31 julho 2008

Amamentar é muito mais que o ato solitário de uma mulher...


Tem algumas coisas que a gente aprende quando é mãe e tenta amamentar, ou quando se põe a perceber a realidade da mulher que amamenta. 

Uma delas é que essa iniciativa não pode ser solitária, sobretudo porque é uma fase em que a mulher precisa de todo o incentivo e apoio que conseguir. E porque, só o desejo de amamentar não basta. Há uma gama de problemas que surgem nos primeiros dias e meses de amamentação que acabam levando esse desejo abaixo. 

As cobranças que a gente mesma se faz são demasiadas e as intenções de ajuda de quem está de fora, nem sempre conseguem ter o efeito esperado. 

A Semana Mundial de Aleitamento Materno, que vai de 01 a 07 de agosto, tenta incentivar o aleitamento a partir da idéia de que amamentar não é algo que a mãe faça sozinha. Ela pode e deve tomar a inciativa para isso, mas é preciso uma rede de colaboradores que começa em casa, com o pai da criança, estendendo-se a todas as pessoas próximas à mulher até chegar ao Governo do local onde ela vive.

Abaixo algumas regras de ouro da amamentação que, há 16 anos, são incentivadas pela Semana.


***


A alimentação ideal da criança pequena consiste em:

• Mamar no peito até pelo menos os 2 anos de idade.
• Nos primeiros 6 meses de vida, só o peito.
• Depois, peito junto com alimentos complementares adequados.

Apóie as mães para que elas possam proporcionar essa alimentação ideal aos seus bebês! 


1º regra de ouro no apoio ao aleitamento materno:

• Tratar a situação de cada mãe e bebê como individual e única.
• Ser sensível às necessidades da mãe que amamenta. 


2º regra de ouro no apoio ao aleitamento materno

• Escutar com empatia para conhecer as preocupações maternas.
• Evitar falar, a não ser para esclarecer.
• Oferecer informações e sugestões para que as mães façam as próprias escolhas.
• Não dar ordens.


3º regra de ouro no apoio ao aleitamento materno

• Garantir que pais e familiares estejam bem informados para que possam apoiar a mulher que
amamenta.


4º regra de ouro no apoio ao aleitamento materno

• Responsabilizar governos, locais de trabalho e sociedade pela criação de um ambiente em que 
toda mulher possa optar pelo aleitamento materno e manter sua decisão.


5º regra de ouro no apoio ao aleitamento materno

• Acreditar que a mãe é capaz de amamentar com sucesso e dizer isso a ela.
• Reconhecer quando uma mulher pode precisar de mais ajuda do que aquela que você pode oferecer


Participe da blogagem coletiva de amanhã, enviando frases, textos curtos, fotos etc para o endereço: borboletapequeninanasuecia@gmail.com. E vamu que vamu!

Malmö, Sumaré e São Paulo: tudo igual no dia de hoje!



Fui checar a temperatura para a próxima semana e vi que, neste exato momento, tá tudo igual entre a gente:

Malmö: 26 graus
São Paulo: 26 graus
Sumaré: 26 graus

Não me contive e precisei registrar! Este deve ser um raro momento do ano em que a gente tá igualzinho, embora vocês não devam estar achando que a temperatura tá tão boa assim pra se estirar na praia... 

Não sei mais nada, só sei que a gente aqui tá sentindo torrando... 

Acho que suequei!


30 julho 2008

Semana Mundial da Amamentação: Seja autor do post dessa sexta-feira!

Há um ano, desde que o Ângelo nasceu e eu o amamento, fico pensando sempre num post que conseguisse expressar o sentimento pelo qual sou tomada... Dias vão e vêm e eu acabo por deixar a idéia de lado, porque acabo por pensar que toda mulher que amamenta deve sentir o mesmo, logo, que novidade eu traria num post como esse?

Mas a Semana Mundial da Amamentação do IBFAN (Rede Internacional do Direito de Amamentar) e a blogagem coletiva, promovida por muitos blogs no Brasil, e motivado pelo Síndrome de Estocolmo, me trouxe de novo o tema na cabeça. Me fez lembrar também de todas as dificuldades iniciais que tive de enfrentar para chegar no ponto que cheguei agora, além daquelas que ouvi de muitas amigas que tiveram bebê na mesma época.

Nessa sexta-feira, dia 01 de agosto, haverá uma blogagem coletiva neste blog e em outros que decidiram incentivar o movimento. Isso quer dizer que a gente vai escrever um post a muitas mãos. Vocês me mandam material. Qualquer coisa: uma frase, um poema, um pensamento. Coisas legais e interessantes de se compartilhar a respeito do ato de amamentar. 

Qualquer pessoa pode enviar seu pequeno texto ou idéia. Qualquer sexo e também as mulheres que nunca amamentaram. Sem medo! Sem muita cobrança de si mesmo, por favor!!! 

Passem a mão na "caneta" e me mandem alguma coisa no seguinte email

borboletapequeninanasuecia@gmail.com.

A gente pode junto colaborar com a promoção do aleitamento materno. Depois é só conferir como ficará nosso post coletivo na sexta. 

"Sombra e água fresca": tô assando a 30 graus...



Eu sempre disse à minha mãe que, apesar de no Brasil não fazer frio de verdade, ela sente frio porque as casas não são preparadas para isso. Sem aquecimento, paredes e janelas fortes o frio entra e é como se estívessemos no meio da rua. Por isso, a sensação de 15 graus é de um frio danado! E por isso eu fico muito bem aqui, com -10 lá fora, quando estou dentro de casa...

