31 agosto 2007

Pê, onde tá me ócrus?



Esses últimos quinze dias estivemos com a visita da Irene e do Caetano, avós paternos do Ângelo (a Mê e o Pê para os íntimos). Entre tantas coisas muito gostosas foi possível matar um pouco a saudade da família (e ficar com mais saudade ainda dos que ficaram), passear um pouco mais, conversar até tarde e rir da Mê e do Pê procurando os "ócrus" pela casa o dia inteiro e tentando acertar o uso dos eletrodomésticos modernos e esquisitos.




Deu para dar uma descansadinha rápida entre as mamadas do Angelito e perceber que haverá muita coisa legal para fazer com ele aqui quando ele estiver maiorzinho.



Os vovôs já começaram a arrumar as malas rumo à Itália... e a vavá tá deixando bolo de cenoura (meio queimadinho, porque ela não conseguiu aprender a lidar com o forno elétrico da casa) e maria mole pra gente ficar com um pouco do Brasil, deles e de vocês aqui...

E nós já começamos a os preparar para a vida a três novamente, na espera de poder mostrar logo o nosso Ângelo para vocês.
Aqui, algumas vááárias fotos do belezão de novo, porque o pessoal já andou me cobrando e como esta casa só mantém o ibope com as fotos dele... aí vai!











28 agosto 2007

Saudade do passado, do presente e do futuro

(Sônia, Renato e o Pavão em Castelo da Região do Skåne. Foto do amigo Hamilton)


Hoje tá fazendo 13 graus aqui em Malmö.
Estamos saindo do verão e entrando no outono, quando todas as folhas verdes que aconchegam a cidade ganharão um amarelo ouro maravilhoso e cairão...

Reconheci de novo a Suécia onde cheguei no ano passado para conhecer e ontem, ao sair de manhãzinha de casa e ver a cidade sob nuvens, sem as barracas e as centenas de pessoas que visitaram o Festival de Malmö, senti uma alegria muito muito gostosa. E eu, que sempre odiei o frio, tive a certeza de que uma das coisas que eu mais sentirei saudade no futuro será dessa temperatura intimista.


(Centro de Malmö durante nevasca no inverno, fevereiro de 2007)

Viver num clima assim é como se você fosse chamado e acolhido para um chá da tarde na casa de alguém muito agradável. E ali se fizesse cercado de livros, de bons e lindos livros. Ficasse numa daquelas conversas gostosas com a voz mais baixa, ao som de um concerto de um Schubert ou um Schuman. Este tempo aqui tem essa cara. Ao menos para mim.

Caminhei rapidamente até meu destino, a farmácia, e atravessei o canal. A penumbra em cima dele, as pessoas com capa de chuva e o silêncio me emocionaram. Tive certeza de que vou sentir muita saudade do que ainda viverei neste lugar.
Sentirei saudade do Ângelo brincando nos parques daqui, do aniversário de um ano, do primeiro dentinho e dele indo pra escolinha sueca. Saudade de embalá-lo para dormir e do Renato abrir a porta de casa as cinco da tarde, de volta do trabalho.

Me lembrarei com ternura do sorriso dos atendentes suecos ao me dizer "Hej!" e vou chorar de saudade ao me lembrar das noites frias em casa ou das cores que invadiam os jardins na primavera e no verão. Eu vou querer de novo passear pelas estradas tranquilas, ver a plantação amarelinha ou os campos cobertos pela neve. Vou desejar imensamente ter a arquitetura vermelha dos tijolinhos à vista daqui. Terei saudade das bicicletas, dos lugares quentinhos e o pessoal a tomar um cafelatte. E quando esse dia chegar eu vou pensar que a vida aqui era perfeita e eu não sabia.

Assim como antes de vir pra cá eu já sabia que "morreria de saudade" do abraço amoroso da minha linda sobrinha Luana e do sorrisão do fofo do Júnior. De ir com minha mãe à horta dela, do pão com queijo quente da padaria perto de casa, do som dos passarinhos na sacada, de pintar até de madrugada no ateliê da Elô...

