bragança Paulista, em novembro de muito tempo atrás, os pés estavam carregadíssimos. Elas estavam grandes, brilhantes e era impossível não querer comê-las aos montes.

Eu e Mércia, outra amigona, nos desesperamos. Tomamos nossas camisetas, assim, como quem puxa um avental, e fomos colhendo. Colhendo e chupando ao mesmo tempo. Parecíamos crianças desesperadas e sem controle. A cada bolota preta na boca, um estouro... Uma delícia. Um gosto tão doce. Um gosto tão especial e único...

Comemos sem conseguir pensar. E ficamos duas semanas sem conseguir... pensar. 
Foi terrível. Desde então, passo pelas feiras de São Paulo e meus olhos brilham. Tento não deixar a criança gulosa dentro de mim me dominar, então, compro sempre um pacotinho muito pequeno. Com pacote pequeno não tenho problema de me entupir. Melhor não ter da "droga" em casa, para não me matar de comer. 

Está chegando o mês de novembro e já é época de jaboticabas no Brasil. Quem me lembrou isso foi uma terceira amigona do coração, a Mafer, que tá gravida de alguns meses, e me mandou um email só me lembrando que ela comeu uma porção delas essa semana e que lembrou-se de mim. Lembrou de me lembrar que aqui, na terra organizadinha, bonita e geladinha, eu não tenho como subir num pé desses ou como comprá-las numa feira de rua. Não tenho como me deliciar com o sabor único do Brasil.

Ela só me mandou o email, disse ela, porque me ama. Claro. Amigos servem para se entupirem de jaboticaba com a gente, ou se entupirem pela gente. 
 
Tem problema não... Minha mãezinha, outra louca por jaboticabas, plantou um pézinho há algum tempo no quintal dela e em alguns anos eu poderei fazer o mesmo com alguma querida amiga também...

08 outubro 2008

Papo cabeça com o taxista inglês

(Em Londres, os táxis são um dos charmes e atração da cidade... Aqui, alguns taxistas de nariz empinado, em frente a Abadia de Westminster, setembro de 2008) 



Um taxista super inglês, com cara de se chamar "Sir John Alguma Coisa", pai de cinco - cinco! - filhos e amante de sua cidade, me encheu de perguntas durante o trajeto da casa de minha amiga Lujan até o aeroporto London City. "John" quis saber tudo sobre o Brasil, os brasileiros e também sobre o que eu achava da Suécia. Tudo isso, numa simpatia tremenda e num sotaque inglês lindíssimo. Coisas que, à primeira vista, nem combinariam assim.

A certa altura, depois de querer saber o que eu havia estudado e eu ter lhe dito "Filosofia", ele me perguntou:

- Você estudou Filosofia? Hum... Interesting... E qual é a sua filosofia de vida?

Não desdenhei a pergunta... Ao contrário. Olhei pelo vidro do carro, com as mãozinhas do Ângelo nas minhas e respondi mais ou menos assim:

- Trabalhar apenas naquilo que gosto, mesmo que não ganhe muito dinheiro. Ter saúde. Lembrar me sempre que dinheiro serve para comer o que gosto, presentear quem amo e viajar para conhecer gente e lugares diferentes. Priorizar as pessoas e não deixar que a correria priorize as tarefas e as coisas. Ser uma pessoa responsável e ética o melhor que conseguir.

O "John" sorriu no retrovisor e não sei direito o que ele achou da resposta. Eu voltei os olhos para o trânsito e sorri satisfeita. 

Eu sabia que o que desejo pra mim não é muito. Aliás o fato de eu querer não significa que eu consiga ou conseguirei sempre aplicar o que penso, mas não me importei no momento. Fiquei foi muito feliz de poder falar de coisas assim com alguém como o "John". Coisas sobre as quais a gente normalmente não tem tempo ou não acha importante o suficiente para papear... No dia-a-dia resta só questões práticas e pouca filosofia. 

Adorei ter cruzado com o taxista inglês que era muito mais que um taxista inglês. Fiquei feliz em constatar que uma de minhas "filosofias de vida" estava se concretizando, pois a viagem a Londres estava me proporcionando, entre tantas coisas incríveis, conhecer gente como aquele especialíssimo "Sir John" de quem eu até me esqueci de perguntar o nome.