Mas esses dias eu pensei que a recíproca também é verdadeira: a temperatura por aqui está extremamente alta para os padrões escandinavos. Segundo minha amiga sueca, Paulina, está quente como não foi há muitas e muitas décadas atrás. 

Tem chegado a picos de 35 graus durante o dia, fora e também dentro de casa, porque, contrariamente ao Brasil, as casas aqui não estão preparadas para aguentar o calor.

Todos os dias tenho escancarado todas as janelas da casa e não é suficiente... A gente se sente assando e a solução é ficar nos parques, embaixo das árvores, ou na praia, onde a brisa é fresca e a gente sente que, ao menos, está aproveitando o sol antes que o inverno chegue...

É o que tem feito a suecada toda lotar praias e praias...

...

Outra coisa curiosa foi ontem, no ônibus... Ao entrar, procurei me sentar com Ângelo do lado que todo mundo estava, porque deduzi que seria o lado onde eu não pegaria sol... Errei! todo mundo se senta no sol, mas eu... brasileira, gosto mesmo é de sombra e água fresca...


28 julho 2008

Viajando pela costa leste da Suécia...


(Pra todo canto é só poesia... Gustavo e Flávia, casal e amigos nota 10!, Åhus, Suécia, julho de 2008)

Na quinta passada, pegamos praia com 36 graus no termômetro e este fim de semana fez muuuito calor por aqui. Foram dias lindos! Céu perfeitamente azul, combinando com o mar imensamente ultramar. 

Com a caranga lotada e a companhia da tia Kátia-Flávia e Senhor Gus, aproveitamos para conhecer a costa leste da Suécia. Fomos de carro até Åhus, passando pela região de Sinrishamn até Kristianstad, parando em algumas cidadezinhas que fazem a gente se sentir dentro de uma folhinha de calendário. Uma das mais lindas é Vitemölla. Tudo perfeito, organizado pela Renatur, nossa agência de viagens particular daqui de casa.


(Em Vitemölla, para reabastecer a turma..., Suécia, julho de 2008)



(Renato, dono da Renatur, com o seu herdeiro, curtindo sol em Åhus, Suécia, julho de 2008)

Não fosse eu ter consciência que só deve estar quente assim aqui e frio aí, como nunca foi antes, devido ao aquecimento global e o que nós fizemos com o planeta até hoje, eu diria que, verão na Suécia pode ser mesmo perfeito.


(Hora de ir embora, mas o Sr. Angelinho só queria voltar para a praia..., Åhus, Suécia, julho de 2008)

Até direito à suecada cantarolando e dançando no restaurante a gente teve. Voleybol na praia, churrasco à  vontade... Sim! Aqui mesmo! Vou tentar escrever um post, apenas com as dicas de viagem que a Renatur fez, e com as fotos mais legais do lugar, porque acho que vale muito a pena, caso você esteja passando por aqui ou planeje passar nessa época de calor e alegria.


(Paisagem perfeita para alguns, às 9 da manhã, Åhus, Suécia, julho de 2008)


(E a mesma paisagem, perfeita para muitos, às 3 da tarde...Åhus, Suécia, julho de 2008)

Por ora, tenho muito trabalho por aqui. Desfazer malas e tudo o mais, arranjar curso de sueco e outras coisas, porque senhor Angelinho logo vai começar na escolinha e eu volto à ativa... Não que eu não estivesse muuuito ativa até agora... 

Ótima segunda-feira pra todo mundo!


(Vista do deck em frente à praia de Åhus, Suécia, julho de 2008)

25 julho 2008

Decorar é a arte de acreditar em si mesmo


(Idéia de decoração do Apartment Therapy)

Há alguns meses, tenho olhado para uma cadeira de escritório muito sem graça, que tenho desde minha época de estudante em Campinas. Eu nem conseguia jogá-la fora, porque, afinal, como cadeira, ela é bastante boa, e nem conseguia usá-la na escrivaninha descolada que compramos no Ikea. 

Minha idéia era pintá-la como se fosse uma pichação: criar mil cores, escritos etc. Tudo muito solto e colorido... mas eu tenho hesitado, desde então...

Hoje vi num blog fantástico de decoração (sugerido pela minha amiga Andréa), esse sofá aí e essa cadeira... Muuuito parecido mesmo com o que eu tinha pensado em fazer, mas não tinha tido coragem suficiente.

Todas as vezes que minha casa, ou minhas aulas, ou qualquer coisa que seja, ficou legal foi porque eu não hesitei em seguir o que tava achando que deveria fazerl! Foi porque eu não pensei o que as pessoas que entrariam em casa pensariam a respeito de um sofá pichado, por exemplo. Essa mulherada desse blog aí não hesita não! Embora o sofá seja apenas uma dica, elas mandam ver na imaginação e acreditam muito no palpite delas mesmo! 

Show de bola! como diz minha amiga cheia das gírias, a Xu-Muié. É só a gente fazer o mesmo!

Celebrando no melhor estilo sueco-brasileiro ou Ângelo fez 1 aninho


O aniversário de 1 aninho do Ângelo na semana passada foi e não foi ao estilo sueco.
Na Suécia as festas são bem regradas. Sejam as de casamento (que quase nunca acontecem, porque quase ninguém se casa oficialmente), sejam as de aniversário que, no Brasil, são regadas a muita comida e gente que não acaba mais.

A gente celebrou de duas formas: um dia apareceu aqui em casa uns amigos chegados e comeram uns super salgadinhos deliciosos que encomendei de uma Wilma espetacular. Isso porque no local onde seria a festinha com a criançada me barraram a entrada da comilança.

O outro dia foi lá neste local que a gente pode alugar e fazer a festinha. Aqui em Malmö você consegue achar uns três lugares assim, como esse que usamos, o Skattkammaron, coisa rara para a Suécia! 