(Catedral de Lund. Foto do amigo Hamilton, maio de 2007)

E assim, enquanto voltava pra casa, fiquei ainda pensando que o passado, como retrospectiva, às vezes, parece mais bonito, melhor, mais encantador, porque o que era difícil nele já foi superado. O futuro tem um ar saudoso, mesmo ainda sem ter acontecido. Mas é só no presente que se pode ter essa visâo do que passou e só nele pode o futuro pode se tornar viável e real. É só do que eu faço agora que ele depende.

Continuei, entâo, caminhando e sentindo a chuvinha molhada no rosto enquanto meio que concluía comigo mesma: é preciso viver o agora para que eu morra de saudades do presente no futuro e do futuro quando ele for passado. É preciso viver o hoje intensamente. E então voltei feliz da vida pra casa, onde estavam o meu grande amor Angelito, e meus queridos sogro e sogra que cuidavam dele.

(Parque em Copenhaguen, Dinamarca. Foto de José Caetano Pinto)

24 agosto 2007

A Fotografia, o Medo e a Vida


(A Noiva, foto tirada pelo Renato em Londres, na Catedral de San Pietro, em 2006)

Você é um bom fotógrafo?
Eu não.
Já tirei algumas fotos legais que ficaram bem nos meus álbuns de retratos feitos a mão, mas são poucas para contar história.

O Renato, meu companheiro de caminhada, esse sim tira fotos muito boas. E não faz muito tempo ele comprou uma câmera melhorzinha e começou a se aventurar. Ele se arrisca sempre e acaba tendo belas fotografias para que eu faça nossos àlbuns de viagens. Exemplo é essa que abre o texto. A gente tava em Londres, esperando pela Dani e o Rogério, e num piscar de segundos aparece o casal de noivos que acabava de oficializar o casamento. O clique sem medo do Renato conseguiu flagrar a felicidade eternizada da noiva. Um segundo de plena realização que ela jamais esquecerá. Pena ela nunca saber do clique anônimo.

Hoje eu tava aqui embalando o Ângelo e pensando que na vida é a mesma coisa... Pensei isso porque meu sogro, o Caetano, que tá aqui visitando a gente, tirou umas fotografias lindíssimas daqui de Malmö... me fez perceber coisas belíssimas na cidade que eu não tava nem mais pondo arreparamento. E aí ele me falou: "O Re falou pra eu fotografar sem medo..."
E ele, o meu sogro, tá feliz da vida com as fotos que tirou. Não é por menos, as fotos estão muito bonitas.

E acho que a grande idéia é essa... a gente tem que deixar o medo de lado e se lançar por aí.
Não é fácil não. Normalmente temos a tendência de pensar demais, medir demais e aí, puft! já era! a melhor cena passou e não fizemos o que deveria ter feito a tempo.


(Igreja Sacre Couer, Paris,2006, foto de Renato Cechetti)

O problema é que o medo é um grande inimigo, talvez o maior que tenhamos a vida toda. E a verdade é que temos medo de muita coisa...

Medo de amar.
Medo de errar.
Medo de se frustrar.
Medo de perder.
Medo de ganhar.
Medo de não ser bom o suficiente.
Medo de não agradar.
Medo de ser julgado.
Medo de fracassar.
Medo de acreditar.
Medo de se arriscar.


(Tulipas Vermelhas, Bélgica, 2006, foto de Renato Cechetti)

E com medo a gente perde muita foto boa na vida. A gente deixa de ver coisas muito bonitas porque tá ali contando cada clique e esperando um resultadinho apenas. Uma bela foto se faz arriscando-se muitos cliques em muitas fotos feias, não muito nítidas ou não tão bonitas e artísticas. Não tô dizendo que qualquer foto daquelas milhares que tiramos a esmo no celular ou na câmera digital necessariamente serão boas ou farão de alguém um bom fotógrafo. Acho que é preciso focar algo especial, algo que queiramos realmente que seja fotografado e que fique marcado.