(Eu e Ângelo no quintal gostoso da Lujan e do Ted, aplicando uma das minhas "filosofias" de deixar a criança rolar, experimentar, sentindo a terra nas mãos e viver...Londres, setembro de 2008)

06 outubro 2008

Ainda bem que a gente muda...


(Rotina do inverno no fim de semana: Renato e Ângelo brincando na chuva,  antes de pegar o pão no mercadinho da esquina para o café, setembro de 2008)


Agora há pouco eu estava voltando da academia, pedalando minha Madalena. Passei pelo canal, com névoa em cima da água, e fiquei olhando as árvores já sequinhas à beira dele. Os 9 graus no termômetro não são nada do outro mundo mais, mas algo em que consigo me sentir "confortável" e, muitas vezes, bem feliz. Não preciso de casacos terrivelmente quentes e nada próximo do que usava quando cheguei com a mesma temperatura, porque sinto que meu corpo se adaptou muito neste um ano e pouco.

É quase inacreditável que sou a mesma que, há alguns anos, usava meia, cachecol e casaco com 25 graus e reclamava de frio com vinte e poucos. Talvez eu seja a mesma, mas, claro, não seja mais a mesma. E isso é fantástico.

É legal ver como se pode aproveitar o dia, ainda que seja com chuva, com frio ou com neve. Num lugar onde não faz trinta e poucos graus o ano inteiro, a gente aprende a valorizar cada saída do sol, cada pocinha de água onde se possa brincar, cada dia sem vento forte. E eu já não acho que são uns "coitados" aqueles que precisam viver em lugares assim, ao contrário, eu acho que a gente pode viver muito bem, mesmo sem passar um calorzão e acho que uma vida assim exige certa disciplina e organização que me fizeram um bem danado. Como eu já disse, não é o frio o problema daqui, mas o lado "negro" do inverno...

Aliás, desse friozinho eu tenho certeza que irei sentir muuuita saudade, dessa atmosfera que só se pode viver e entender quando se vive num lugar onde as quatro estações nunca deixam de dar as caras.

Voltei pra casa hoje com a sensação de que a gente pode muito, só não sabe os limites até testá-los. 

"No ritmo escandinavo..."


O charmosão da foto é nada mais nada menos que uma das pessoas mais citadas neste blog. O meu querido, e quase famoso Renato, está na Época Negócios dessa semana.

Para quem quiser conferir a entrevista é só procurar aquele rapaz um pouco mais famoso, porém não tão charmoso quanto ele, o Bill Gates, na capa. O número traz o título "Capitalismo criativo" e a reportagem é de Marcelo Coppola, com a chamada "De vendedor a criador". 

Coppola fala um pouco dos desafios do Renato ao ter trocado o Brasil pela Suécia e ter assumido uma nada fácil empreitada de se colocar como o brasileiro que cria celulares para o mundo, em meio a gente boa do mundo todo, na unidade de Lund. Além disso, traz a questão que eu vivo discutindo aqui, de como o ritmo escandinavo de vida é algo que vale a pena experimentar e algo bem fácil de se gostar e querer.

Li, gostei, aprovei e rrrrecomendo! 

05 outubro 2008

Outono em mim

(Ilustração de Glyn Brewerton)

A chegada do outono tem deixado a cidade de uma cor amarelo-alaranjada linda.
São milhares de folhas voando com o vento forte e se espalhando pelas ruas e avenidas.
Nossa principal diversão - minha e do Ângelo - no meio disso tem sido chutar os montes de amarelos fofos que encontramos por aí...

Com a temperatura em onze durante o dia e oito durante a noite a gente com certeza se despediu daqueles dias que passamos estirados ao sol nesse verão passado e um sentimento novo vai tomando conta de todos por aqui: uma necessidade de se aquietar num cantinho aconchegante e aproveitar a companhia de gente próxima querida.

Com as noites longas o corpo sente vontade de descanso e é hora de começar a ir pra cama com as galinhas suecas...

Boa noite...

01 outubro 2008

A única coisa que eu sei...

(Meu triângulo amoroso, Londres, setembro de 2008)


A gente corre pra lá, a gente corre pra cá.
A gente estuda, trabalha, rala, se dói e se mata.
A gente planeja o futuro e tenta superar o passado.
A gente faz assim, faz assado para tentar ser melhor.
Mas é bom que a gente não se esqueça de jeito maneira
de que, lá no fundo, só algumas coisas realmente importam.



Eu sei que vou te amar

..."Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar...

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida..."

Caetano Veloso