A gente paga por cada criança e ganha lá uns breguetinhos, nada saudáveis, para elas comerem. Diferente do Brasil, a gente não aluga o local todo e põe as quatrocentas e setenta e sete pessoas, infelizmente. As festas de criança aqui aparecem uns 5 gatinhos pingadinhos, porque todo mundo só chama mesmo quem é muuuito chegado. Muito de casa. E normalmente são festas dentro da casa da pessoa. Fomos em uma no sábado, aliás, muito gostosa porque não tinha só as cenouras para passar no molho, como normalmente têm nas festas de criança.

Entonces, foi isso. A gente celebrou. O Ângelo? Festejou muuuito. Parecia que ele tava mesmo sabendo que tava comemorando seu primeiro ano de chegada ao mundo! Dançou de Blitz à ABBA com a gente, em casa. Brincou, cantou, conversou com todo mundo, na sua língua, e não deu um choro sequer.

No domingo, brincou de pirata e aproveitou os brinquedos. Ele não deu vexame. Ao contrário da mãe, por exemplo, que acabou dando um vexame bem à brasileira e chorando no discurso da mesa... Ao agradecer todo mundo que apareceu lá (umas 30 pessoas) e pensar que coisa maravilhosa é poder ter feito todos esses amigos queridos aqui, eu pensei em vocês aí... pensei em como queria tê-los com a gente! com o Ângelo...

Mas sequei rápido as lágrimas brasileiras vexamosas e mandamos ver na alegria!

Esse primeiro ano do Ângelo foi comemorado de forma muito simples, mas inesquecível. Faltou gente que amamos mas sempre nos lembraremos que ele tinha presente o mundo todo... Tinha conosco gente do Brasil, da Alemanha, da Suécia, de Portugal, da Grécia, da Polônia, da Dinamarca, do Irã. Amigos que fizemos, com custo, aqui e dos quais um dia teremos que nos despedir. A gente, brasileira, chora por tudo! Mas minha amiga alemã, a Nikol, disse que acha lindo... rs...

É assim a roda da vida! Um dia se chega, outro dia se vai... E que lindo é tudo isso!

24 julho 2008

26 graus em Malmö!!! uhl! uhl! uhl!

.
(Tá uma curtição danada! embora farra assim eu só tenha visto em fotos, como essa... que uso pra fazer chantagens)


Uêba!!!

Acordamos com 25 graus no termômetro e a coisa tá esquentando...

Angelito já tomou banho de fonte (dont´t worry! a água é tratada!) com a criançada. Pulou, brincou, tomou sorvete e brincou no parque!

E a tarde mandaremos ver uma praia nele!

Uêba!!!

Só para fazer fusquinha para o pessoar que tá curtindo uns 16 graus aí no nosso Brasil veronil!

"O Sol nasceu pra todos e não só para você!
Vote...Quércia, vote Quércia!"

Êpa, creda! Deixa eu parar por aqui!!!

Ótimo dia pra vocês! Aproveitem para ler um livro, tomar uma sopa, ou ver um filminho básico. Minha dica do dia é Piratas do Caribe, porque tô super influenciada pela festinha do Ângelo da qual, aliás, tem fotos aí no link do lado direito do blog.

Nos próximos posts tento falar um pouco do aniversário, antes que ele complete 13 meses...

Hejdå Molly!!!

21 julho 2008

Uma abóbrinha, uma canção e um chororô


Semana passada ganhei dos meus amigos poloneses, Grzegorz e Agnieszka, duas abóbrinhas (Zucchini, em polonês) verdes deliciosas. Grzegorz tem cultivado uma horta, super saudável, no fundo da casa, desde que a primavera chegou.

Acabei por fazê-las, para mim e para Ângelo, picadinhas e regofadas, como minha mãe fazia para eu e meus irmãos. Imediatamente veio à minha memória cenas de minha infância. Minha mãe fazendo seu almocinho de todo dia, a gente fazendo uma bagunça danada...

Pulei, então, para a época em que meu pai e minha mãe começaram juntos uma horta e, entre alguns tapas e beijos, plantavam e colhiam legumes e verduras lindos e deliciosos. Eu a-do-ra-va passar lá nos fins de semana com o Renato e a gente escolhia o que iria levar para a semana... eu adorava gastar meu tempo lá com eles.

Foi rápido o salto que minha mente fez para algumas músicas que meu pai gostava e assoviava, enquanto trabalhava... Veio o Mário Zan, o Liu e Léu e algumas outras canções que ele também tocava em sua sanfona...

Ichi daí deu uma sôdade... Um aperto doído... 

Mas, então, Ângelo estava a puxar minha perna e dizer: mãmamãma... E então eu sorri de contente e pensei que, pra gente de raíz "mineira" assim que nem que eu, o pulo de uma abóbrinha para um chororô é rapidinnn que é uma coisa, mas só porque eu tenho lembrança gostosa pra chorar.


(Rê e Ângelo com Grzegorz e Agnieszka, no caminho de árvores ao lado da casa deles, junho de 2008)

...


Talvez a gente sempre vá relembrar o passado e a infância com tal nostalgia. Ao menos ouvi muitas vezes minha mãe e meu pai falarem de seu passado com o mesmo saudosismo que eu tenho agora do meu. E me lembro deles planejando voltar morar em algum sítio, quando a gente crescesse...

Isso e a música abaixo, provam que não sou a única manteiga derretida no mundo. Dêem uma olhada e uma "ouvida" nessa moda de viola do Liu e Léu e me digam se não é assim mesmo...