A fotografia pode ser arte e, segundo Walter Benjamin (filósofo alemão) ela é a grande arte da época moderna, mas é preciso manter alguma aura, ao meu ver, mesmo nesta arte.

Vai ver a vida é simples assim. É preciso vencer o medo. É preciso por-se de olhos abertos ao que é mais bonito e lançar-se. É preciso escolher algo que realmente queiramos na vida e nos dedicar.

Neste post, coloco várias belas fotos do Renato (o marido) e do Caetano (o sogro) para a gente se inspirar a perder o medo de fotografar e de tudo mais que desejamos fazer.

Aliás, tenho que dar créditos deste post para a Andréa, pois acabei lembrando dessas fotos nossas depois que ela "roubou" uma foto aqui do blog e colocou no dela... aliás, roubo que eu adorei, embora quem tenha tirado a foto, claro, não seja eu, mas o maridão em questão.


(Somnia somniando em Paris, foto de Renato Cechetti)


(Esquina de casa em Malmö, foto de José Caetano Pinto)


(Pildamnsparken, Malmö, foto do sogro José Caetano Pinto)

22 agosto 2007

2000 visitas!!! É o sucesso virtual chegando até nós!



Gente Brasileira, Gente Bonita, Gente Amiga,

Antes que o contador registre o número 2000, quero dizer novamente:
Obrigada!!!

Vocês são demais em continuar acessando o blog! 1 mês e duas mil visitas para quem apenas pensou em escrever algumas linhas e passar os últimos dias da gravidez!

Tá valendo muito a pena porque nem a minha, nem a alma de vocês é pequena. Beijossss!!!




(Tô podendo escrever rapidinho agora porque minha sogra Irene, a vavá do Angelito, tá ninando o belo. Logo depois, um posto novo para vocês)

19 agosto 2007

O encontro

Olha quem chegou para nos visitar, quer dizer, visitar o Ângelo...

A Pê e o Mê agora são internacionais.
Se saíram muito bem com tudo e chegaram em Malmö na sexta-feira.





Olha o Angelinho curtindo o colo da VAvá aí...



O pessoal passou o dia no Festival de Malmö, uma grande festa que ocorre anualmente na cidade...
Enquanto as mulheres tentam cercar o pequerrucho de cuidados...



Os homens comemoram tranquilos experimentando uma cervejinha...



Mas Angelinho avisa as tias e a vovó Maria para se aguentarem aí que em breve ceis poderão curtir o bonitinho também.

17 agosto 2007

30 dias de vida e uma vida pela frente



Hoje faz exatamente um mês que nós "ganhamos" o Angelinho de presente.





Nesses trinta dias aprendemos e ficamos craques (quase, rs..) em como pegar, trocar, acariciar, tranquilizar, nanar e amar um bebê recém nascido.



Essa fase tem sido de uma paixão e um êxtase muito grande, já que fomos apresentados um ao outro depois de uma espera de nove meses. É também de uma loucura geral, porque é preciso que nos acostumemos cada um ao jeito do outro. Que nós o entendamos e que ele se sinta acolhido aqui com nós dois. É um ser humano que existe há muito pouco tempo e precisa se adaptar ao mundo fora da barriga...




Se esses primeiros trinta dias foram tão intensos, imagino que os próximos anos todos da nossa vida sejam de altas emoções ao lado desse Ângelo. Embora a vida seja incerta, a natureza é misteriosa e bela e é isso que dá um belo pano de fundo para a peça que pretendemos apresentar daqui pra frente.




(A sessão de fotos "pantufas" vai para a tia Dri que deu as tais ainda no Brasil e que tava louca para ver o danado com elas, embora não faz mal enfatizar que ele calça as pantufas Dri, mas ama a tia Sandra e a tia Vanessa também, viu tia Sandra?)