Jeitão de caboclo


Se eu pudesse voltar aos bons tempos de criança
Reviver a juventude com muita perseverança
Morar de novo no sítio na casa de alvenaria
Ver os pássaros cantando quando vem rompendo o dia
Eu voltaria a rever o pé de manjericão
A curruira morando lá no oco do mourão
Os bezerros do piquete e nossas vacas leiteiras
O papai tirando leite bem cedinho na mangueira

(Meu avô João, rodeado dos bisnetos, Júnior, Ângelo, Vitória e Luana. O tempo não pára... outubro de 2007)


Eu voltaria a rever o ribeirão Taquari
Com suas águas bem claras onde eu pesquei lambari
O nosso carro de boi , o monjolo e a moenda,
As vacas Maria-Preta, Tirolesa e a Prenda
Na varanda tábua grande cheia de queijo curado
E mamãe assando pão no forno de lenha ao lado
Nossa reserva de mato, linda floresta fechada
As trilhas fundas do gado retalhando a invernada

(Minha mãe e minha avó, as Marias que me ensinaram a amar coisas simples, como as abóbrinhas, novembro de 2007)


Queria rever o sol com seus raios florescentes
Sumindo atrás da serra roubando o dia da gente
O pé de dama-da-noite junto ao mastro de São João
Que até hoje perfumam a minha imaginação
O caso é que eu não posso fazer o tempo voltar
Sou um cocão sem chumaço que já não pode cantar
Hoje eu vivo na cidade perdendo as forças aos poucos
Mas não consigo perder o meu jeitão de caboclo.

(Liu e Léu)

...


ps: Ouça essa chorosa cancão lá sessão de músicas, do lado direito do blog, e deixe sua memória voar...

18 julho 2008

Três coisas que você nunca vai ouvir de um sueco:

(Imagem: "Invasão sueca em Munique", por conta da Copa do Mundo de 2006) 


1. "Fiu, fiu", "Gracinha", "Gostosa" ou qualquer coisa do gênero...

... quando estiver passando ao lado de uma construção ou estiver passeando por uma avenida. 

Aqui na Suécia não adianta seguir aquele esquema, sugerido certa vez no "Casseta e Planeta!", de passar do lado de uma construção de mini saia para levantar a moral. 

Além dos suecos serem ultra discretos e mui "respeitosos", nas construções eles são só uns gatos (você pode pensar em inúmeros sentidos para este termo) pingados, operando as enormes máquinas que fazem a maior parte do serviço pesado. Você será respeitada como se fosse um homem. Para alegria de algumas e tristeza de outras.

Se você ouvir alguma coisa, desse naipe elogioso brasileiro, pode checar que é estrangeiro. Se for loiro, é dinamarquês. 


2. "Passa lá em casa qualquer hora dessas!"

Não ouse! Não ouse aparecer na casa de um sueco, ou sueca, ou telefonar de perto da casa deles, dizendo: "tô passando aí!"... 

E você também não convida "qualquer um" pra ir à sua casa, só porque faz um tempo que não se vêem e se cruzam na rua. Essa frase que a gente fala pra todo mundo, aí no Brasil, aqui não tem vez. A não ser que você queira ser evitado pelo resto da sua estadia.

Uma visita só acontecerá se você for pre-vi-a-men-te convidado. De preferência com algumas semanas de antecedência. Normalmente com tudo bem planejadinho: hora de sua chegada e hora de sua saída. E isso só se você for muuuito chegado mesmo do pessoal da casa.

Eu até apareço na casa dos amigos poloneses, alemães, portugueses e brasileiros desse jeito (e vice-versa), mas não na casa dos suecos com quem fiz amizade.

"Minha casa é meu castelo", diz uma das almofadas de uma loja sueca, onde gosto de comprar. Em castelo sueco só com hora marcada. 


3.  "Por favor"

Segundo minha primeira professora de sueco, não existe uma palavra que expresse isso.
O sueco não pede por favor, ele usa uma interjeição no fim da frase. Tipo: quer pedir algo: ele diz: Café!? e não "Por favor, um café!". 

Até achei uma palavra - snäll - no dicionário, mas ela não quer dizer "please" ou "por favor", mas pode ser usada, junto com outras palavras para expressar essa intenção de.

Lembro que a professora disse que, para um sueco, pedir "por favor" é algo como se rebaixar. Já obrigado (Tack!), eles dizem o tempo todo e de milhares de maneiras diferentes. Tack! não é rebaixar-se, mas ser educado. 

Mas eu non compreendo le diference!

Eu também quero uma casa no campo...

(Vincent Vang Gogh, Paisagem)


Não sei se tem a ver com envelhecer ou não. Ou se tem a ver com viver apenas, mas, cada dia mais, desejo aquela "casa no campo", como cantou a Elis...

Aquele lugar onde tudo e nada acontece. Onde só o que é extremamente simples e profundo tenha vez e só viver importe.

Ou talvez, ainda, eu só esteja muito influenciada pelas paisagens calmas e pacatas daqui da Suécia. Só sei que, num dia como hoje, meio friozinho e tal, eu só tô cantarolando essa música.

....


Casa no campo


Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais


(Elis Regina, música de Zé Rodrix e Tavito)

...

ps: ouça "Casa no Campo" no link de músicas, ao lado direito do blog. 

17 julho 2008

Amanheci pensando no Drummond...



Amar

"Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita."



"Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, 
mas com tamanha intensidade, que se petrifica, 
e nenhuma força jamais o resgata."

16 julho 2008

O Ângelo tá fazendo 1 aninho e tá TODO MUNDO convidado!!!



Gente,

Seguinte: passem em casa hoje as 17:00.
A gente vai cantar parabéns para nosso Ângelo e a gente quer to-do-mun-do junto aqui para celebrar!

Queremos os avós, as tias e tios, os primas e primas, as bizas, os amigos e amigas, as kicas e o monet! Todo mundo mesmo!

Vai ter coxinha, empadinha, bandeirinha, tudo de inha que lembre o nosso Brasil querido e vocês!

Não tem nada a ver essa coisa de distância não! Tomem umas azinhas e venham! 

O Ângelo já ama todo mundo! Através do skype que ele não entende, mas ele ama! 
A gente espera todo mundo aqui! 

Um beijo enorme e obrigado por todo amor que dão ao Angelinho!

Ôpa: ia esquecendo de dizer: Feliz Aniversário Ângelo!!!


14 julho 2008

Resumo da Ópera Mamma, em alguns atos



Por conta da proximidade do aniversário do Ângelo, anda passando um filminho na minha cabeça... Um filme que começou, na verdade, quando soube que estava grávida, logo depois de correr uns muitos kilômetros no Nike 10K.

Eu soube, desde o primeiro segundo, que esperava por um menino. Eu sabia, assim como sei agora, que vou morrer de saudade de cada minuto com esse menino, porque ele tem deixado de ser um bebê muito rápido...

Esse primeiro ano, junto com esse Ângelinho, foi de altas emoções e eu fico toda nostálgica só de lembrar. Ás vezes eu o aperto, assim bem apertadinho, beijo, beijo e beijo muito, só para ver se eu capturo aquele momento e não o deixo ir. Só para que ele saiba o quanto é importante em minha vida.

Já foi dando tanta "sôdade" de lembrar esse 1 ano e 8 meses que tentei buscar nas fotos algo que tivesse sido guardado e pudesse manter a memória eu e Ângelo juntos nesse tempinho e, então, fiz esse pequeno mosaico.

É pouco, mas já é alguma coisa... 

11 julho 2008

Os suecos são discretos de dar nos nervos

(Posição típica do Body Combat: mãos sempre protefendo o rosto , preparando o soco e preparando o gri-to!)


Comecei a fazer Body Combat aqui na Suécia, há alguns meses, porque tinha feito por mais de um ano no Brasil e adorava.

É um tipo de aula que combina várias artes marciais, como o Karatê, Box, Taekwondo, Tai Chi e Muay Thai, ou lutas como capoeira, com música. A técnica, que foi criada na Austrália, precisa ser seguida à risca nas academias que são vinculadas ao programa e, no Brasil, há vários lugares onde se pode fazer uma aula dessas.

Eu havia feito por um ano e pouco aí em São Paulo, no Palmeiras, e era muito bom!

No início você se sente meio idiota de estar lutando contra ninguém, mas depois é incrível, dá uma energia danada, porque trabalha o corpo todo e traz sempre músicas muuuito aceleradas, animadíssimas e legais de se ouvir e praticar. A coreografia é criada a partir da música e atual tem vários temas do cinema, por exemplo, como Rocky, 007 ou Missão Impossível. Pode não ser cabeça, mas é animado que é uma coisa! Você fica se sentindo o Rocky Balboa, naquele com aquele sonzão: "tam tam tam tam tam"...

Aqui faço na SATs, uma academia muito boa e o professor, Sebastian, consegue ser melhor do que todos os caras que já eram bons aí no Brasil. É animado, sabe perfeitamente os golpes, adora o que faz e tem excelente pedagogia. Então, pensando em todas essas coisas legais, eu teria de tudo para ter uma aula de Body Combat inesquecível, suuuper animada aqui na Suécia. Não? Só que tem um pequeno e loiro detalhe:

A suecada (99% mulher) toda fica em... si..lên...cio... psiu... tudo quietinho, só gestos. Parece até que estão lutando apenas Tai-chi.

Na hora daquele golpe fortíssimo com os punhos fechados, ou aquele chute com o pé em que você vai com toda energia e, no qual a música está pá pá pá ... e pede: grite!!! Uáááá!!!

Elas não gritam... Ficam mudinhas, caladas... é um horror.

Só dão o golpe... E eu... aaaaii! eu grito, mas aí fica meio embaraçoso... só o meu grito e o do professor...  Eu realmente não consigo compreender. É claro que eu respeito quem é mais tímido, quem isso ou aquilo, mas numa coisa assim, se você escolhe fazer, é tão esquisito se controlar para não gritar. Acho que não tenho paciência pra gente que se controla num nível assim. E como eu sou "a quite violent", fico pensando "hum... se algum soco escapasse, será que as mulhé gritariam?" 


(Dá para imaginar o Bruce Lee dando esse golpe no Chuck Norris com a boca caladinha? ou os filmes de luta sem os ããáãá?)


Mas eu sei que não adianta reclamar... é o jeitão sueco de ser. Eu sou do tipo brasileira ao extremo. Se uma sueca me pergunta: "você gostou de tal coisa?", eu sempre tenho um: "Amei!, Adorei", ou um "Nossa! detestei!"... Os suecos não... eles saem de fininho, eles nunca são assim: grita ou não grita... 

Então, a minha aula de Body Combat, tirando a trilha e o movimento, é igual a de yoga: animaaada que é uma coisa! As suecas me parecem tão "profissionais" e tão silenciosas tanto em uma quanto em outra... Embora gostem e frequentem assiduamente a aula, permanecem sem se manifestar seja no yoga ou no Body Combat. 

Eu, por minha vez, já sou mesmo igual as brasileiras com quem eu fazia aula... no yoga sou toda concentração e silêncio, mas no Body Combat... ah, minhas filhas, eu ponho a boca no trombone. Eu e minha amiga Ângela, que começou a gritar também, junto comigo. A gente até animou umas duas (estrangeiras), mas não vingou.