16 agosto 2007

Mãe qué é mãe mesmo...


(Picasso, Mãe e criança, 1921)

Mãe qué é mãe mesmo...
Já deu uma de cientista e foi até o quarto do bebê só para checar se ele respirava.
Já despencou de sono em cima dele, feito uma galinha morta, enquanto amamentava.
Já caminhou pela casa na ponta dos pés, como uma bailarina, só para não acordar o pimpolho.


Mãe qué é mãe mesmo...
Já perdeu a conta das mamadas e esqueceu qual o peito deveria dar.
Já deu oi pro lindo rapaz que dormia ao seu lado e dormiu antes de continuar a conversa.
Já adquiriu habilidades múltiplas como comer com uma mão só e fazer xixi com o bebê no colo.

Mãe qué é mãe mesmo...
Ama e odeia, ama e odeia.
Às vezes chora e muitas vezes sorri.
É ao mesmo tempo carrasca e heroína.

Mãe...
é uma garota crescida com uma boneca de verdade nos braços.
Precisa de atenção e carinho tanto quanto seu brinquedo.

15 agosto 2007

Ser mãe é...


Ser mãe é...

Não ter tempo para escrever post,
Não ter tempo para telefonar para a família nem para as amigas,
Sair para comprar uma peça de roupa e voltar só com um body novo pro bebê,
Festejar cada pum e cocô que ele consegue fazer.

Ser mãe é...

Esquecer onde guardava os cremes e a maguiagem,
Sentir-se uma mamadeira gigante sem hora extra paga pela empresa,
Pegar-se de camisola às três da tarde olhando estarrecida para o bebê dormindo,
Julgar-se maluca total ao se pegar gostando muito de tudo isso.

(Créditos da pintura: "Mother and Child", Sandra Suarez, in: http://www.naranjoandassociates.com/sandrasuarez/id8.html)

12 agosto 2007

"Meu primeiro amor..."



Sabe aquelas lembranças que nunca desgrudam da nossa cabeça?
Aquelas memórias que você já nem sabe mais se existiram mesmo, se vocês as criou em sonho ou depois de tanto imaginar a situação?

Em uma dessas madrugadas, entre as muitas mamadas do Angelito, me deu uma saudade bem forte do pessoal de casa. Minha mãezinha, a Luana, o Ju, meu irmãos... Essa idéia remeteu-me na mesma hora a uma música que eu ouvia na infância com meu pai e minha mãe cantarolando: "Saudade palavra triste quando se perde um grande amor, na estrada longa da vida eu vou chorando essa minha dor...". Isso de uma idéia levar a outra que leva a outra e outra se chama, na filosofia, de princípio de causalidade, e eu estudei isso na graduação através das teorias do David Hume.

É incrível como a mente funciona e em alguns segundos eu estava me vendo nos domingos de manhã na cama, ouvindo as conversas entre meu pai e minha mãe, enquanto eles assistiam a um daqueles programas de domingo onde se apresentavam estes cantores, como os incríveis Cascatinha e Inhana... Me lembrei então de minha mãe ouvindo todos os dias o programa do Zé Bétio... e música do Agnaldo Timóteo a cantar: "Quem é?", e outro a responder: "É o Zé Bétio"...

São lembranças engraçadas e muito valiosas.
Hoje é dia dos pais no Brasil. Vamos ligar daqui a pouco para o Caetano, o querido pai do Re. Eu já não tenho mais o meu querido Seu Zé para telefonar, mas hoje me lembrei ainda mais dele, com muito carinho. Pensei que fora nossa mãe que funciona como se fosse quase uma extensão de nós mesmos e a quem a gente ama incondicionalmente, os pais são nosso "primeiro grande amor".

Me lembro de como eu me orgulhava em mostrar a meu pai que estava aprendendo a ler com 7 anos e como ele me incentivava. Me lembro de fingir que estava dormindo no sofá a noite só para ele me pegar no colo e levar pra cama, me lembro que ele me comprava mangas e peixes quando eu ia visitá-lo no domingo.

Me lembrei esses dias de que a infância é maravilhosa... olhei pro Angelinho e pensei que provavelmente assim como eu não tenho memórias de tantas coisas que minha mãe e meu pai fizeram por mim porque eu era pequena demais, ele também não terá essas que eu agora vivo com ele. Ao menos não conscientemente, porque eu acho que amor a gente sente, mesmo sem saber... e ele já deve sentir como o amamos. Ele já meio que sorri e procura pela voz do Renato que não se cansa de brincar, falar e amá-lo... o Renato que eu acho também será o primeiro amor dele, porque eu e ele... a gente já é meio grudado, coisa que o corte do cordão umbilical não conseguiu separar.



A vocês pais frescos e pais antigos, pais magrinhos e pais gordinhos, pais carinhosos e pais secos, pais quietos e pais falantes, Parabéns! Parabéns por serem aquela voz a cantarolar músicas pra gente quando as nossas mãezinhas estavam esgotadas de tanto dar-nos de mamar.

Abaixo, ícone do que eu considerei um presente: um vídeo no youtube da dupla Cascatinha cantando "Meu primeiro amor"... curtam e se arrebentem de chorar... ou de rir... Depende de como forem suas lembranças.

http://www.youtube.com/watch?v=IikOElPqs1c

09 agosto 2007

O que os suecos e os brasileiros têm em comum?



Adivinha onde é que Mamma Somnia e Angelito estão?
Numa praia em Ubatuba?
Curtindo o calor do Nordeste do Brasil?



Nada disso! Eles estão na... Suécia!



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Várias pessoas aqui já me perguntaram: todo brasileiro joga futebol e pula carnaval né?

Não.
Nem todo brasileiro, aliás, milhares de brasileiros, detestam futebol e/ou detestam carnaval, embora realmente estas sejam duas paixões no país. (Nem vou discutir o quanto elas foram transformadas em paixões ou não porque não é o ponto aqui.)
Eu, por meu turno, só fui entender a tal "magia do futebol" depois que o marido palmeireinse me levou numa final do Palmeiras com Cruzeiro no Morumbi. De crítica ferrenha passei a frequentar alguns jogos com ele e gostar de ver o jogo ao vivo. O carnaval ninguém ainda me convenceu a gostar.

É curioso notar como os estereótipos sempre perseguem os países e o que outros povos pensam a respeito daqueles que aí vivem. Baseados nisso, por exemplo, o diretores de "Crash, No Limite" e "Babel" escreveram suas belas e profundas histórias. Não quero dizer que sempre se tem uma consequência tão negativa quanto as que vemos nestes dois filmes. Às vezes são coisas bobas mesmo, como as que tenho presenciado aqui.

Essa semana uma colega polonesa do curso de sueco me disse o que todo mundo aqui sempre me diz: "mas você não parece brasileira... não é a brasileira típica". E eu pergunto: "Mah que brasilera típica, bella?" Não tem brasileira típica. Somos um bando de mulher diferente. Então, eu sempre explico "politemente" que o Brasil é uma mistura de muitas etnias e há gente de todo jeito lá, não só as mulatas gostosas, estilo Sargentelli (ih! denunciei minha idade!)

E não tô dizendo que eles não acharem que eu sou brasileira fale a meu favor. Os suecos (que aliás são muito simpáticos e muito pouco frios) gostam muito do Brasil e os europeus, em geral, também. Gostam da gente porque somos um "povo alegre e receptivo" e porque eles gostam do Ronaldinho, do Ronaldo, da Gisele Bunchen e confundem a gente com eles. Às vezes, sou muito melhor tratada quando digo que sou brasileira. Daí, um sorrisão aparece no rosto de quem estava me confundindo e eu ouço: "Brrrasil?! uau! A beautiful country!"