A única coisa que anima é que o professor agora fica assim: "Tak! brasileiras, gracias brasileiras, por animarem nossa aula!". Não sei o que a mulherada da aula pensa disso, mas a gente não liga não. Elas são deslumbradas vendo "Sex and the City" e a gente fica maluca na aula de Combat, ainda mais na coreografia da capoeira. Aí a gente pira no final! uhluhluhl! e baate palma! 

Ah! coloquei no link das músicas, do lado direito do blog, o tema do Rock Balboa, com o clipe original do Survivor. Só para relembrar e se animar!

10 julho 2008

Coisas pequenas

(Ângelo..., julho de 2008)

Ainda pensando no post de ontem, sobre a "vontade de mudar", "o mudar de vida" e sobre as "coisas pequenas"...

Coisas pequenas e valiosas que acho que devemos conseguir perceber no meio do corre-corre do dia. Coisas como ter voltado agora há pouco de um parque, ouvindo Ângelo falar com os pássaros. Ou ainda, ver o Renato, no sábado, durante uma hora no jardim, olhando e fotografando seu Angelinho enquanto ele dormia... Ver que ele esperou pacientemente que seu bebê acordasse e só depois subiu as escadas com ele... 

Pensando nessas coisas foi impossível não pensar e querer ouvir Madredeus.

Abaixo a letra de uma das mais belas canções que conheço e, na sessão de links de músicas, do lado direito, o vídeo para inspirar a nossa quinta-feira... Bom dia!


(Pai e filho, ..., julho de 2008) 

 

Coisas Pequenas

"Coisas pequenas são
coisas pequenas
são tudo o que eu te quero dar
e estas palavras são
coisas pequenas
que dizem que eu te quero amar.

Amar, amar, amar
só vale a pena
se tu quiseres confirmar
que um grande amor não é
coisa pequena
que nada é maior que amar.

E a hora
que te espreita
é só tua.
Decerto, nao será
só a que resta;
a hora
que esperei a vida toda,
é esta.

E a hora
que te espreita
é derradeira.
Decerto já bateu
à tua porta.
A hora
que esperaste a vida inteira,
é agora.

Madredeus

09 julho 2008

"Filhos, pra que tê-los?" ou Até meus amigos "bicho-grilo" decidiram ser pais

(O pézinho gordinho do dorminhoco do Ângelo, em clique do pai coruja, julho de 2008)


Ultimamente tenho recebido algumas notícias de amigos que, até pouco tempo, eram totalmente improváveis de serem pais ou mães um dia... 

Improváveis não por serem incapazes, mas porque levavam bem suas vidas sem pensar no assunto e derepente, me dizem: "Somnia, serei mãe, serei pai"... como ouvi de minha amiga maluquinha Lu Dias, de quem falei esses dias, e de meu amigo todo filósofo e descolado Ferracini.

Amigos que mudaram de idéia ou simplesmente acham que chegou o momento de cuidar de outra vidinha também. Talvez a gente mude  porque a decisão de não ter filho é tão difícil que a gente não quer correr o risco. Talvez porque parece um ciclo meio em cadeia... a gente tem os sobrinhos e fica deslumbrado, daí vem o filho de uma amiga e outro e outro e você quer ter alguém para ler aquele livro lindo que um dia leu...

Quer cuidar,
Quer amar,
Quer dedicar tempo a educar...

Quer participar das conversas chatas de fraldas e começar a tirar fotos de pezinhos ... e achar o máximo!

Talvez a gente seja egoísta e queira uma coisa fofa só pra gente, mesmo que por alguns anos...
Não sei como decidimos ter os filhos... mas depois que decidimos é tão impossível pensar que durante tantos anos, eles não fizeram parte da nossa vida... 

Por essas razões eu penso que decidir não ter filhos é uma decisão muito mais corajosa do que o contrário, embora tê-los exija, após isso, uma coragem e uma dedicação que você sequer imagina antes disso...

Depois que eles vêm, fica difícil voltar atrás, porque é impossível não amá-los mais que a gente mesmo... é como se você agora existisse apenas se pudesse pensar essa outra parte de você lhe completando... É bobo, estranho e maravilhoso.

Mas só se você dá o passo nessa direção pode achar, talvez, que o que eu digo não seja idiota...
A verdade é que fico imensamente feliz de ver tudo isso ocorrendo e embora eu sempre repita o mesmo: adoro ver que a vida sempre pode mudar!


08 julho 2008

Alô? quem tá falando? Olá! quem é você que me lê?



A internet é um meio incrível e estranho de comunicação. 
Incrivelmente estranho.
Enquanto escrevo da "solidão" do meu canto, cá nesse país onde nunca pensei viver, a Suécia, alguém que eu nunca, jamais, em tempo algum, conhecerei ou sequer imaginarei existir, estará de lá, daquele seu cantinho "solitário", se comunicando comigo.

Mas eu sou das antigas. Aprendi numa das lições do Crisma que comunicar era uma interação direta entre dois agentes ou mais. Me disseram, naquela época, que quando A falava, por exemplo, B deveria estar todo atento e ouvir. E que quando B começasse a falar, A seria todo ouvidos. Só assim poderia haver uma troca verdadeira entre esses agentes comunicadores.

E talvez seja isso que me dê, de vez em quando, uma coisa incômoda de escrever um blog. Nessas vezes, essa comunicação canhota parece algo em torno de: ou A está se exibindo, sem se preocupar em deixar B falar ou, então, B não está todo atento, ouvindo e, por isso, não tem interesse em responder e em se comunicar.

Delírios de uma rapariga "antigua"... 

...

Mas, porém, contudo, todavia...