Um grego, um libanês e um turco muito engraçados, donos de um restaurante, insistiram que eu falasse alemão com eles, porque eles não sabiam inglês e eu não sabia sueco. Então, disseram eles, melhor que eu falasse minha língua, porque eles entendiam alemão. E eu pra eles: "mas eu não sou alemã, eu não falo alemão, sou brasileira, falo português". E o grego: "Não, você não é brasileira com essa cara..."

Já acharam que eu fosse russa, sueca, tudo, menos brasileira. O dono da loja de carrinhos de bebês falou com a gente quase uma hora e depois disse: "Ah, vocês não são dinamarqueses?".

Mal sabem eles que a cor dos cabelos do Angelito denunciam minha tintura... Aliás, por falar no Ângelo, o comentário geral, em todos os lugares aqui sempre foi: "Ele chuta muito? porque, sendo brasileiro, com certeza sera jogador de futebol". Claro que vai! Rs... Eu não tenho nada contra essa idéia, mas que ela é bem estereotipada, isso é.

Por outro lado, percebo nos comentários de muitos amigos brasileiros e da família que a fama de lugar frio, gente fria e seca que vive na terra do Papai Noel também persegue os coitados dos suecos.

Muitos amigos e a família sempre diz: "Mas não tá frio aí?". Nãnãninãnão. É verão. Aqui tá ca-lor... rs... No entanto, essa minha fala parece meio falsa e ninguém acredita muito bem no que eu falo não. Eu mesma devia pensar o mesmo antes de vir pra cá. Acho que as imagens que vemos nos filmes inundaram nosso imaginário a respeito dessas terras aqui e, por isso, se alguém diz: "Sônia e Renato estão na Suécia", um frio sobe a espinha do ouvinte e ele pensa: "nossa, coitados!, que frio!"... hahaha... Vai fazer frio mesmo, mas lá para meados de outubro.

É verdade que quando faz frio é muito mais frio que o que sentimos aí no Brasil. Desde que cheguei peguei a mínima de -10. A diferença é que as casas são super quentinhas e aconchegantes e temos roupas muito boas para sair e ter uma vida meio "normal" durante as nevascas, frio e chuva. O problema maior não é o frio, mas a falta do sol. O Re acaba de ler uma matéria do jornal daqui que fala que este ano, devido ao calor ruim, porque choveu muito, teve mais venda de anti-depressivo do que na mesma época em outros anos. Então o estereótipo do frio esconde o real problema que é a falta do sol.

É engraçado. No fundo eu acho que não tem muito jeito, a gente sempre fica com a imagem mais vendida e com aquilo que estamos mais acostumados a ouvir falar de um lugar. Holanda? Terra das Tulipas ou de gente que fuma maconha o dia todo. Paraguai? Do contrabando. Iraque? Dos homens bomba e por aí vai. O problema do estereótipo é que ele parte sempre da generalização o que, no fundo, pode sempre acaba em prejuízo para uma das partes.


(Adelle, sueca-brasileira, filha da minha amiga Márcia)


(Os colegas de ronco do Angelinho)

Só poesia


(Picasso, O Sonho)

O Tema de Hoje:

Esses dias, ao clicar um conhecido e apreciado blog de uma brasileira que já viveu aqui na Suécia e agora vive nos Estados Unidos, o Sídrome de Estocolmo, fiquei "cá pensando" (como diz Maria, minha amiga portuguesa daqui) que o meu blog estava por demais sentimental. O "Síndrome" é bastante politizado e crítico. A autora, uma jornalista, discute muitas coisas atuais e importantes sem deixar seu blog ficar chato. Na verdade, tive contato com ele ano passado quando fiquei sabendo que a vinda pra cá tinha dado certo.

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto (como escreviam alguns alunos meus), eu tenho recebido alguns comentários sobre os meus simples-ambiciosos textos que me deixa de olhos marejados às vezes. Nem todo mundo me escreve no blog. Recebo vários emails e muitos comentários também no orkut, skype ou no msn. Por coincidência, recebi uns 6 ou 7 ontem de amigos que eu não vejo há um tempão, como o Guido e a Fabi Ossinha. De amigas super incentivadoras e especiais, como a Pinta, Lujan, Mariana, Stela... sem contar as queridas Tia Dri e a Vavá que estará aqui semana que vem e muitas outras tantas pessoas.

Até minha mãezinha, que nunca tinha sequer tocado num computador até eu vir pra cá, me deixou um recado lindo-maravilhoso quando o Ângelo nasceu. Demodesque eu penso que há espaço para tudo... e eu estaria forçando alguma coisa em mim que não é espontâneo. Embora eu ache que seja preciso viver no mundo, estar ciente dos fatos para ser alguém que faça a diferença (por isso sempre fiquei martelando na cabeça dos meus alunos os fatos mais recentes e tentando achar um jeito deles serem críticos quanto a tudo), eu acho também que é preciso espaço para viajar na maionese. Refletir sobre coisas simples, falar da vida e filosofar sobre o que se tem vontade ao acordar de manhã.

(pausa: Ângelo chora no berço... ok... voltou a dormir)

E eu tava pensando ainda o seguinte: se eu escrevo umas "mal tracejadas linhas" que provocam em vocês estas mensagens que são pura poesia, então meu simples-ambicioso blog tá dando um resultado melhor do que eu podia sequer imaginar, quando o Renato insistiu pra eu começá-lo na penúltima semana de gravidez.


As Poesias:

Vocês podem ver os recados poéticos aos quais me referi nos meus comentários abaixo de cada texto deste blog, como no caso do texto de ontem. São coisas simples e lindas como essas palavras que o Guido me mandou por email:

"... desculpa por só agora estar te escrevendo. Você sabe como eu sou... eu sinto as coisas e simplesmente espero que as pessoas captem meus “eflúvios mentais”. Mas na vida a gente tem mesmo que abrir a boca e dizer, pegar a caneta ou o teclado e escrever, se não as pessoas nunca vão ficar sabendo o quanto a gente as ama, estima, valoriza... Essa é uma lição que eu ainda estou aprendendo (a duras penas)."

Não parece um heterônimo do Fernando Pessoa?

Ou ainda a reflexão cheia de psicologia da amiga Stelita: "Não é verdade que a gente compreende mais os pais quando tem filhos? Filhos demandam mais dos pais do que a gente pensa a princípio, não é mesmo?"

(pausa: Ângelo volta a chorar... hum.. parou de novo)

Então, deixemos a espontaneidade fluir e como adorei a idéia de deixar um vídeo com uma música que me vem à cabeça na hora que tô escrevendo, deixo hoje essa maravilhosa canção dos Madredeus no post abaixo. Este é um grupo português que eu sempre admirei e tive a oportunidade de ver ao vivo no pátio de um shopping center em São José dos Campos, com o Re. De graça e de surpresa... um presente.


(E já que o tema é sonho e poesia, uma foto que adoro... Re e eu sonhando nos jardins da Bélgica, em visita ao amigo Hamilton, em 2006)

Madredeus para sonhar

Madredeus
"O Sonho"

(Letra e música: Pedro Ayres Magalhães)

Quem contar
um sonho que sonhou
não conta tudo o que encontrou
Contar um sonho é proibido
Eu sonhei
um sonho com amor
e uma janela e uma flor
uma fonte de água e o meu amigo
E não havia mais nada...
só nós, a luz, e mais nada...

Ali morou o amor
Amor,
Amor que trago em segredo
num sonho que não vou contar
e cada dia é mais sentido
Amor,
eu tenho amor bem escondido
num sonho que não sei contar
e guardarei sempre comigo


Do lado direito do blog, vocês podem clicar e ver uma das três versões do vídeo de "O Sonho", uma música suave e deliciosa que eu ofereço para vocês que se permitem sonhar e falar de coisas "bobas", enquanto o mundo corre.


(Outra vista do jardim do outro post, Bélgica, 2006)

07 agosto 2007

"Eu só peço a Deus..."