Em 3 dias de circulação desse "widgets" (esse negócinho coloridinho que fica passando os visitantes pela sua cidade e seu país), este blog recebeu mais do que a adorada e querida visita da minha mãezinha, Dona Maria, de Sumaré, e de minha sogra assíduasíssima, a Irene, de Santo André.




Para minha surpresa, no total foram:

87 cidades:

- 58 delas, no Brasil.
(excluindo 35 visitas que o programa não reconheceu a cidade e citou apenas como Brasil).
- 14, em Portugal, onde os "amigos" falam a mesma língua que nós e o blog.


15 países:

Brasil e Estados Unidos, do lado de vocês.
Suécia e Dinamarca, na Escandinávia.
Reino Unido.
Portugal, Espanha, França, Itália, entre os países mais chegados da gente.
Croácia, Turquia, República Checa, Indonésia e Japão, para citar os que me pareceriam improváveis.

Tudo bem que eu tenho amigos mui queridos espalhados por uns cinco países diferentes, mas eles não chegam a tantos. E tudo bem também que, muito provavelmente, a maior parte seja de falantes de português, espalhados pelo mundo...

Não sei se o tal do negócinho azul prova alguma coisa. O meu blog é simples e muito pequeno. Recebo em torno de 60 ou 70 visitas diárias. O que não seria nada mesmo, se eu comparar com os "famosos" que recebem milhares por dia. 

Mas esse não é o ponto pra mim. O ponto é eu pensar quem! quem em Umuarama ou Pindamonhangaba! Quem em Santo Antonio de Posse ou em Coimbra! Quem está "se comunicando" comigo?

Eu fico muito curiosa de pensar: que pessoa é essa? como é? o que pensa? como vive? 
E como veio parar aqui? como acabou por chegar por aqui e agora um pouco que reparte a minha história de vida ou o que penso dela.

E, pensando por este prisma, 60 visitas é muito! São visitas valiosas.

Talvez eu deva mudar a perspectiva da minha aula moderninha-ultrapassada do Crisma que tive aos 15 anos. E talvez comunicar, nessa nossa época "de agora", seja algo parecido com aquelas cenas de filmes de ficção, onde a pessoa escolhe viver e absorver determinadas experiências para sua vida e se sente "em sintonia" com aquela vivência.

Não sei não.
Só sei que é curioso e estranho.
Sobretudo porque praticamente a maioria de vocês passa em silêncio...

É muito estranho que todos vocês que me lêem me sejam estranhos.

Ainda assim ou de qualquer forma: obrigada!

05 julho 2008

Por que a Suécia é quase um paraíso para a criançada

(Piquenique com os amigos suecos do Ângelo, cujas mães conheci no grupo de mães, no Pildamnsparken, Malmö, abril de 2008)

Vira e mexe, principalmente num desses dias de quase 30 graus no sol, as amigas que fiz aqui, brasileiras ou não, dizem: "não fosse o inverno, por que a gente um dia iria embora desse lugar, Sônia?". 

E é verdade. Eu acrescentaria, "não fosse o inverno e a saudade da minha gente e da minha terra...".

Claro que viver por aqui, ainda bem mais do que outros países europeus, obriga a gente a viver o esquemão sueco de vida "simplória". Já falei, num post que escrevi logo que cheguei, "Cadê meu entregador de pizza?, sobre como a gente precisa mesmo dar conta de tudo, absolutamente tudo, da vida particular, sem ajuda, porque tem pouquíssima gente no setor de serviços. E você terá que dar conta mesmo que, no Brasil, fosse alguém que pagasse por muito tipo de serviço.

Então, sem contar o inverno (que tem o seu lado peculiar também), que judia da gente e obriga a uma preparação de uma hora e tantos para atravessar a rua e comprar pão, por exemplo, o resto! hum... é muuuito legal mesmo.

Olhando para a vida que as crianças, incluindo o Sr. Angelinho, acabam tendo aqui, tenho a impressão de que é um vidão bom que só vendo. Tomando Malmö e minha realidade, eu citaria as seguintes coisas:



- Playground para a criançada:

(Tem parque infantil pra escolher, bem do lado de casa...)

Dezenas de parquinhos, super equipados e cuidados, por cada quadra que se anda. Por causa disso, mesmo no inverno, o pessoal fica sempre fora de casa, aproveita muito a vida nas ruas e, sem exageros, a gente fica mais fora de casa com os bebês, mesmo com uns 5 ou menos graus no termômetro, do que ficamos com 30 aí no Brasil.


- Segurança:



Segurança para andar com os tais bebês pra todo canto, incluindo o que algumas vários pais fazem que é deixá-los no carrinho, do lado de fora, enquanto tomam um café ou fazem uma compra rápida. Sem roubo. Sem sequestro. Sem medo. Sem sequer pensar que alguém pode querer fazer mal a um bebê. Aliás, medo de não estar segura na rua é algo que eu não sinto mesmo há um ano e meio.



- Parques Ecológicos:
(Ângelo e Caroline, dando comida aos "bambis", num parque dentro da Mata, ao lado da casa de minha amiga Márcia, julho de 2008)

Inúmeros Parques, abarrotados de árvores e animais. Alguns soltos, como patos e coelhos que circulam pela cidade e param o trânsito, outros em pequenos zoológicos, nos quais as crianças ficam quase junto dos bichos. Perto de casa posso contar 3 grandes parques, nos quais chega-se a pé em 5, 15 ou 20 minutos. Dá para ir todo dia, num fim de tarde ou em qualquer tempinho que sobra.


- Trânsito seguro. 
Embora eu já tivesse experimentado a boa sensação de atravessar uma faixa de pedestre e ver os carros parando para que eu continuasse, aqui realmente funciona. No Brasil, vi algo parecido em Vitória, mas não era generalizado. Em alguns lugares, as pessoas paravam, em outros não. Tanto em Malmö, quanto Estocolmo, por exemplo, para tomar exemplos de uma cidade menor e outra bem grande, há faixas de pedestres e placas indicando que eles têm preferência pela cidade toda. A gente fica tão acostumado que pluft, vai se enfiando na faixa e atravessando. A simples intenção de atravessar uma faixa faz com que ônibus, caminhões (que praticamente não existem pelo centro), carros, parem para você passar. 


- Ar fresco, fresquinho que é uma delícia.


(Caminho de árvores que dá na casa do casal de amigos poloneses, Grzegorz e Agnieszka, que conheci no curso de sueco, junho de 2008)

Isso melhora na Primavera e no Verão porque as árvores estão verdes e cheias de folhas. Tudo bem que tem a tal alergia do pólen na Primavera, a qual pega muita gente, mas o ar é tão bom que, mesmo no inverno, as mães colocam os bebês para dormir do lado de fora, só para tomar o ar fresco, evitando, assim, lugares fechados e as chances de pegar doenças.


- Milhares de bicicletas que substituem os carros.

(Um dos modelos de bicicletas muito usados por aqui, embora sejam mais comuns em Copenhaguem)

Também já falei longamente das bikes, num post do ano passado. É lindo. Ecologicamente correto e faz um bem danado pra saúde. Aqui perto, circulam umas 6 mil bikes por dia. Gente que vai e volta do trabalho, de uma cidade a outra. Grávidas, de barrigão, pais e mães que levam suas crianças na escola, com bikes tipo canguru. A gente quer muito comprar uma dessas daí da foto, para eu levar Angelito na creche em agosto. 

É claro que o fato de ter ciclovia em todas as cidades, que continuam paralelas às estradas e te levam de um lugar a outro, fazem toda a diferença. Ah... e quanto mais velha for a bicicleta, melhor e mais chique, além de evitar quaisquer problemas com possíveis furtos, embora a maioria estacione mesmo sem cadeado nenhum pela cidade.


- Piqueniques.

(Ângelito tentando enfiar o dedo no olhinho da suequinha enquanto todo mundo tá distraído, Pildamnsparken, abril de 2008)

A idéia que a gente tem de farofa, por aqui, fica chique e glamorousa. Piquenique é algo que a gente faz todo dia, se o tempo deixar. O pessoal já sai com cestinha, compra do supermercado e tudo o mais. Além de não se ter os quiosques que a gente tem por aí em praia e outros lugares, a comida de casa é mais barata e saudável.

- Praias bem suecas: calminhas, calminhas...


(Ângelo e o amigo Iven, o alemãozinho, na praia de Falsterbö, durante a semana, início da Primavera, maio de 2008)

No inverno eu tinha me esquecido. Malmö, nossa pacata "fazenda" é uma cidade de praia. Então, no verão, o pessoal sai do trabalho lá pelas 4 da tarde e vupt! praia nos bebês! Cada vez que vou na praia daqui morro de saudade da nossa (tentarei explicar o porquê em outro post, outro dia), mas tudo bem! é bom ver o marzão azul, ver as crianças se deliciando na água...


- Mães e pais de licença por um ano:

Esse item merece um post só pra ele, mas só pra resumir: as mães têm licença remunerada total por seis meses, mas podem esticar até um ano e meio, tendo remuneração parcial. Elas também podem dividir com seus maridos a tarefa. Conheço inúmeros pais que estão de "licença paternidade" e passam o período integral cuidando da molecada que... adora!

Viver na Suécia é assim. Você assume tudo de "ruim" e "dificurtoso", mas você tem essas coisas que, em minha lembrança, a gente podia ter há uns 20 ou 30 anos nas cidades interioranas brasileiras. 

Dois lados da mesma Suécia.


03 julho 2008

Coisas de bom e mau gosto no verão da Suécia


Eu sei que a discussão sobre o gosto, incluindo o que seja bom gosto ou mau gosto para um ou para outro, é longa e pessoal, mas algumas coisas usadas aqui na Suécia me parecem ser meio consenso quando falo com algumas pessoas "não suecas" que conheço aqui. 


Coisas de bom gosto ou muito legais no verão sueco:

- curtir o sol e natureza todos os dias, sem exceção, desde que o sol apareça.
- tomar sorvete até nos dias de verão chuvoso ou não tão quentes.
- andar de bicicleta, em família, durante o fim de semana inteiro.
- usar cores e mais cores, sem se preocupar com combinações conservadoras.
- plantar flores lindas e coloridas em todas as sacadas, jardins públicos ou privados e cuidar delas como se fossem pequenas pérolas.
- fazer piquenique em qualquer canto.
- andar descalço pela cidade só para sentir o calor nos pés e se sentir livre. 


Coisas de mau gosto ou "feiosas" no verão sueco:

- biquini calçolão.
- sapatos sociais brancos, vermelhos ou azuis, tipo anos 80.
- sapatilhas bonitinhas, baratas e extremamente desconfortáveis que disfarçam a falta de pedicure.
- casinhas coloridinhas, parecendo favelinhas nas praias, só para guardar trecos.
- tomar sol sem protetor e ficar parecendo maracujá de gaveta aos quarenta e tantos anos.
- deixar todas as crianças, incluindo as de 10, 12 ou mais anos, tomar banho de praia ou nas fontes totalmente peladas.
- trocar a roupa toda, eu digo toda, na praia ou nos jardins, mesmo que tenha se programado para o passeio antes.
 - andar descalço pela cidade e ficar com o pé sujinho e fedegoso e depois entrar num restaurante para comer.