Estou longe,
vocês estão longe,
estamos longe um do outro...
Por sorte, o amor e a amizade resistem ao tempo
e à distância e temos a internet para ajudar a matar essa saudade.

Hoje está quente e abafado aqui em Malmö: 28 graus lá fora e sol forte. Muita gente na rua. De biquini nos parques e estirada embaixo das árvores. Gente de roupa colorida, fazendo barulho e tomando muito sorvete.

Hoje me lembrei de algumas coisas de alguns anos atrás. Quando fui morar sozinha numa kitnet em Campinas, depois de ter terminado a graduação. Eu e Renato nos víamos apenas no fim de semana, pois ele morava em São José dos Campos. Eu fazendo o mestrado, ele trabalhando, a gente percebendo que já queria muito ficar juntinho pra sempre, mas ainda não era o tempo. Naquele época lembro de ter pensado: "onde será que os ventos que me trouxeram até aqui me levarão daqui há alguns anos..." E esses dias percebi que estava tendo a resposta de tanto tempo atrás.

Me lembrei também de uma música que eu adorava cantar com uma amiga querida de Bragança, a Susette. Nós cantávamos junto com a Tâmara, uma super doutora em medicina, extremamente sensíve,l que tocava muito bem o violão e tinha uma voz de seda. Anos mais tarde, eu e Jamnete, querida amiga dos anos de Zunicamp, estávamos na Augusta durante trabalho do ENEM, e ela comprou o CD 30 anos de Mercedez Sosa que tem a tal música. Ouvimos aquele mês todo juntas e, depois, ela me presenteou com uma gravação que eu trouxe comigo pra cá e que me alegra vários dias.

De tantas coisas lindas que a letra desta música fala, uma nunca me sai da cabeça... "Que a morte não me encontre um dia, solitário sem ter feito o que eu queria".

Eu queria fazer muitas coisas até que esse dia chegue e, apesar de ter que me consolar de nunca poder ter tudo que gosto ao mesmo tempo, como por exemplo estar aqui e ter muitos dos que amo por perto, ou realizar tudo que sonho pra mim e pro mundo, fico feliz de perceber que caminhei até aqui. Caminhei sempre. E se eu tenho 15 minutos para escrever este post enquanto os dois grandes amores da minha vida dão um passeio pra me deixar descansar um pouco, "eu só peço a Deus" que eu saiba agradecer e dar "gracias a la vida que ha me dado tanto...".

Pra vocês ouvirem e sentirem um pouco o sabor do que tô falando, vai abaixo a letra em português e o original em espanhol da música de León Gieco, conhecida na voz de Mercedez Sosa.

Se clicarem lá em cima, no canto direito deste blog, no link do youtube, conseguirão assistir ao vídeo... Embora eu ame a versão com a Mercedez, achei essa que eu julgo seja o próprio compositor, León, interpretando... Ouçam, tenho certeza que nos sentiremos mais próximos ainda...)


(... que saiba, quando for jovem, o pai legal, engraçado e cuidadoso que teve)


("Solo le pido a Dios", Leon Gieco)

Eu só peço a Deus

(León Gieco, cantada por Mercedez Sosa)

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q’eu queria

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente

Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente

Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente


(... que cresça cheio de personalidade como parece ter até agora)

Solo le pido a Dios

(León Gieco, cantada por Mercedez Sosa)

Solo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente
que la reseca muerte no me encuentre
vaca y sola sin haber hecho lo suficiente.

Solo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente
que no me abofeteen la otra mejilla
despus que una garra me arae la suerte.

Solo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.

Solo le pido a Dios
que el engao no me sea indiferente
si un traidor puede ms que unos cuantos
que esos cuantos no lo olviden facilmente.

Solo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente
desgraciado es el que tiene que marchar
para vivir una cultura diferente

Solo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.






(e que a gente consiga continuar a ajudar no alívio das dorezinhas da vida)